sábado, 26 de dezembro de 2009

Frases simples e despretenciosas sobre grandes assuntos

Meu amigo, daqui até a vida, a gente vai abraçado,
tu querendo ou não.

Martin Fierro, no meio do corre louco,
provando por A+B que não é mais questão de escolha

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Missa do Galo

_____Dói. Mas é sempre suportável, nao por capacidade, mas por teimosia.
Sozinho não estou. sozinho eu sou, mas acho que não é escolha. Pode ser fuga, talvez seja tudo que me sobrou. A magia me arranca do meu vazio, mas não o diminui em absoluto. É irônico estar sempre com vontade de chorar mesmo sem estar triste. Como quem procura sem saber o que está procurando.

_____Em algum lugar aqui dentro eu preciso achar forças prá subir naquele palco e fazer o que esperam que eu faça. Fazer o que eu tenho que fazer. Já separei minha máscara, aquela mesma toda suja e remendada, a que eu mais gosto. Atrás dos meus cabelos seremos somente eu e minha culpa. Fardo pesado e ruim de carregar. Estar pela metada me faz definhar, mas tudo vai dar certo. Se não hover um coração, pelo menos haverá rum. Medo eu não tenho. Numa mão levo a esperança e na outra levo o diabo. E andamos de mãos dadas carregando um ao outro. Eu acredito. Eu sei. Ainda assim vou rezar. E vai chover.

Um dia eu vou encontrar o que tanto procuro.
Se não for o caso de ser encontrado antes.
Tenho o endereço certo dos suspiros
E tenho as duas moedas para o barqueiro.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Agora sim...

O polleto tanto insistiu que aí está o repertório das mercenárias, na sua rasura original.
E parece-me que me disseram que tem show sábado.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

São moinhos.

Ao som de: Tim Maia Racional - Guiné Bissau, Moçambique e Angola


Vocês não precisam ser santos.

Os santos são muito tensos - mais tensos que os pecadores. Tenho encontrado uns e outros e, quando existe a possibilidade de escolher, dou preferência a companhia dos pecadores. Os santos são a pior companhia, pois tem olhos cheios de julgamento para tudo: deve-se fazer isso, não se deve fazer aquilo. E começam a dominá-los, condenam, humilham, insultam, pois o que fazem está certo e o que vocês fazem não está certo. Envenenaram de tal forma a sua natureza que, se fosse necessário encontrar autênticos criminosos, eles serão encontrados entre os seus santos, e não entre os seus pecadores.

A verdade é que os pecadores não tem feito nenhum grande mal a ninguém.


E continua sendo possível enganar uns poucos por muito tempo.
Da mesma forma que é possível enganar muitos por pouco tempo.
Com a dose certa de astúcia, é possível até enganar muitos por muito tempo.
Mas continua sendo impossível enganar todos para sempre.
E enganar a si mesmo não é tão simples quanto parece.

A verdade vos libertará, de fato. Mas o preço vai ter que ser pago.

São Gigantes.

Ao som do barulho monótono do ventilador.

- De novo uma raposa.?
- Simboliza muito mais que o sol
- Vou entender isso como uma ironia. Se todo mundo tivesse louvado uma raposa em vez do sol tenho certeza que tu apareceria vestido de sol.
- Poderia ser uma estrela também.
- Nah, estrela tem relação com a idéia de guiar. E eu já saquei faz tempo que o teu esquema não tem nada a ver com guiar pessoas. Fica com a raposa mesmo, é mais fácil levar uma raposa a sério do que um cordeiro, por exemplo. São só símbolos e o teu livro tá cheio de símbolos ridículos.
- Coisa dos homens daquela época.
- Tu não sente uma espécie de vergonha alheia por causa de tudo isso.?
- Não tem porque. Dar o livre arbítrio foi o equivalente a dizer "eu não me importo". Isso de guiar pessoas nunca daria certo.
- Bate um arrependimento.?
- De vez enquando eu fico perplexo com a capacidade de vocês para fazer o mal. Mas tem muita coisa boa debaixo do céu. Nem tudo me entristece. As vezes as coisas acontecem maravilhosamente bem sem nenhuam intervenção minha. Pequenos momentos que serão memoráveis pela eternidade.
- Pessoas também?
- Sim... sim... e pessoas. Tantas pessoas que mudaram e revolucionaram tudo e que se perderam na memória de vocês. Mas eu me lembro de todos
- Mas isso me faz pensar que lembrar das coisas pra sempre não é fácil.
- Pode ser, mas é bem melhor do que esquecer.
...
- Mas enfim, porque estamos aqui mesmo.?
- Porque podemos. E porque roubaram a placa de ferro que ficava no portão de auchwitz. É o segundo portão mais macabro que tenho notícia. Isso me lembra uma coisa: Tu sabe onde foi parar meu cavalo.? Queria saber como ele está.?
- Claro que sei. A nova dona está usando ele. Ele não parece feliz, mas com certeza parece sereno e em paz. Parece o antigo dono.
...

- Está anoitecendo. Precisamos ir. Tu tem as tuas preces pra atender e eu as minhas pra fazer. O mundo não pára.
- Tu ainda quer a mesma coisa.?
- Claro. Nunca me conceda descansar. E não esquece de mim.

E veio o Zéfiro, soprando suave e agradável do oeste.
E cada vento sopra como tem que soprar.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Eu me chamo Vento...

Ao som de Pirisca Grecco - Sumo de mim

São dias estranhos. Acordo quando amanhece e esquento a água sem deixar ferver. Trato de ler o jornal antes que a minha mãe suma com ele. Encho a cuia de agua fria para assentar a erva e vou lá fora andar na grama de pé descalso enquanto fico tirando a agua fria da cuia. A grama orvalhada e o sol nascendo me dão uma lição de vida sem igual. Com a água quente na térmica cheia, pego o Virgílio, meu metrônomo e minha estante de partituras e fico estudando como se não houvesse amanhã. Às vezes o braço dói, as vezes não consigo ler algum compasso. Às vezes é difícil se concentrar. Essa é minha manhã.

Depois do almoço, deito na cama e durmo com um livro do Jayme Caetano Braun no colo. Ouvindo Pirisca Grecco e sua banda de ciborgues. O sono vem manso, sem culpa, sem pressa. Quando levanto, troco de livro: segredos da improvisação, do Nico Assumpção. Eu, o Metrônomo e o Virgílio de novo. Espero o anoitecer com pressa e quando ele finalmente chega, me cativa enquanto caminho sem rumo pelas ruas do meu bairro. Caminho devagar, prestando atenção nos detalhes que tantas vezes passaram despercebidos.

Com o cabelo e com as asas molhadas de um banho frio, a madrugada é minha. Tudo soando baixinho, pra não atrapalhar o silêncio que eu tanto venero. Rabisco palavras no meu diário e bolinhas nas minahs partituras. Olhando pros dois encontro muitas respostas sobre mim mesmo. A chuva aparece pra me fazer companhia quando eu menos espero. E é com ela que eu durmo um pouco, enquanto espero o amanhecer, sem pressa nenhuma.

Ter uma vida de novo não é nada mal.


"Quando cantava se via naquele olhar machucado
o pensamento empacado nalguma reminiscência,
talvez a velha querência longe na barra pampeana...
talvez alguma paisana desgarronada na ausência...

Numa milonga macia, numa cifra - num estilo
nunca se viu como aquilo tamanha fidelidade,
ora olfateando saudade numa nostalgia langue;
ora farejando sangue num berro de liberdade."
- J.C.B. - Hermano

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

¿E se a estrela ñ se importa em atender pedidos?

euforia
s. f.
1. Sensação fisiológica de bem-estar.
2. Facilidade com que se suporta uma doença ou uma crise que a modifica

catarse (z)
(grego kátharsis, -eós, purificação)
s. f.
1. Filos. Palavra pela qual Aristóteles designa a “purificação” sentida pelos espectadores !e pelos atores durante e após uma representação dramática.
2. Método psicanalítico que consiste em trazer à consciência recordações recalcadas.
3. Libertação de emoção ou sentimento que sofreu repressão.

Euforicamente falando, eu obtive a minha merecida catarse. Depois de tanto olhar pra cima quando estava tocando, foi bom ver o rosto familiar do chão do palco. Faltou o Virgílio, mas o que é dele está guardado. Ganhei um abraço prá me ajudar a levantar. O resto da mágoa eu afogo com chuimarrão.

Amanhã falo mais da festa. E da banda que nós inventamos. E de como mentiras me enojam.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Cápsulas

O diabo mora ao lado, como eu sempre houvera sabido, mesmo sem ter conseguido provar antes.

Tem gente que faz falta naquele bar, tem gente que sobra e tem os essenciais que estão exatamente onde dveriam estar. O time trambicagem tem trincheira cativa no canto oeste do bar.

Tudo meio previsível, mas ainda assim fico muito triste. Mas mas não há problema. Não seria eu se não doesse.

E nem vou tentar me convencer que vou largar dessa vida.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A trégua

Conversas com cotas
Poucas palavras, alguns cigarros e muitas verdades.

É bom saber que me enxergam
Posso não gostar da imagem que os outros tem de mim, mas acho muito bonito alguém conseguir me enxergar como eu sou.

Não sou ruim. Tenho meus personagens, tenho uma série de personagens, mas minha essência é a mesma. Fiz mal a muita gente. Muita gente me fez mal. E a vida continuo igual. Com o próprio único acima tenho uma relação baseada em imprópérios, cobranças e castigos. Ainda assim nos entendemos. O tempo me ensinou a ceder. E a Dona Morte me ensinou que ninguém é mau por dentro.

O Tiago está longe. Aquele em cima das mesas com o brilho no olhar era eu. Só que esse brilho nunca foi propriamente meu. Sou um espelho. Reflito exatamente o que vejo. E o reflexo vai, sem julgamento, sem peso, sem preocupação.

¿Porque agora? Prá quem viu o que viu, não deve ser difícil achar a resposta. Até lá, continua o mesmo conselho, que saiu como uma ordem, mas que na verdade é um pedido:
Vai ser feliz.

Ah, outra coisa, o circo não tem nada a ver comigo. O Vento também está longe e ele não se importa. Espelhos também refletem distâncias.

Qualquer coisa que eu escreva a mais seria desnecessária. Continuo falando melhor através dos silêncios. E dos meus olhares gritantes.

E não há mal que sempre dure.
E não há bem que nunca acabe.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Frases simples e despretenciosas sobre grandes assuntos

"Algumas pessoas acham que foco significa dizer sim para a coisa em que você irá se focar. Mas não é nada disso.
Significa dizer não às centenas de outras boas ideias que existem.
Você precisa selecionar cuidadosamente.”


Steve Jobs, CEO da Apple,
um gênio e um ligador de pontos.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Uma taipa gigante no açude deste mundo

Ao som de Pirisca Grecco (gracias Martin Fierro)

Sumo de Mim

Eu sou escravo das patas do meu cavalo
Onde elas batem também bate o meu destino
Vou feito a luz rompendo auroras do futuro
Meu canto é puro, meu galope um desatino.

A fé que trago embandeirada no peito
Torna meu jeito abagualado mais sereno
E o meu sorriso se concebe a cada passo
Quando me alço e de horizontes me enveneno

E hei, vida vê, que sina de louco
Eu falo pouco para o tanto que conheço
E tenho visto tanta coisa nesse mundo
Que sei ao fundo o que sou e o que pareço

Pareço o vento sem saber pra onde vou,
Mas chego sempre onde preciso me achegar,
Talvez por força de algum Deus
Peregrino como eu
Ou pelo tino, sumo e volto a me encontrar

Pirisca Grecco - Sumo de mim

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Antes de dormir

Foi inevitável, fiquei cantarolandoo dia inteiro




I'm looking at you through the glass
Don't know how much time has passed
Oh God, it feels like forever
But no one ever tells you that forever
Feels like home, sitting all alone inside your head

How do you feel? That is the question
But I forget, you don't expect an easy answer
When something like a soul becomes
Initialized and folded up like paper dolls and little notes
You can't expect a bit of hopes
So while you're outside looking in
Describing what you see
Remember what you're staring at is me

'Cuz I'm looking at you through the glass
Don't know how much time has passed
All I know is that it feels like forever
No one ever tells you that forever
Feels like home, sitting all alone inside your head

How much is real? So much to question
An epidemic of the mannequins
Contaminating everything
When thought came from the heart
It never did right from the start
Just listen to the noises
(no more instead voices)
Before you tell yourself it's just a different scene
Remember it's just different from what you've seen

And it's the stars, the stars
That shine for you, yeah
And it's the stars, the stars
That lie to you, yeah

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A Blaze of Glory

Ao som das músicas novas da Salve Ferris

E finalmente eu e o Campa tocamos juntos. Foi muito bom. Até a chuva deu uma passada na cidade na tarde para desejar boa sorte.

Perdi-me na letra de through the glass. Perdi-me num olhar. E no meio de um solo em Mi menor.
Mas, ¿e daí? level-up prá mim. Continuo invisível atrás dos cabelos. Saí do palco com a perna doendo de tanto bater o pé no chão e com sorriso bobo de criança. Noite memorável.

P.S.
Não vou falar nada sobre sábado.
O velho feitiço estava lá.
E eu ali, no meio do rodamoinho, fazendo o que faço de melhor, para o bem e para o mal.

Ventando.

P.S.2
Tu podes continuar longe, tenho certeza que, mesmo bêbado de domecq, não falei chinês. Fui sincero e tenho certeza que fui bem claro.


P.S. 3 Campa e Gra... Mil vezes obrigado.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Espólios

Ainda ao som do repertório de blues e pedreirices.

_____É claro que os torcedores do Caxias estão fazendo festa pelo rebaixamento do Glorioso. Considerando que vai ter Caju na série C, o caxias já está com 3 prontos garantidos. 6 se forem jogos de ida e volta.

_____Tenho que prestar minha homenagem ao Gabiru. Ele esteve presente nas duas conquistas mais importantes do futebol gaúcho da década. Marcou o gol decisivo do título mundial do colorado e decretou o rebaixamento do alviverde serrano para a série C, com o segundo gol do Guarani. Outro que merece reconhecimento é o zagueiro Márcio Alemão, ex-zagueiro nazista do Juventude. Ela não foi hipócrita e demonstrou toda sua alegria e contentamento por poder ajudar a rebaixar o Ju.

_____É muito fácil não gostar do Juventude, basta um pouco de critério e de atenção aos fatos. E amor próprio, é lógico.

_____Superação é uma palavra que ainda reverbera no Estádio Alfredo Jaconi, (que deve ser um dos mais modernos da série C, tenho que reconhecer), os dirigentes, o técnico, os jogadores, todos disseram que era preciso superação e blablabla. No fim de tudo, houve a tal superação. o Juventude se superou.
Era preciso se superar para conseguir cair. O glorioso conseguiu.

_____Prá quem não sabe, o Peca (também conhecido como meu pai) tem a mania de rabiscar comentários no Pioneiro, um jornal local tão ou mais ridículo que o próprio Ju. Quando fui para a cozinha almoçar me deparei com uma ótima pergunta escrita na cara do Mendes, o clássico boêmio que era referência no ataque alviverde. O que me faz pensar: cachaceiro, mercenário, perna de pau e chorão... cada time tem os ídolos que merece. ¿E conseguirá o Lauro completar 1000 jogos pelo Alviverde antes do Ju cair para a série D ou, quem sabe até, voltar para o amadorismo.?


Essa comédia está longe de terminar.

Justiça

Tudo começou aqui.

E agora, para não me prolongar muito nesse momento de regozijo, não posso dizer nem mais nem menos do que:

EU DISSE QUE, NO FUTEBOL, AS COISAS
SEMPRE VÃO PARA OS SEUS DEVIDOS LUGARES, MESMO QUE DEMORE.


Que essa pixotada sirva como lição e que os papos aprendam, enfim, um pouco de humildade. E que se conscientizem sobre o seu lugar. E sobre o real tamanho do Juventude, que é bem menor do que o ego e a mentalidade da sua torcida, sem falar na inveja dos times maiores.

Por mim, a campanha "GLORIOSO RUMO A SÉRIE D" continua. O ano do centenário tá aí, ainda dá tempo. Esse blábláblá de "Voltaremos" não convence mais ninguém. O lance e aceitar os fatos e acelerar o processo em direção ao fundo do poço.

Dito isso, volto a me importar com o alviverde o mesmo tanto que me importo com os cupins da Africa do Sul.

sábado, 28 de novembro de 2009

Anotações num canudo

Ao som do repertório de blues do Campa
(comprar um baixolão ou não, eis a questão)


Alguma coisa mudou. Elas sempre mudam.
Continuam iguais e nunca mais voltam a ser como eram.
Ela sabia que eu estava olhando. E ali eu me convenci. Ela pode estar certa. Mesmo que eu seja um caminho sem coração. E então a raiva passou. Toda a raiva. E um batalhão de coisas começaram a fazer sentido.

Entendi uma coisa importante nessa madrugada, mas simplesmente não consigo explicar em palavras. E olha que as minhas duas horas de sono me deixaram bem tagarela.

E a chuva/neblina desta manhã não é culpa minha. Quem redigiu o memorando foi a Babi, eu só o entreguei. Boas férias, meu unicórnio.

Eu tenho a melhor irmã do mundo. Ver ela dançando Beatles y otras cositas más como se não houvesse amanhã valeu a minha noite.

E, no final das contas, sou só um principezinho repetindo coisas, afim de me lembrar.

Frases simples e despretenciosas sobre grandes assuntos

"Isso aí o mercado se encarrega ou de ajeitar ou de fazer sumir."

Casara, o César,
referindo-se a bandas com um certo comportamento recorrrente,
ao qual eu me refiro como "síndrome de banda grande"

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Na madrugada....

Ao som do Virgílio cochichando notas

_____Se por longo tempo ele mal ousou perguntar: "por que tão à parte? tão solitário? renunciando a tudo o que venerei? renunciando à propria veneração? por que essa dureza, essa suspeita, esse ódio as suas próprias virtudes?" - agora ele ousa perguntar isso em voz alta e ouve algo que seria uma resposta. "VocÊ deve tornar-se senhor de si mesmo, senhor também de suas próprias virtudes. Antes eram elas os senhores, mas não podem ser mais do que seus instrumentos, ao lado de outros instrumentos. Você deve ter domínio sobre o seu pró e o seu contra, e aprender a mostrá-los e novamente guardá-los de acordo com seus fins.

_____Você deve aprender a perceber o que há de perspectiva em cada valoração - o deslocamento, a distorção e a aprente teleologia dos horizontes. Também o quê de estupidez que há na soposições de valores e a perda intelectual com que se paga todo pró e todo contra.

_____Você deve aprender a injustiça necessária de todo pró e todo contra, a injustiça como indissociável da vida. A própria vida como condicionada pela perspectiva e sua injustiça.

F.N. Ainda humano, demasiado humano.


_____Eu perdi muito tempo negando a mim mesmo. Tratando minha essência como se fosse algo que eu devesse esconder ou disfarçar. E fiz isso tantas vezes que chega a ser estranho pensar que as vezes quase sempre sou o único refúgio que me resta. Tudo de cabeça pra baixo. minha sinceridade, minha entrega obstinada, outras coisas que deveriam ser boas e que são consideradas defeitos. Não descanso da minha idéia de não contar com as pessoas. E estou quase convencido que isso é virdtude.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Eu quero mais

Ao som do repertório de blues do Campa

_____
Há um estado intermediário, que sempre será lembrado com emoção. Uma pálida e refinada felicidade de luz e sol que lhe é peculiar, uma sensação de liberdade de pássaro, de horizonte e altivez de pássaro, um terceiro termo no qual curiosidade e suave desprezo se uniram. E assim se vive, não mais dos grilhões de amor e ódio, sem Sim, sem Não, voluntariamente próximo, voluntariamente longe, de preferência escapando, evitando, esvoaçando, outra vez além, novamente para o alto.


_____Este homem pe exigente, mal acostumado, como todo aquele que viu abaixo de si uma multiplicidade imensa. E ele torna-se o exato oposto dos que se ocupam de coisas que não lhes dizem respeito. De fato, ao espírito livre dizem respeito, de ora em diante, somente coisas - e quantas coisas! - que não mais o preocupam...

F.N - Humano, demasiado humano

sábado, 21 de novembro de 2009

Lararará

Ao som de: Rush - Tom Sawyer

Saiu o resultado do Financiarte, mostrando que a Secretaria de Cultura continua com a idéia de enfiar o critério na bunda. Com o agravante de tirar o Casara prá Cristo. O ano promete ser longo. E fico feliz, quase envaidecido, por ter participado de alguns dos projetos que passaram.

A noite foi longa. Devia mesmo ter seguido a idéia da fada e ter ido pisar na areia. Mas a estranha sensação de que eu era necessário aqui me ancorou na estação férrea. E teve blues com o som muito bom. Jam session que me arrepoiu. Meu unicórnio de olhos verdes e eu com vontade de rubar toda dor dela prá mim. Teve pedido de casamento (tudão) e a mina enrolando o cara. Teve estupidez e eu tive que pedir desculpas de joelhos. Teve vontade de engolir. Quase teve chinelagem. Quase. E por baixo do chapéu e da chuva, vivemos bem a noite. Mas uma pergunta da Cla no palco do vagão quase me derrubou.

Como faz pra dizer que não?
Como se disfarça a intenção?
O que fazer com a obrigação?
Como faz pra te conhecer?
Como faz para te esquecer?
Como faz para amar você? Você.

Como faz para não cantar?
Como faz para arrepiar?
Como faz para se entreter?
Como faz para andar na rua?
Como faz para ver o dia?
Como faz para ter alegria?

Como faz para musicar?
Como faz pra não machucar?
Como faz para se libertar?
Como faz pra ficar feliz?
Como faz para não morrer?
Como faz para entender?

Que se faz...
Só para fazer.

Ana Cañas - ?

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Soando simples

_____"De fato, eu mesmo não acredito que alguém, alguma vez, tenha olhado para o mundo com mais profunda suspeita, e não apenas como advogado do Diabo, mas também como acusador de Deus.

_____E quem advinha as consequências dessa profunda suspeita, os calafrios e isolamentos que essa incondicional diferença de olhar provoca, compreenderá também que para recuperar-me de mim, como que para esquecer-me temporariamente, procurei abrigo em algum lugar - em alguma adoração, alguma inimizade, leviandade, cientificidade ou estupidez. E onde não encontrei o que precisava, tive que obtê-lo à força de artifício, de falsificá-lo e criá-lo poeticamente para mim (¿que outra coisa fizeram sempre os poetas? para que serve toda a arte que há no mundo?).

_____O que sempre necessitei mais urgentemente, para minha cura e restauração própria, foi a crença de não ser ou ver tudo tão solitariamente. Acreditar numa mágica instituição de semelhança e afinidade de olhar e desejo. Um repousar na confiança da amizade, uma cegueira a dois sem interrogação nem suspeita. Uma fruição de primeiros planos, de superfícies, do que é próximo e está perto. De tudo que tem cor, pele e cheiro.

_____Sozinho ou não, minha astúcia de autoconservação é ofuscada por uma falsidade que ainda me é necessária para que continue a me permitir o luxo de ser verdadeiro.

F.N. - Humano, demasiado humano."

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Enquanto isso, no MSN

"Maurício diz:
cara, se os estúdios da cidade fossem filmes do stallone, tu seria o rambo

Vento diz:
e tu seria o stallone cobra

Maurício diz:
facilmente uahhuaauaaahuahuahauhauhauhauhauhahuuhauhuhauhuhauhuhaauhauhuahuhh
tipo
no um, tu só queria fazer um lanche antes de ir embora da cidade
ai vem uma mae do norman
encher teu saco
e tu tem que destruir com a cidade"

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Contexto

Ser uma unanimidade na cidade em que eu moro não é fácil. Mas há quem consiga. Há quem se esforçe para tal. Não é fácil ter a antipatia de todos. Mas há quem consiga. Com méritos.

E todo mundo tem o que faz por merecer. Todo mau caratismo, todas as mentiras, a arrogância e a prepotência. Tudo, tudo , tudo isso vai ser pago.

Não que eu me importe com a aprovação das pessoas, mas faço questão que certas pessoas não gostem de mim. Se algum de vocês concordasse comigo eu mudaria na hora. Eu não suportaria viver com a simpatia de vocês. Ou sob os mesmos princípios medíocres e baixos. Ver meu nome mal falado por vocês soa como o mais doce elogio nos meus ouvidos.

Não quero que nenhum de vocês morra. Mas aguardo com carinho que vocês se fodam. Longe, muito longe de mim.

Seja num falso templo que vai falir, na inveja cega e sem razão, no chumbo trocado para amenizar a vergonha, no vazio de uma meretriz ou no amanhecer da verdade, de qualquer forma o preço terá que ser pago.

Infelizmente, senhoras, senhores, bovinos e demais animais, o tempo parece estar muito mais a meu favor do que a vosso.


"Cantarei a misericórdia e o juízo.
Portar-me-ei com inteligência no caminho reto. Andarei em minha casa com um coração sincero.
Não porei coisa má diante dos meus olhos. Odeio a obra daqueles que se desviam; não se apegará a mim.
Longe de mim estará o coração perverso; não conhecerei o mal.
Aquele que murmura do seu próximo às escondidas, eu o destruirei; aquele que tem olhar altivo e coração soberbo, não o tolerarei
Os meus olhos estarão sobre os fiéis da terra, para que habitem comigo; o que anda num caminho reto, esse me servirá.
O que usa de engano não habitará minha casa; o que fala mentiras não estará firme perante os meus olhos.
De manhã em manhã destruirei todos os ímpios da terra, para desarraigar da cidade todos os que praticam a iniqüidade."
- Salmo 101

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Autista...

Ainda sobre o Dom Quixote, o Martin Fierro e o Mito. Há outra coisa que nos une, além do primeiro verso da poesia aquela e da nossa loucura, tão peculiar em cada um. Normalmente somos melhores do que a imagem que fazemos de nós mesmos

E piores do que as pessoas tendem a acreditar.

E, em cima do mesmo palco, eu aprendo a ser feliz sem culpa.
Escondido atrás de um olhar psicopada e um sorriso meigo.
E de um chapéu canalha.

o "EU NÃO ME IMPORTO" tem uma evolução: o nome dela é "ESTILO FODA-SE".
E lá estávamos eu, o Jonatan e o João no melhor estilo foda-se.

Havia uma geminiana e, como é de direito dela, fazida até o talo.
De fato ela tem o nome, o signo e a malicía necessárias para tal.
Há quem queira peitos, há quem queira entender.
Há quem queira um lugar para tomar um banho.
Há quem seja uma putinha, mesmo sem ser mulher.
Há quem seja bom, mesmo com tudo remando contra.
E no meio de tudo isso, eu vou embora sem olhar prá trás.
Minha liberdade me permite.
Continuo admirado com o potencial que a vaidade e a arrogância tem, enquanto pecados.

Sinto falta da minha espada.
E não sinto falta nenhuma da minha inocência.
E não há palavras para descrever a simplicidade do que quero.


"tem o instinto, que a liberdade deu,
tem a malícia, que a cada esquina deu,
conhece puta, traficante ladrão, toda raça
uma par de alucinado e nunca embaçou"

Seria bonito dizer que tenho muitas certezas e uma única dúvida.
Só que eu tenho uma única certeza e todo o resto é negocíável.

E pensar que todo um mundo de gente vive mesmo sem ter certeza de nada.
Cadê o mar quando se precisa dele.
A próxima cuia é minha.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Já faz parte de mim.


...Tudo pra ti
Já que eu cerquei
Tudo ao redor...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Compensação

O mundo é bom. Numa madrugada posso me cercar de Maurícios e de litros de polar e podemos conversar sobre tudo. Na outra posso sentar na janela e escrever poesias.
Dezembro vai ser a mesma correria de shows. Espero que eu encontre um novo sentido até lá.
E que essa sexta-feira 13 seja uma catarse. E que a camisa do grêmio sirva de escudo.

Canção

Nunca eu tivera querido
dizer palavras tão loucas:
bateu-me o vento na boca,
e depois no teu ouvido.
Levou somente a palavra,
deixou ficar o sentido.
O sentido está gravado
no rosto com que te miro,
neste perdido suspiro
que te segue alucinado,
no meu sorriso suspenso
como um beijo roubado
Nunca ninguém viu ninguém
que o amor pusesse tão triste.
Esta tristeza não viste,
e eu sei que ela se vê bem...
Só se aquele mesmo vento
fechou meus olhos, também...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A correria me deixa materialista

Ao som de: Chico Buarque, pela visita e pelas ondas

_____Perguntas que devem ser respondidas só com sim ou não são as minhas preferidas. O Martin Fierro me sentenciou uma e eu fiquei pensando: As coisas raramente são uma coisa ou outra. Tudo ou nada. No meu caso, eu teria tudo para responder não, mas como a resposta sincera seria 90% não e 10% sim, tive que responder sim. O não só funciona como uma certeza. Todas as dúvidas ficam englobadas no sim. E perdi uma hora e duas polares me justificando. E me senti um idiota por falar a verdade prá (mais) um cara que já mentiu descaradamente prá mim.

_____No estúdio, a desorganização do meu chefe continua tranformando qualquer plano que eu tente fazer numa aventura randômica. Preciso contratar mais alguém, mas não consigo imaginar ninguém que tenha a responsabilidade, a eficiência e a independência necessária. Penso nas outras soluções possíveis, mas sem esperança. E tranformar problema em solução nunca é bom negócio. E há ainda a polarização causada pela volta do Maurício. Sendo bem egoísta, eu ainda me pergunto: ¿porque aquelas duas mulas tinham que brigar.?

E sigo fazendo repertórios e batizando coisas com nomes carregados de significado. Nos dois trabalhos eu sou o diabo. Pelo menos haverá uma banda com alma e um sistema de gravação com o qual eu vou poder conversar.

Já que não vejo nenhum show nos próximos dias, minha espada vai ser reforjada mais uma vez.
A nova onda é mentalizar as notas.

E admitir que não sou um santo no meio de pecadores, sou exatamente igual.
Mas ainda não perdi o respeito pelas pessoas.
Nem a vontade de tornar-me bom, apesar de mim mesmo.
A correria me deixa materialista, mas a ponte continua aberta.


E a verdade virá.
É possível enganar uns poucos por muito tempo
É possível enganar muitos por pouco tempo
Mas não é possível enganar todos para sempre.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Os centauros da rurgs

"A casa vai cair, mas não é qualquer casa. É uma casa que o sujeito que vai fazer a mão vai ser pago em pedra. E por 20 pila a mais (3 pedras) ele garantiu que vai cuidar do design do interior."

- Martin Fierro, na preleção para as aleatoriedades reunidas que aconteceram na sequência.

E teve dancinha aleatória, resenhas e tangos na força, chimarrão de pura folha, canalhice roots, folclore cisplatino e análise tática do futebol gaúcho enquanto modelo para qualquer outra coisa.

O processo randômico é irreversível. Um dedo apontado para a própria cara e o recado está dado.

Lá se vai minha idéia de uma semana tranquila.

Da rurgs.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Finalmente deu tempo

Igreja de São Pelegrino, sentados do lado do Altar, eu e o Padre Mario.

_____- Eu te vi no jornal
_____- Pois é, mas eu espero que tu não pense que eu sou mais importante ou melhor só porque apareci no jornal.
_____- Tu sempre vai ser o meu coroinha maluco.
_____- Melhor assim. Eu vim porque tenho uma coisa prá te falar. Eu não quero discutir, mas eu precisava falar disso contigo.
_____- É alguma coisa séria
_____- Pode até ser, mas quando eu fiquei sabendo foi normal. Até porque eu já desconfiava.
_____- O que é.?
_____- Eu vim te dizer que Jesus não morreu na cruz.
_____- ????????
_____- É isso mesmo. A história tá toda torta.
_____- Como assim.?
_____- O lance é o seguinte. O pilatos não lavou as mãos coisa nenhuma. Ele não queria uma revolução, por isso teve que ceder, mas não ia deixar matarem o cara assim sem mais nem menos. Queriam crucificá-lo, tudo bem, mas a tal da crucificação foi numa sexta. Quem arranjou isso foi o próprio Pilatos e um simpatizante rico de Jesus. O pilatos disse prá crucificá-lo numa sexta, para que ele fosse retirado da cruz no fim da tarde, antes do sabá. Todo mundo sabe que os judeus não fazem nada no sábado. Eles não podem fazer nada no sábado, o que inclui deixar alguém pendurado morrendo. E não é bem assim prá morrer numa cruz. Dá prá ficar lá dois dias antes de morrer. Então crucificaram Jesus, o Dimas e o outro cara que não importa tanto e no fim da tarde de sexta tiraram eles de lá. Ele devia estar muito fraco, já que provavelmente tinha perdido muito sangue, mas estava, definitivamente, vivo. Daí os apóstolos cuidaram dele e no sábado, ele foi embora antes que o judeus resolvessem enforcá-lo. Foi tudo muito rápido, os fariseus e os judeus não podiam vê-lo vivo. Os fariseus porque ele ameaçava a doutrina deles e, por consequência, a grana que eles tiravam do povo. Os judeus porque estavam ainda com o sangue nos óio. Então era primordial que Jesus saísse de Jerusalém.
_____- Tá, mas e o túmulo, a gruta de José de Arimatéia.?
_____- Então, o túmulo não foi prenchido com terra, como era costume dos judeus, ele simplesmente foi vedado com uma enorme rocha. Tudo para que fossse possível respirar lá dentro. No domingo, quando os perdidos que não sabiam da conspiração foram lá fazer o que não podiam fazer no sábado, encontraram o túmulo vazio. A conspiração tinha dado certo e Jesus já estava longe. O guarda romano que estava lá estranhamente não tinha visto nada durante a madrugada. Como era impossível prá Jesus ter aberto o túmulo sozinho e como não havia corpo nenhum, começou a história da ressurreição. E ela se espalhou por que não havia prova nenhuma contra ela, mesmo não havendo nenhuma prova a favor. E alguém deve ter visto jesus indo embora.
_____- Embora pra onde.?
_____- Prá Caxemira.
_____- Por que na Caxemira.?
_____- É uma coinscidência que tanto Moisés quanto Jesus tenham morrido na Caxemira. Moisés foi até a Caxemira para procurar uma tribo de judeus que havia se perdido no caminho entre o Egito e Jerusalém. Depois que todo mundo se acomodou em Jerusalém ele saiu procurando a tal tribo e a encontrou na Caxemira. E ele viveu lá até morrer.
_____- Tá, mas e Jesus.?
_____- Jesus também foi para a Caxemira porque na época já se sabia que Moisés tinha lá encontrado a tribo perdida. As portas da Judeia estavam fechadas pro cristo, já que podiam querer crucificar ele de novo. E o único lugar onde encontraria um povo falando a mesma língua, um povo com a mesma mentalidade, no meio do qual não seria um estrangeiro era a caxemira. Era natural que ele se drigisse prá lá.
_____-...
_____- Mas ele havia aprendido a lição. Desistiu de ser o único filho de Deus, caso contrário os judeus de lá podiam tentar crucificá-lo de novo. Ele deixou de lado a idéia de ser um messias e ficou lá de boa com alguns amigos e seguidores mais próximos. E o túmulo dele está lado a lado com o de Moisés. Com inscrições em hebraico e tudo.
_____- Do lado de Moisés, que era tido como um dos grandes profetas.?
_____- Jesus, ou melhor, Joshua, como ele era chamado em hebraico não era um qualquer, ele tava envolvido na causa de Israel. Fora que, tenho quase certeza que foi na própria caxemira que Jesus estava entre os 13 e 30 anos, o período em que a Bíblia simplesmente ignora seu paradeiro. Então ele foi prá Jerusalém pagar os pecados e depois voltou pro lugar onde tinha passado sua juventude. E foi enterrado ao lado de Moisés. E os dois túmulos são prova suficiente, já que são os dois únicos que não estão voltados para Meca. Os muçulmanos controem seus túmulos com a cabeça voltada para Meca. E nos túmulos existem inscrições em hebraico, o que seria impossível num túmulo muçulmano. Tudo isso num lugar chamado Pahalgam. Pahalgam significa a "cidade do Pastor", o que não é de se estranhar já que Jesus frequentemente se apresentava como "o pastor". E ele era descendente do Rei Davi. Ele não seria de modo algum, um qualquer.
_____- Tu esta querendo convencer um padre que toda a história de Jesus e da igreja católica é uma mentira.
_____- Uma mentira não, um embuste, um dos maiores. Mas como eu disse, não quero discutir. Toda história tem dois lados. Achei justo vir aqui e te contar o outro lado. Falando não com um padre, mas com um amigo.
_____- Tu nunca foi muito fã da Igreja católica, mas isso tudo é loucura.
_____- Não estou falando de igreja, estou falando de uma mentira. Pensa bem, A bíblia afirma que Jesus vai voltar. Se ele voltar o papa será a primeira pessoa a pedir que ele seja novamente crucificado, pois Jesus vai atrapalhar o negócio todo. Era o que ele fazia da última vez que esteve aqui.
_____- Se tu não gosta da igreja, porque vem até aqui quando procura conforto.?
_____- Porque aqui, nessa igreja eu me sinto em paz. Aprendi a ler em latim por causa desse teto. Nunca gostei das imagens de santos, mas chamo aquele São Franscisco da porta de chicão desde que consigo alcançar nos pés dele. Acho os 10 mandamentos uma idiotice, já que eles não tem uma hierarquia e, portanto, tanto faz matar alguém ou querer comer a namorada de um amigo. Mas mesmo com tudo isso, ou melhor, apesar de tudo isso, eu sempre venho aqui e sento embaixo desse altar prá gente conversar. Aqui fui batizado sei lá quantas vezes. Aqui comemorei minhas vitórias e me recuperei de algumas derrotas. Sou parte daqui. Tu também é, assim como o Chicão, a Essa, o teto e esse Altar. Eu sei o tamanho dessa igreja em passos e a altura da torre em degraus. Isso está além de religião. Tu é um padre, eu sou o teu coroinha que cresceu, esse chão é mármore e aquela estátua é gesso...mas não somos todos iguais.?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Frases simples e despretenciosas sobre grandes assunto

No meio de uma festa em que eu bebi capuccino, fui brindado pela seguinte teoria.

"É a lei da selva. Quando tu tá pescando e quer pegar o peixe, um peixe assim grande, tu vai usar a melhor isca, o melhor anzol. Mas depois que tu pega o peixe, tu coloca ele no balde. Nesse momento tu pode comer ele a hora que tu quiser. E tu não precisa mais dar isca prá ele.

Jonatan, o tecladista da banda Angel,
na melhor metáfora de como os homens tratam as mulheres.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Nerudão, pela lembrança

Eu acho que nunca postei essa poesia, ainda assim, peço desculpas por ser repetitivo. Mesmo que alguém a leia pela primeira vez agora, prá mim ela é muito recorrente. è como se estivesse falando dela pela mílésima vez.

Ontem me disseram que estou triste.
O fato é que sempre estou triste.
O resto é uma poesia no Pablo Neruda que fala por sí só.
Segue a original em español.
Se alguém quiser a tradução para o português, ela pode ser lida aqui.


Farewell

Desde el fondo de ti, y arrodillado,
un niño triste como yo, nos mira.

Por esa vida que arderá en sus venas
tendrían que amarrarse nuestras vidas.

Por esas manos, hijas de tus manos,
tendrían que matar las manos mías.

Por sus ojos abiertos en la tierra
veré en los tuyos lágrimas un día.

Yo no lo quiero, Amada.

Para que nada nos amarre
que no nos una nada.

Ni la palabra que aromó tu boca,
ni lo que no dijeron tus palabras.

Ni la fiesta de amor que no tuvimos,
ni tus sollozos junto a la ventana.

Amo el amor de los marineros
que besan y se van.

Dejan una promesa.
No vuelven nunca más.

En cada puerto una mujer espera:
los marineros besan y se van.

(Una noche se acuestan con la muerte
en el lecho del mar.)

Amo el amor que se reparte
en besos, lecho y pan.

Amor que puede ser eterno
y puede ser fugaz.

Amor que quiere libertarse
para volver a amar.

Amor divinizado que se acerca
Amor divinizado que se va.

Ya no se encantarán mis ojos en tus ojos,
ya no se endulzará junto a ti mi dolor.

Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada
y hacia donde camines llevarás mi dolor.

Fui tuyo, fuiste mía. ¿Qué más? Juntos hicimos
un recodo en la ruta donde el amor pasó.

Fui tuyo, fuiste mía. Tú serás del que te ame,
del que corte en tu huerto lo que he sembrado yo.

Yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste.
Vengo desde tus brazos. No sé hacia dónde voy.

...Desde tu corazón me dice adiós un niño.
Y yo le digo adiós.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Não eram circos, eram pessoas.

Ao som de: Exit 11

Há algo maior, eu pensei que era uma coisa daqui, mas fui embora e encontrei a mesma coisa por onde andei.
Há algo aqui que é a chave para entender todo o resto. A chave para abrir as portas.
Não posso dizer o que é, já que eu mesmo não tenho certeza. Tive apenas alguns vislumbres, alguns poucos momentos que mudaram por completo a minha maneira de ver o mundo. E, se não posso dar certezas, eu posso confundir, ser paradoxal e instigante. Tudo para fazer com que as pessoas pensem e questionem. Para fazer com que elas encontrem suas próprias respostas e suas próprias perguntas. Só quero fazer com que as pessoas pensem. Elas podem pensar mal de mim, podem pensar bem de mim e, principalmente, podem não pensar em mim em absoluto. Mas eu quero que elas pensem. Eu preciso que elas pensem e que sintam e que evoluam. Quero que elas entendam que há algo muito errado acontecendo. Esse erro é tão real quanto a chave para a mudança. Essas coisas são como o ar. Não podemos vê-lo, mas ninguém ousa dizer que o ar não existe. Pensamentos reais, sentimentos reais. Um inquietação geral, ampla e quase irrestrita. Tudo serve como desculpa, mas isso depende do olho que vê. Tudo serve como lição e as pessoas crescem muito quando decidem pensar por si próprias para mudar o que enxergam de errado ao seu redor. Há a coragem. Há um misto de loucura e fé. Eu só quero que as pessoas tornem-se melhores, apesar de si mesmas.

Quase ninguém me entende, quase todos entendem errado ou inventam uma motivação aburda nas minhas atitudes.
Não poderia ser mais simples. Não poderia ser mais verdadeiro.
Não quero amargura ao meu redor. Quero sorrisos sinceros e almas leves. AS nuvens de tempestade ficam bem no céu, não no intímo das pessoas. Eu sei que o mundo não é exatamente como a gente queria que ele fosse. Mas a escolha é nossa. Ou a gente muda o mundo, ou o mundo muda a gente. E quando a gente desiste de mudar, nos tornamos escravos da nossa propria auto piedade. Nos tornamos pessoas pela metade, divididos entre o que nos sobrou e a vontade do que poderia ter sido.

Se eu sou o vento, as pessoas ao meu redor são como o fogo: as pequenas eu vou apagar e as grandes eu vou tornar ainda maiores.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

E coinscidência é uma palavra muito fraca...

Eis que chego da praia e dou de cara com essa poesia no blog do Martin Fierro.

Seria bobagem dizer que a achei. Foi ela que me achou.

"Olá, guardador de rebanhos,
Aí à beira da estrada,
Que te diz o vento que passa?"

"Que é vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois.
E a ti o que te diz?"

"Muita cousa mais do que isso.
Fala-me de muitas outras cousas.
De memórias e de saudades
E de cousas que nunca foram."

"Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti."

Alberto Caeiro

Gracias por todo, Martin Fierro.
Essa confusão não passa de uma ligação entre os pontos.
Os pontos que deixei em aberto no passado com os postos que estou criando no presente.
E agora que a avalanche de shows acabou, vou poder tirar os blues do Campa.

Seguindo meus pés

Era um dia importante

E, por ser importante, eu precisava do meu coração comigo

E, porque eu precisava dele, eu tinh auqe ser sincero

E, porque fui sincero, a chuva veio.

E, porque choveu, era óbvio que eu ia acabar indo até o mar.

E, porque eu fui, cumpri o que prometi.

E, porque cumpri minha promessa, o ciclo terminou.

E, porque o ciclo terminou, outro ciclo recomeça.

E, porque recomeçamos, eu sei o que tenho que fazer.

Ironias e vazios a parte, a rosa chegou onde tinha que chegar.

Um sorriso por uma rosa.

Nada foi uma palavra muito forte.

Tudo aconteceu como tinha que acontecer. Não cabe nenhum arrependimento.

domingo, 25 de outubro de 2009

Morte e vida severina

Ao som de Engenheiros do Hawaii - Infinita Highway

_____O show ia bem até uma passagem em Dó menor. E lá estavamos nós cantando um velho tango:
"canta, la gente esta aplaudiendo, aunque te estes moriendo, no conocem tu dolor"
E, mesmo quebrado, o Virgílio gritou alto e ninguém desabou. Acho até que ninguém viu minhas lágrimas por baixo do chapéu. 5 minutos fora do palco e lá estava eu de novo, com a bandeira dos kamikazes no peito. Tocando e sorrindo como se não houvesse amanhã. Lembrando do Martin Fierro e das ânsias da guitarra bruxa, ponto mais alto da expressão gaúcha que o Deus pampeano fez nascer no pergamino. Lembrando das ordens claras como um céu de verão "faça por merecer"

_____Outubro acabou e quando eu disse que ia morrer em outubro, ninguém entendeu. Nem mesmo eu. Outubro acabou e eu realmente morri para renascer diferente. Não há dúvidas de que não sou o mesmo. Sei bem que quase coloquei tudo a perder no fim, mas tudo aconteceu como deveria acontecer. E lá estava eu na vida que tanto trabalhei para ter. A dor, a solidão e todo o resto fazem parte do pacote.

_____Vou dormir, mas sei bem que não preciso de sono, preciso mesmo é de água salgada e do som das ondas. Mas isso pode esperar até amanhã.

_____Eu digo de novo, aqui, ao sul de tudo que eu conheço, perto de um rio feito de prata, as grandes histórias são contadas com poesias tortas, com notas bêbadas, e com meu silêncio que diz tudo.

sábado, 24 de outubro de 2009

Na véspera.

Ninguém chuta o balde como eu.

Cuba na jarra, só prá coroar o fim de um ciclo. Cansei de ser traído pelas minhas paixões.

Cansei.

Me dá mais 15 horas. Depois outubro termina. E eu te deixo dormir.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Outubro quase vermelho

...e aqui, ao sul de todas as coisas,
perto de um rio feito de prata,
as grandes histórias são contadas com tangos e milongas...

_____Quem acompanhou meu outubro sabe que nele foi feita uma contagem regressiva. Fiz um show de metal melódico experimental lindo de meu Deus. Participei da apresentação da Escola 7 sons, onde dou aula de contrabaixo. Toquei no Arena pela aleatoriedade, porque o baile prá pagar as contas tem lá a sua importância. Descobri que o único tecladista da cidade é o cara e que além de tocar prá caralho e ouvir TODAS as notas, ele ainda derrete corações. E que a gente vai acabar tocando junto várias vezes ainda, nas melhores e piores bandas. Perdi a conta dos ensaios e dos pedaços de papel com rabiscos sobre notas e compassos quebrados.

_____Tudo que aconteceu nesse outubro maluco foi a preparação pro show de tango daqui a 3 dias. Foi tudo muito mágico, mas é por causa desse show a contagem regressiva.

_____Deixo aqui meu convite, o serviço do show está todo no cartaz do começo da postagem.

sábado, 17 de outubro de 2009

Que lástima!

Adoro quando me julgam de forma aleatória.

Fico com uma frase do Brizola: "É compreensível, quem sempre viveu de concessões e favores não é capaz de ver nos outros senão os vícios que carrega em si mesmo."

A bebida realmente muda as pessoas, 15 minutos sóbrios e um abraço serviram para confirmar o que eu já sabia. Se bem que essa história é bem anterior.

Tem uma outra frase, que eu ouvi da janela do vagão, e provavelmente só eu prestei atenção.

"Volta lá e pega outro litro, é o melhor que tu pode fazer."

A propósito, acabei de me lembrar, todos e todas vocês estão certos. Errado estou eu.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Vai a onda e vem o vento.

Quando contarem a minha história, que digam que eu andei entre os grandes.
E que eles me olham quando estão tocando acordes dissonantes ou invertendo harmonias, sabendo que vou entender.
Que digam que sou um músico e não um baixista.
Que digam que não me escondo atrás dos cabelos e sim atrás de um sorriso.
E que esse sorriso faz diferença.
Que digam que me sinto um vagalume no meio de sóis.
Que não encontro palavras para agradecer um mundo tão generoso.
E que prefiro enxergar com os olhos fechados.

Que digam que eu vivo sob o estandarte dos kamikazes, repetindo todas as manhãs: nunca me conceda descansar.
E que nunca descanso.
Não de mim mesmo, pelo menos.
Tudo porque me jogaram do precipicio para que eu aprendesse a voar.
E a cicatriz da queda ainda deixa minha alma inquieta.

E vai deixar pra sempre, até o definitivo dos meus dois últimos suspiros. Ambos com endereço certo.

domingo, 11 de outubro de 2009

Considerações do feriadão

Um bilhete e lá estava eu segurando uma lágrima.
E temos o mesmo defeito, a mesma causa dos nossos olhos verdes.
Um beijo, não roubado, mas dado de coração.
Uma bicuda no balde só pelo folclore.
Um vento perdido, jogando um jogo perigoso, mas sempre ciente do seu lugar.
Jogos perigosos são os meus favoritos.
Um amigo, talvez mais, e o time trambicagem estava junto novamente.
Um sorriso com o dia claro.
Quando eu estiver fraquejando, sempre haverá uma mulher que me faça acreditar.
E enquanto eu for sincero com o meu coração, o vento sempre trará a chuva para me acompanhar.
E é tão fácil fazer chover.
E eu tinha a companhia certa na tarde de chuva.

O fato de eu não ter nada a perder faz com que eu me liberte do medo de perder o que quer que seja.

Troquei as cordas do Virgílio.
Coloquei uma outra corda no meu pescoço, para segurar o Tau do jeito certo.
Nada de madeira talhada e sim o metal forjado.
Agora é oficial, não há mais volta.

domingo, 4 de outubro de 2009

Frases simples e despretenciosas sobre grandes assuntos

"Mulher é que nem maconha: É bom, mas depois dá muita dor de cabeça."

Rodrigo Campagnolo,
por diversas razões, um dos meus maiores ídolos.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Perfume

Em busca de espaço, fico bisbilhotando pelos cantos mais escondidos
Acabo rindo muito quando encontro desejos que tanto me esforcei para esconder
Que acabei escondendo de mim mesmo
Fazendo o que não queria fazer

Tocando rápido, me sentindo uma tartaruga.
Contando compassos com o mesmo orgulho de uma criança que sabe contar até 10.
Contando os dias, me apegando a uma das minahs maiores certezas

Não sei até que ponto isso vai fazer diferença, mas estou com medo.
A tristeza dói um pouco e me deixa pequeno..
Mas é notório que sou bem mais compentente quando estou...




So familiar and overwhelmingly warm
This one, this form I hold now.
Embracing you, this reality here,
This one, this form I hold now, so
Wide eyed and hopeful.
Wide eyed and hopefully wild.

We barely remember what came before this precious moment,
Choosing to be here right now. Hold on, stay inside...
This body holding me, reminding me that I am not alone in
This body makes me feel eternal. All this pain is an illusion.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Enquanto isso, no MSN

Vento diz:
*quando está frio as pessoas costumam buscar calor de outras formas, mesmo inconscientemente..
*algumas, as mais loucas, até conseguem encontrar algo quente dentro de si mesmas...
*mas normalmente se aproximam dos outros para procurar o calor que o sol levou embora...
*e é por isso que eu gosto mais de frio...
*o sol e seu calor deixam tudo mais letárgico.
* enquanto o frio deixa tudo mais latente.

Idiossincrasias

Noites de chuva sempre me fizeram pensar.
Há quem goste dos dias de sol.
Mas nas madrugadas frias e escuras.
Eu sei que é chuva que vai estar lá me fazendo companhia
E nem todo o calor do sol poderia substituir
A sensação da chuva caindo em forma de poesia.

Lendo Osho, para desespero de alguns e alento de outros.

_____"O vazio está aí. Nós acumulamos muito lixo, de modo que o vazio não é visível. É exatamente como nossa casa: podemos estar sempre acumulando coisas, até que parece não haver mais espaço. Chega o dia em que fica difícil até movimentar-se pela casa; torna-se difícil viver porque não há mais espaço. Mas o espaço não foi para nenhum lugar; pense bem, medite nisso: o espaço não foi para lugar nenhum. Você acumulou móveis demais, mais a televisão, o rádio, o piano - lá estão todas essas coisas; mas o espaço não foi para lugar nenhum. Retire os móveis e lá estará o espaço; ele nunca deixou de estar ali. Estava ocupado pelos móveis, mas não destruído. Não deixou o ambiente , nem por um único momento.
Assim também é o seu vazio interior, o seu nirvana, o seu nada.
Osho- Encontros com pessoas notáveis."

_____Estou todo contente com meu baralho novo de tarô. Eu sempre soube que era o baralho que eu tinha que ter, mas passaram-se muitos anos antes que eu o merecesse. Antes que eu tivesse condições de entendê-lo. Mas olhando pra ele agora, jogado dentro do meu chapéu, sentidno uma estranha familiaridade com as cartas, parece que ele sempre esteve ali.

domingo, 27 de setembro de 2009

Agora sim...

Sentado na janela, pisando nas gotas de chuva com a ponta dos pés, nos relâmpagos eu leio a palavra do sentimento que mais gosto: serenidade.

Passei no missi pra pegar um pouco de sorriso escondido atrás de um par de olhos verdes. Nunca se sabe quando ele vai ser necessário. Quase entrei no Vagão, mas como queria uma noite com mais poesia, aqui estou eu.

Troquei a erva mate por um abacaxi. Bem doce. Tão doce que a vontade dele foi maior do que a vontade de descer e deitar na grama.

E
"Há coisas no mundo
que eu olho e fico surpreso
Uma nuvem carregada
Se sustentar com o peso
E de dentro de um bolo dágua
Sair um corisco aceso..."

sábado, 26 de setembro de 2009

Pizza gelada na madrugada

Há um apassagem da bíblia que eu decorei, e que me parece apropriada para a situação.

____ O caminho dos justos é rodeado por todos os lados pelas injustiças dos egoístas e pela tirania dos homens de mal. Abençoado é aquele que, no nome da caridade e da boa-vontade pastoreia os fracos pelo vale de escuridão, para quem ele é verdadeiramente um irmão protetor, e aquele que encontra suas crianças perdidas. E eu atacarei, com grande vingança e raiva furiosa, àqueles que tentam envenenar e destruir meus irmãos. E você saberá quem é o Senhor quando minha vingança cair sobre você.

Ezequiel 25:17.

Que ninguém ouse pensar que indiferença é o pior que posso fazer.
Ou que uma vaca possa ganhar de um unicórnio.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Eu não resisti

Ao som de Rosa Tatooada: Um milhão de flores

_____Foi muito tempo andando do lado errado da linha. Bebida, cigarros, pouco sono e toda sorte de exageros. Em alguns momentos (quase todos) vinha o questionamento sobre o porque de tudo aquilo. Vinha uma busca e uma necessidade de sentido. Mas não é fácil encontrar uma finalidade ou mesmo explicações para uma vida vazia. E tudo que vinha como anestesia para isso era bem vindo. Havia pequenos vislumbres de liberdade. pequenos momentos de sinceridade que eram comemorados como se fossem infinitos. Eram pequenas migalhas, que nos faziam esquecer que queríamos o bolo inteiro. Que nos faziam deitar na cama com um pouco menos de culpa. Houve também pessoas que não queriam fazer parte de tudo aquilo. No meu íntimo eu respeitava a coragem delas, mas ouvia passivamente as resenhas sobre elas. E por estarem longe; por estarem fora daquilo, no meu íntimo eu sabia que elas estavam bem. Bem melhores.

_____Aguentei o que pude. Comprei todas as brigas que pude com o intuito de ser sincero com a pessoas ao meu redor e comigo mesmo. Mas era sempre eu o errado. A mentira é saída fácil perto da verdade. E lá estava eu, colocando fogo em tudo, vivendo entre cinzas em vez de buscar um pouco de conforto pra mim. O fato é que cansei. Cansei de me desenhar como um mártir. De sair de mão dadas com a solidão por falta de companhia melhor. Ninguém sequer percebeu o que eu estava fazendo. Eu não estava contando estrelas, eu não estava contando os tijolos daquele prédio. Eu estava contando os dias, pensando até quando eu iria aguentar todo o vazio cheio de mentiras acontecendo nas minhas costas. Eu não estava escondido atrás dos cabelos, eu estava simplesmente me acostumando com o fato de que ninguém estava me enxergando. Sendo assim, eu também não iria gastar meu olhar. Expondo-me fora de contexto. Aquele era eu, era um pedido simples de apoio. Eu não queria ajuda, não queria um socorro emergencial. Só queria um pouco de companheirismo. Talvez um pouco de reconhecimento, mas não muito, o fantasma da minha arrogância continua aqui. Não queria uma tese sobre minhas atitudes, só queria um abraço, um aceno, qualquer coisa em sinal de apoio. Queria algum tipo de conforto que não passasse por um litro de rum no balcão, um beck mal fechado ou uma linha de pó branco. E perdi um tempão procurando no lugar errado. Ninguém poderia me dar esse conforto, a não ser eu mesmo. Procurei fora o que estava dentro. A anestesia tinha funcionado e todo meu esforço para me sentir vivo era inútil.

_____A solução era óbvia. Parar de me anular, de me alienar. Não foi fácil seguir meu caminho tomando pedradas de todos os lados. Sendo agredido por aqueles que eu realmente não esperava. Tendo meu valor medido simplesmente pela quantidade de mulheres que eu comia ou pela quantidade de rótulos nas camisetas. ¿Será que é tão dificil entender porque me afastei.? Entender que me afastei porque quis, não porque me manipularam. Entender que eu simplesmente não consigo mais fingir que está tudo bem quando não está e que colocar a cabeça na cama com a consciência tranquila não tem preço.

_____Sempre foi fácil me entender. Sempre foi ainda mais fácil me entender errado. Mas eu cansei de me culpar. O errado não sou eu. Posso até não ter razão naquilo que sinto e naquilo que falo, mas com certeza ser diferente não significa que estou errado. Não preciso mais tentar me convencer que eu me importo. A verdade é que eu não me importo.

O tempo está a meu favor.
E a verdade vos libertará, assim como me libertou.

0648
210909

Convivendo...

Ao som de: Bolshoy - Sunday Morning

_____Fazer uma revolução contra o resto do brasil, tomar um couro e ainda comemorar todos os anos é pra poucos. Só prá nós, eu acho. Prá comemorar a data e não falar das outras coisas sem necessidade, o melhor hino de todos.


Como a aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o 20 de Setembro
O precursor da liberdade

Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

Mas não basta pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo



segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Frases simples e despretensiosas sobre grandes assuntos.

"Parece um tiro de 22 num bochincho"


Martin Fierro, descrevendo
o som da caixa da bateria no CD da Thorns of Evil.

Sob o signo do número 3

Ao som de: New Order - Blue Monday

_____
Pensa numa coisa importante. Imagine que é a coisa que você mais gosta de fazer e que gosta tanto que sem ela a tua vida não teria sentido. Importante e fácil de ser mal compreendida, mas isso não prejudica. Mas imagina também que doa, que cada vez que você fizesse doesse um pouquinho. Um dor constante, como uma ferida no coração, daquelas que não podem ser curadas. E pensa que essa dor traz uma cascata de questionamentos. E fica toda a confusão: Procurar sentido, sentir prazer sem culpa, se perdoar pela dor e ainda assim seguir em frente. Há ainda uma pequena frustração pelas coisas que dão errado, os enganos que sempre deicham rastros de mágoas nas pessoas que se aproximama. As consequências do nosso trabalho. Mas que fique claro que ninguém recua por medo das consequências. São épocas difíceis, de fato, mas ninguém aceitará isso como desculpa. O mesmo chefe fica nos nossos calcanhares o tempo todo. Apesar de tudo nós seguimos em frente. Fazemos o que fazemos não por cobranças, não pela fé, mas sim porque é o que sabemos fazer. E nos quedamos solitários, porque é assim que tem que ser.
_____- Como você chama isso.?
_____- Às vezes eu chamo de vida. Mas na maioria das vezes não importa o nome preferido. Cada um de nós se refere ao trabalho com um nome diferente. Tem eu, que faço música com guia vindo do submundo. Essa outra moça que simplesmente cai, sendo auspiciosa em sonhos e sendo igual a mim na idéia do exagero. E aquela senhora que passou por aqui correndo esta madrugada, que sempre fica assombrada com os seres humanos.


1429
140909

domingo, 13 de setembro de 2009

No corre loco

Passei a noite e a manhã na função de me despedir de um amigo que foi embora prá São Paulo. Isso incluiu os seguintes fatos, em nível de folclore:
* Explicar para um holândes o que era um bochincho.
* Pagar cerveja como se não houvesse amanhã.
* Resenhas e explicações sobre la mala onda, provando que, realmente, não há o que não haja.
* Evitar a todo custo a idéia de ir no tal bochincho.
* Editar músicas completamente alcoolizado no bunker.
* E por último, mas não menos importante, acompanhar as negociações (¿e minha participação.?) na realização de um filme pornô randômico.

Enfim, como provavelmente não vou vê-lo de novo até o ano que vem e como o fim do ano não promete mais nenhuma surpresa (talvez uma), já coloco o Martin Fierro no top 5 de melhores coisas do ano.

Não vou lembrar das discussões idiotas sobre jogar a erva mate na pia ou sobre a desorganização monstro dele. Vou guardar a idéia de que sempre havia um bunker cor de laranja no fim da Pinheiro. Um lugar onde a resenha era forte ao som de tim maia racional. Onde a janta era servida às 8 e meia da manhã e a madrugada sempre tinha cheiro de erva mate. Onde profissionalismo, perspicácia, chimarrão e estupidez andavam lado a lado. Gravações, pessoas e os plug-ins do protools formando um novo folclore da banda oriental.

Vou sentir falta. Não sei se já admiti isso alguma vez, mas o fato é que sentia um certo orgulho quando me comparavam com ele. Mesmo que ele resumisse todos os meus problemas a pegar ou não pegar as mulheres, quase sempre ele me ouviu sem me julgar. Em quando julgou foi apenas pelo folclore.

Termino com palavras que não são minhas e que foram escritas obviamente como uma mentira. O fato é que a vida e a convivência as tornaram verdadeiras. Umas das minas que ele andava comendo me disse uma noite dessas: "tomara que ele mantenha 6 amigos até morrer para carregar o caixão." Mesmo que não houvesse 6, eu daria um jeito de carregar sozinho, se fosse o caso. Felicidade é a certeza de que fazemos parte de alguma coisa. E, seja no AltaVoz, no Laranja, num palco tocando tango ou na maldita quadra da estação férrea, bastava eu olhar para aquele chapéu canalha para ter a certeza de que não estava sozinho. E isso não tem preço.



Fica em paz meu hermano, tudo de bom em sampa.
Representa bem o pampa.
Se a coisa ficar feita, coloca aquele tango e
QUEEEDAAATE TRAAAAANQUIIIIIILLLOOO.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Do céu londrino

No meio da manhã tocando Oasis. Adorei a letra, adorei a música. Vai ser do caralho ver a Renata, minha aluna fodona tocando essa música na apresentação da escola.




Calling all the stars to fall
And catch the silver sunlight in your hands

Come for me and set me free
Lift me up and take me where I stand

She believes in everything
And everyone and you and yours and mine

I waited for a thousand years
For you to come and blow me out my mind

Hey, Lyla!
A star's about to fall
So what do you say, Lyla?
The world around us makes me feel so small
Lyla!
If you can't hear me call
Then I can't say Lyla!
Heaven help you catch me if I fall

She's the queen of all I've seen
And every song and city far and near
Heaven-hell, my mademoiselle
She rings the bell for all the world to hear

No meio de tudo o Fer Costa avisa no MSN que vai passar duas semans no Brasil. Em OUTUBRO. Definitivamente eu vou morrer em outubro. Mas até lá, o negócio é ficar firme.

Certo que a gente vai colocar o Missi abaixo. E é provável que eu abra uma excessão e a gente toque naquele bochincho que eu estou proibido de ir.


0942
100909

Do fundo.

_____Tantas coisas para escrever, mas não vou ficar dando letrinha por aqui. Tem sempre um retardado ou retardada para interpretar errado o que eu escrevo. Tá tudo no meu olhar.

_____Há só uma pessoa que eu dou o direito de me interpretar, mesmo que ela insista em entender tudo errado e eu tenha que perder um tempão tentando convencê-la que ela está eganada. E quase nunca consiga. Teimosia. Falando nisso, ganhei reticências dela, num estojinho escuro com fundo azul. E olha que eu nem merecia presente.

_____Fiquei um tempão no blog da Cris lendo muita poesia boa.

_____E nada de sono.

sábado, 5 de setembro de 2009

Ahora yo tambien conosco la mala onda

Ao som de: Red Hot - Soul to Squeeze

_____Há muitas coisas em comum entre o Don Quixote, o Martin Fierro e o Mito, mesmo que cada um deles faça a mesma coisa de uma maneira completamente diferente. Eu tentei negar, tentei me convencer que cada um era diferente. Mas hoje vi que todos são iguais. São capazes de sacrificar muito da sua sanidade e do seu tempo para deixar os outros felizes. Mas por mais que tenham grande valor e competência no que fazem, são capazes de destruir tudo com uma simples frase mal colocada. São capazes de ficar MUITO gratos a qualquer desconhecido que os ajude em qualquer coisa insignificante da mesma forma que são capazes de ser IMENSAMENTE mal agradecidos com as pessoas que estão sempre por perto ajudando em tudo. Irônico é que nenhum deles (eu acho) tem noção do mal que é capaz de causar. E nenhuma paciência é infinita.

_____ No hay problemas, Jefe, tu tambien puedes colocar la culpa en el Viento para quedarte más feliz. Es lo más facil que puedes hacer. Me quedaré muy lejos de tu bochincho cerca do los trillos. Tu vaca podrá trabajar en paz. Gracias por todo. Tu consideracíon no será olvidada. Y me cago en todos que menean la mala onda.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Um último bilhete

¿Por qué no
Supiste entender a mi corazón?
Lo que había en él,
¿Y por qué no?
¿Tuviste el valor
De ver quien soy?

¿Por qué no
Escuchas lo que está tan cerca de ti?
Sólo el ruido de afuera
Y yo, que estoy a un lado
Desaparezco para ti

No voy a llorar y decir,
Que no merezco esto
Porque,
Es probable que
Lo merezco pero no lo quiero, por eso

Me voy, qué lástima pero adiós
Me despido de ti y
Me voy

Julieta Venegas - Me voy

_____Acabei lembrando da Cris e do Luis, pena que não deram certo.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

¿ E a china?

Ao som de: Iron Maiden - Aces High

_____Foi uma despedida melancólica prá mim. Houve uma barganha e deixei ele levar algumas coisas que me são valiosas, mas pelo menos fiquei com o que me é necessário no momento.

_____Ele me disse para lembrar do efeito das pessoas pela metade e da promessa que foi feita. No final, deixei ditas 3 coisas. Não vou mais reclamar de nada, não vou pedir ajuda e estou disposto a ser educado, mesmo com quem não merece. Ele fez pouco caso enquanto ia embora, mas a chuva que caiu mostrou que ele se importa. É notório que ele sabe fazer chover melhor do que eu, embora a chuva caia melhor comigo.

_____Sobre a pergunta: A lembrança está por demasiado enraizada, não tenho e nem quero arrancá-la de onde ela está. A pessoa está longe demais e não tenho como alcançá-la. Não é questão de altura e sim de destino.

_____E vai ser sempre assim, em agosto o Tiago e o Vento sentam e conversam e, depois de muito conversar, vão embora sem chegar a um acordo.

_____Continuo cuidando da minha postura enquanto procuro um lugar seguro. A segurança é uma ilusão, eu sei, mas fica o meu sorriso de novo.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

É preciso ficar firme.

Uma pausa dos tangos e das neuroses do protools com racionais

"GERALMENTE QUANDO OS PROBLEMAS APARECEM A GENTE ESTÁ DESPREVENIDO.
ERRADO.
É VOCÊ QUE PERDEU O CONTROLE DA SITUAÇÃO, PERDEU A CAPACIDADE DE CONTROLAR OS DESAFIOS
PRINCIPALMENTE QUANDO A GENTE FOGE DA LIÇÕES QUE A VIDA COLOCA NA NOSSA FRENTE.
VOCÊ SE ACHA SEMPRE INCAPAZ DE RESOLVER, SE ACOVARDA.
O PENSAMENTO É A FORÇA CRIADORA.
O AMANHA É ILUSÓRIO
PORQUE AINDA NÃO EXISTE
O HOJE É REAL
É A REALIDADE QUE VOCÊ PODE INTERFERIR
AS OPORTUNIDADES DE MUDANÇA ESTÃO NO PRESENTE
Ñ ESPERE QUE FUTURO MUDE A SUA VIDA
PORQUE O FUTURO SERÁ A CONSEQÜÊNCIA DO PRESENTE
PARASITA HOJE, UM COITADO AMANHA
CORRIDA HOJE, VITÓRIA AMANHA
NUNCA ESQUEÇA DISSO IRMÃO.


_____E me pediram uma frase para abrir o disco. E então eu lembrei de todas histórias que o Virgilio contou enquanto eu gravava. Enquanto eu me escondia atrás dele no palco naquele show. E eu pude retribuir dizendo o mais simples: aqui, ao sul de todas as coisas, perto de um rio feito de prata, as grandes histórias são contadas com tangos y milongas.

_____Disseram que Marte ia ficar do tamanho da Lua. Mentira. Mas de fato ele estava do tamanho de um tijolo no céu. Todo vermelho, todo orgulhoso.

_____Eu estou com medo, mas sei bem que esse medo tem data específica para acabar. A semana que vem promete pelo menos duas despedidas difíceis.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Duvidando da própria honra

¿Quantas pessoas vão enxergar em mim os defeitos que negam possuir.??

¿Quantas metades vou ter que juntar para me sentir inteiro.??

¿Valeria a pena tocar fogo no circo apenas mais uma vez??

¿Aceitar aquele perdão implicava em deixar prá trás.??

¿Alguém pode me dizer quem sou eu, por favor??

¿Todo o sacrifício vai ser recompensado aqui.??

¿Existe alívio no céu, mesmo sem chuva.??

¿Poesias pela metade são apropriadas??

¿Onde vou tocar dia 6 de setembro??

¿Trabalhar tanto é bom ou ruim.??

¿O Amor serve como desculpa.??

¿Meu desejo de paz é sincero.??

¿A loucura ainda funciona.??

¿Somos mesmo iguais.??

¿Ainda kamikaze.??

¿Esquizofrenia.??

¿Autista??

¿Dois??

¿Só??

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Refazendo ditados, agregando frases

Ao som de: Husky Rescue - Nightless night

_____São noites loucas, algumas coisas não mudaram e não tendem a mudar. Outras estão diametralmente diferentes. Olhando ao redor quase me senti em casa. Sentado no palco vendo o compadre e todo o resto eu quase me senti em paz.

_____É engraçado as pessoas jurarem que viram o que não aconteceu. O que me leva a uma frase simples e despretenciosa:

"Eu não encorajo boato nenhum, simplesmente não perco tempo explicando coisas que não dizem respeito a eles. Eu e tu sabemos, isso me parece ser suficiente."

- Tiago, no meio de um monte de músicas de viados, conversando com seu unicórnio...

domingo, 16 de agosto de 2009

Justificando os nós

De todas as conversas desse mês de agosto...

Um se apaixona fácil em noites de verão e de inverno, o outro não sabe mais o que é se entregar.

Um ouve engenheiros do hawaí, o outro ouve tool.

Um lê nietzche em español, o outro Osho.

Um não tem medo de cair, o outro não se importa em levantar.

Um toca músicas, outro soa entre um silênco e outro.

Um toca baixinho pra não atrapalhar o silêncio, o outro grita até perder a voz escondido atrás dos cabelos.

Um acredita, o outro sabe.

Um conversa com as flores e com qualquer coisa que faça parte, o outro ouve as histórias das cartas e das estrelas do céu.

Um não gosta das coisas fáceis, o outro sempre tenta o jeito mais difícil.

Um é um amigo leal e honrado, o outro é um inimigo frio e cruel.

Um fala a verdade de forma kamikaze, o outro brinca com as palavras conforme a necessidade.

Um toma tequila sentado num cordão de calçada, o outro chimarrão com as pernas na janela.

Um é um budista que acredita em Jesus, o outro é um ateu semi convicto.

Um conta com a sorte, o outro faz parte de um complô maior.

Um fecha os olhos para ver, o outro decifra sinais.

Um queria passar desapercebido, o outro está sempre no olho do furacão.

Um é como o fogo, que aumenta as fogueiras grandes e apaga as pequenas, o outro é como o sol, que aquece mas também apodrece o esgoto.

Um joga xadrez com cara de poker, o outro joga poquer pensando no tabuleiro.

Um é um palhaço no circo sem futuro, o outro um equilibrista.

Um faz mistério porque sabe que é útil, o outro se esconde por ter medo.

Um chora porque dói muito, o outro porque não quer deixar a chuva cair sozinha.

Esses somos nós. Debaixo da chuva do mês de agosto. A minha chuva.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Agosto segue, com arrojo...

Ao som de um cd onde se lê "o essencial é invisível aos olhos"

Despir um corpo a primeira vez

...É um acontecimento etre dois deuses. Não se pode profanar o instante. E os amantes devem manter o ritmo dos altares. Porque, embora nesses rituais haja sempre panos e trajes para agradar ao Olimpo, é para a nudez total que o céu quer nos arrebatar.

As mãos tem que ter um compasso certo. Um andamento ou largo de Bach nos gestos, compondo a alegria de homens e mulheres. As mãos, sobretudo, não podem apressar. Com os olhos tem que aprender e, com a ponta dos dedos, comtemplar os acordes que irão surgindo quando, peça por peça, o corpo for se desvestindo ao pé do altar.

Antes de se tocar com as mãos e os lábios, na verdade, já se tocou o corpo alheio com um distraído olhar sempre envolvente. E ninguém toca um corpo impunemente. Despir um corpo a primeira vez não pode ser coisa de poeta desatento colhendo futilmente a flor oferta num abundante canteiro de poesia. Nem pode ser coisa de puro microscopista que olhe as coisas sabiamente. Se tiver que ser de sábio o lhar, que seja do botânico, porque esse sabe aflorar em cada espécie o que cada uma tem de mais secreto ou distante, o que cada uma sabe dar!

Despir um corpo pela primeira vez é como conhecer pela primeira vez uma cidade. E os corpos das cidades tem portas para abrir, jardins para repousar, torres e altitudes que excitam a visitação. Algumas cidades sitiadas caem ao som de trombetas, outras se entregam porque não mais suportam a sede e a fome de amar. As cidades tem limites de resistência. E, como o corpo, querem alguém que as habite com intimidade solar. Gêngis Khan, Átila ou qualquer conquistador vulgar tem com as cidades e corpos uma estranha relação. O objetivo é a devassa e a dominação. Conquistada a cidade, a ordem é marchar.

Por isso, cuidado para não se acercar do outro apenas com esse olhar guerreiro ou com esse olhar tolo de turista. O turista, embora procure sabores típicos, é um voyerista que só quer fotografar. Mas há turistas e turistas, e o pior turista é aquele que olha sem olhar. É um perdido marinheirro que está preso em algum porto, que não se permite num outro corpo inteiramente desembarcar. Quando os corpos se tocam por acaso, como se estivessem indo em direções diferentes, o que ocorre é desperdício. Não se pode tocar um corpo impunemente. E para se tocar um corpo completa e profundamente num dado instante, os corpos tem que convergir. A descoberta do outro é isso: é convergência.

Despir um corpo a primeira vez é como despir um presente. Por isso não se pode desembrulhá-lo assim, às pressas, embora a gula nos precipite afoitos sobre a pele em oferta. Não se pode com mãos infantis e descompassadas ir rasgando invólucros, arrebentando cordôes com a gula que as crianças só tem em confeitarias antes da indigestão.

Despir um corpo a primeira vez, para usar uma imagem conhecida, é mais do que ir a primeira vez a Europa. Pode ser, ao contrário, desembarcar pela primeira vez na América sobre a nudez do desconhecido. É descobrir na pele alheia, mais que a pele dela, a nossa pele índia. E volto àquela imagem: despir um corpo pela primeira vez é tão marcante quanto a primeira vez que um mineiro viu o mar. Um corpo é surpresa sempre. E o que se vê nas praias, nessa pública ostentação, nesse exercício coletivo de nudez total negaceada, em nada tira a eufórica contenção do ato, quando os dedos vão desatando botões e beijos e rompendo as presilhas das carícias. Despir um corpo a primeira vez não é coisa para amador. Só se o amador for amador na arte de amar. Porque o corpo do outro não pode ter a sensação de perda, mas a certeza de que algo nele se somou, que ele é um objeto luminoso que a outros deve iluminar.

Um corpo a primeira vez, no entanto, é frágil e pode trincar em alguma parte. E os menos resistentes se partem quando aquele que os toca, os toca apenas com a cobiça e nunca coma generosa mansidão de quem veio pela primeira vez, e sempre, para amar!
- Affonso Romano de Sant’Anna

_____Isso embasa uma teoria muito controversa na qual insisto em negar meu karma e afirmo que fui punido impunemente. Arbitrariedade é isso aí.

_____A trégua veio e com ela biscoitos amantegados e chocolate quente. Provocação pouca é bobagem. E acabei num palco. Segundo testemunhas, havia um sorriso grande em mim. É agosto e está garoando na neblina da madrugada. Não tem como eu não sorrir. Usufruir parece ser a ação mais adequada prá mim no momento.