domingo, 28 de janeiro de 2024

Eu ganhei foi tapa na cara

    Eu não deveria estar ali, mas os sinais berram enquanto o acaso vai ajudando. Do nada vem a biscate:

    - Tu já disfarçou melhor a vontade de chorar.

    - Talvez porque a vontade de chorar era menor. 

    E conversamos enquanto eu sabia que ela estava prestando mais atenção no que eu não estava dizendo no que nas palavras. 

    Ela pergunta sobre as costuras já sabendo a resposta. Meu personagem desmorona e os olhos enchem de água. E dessa vez eu não estava perto o suficiente pra fazer ela fechar os olhos com beijo. Não havia como chorar baixinho pra ninguém ver, então eu desisto e choro abraçado nela. Ela não fala uma palavra e dessa vez sou eu que entende o silêncio. Quando eu a solto tomo o maior tapa na cara da minha vida. Penso em revidar mas não era o caso.  Colo ou uma surra.. o que eu sempre pedi pra ela. Acho que ela viu que colo não ia resolver. Com a cara doendo eu lembro pq eu tinha medo dela. E ela vai me jogando palavras que me desmontam. Queria ter força pra odiar ela. Pra odiar o que estou me tornando. 

    O olhar de pena dela machucou mais do mill tapas. 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Não pode chover pra sempre

     Mostrando 3 alfinetes pro sol eu consigo mexer as nuvens, mas os nuances de fazer chover ainda são um mistério pra mim. Era pra serr uma garoa e não um dilúvio. Ser sincero com o próprio coração tem dessas. Mesmo de arrasto, eu vou com o vento.



domingo, 14 de janeiro de 2024

Era pra ser só uma música em 7/4

    Olhei no espelho antes do show e lembrei do meu trablalho. Apagar as chamas pequenas e tornar as grandes ainda maiores. E era o que eu ia fazer.  Entreguei a esperança pro Nico e pedi pra ele segurar. Naquele show com os meus eu podia estar mais bêbado do que deveria. Podia pular mais do que deveria. Podia gritar até a voz falhar, porque os demônios ainda não me ouviram o suficiente. Pensei que estava exagerando, mas é disso pra mais. O diabo teve a parte que lhe coube. Cada um teve. E no domingo, depois de tudo e de verificar se todos estavam vivos e bem, sentei nos pés da cama com o Virgílio. E nós tocamos Shism bem baixinho chorando de alegria, pra variar.



    Justamente por ter visto as peças desmoronarem, eu sei que elas se encaixam. E o Único Acima arece ter o memso problema que o Carlos, e ambos me pagam muito mais do que deveriam.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Cada palavra é um machado que abre um talho nas minhas costas

    Antes da virada do ano o vizinho me deixa a prancha com a mesma cara de preocupado dos anos anteriores. Ele sabe que existe sempre um risco. O céu está nublado e está frio, mas não me importa. Os fogos estouram e eu não ouso erguer a cabeça. Ao meu redor um monte de água salgada se disfarça de firmamento e fica estrelado com os reflexos do céu. Esse sou eu, procurando uma mágica só minha enquanto todos olham para outro lado. O mar está de ressaca mas eu não posso reclamar,  devagar eu tento usar água salgada pra refazer uma costura velha e gasta.  Sinto vontade de rezar.  Não acredito mais em deus, mas sei que onde há fé  também há luz. O céu é se apaga e ficamos nós ali no escuro. Acreditar não é ais tão fácil quanto costumava ser. 

    Uma vez escrevi um texto chamado traição com 3 personagens. Conforme o tempo foi passando eu fui me identificando com cada um dele de forma diferente. O tempo passa e vamos descobrindo nuances para os quais estávamos cegos em outras épocas. Eu sempre disse que inventei o Vento pra me defender do mundo. Mas agora está claro que ele serve muito bem para defender os outros desse ser humano tosco e nocivo que me tornei. 

    Tanto me esforcei pra construir pontes. Devia ter construído um castelo com muros bem.altos e fortes. Pra que nada mais pusesse me.atingir. Agora nada disso importa. Fiquei sem pontes e sem castelo. Restou apensa uma jangada correndo por um rio agitado que corre aqui dentro. 

    E eu estou cansado. Eu quase fui o suficiente. A gente quase conseguiu. E não há nada mais triste que um quase