segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Frases simples e despretenciosas sobre grandes assuntos

"Eu gosto muito de ti. Nem parece que tu é de Caxias"



- FARINA, Diogo, 
em um dos melhores elogios que eu poderia ouvir.

domingo, 18 de novembro de 2018

Hora de costurar a esperança

           Depois de 3 dias de shows eu admito que fui para a quarta noite meio de arrasto. Meu corpo estava pedindo arrego, mas eu sabia que poderia manter meu sorriso à base de yagger. E sabia também que ia chover.

           Até que um olhar mudou tudo. Acho que disfarcei o nervosismo na voz, acho até que não enchi o olho de água quando aqueles olhos cor de céu me olharam como se eu fosse transparente. O fato é que de repente voltou tudo.

No fm de tudo ninguém me viu gargalhando sozinho na chuva. Talvez eu esteja 6 meses atrasado, talvez dez anos, mas de alguma forma, continua parecendo que tudo está acontecendo exatamente como deveria. O Virgílio voltou, voltei a me sentir em casa no palco e

Pîc Pîc

E dez anos depois eu volto a roubar flores pra deixar na porta dela.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Pra deixar de ser medroso

       Vou contar uma história. Talvez eu precise me lembrar dela depois.

       Certos shows me assustam. Eu sempre acho que sou incapaz de certas coisas, mas não dessa vez. O mundo tinha outros planos e estava cagando e andando pra minha auto estima nula. Eu ia tocar na Lucille.

       Mas antes eu precisava da minha espada e no exato momento em que eu precisei o Virgilio voltou. Um yin e yang metalizado cinza e preto. Na minha cabeça a madeira sempre vai me fazer pensar em coisas talhadas. Talhar é uma boa metáfora sobre como formamos nosso caráter. Por outro lado o metal é forjado. E forjar cabe muito melhor do que talhar no meu contexto. E cinza. Por que nem o preto e nem o branco me interessam.

       Existe um jeito de meditar no qual vc fica repetindo uma mesma palavras infinitas vezes. E chega um ponto em que a palvra perde o significado e passa a dizer exatamente o que vc quer dizer. Ou, no meu caso, toca a mesma note infinitas vezes até ela soar exatamente como eu quero que ela soe.

       E eu lembrei de tudo isso enquanto subia no palco meio correndo. Meia hora antes o Fer estava sem voz, mas já no palco ele me olhou com uma cara que eu conheço muito bem.  Ficou claro que ele ia gritar naquele microfone como se não houvesse amanhã. Não que fosse necessário. Sei bem que ele troca força por know how quando é preciso. 

       Estuda como se fosse o pior baixista do mundo e toca como se fosse o melhor. O akuma e o ken na minha cabeça. de novo. Que bom que ainda existem pontos pra serem ligados.

       Eu não sabia metade das músicas, mas não tinha tempo para ficar preocupado com isso. Na primeira volta eu ouvia, na segunda eu aprendia como tocar e na terceira eu já sabia onde estava pisando. O Mauro me salvou incontáveis vezes. Mas nenhuma novidade. Ele é desses. O Bledo batia forte e sorria...e por causa dele o groove já estava meio pronto nos meus dedos. O Fer me mantinha com os pés no chão e ria da minha cara quando eu errava. Era o maestro certo para reger tudo aquilo. Não havia mais nada que o baixista barulhento e jazzificado que mora em mim poderia querer.

        Não gritei. Não me escondi atrás dos cabelos. E percebi bem rápido que eu estava dentro da mesma mágica que eu vi de fora algumas vezes. Soar firme como um pilar, mas sem deixar de ser livre. A Fran me deixava arrepiado. Nunca deixo de me impressionar com ela.

       E essa, senhores, não foi a história de como eu toquei na Lucille. Essa foi a história de como eu lutei comigo mesmo. Essa foi mais uma história na qual eu só cheguei tão longe por estar acompanhado de gigantes.

domingo, 9 de setembro de 2018

Conexão Waterloo - Guadalajara


             Semana passada eu vesti uma camiseta do vagão e antes que eu me desse conta havia um rótulo de bacardi colado nela. O velho escudo cheio de estardalhaço. Dessa vez ele serviu para alguma coisa. Por causa dele e de um show com meus, eu percebi que estava na hora de levantar a guarda de novo. Ficar escondido num canto deixano o mundo me bater não resolveria nada. E, com uma espada nova, eu fiz um show escorado num balcão. Lembrei de algo que um inimigo me disse uma vez sobre ser senhor das minhas ações. E lembrei que certas coisas não mudam. Se me defendo batendo, é lógico que me defendo com uma espada.


              Há músicas que me desmotam. E há músicas que colam meus pedaços. Não conseguiria explicar tudo que essa música significa. E acho que não conseguiria agradecer como foi mágico tocar essa música com os meus amigos. Queria que meu pai estivesse lá pra me ver tocar. Por capricho, eu queria também a filha do seu Afonso, mesmo ela estando cansada de saber que é o meu bem querer. As outras coisas que eu queria estavam ali, ao alcance da minha mão.




              E depois mais shows, mais noites mal dormidas, ressaca pra acordar e começar tudo de novo. Normalmente eu toco no lado errado do palco da beer, na frente do quadro de waterloo. Aquele quadro já foi pano de fundo de tanta coisa. Ele testemunhou meu melhor e meu pior. Irônico pensar que justamente ele me fez lembrar do porque eu estava ali. Me fez tirar o peso das costas e simplesmente segurar um fender e ser feliz. E eu não tinha mais medo. Eu não me escondi mais. Um exagero atrás do outro. 
 

                Tudo acaba em gudalajara. E o méxico tem suas regras. O frederico que sabia das coisas.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Vai vendo... mas fica

         Perto do balcão eu ouço um som mais do que familiar: o bater de asas  do Ismael. O mesmo som que eu tento emular com meu suspiro/sorriso/soluço. Sei que já tive mais cerimônia para falar com ele, mas falei a única coisa que estava na minha cabeça naquele momento: - Ela manja do chamamé. Na verdade eu estava pensando numa parte de uma música do Jayme Caetano. "Misto de diaba e de santa, com ares de quem é dona. E um gosto de temporona que traz água na garganta."

        E ali a gente ficou olhando nossa responsabilidade. A parte que nos cabe nesse latifúndio. Senti ele me olhando e sabia do que se tratava. A frase não é minha, mas usar ela contra mim faz muito sentido. Um tenista - tinha que ser um tenista - certa vez disse que "As vezes você joga bem e perde". Nunca esqueci dessa frase. E naquele momento eu inegavelmente estava dentro de um jogo que não poderia ganhar. Mas antes de me entregar eu ainda olhei pra ele falei fieri potest. Confiar nas asas nos une de uma forma única, embora a gente use nossas penas pra fins bens diferentes.

          Vai com medo mesmo. Eu sei que mais uma vez vou perder. Eu sei que vou acabar sem nada e sem ter para onde correr. Mas a verdade é que eu não sei fazer o que faço de outro jeito.  É só um boneco de palitinhos que teima em subir a montanha pra continuar pulando. A queda dói, mas o tempo que eu passo no ar justifica qualquer coisa. Talvez em um outro lugar, uma outra vida... não sei... talvez eu encontre meu lugar no céu.