sábado, 17 de fevereiro de 2018

Like a mantra

        Uma coisa minhas duas viagens pra França tem em comum. 

      No meio delas eu me dei conta de que as coisas nunca mais seriam as mesmas quando eu voltasse. Porque eu não seria o mesmo.


And all of this
Will never be the same
Again

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Nem se eu estivesse tocando Bach

        Parei de brigar com o frio e cheguei num ponto em que ele me consola. O ar gelado me mantém alerta, na mesma proporção que o cansaço me desanima.

        Toco Oasis e Artic Monkeys como quem usa um band-aid numa perna amputada. Não resolve muito mas a verdade é que aceitei mais do que nunca que há coisas que eu realmente não posso consertar. E talvez existam coisas que eu não queira consertar. Não adianta nada eu teimar e me apegar ao que já não é. Castelos de areia são feitos para serem destruídos, mesmo aqueles com um palitos de picolé no meio deles. Eu devia ter deixado a corrente me levar em vez de ficar teimando em atravessar o rio. A margem oposta é bem diferente do que eu me lembro dela. 

       Olhando para trás, o que começou com uma fuga agora é mais um rito de passagem. E da mesma maneira que antes eu não sabia do que estava fugindo, agora não tenho a menor ideia de onde isso tudo vai me levar. 



sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Sean bienvenidos al nuevo méxico

       Tantos momentos precisariam ser devidamente notados. As conversas em inglês em que consigo ser irônico. E as em francês que conseguimos nos entender. No palco, quando eu e o Caldo tocamos um mi menor pra começar uma música sem ter ideia de qual música vai ser. Quando ele cuida do lado dele do palco e eu cuido do meu. Como foi na banda do caldo locao. A gente se conhece a mais de 20 anos e isso se reflete em cada acorde que a gente faz.

           Lá fora a neve cai linda. Mas a neve no chão é  o próprio inferno. Caminhar em meio a 40 cm e neve torna uma duna de areia numa passarela. De um jeito ou de outro, quando a temperatura de -10 graus tenta me gelar e a neve cai pesada o suficiente pra ser preciso limpar a cara a cada 20 segundos, tudo que eu consigo pensar é: ¿é só isso que vcs conseguem fazer.? Vocês realmente estão tentando me incomodar com frio.?

          Com um baixo afinado em Ré e sem conseguir ver quase nada por causa da fumaça e das pessoas pulando, as coisas soam estranhamente familiares. Ainda grito, mas é por costume mesmo. O mesmo tango ecoa na minha orelha sempre que eu me descuido.

Living easy, living free...

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

A puppet on a string

         Sobre Londres eu sempre conto uma história que envolve uma mulher com asas, muito trago e o primeiro passo em direção a uma redenção que nunca aconteceu. Mas tem outra história, que eu não falo muito sobre. Ela aconteceu três dias antes da minha aventura no The Piano Works. Foi uma conversa. Eu lembro de burramente ter sido sincero e, por causa da minha sinceridade, a putaria no piano works se fez necessária.

         ¿E por que voltar a isso agora, tantos meses depois.? Porque aquilo que eu disse em frente a catedral de Saint Paul continua verdade.  E porque a sensação de que sou uma anta por confiar nas pessoas também continua recorrente. Já vi os meus serem capazes de tantas coisas maravilhosas que parece que esqueço que eles são capazes de coisas erradas também.

          Mas quem sou eu pra falar sobre certo e errado. Tudo culpa minha.. same as always. Todo mundo que chega perto demais terá problemas. Nem um metro de neve e um oceano e distância podem mudar isso.

         Tinha que ser uma igreja do Paulo.. "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar..." Uma das lições que nunca assimilei...

        Vou ali tocar Tool. Eu sei que as peças se encaixam. Ontem toquei Highway to hell. Nunca toquei essas músicas do jeito que gostaria.Não importa o fuso horário. Depois das 3 e meia da manhã o sonho fica mais lúcido.



We're choosing to be here. Right now, hold on, stay inside.
We're choosing to be here. Right now, hold on, stay inside.
We're choosing to be here. Right now, hold on, stay inside.
We're choosing to be here. Right now, hold on, stay inside. 
We're choosing to be here. Right now, hold on, stay inside.

 

domingo, 14 de janeiro de 2018

Anjos e demônios

            De todas as músicas que poderiam ter tocado, ¿por que justamente essa.? Pra me lembrar que é difícil discutir com o chefe.? Pra me lembrar que preciso continuar fazendo o que fiz todos esses anos: esquivar e  sumir.? Transformar raiva e tristeza em eficiência.? Ou simplesmente foi pra selar um tratado sobre não se importar.?

            De um jeito ou de outro, sigo tropeçando nos meus pés enquanto teimo em andar de cabeça erguida. Me sinto um merda depois, mas não é como se eu não soubesse que ia ser exatamente assim. Admito que tinha esperança que não fosse. ¿Eu já disse que me condenei à esperança? Um pedaço de pano amarrado no meu pulso está quase arrebentando, mas eu sou burro e vou costurar ele. Por que é o que eu faço  ..me desmonto e me reconstruo. Me rasgo e me costuro.  Não ter nada a perder torna o fardo mais leve, mas ainda sito dor no pulso por carregar pesos que não são meus.

            Não acreditar em mim mesmo demanda esse preço. O único acima tem coisas muito mais importantes pra se preocupar. Entendo perfeitamente que meus gritos se percam em meio a nevasca, mas sigo repetindo meu único pedido: Nunca me conceda descansar. Antes de ser vento eu era um porco espinho e quanto mais forte tentavam me machucar, mais eu machucava de volta. Não vou recuar enquanto cospem o inferno na minha cara. Não trouxe armadura nenhuma, mas eu ainda me defendo com a espada. E não pensem que eu não tenho um plano.

             Não fechei os olhos pra os sinais, mas hoje sou metade do homem que costumava ser e, sendo assim, demoro mais pra assimilar o que era rápido e simples no passado. Estou em terreno desconhecido, fora da minha zona de conforto. Não vou pedir paciência, mas espero que entendam que não tenho pressa nenhuma em fazer as coisas como elas devem ser feitas.




Pretty soon...