quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Ventando

     É um novo trabalho, mas chego nele com os estragos de tudo que veio antes. E com as lições que os tombos deixaram:

     Não forçar o momento de soltar a flecha por medo de perder o fôlego.

     O momento em que somos mais facilmente manipulados é justamente quando tentamos manipular.

Sun Tzu


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

¿como cheguei até aqui?

      Durante a vida, fiz incontáveis piadas sobre os caxienses acharem que a festa da uva é grande. Na minha cabeça sempre foi uma festinha minúscula numa cidade pequenas com rompantes de grandeza. Mas o campeonato de ironias com o Único Acima não dá folga e já no primeiro dia de trabalho eu tive que dar 4 voltas pelos pavilhões. É tudo relativo, eu sei, mas não tenho mais coragem de dizer que isso aqui é pequeno.

     E, pra fazer tudo isso acontecer, de alguma forma juntou-se um time invejável. Olhar pro lado e ver os meus trabalhando e fazendo a festa sair do papel é mágico. E assim como foi no festival de blues e em alguns outros trabalhos especiais, não sobrou muito tempo pra que eu hesitasse ou ficasse duvidando de mim mesmo. A mesma regra: nada é pra ontem e quase tudo é pra agora.

   O tamanho do trabalho é assustador, mas de alguma forma, meu amor ao caos me mantém ainda de cabeça erguida. Os gigantes que tantas vezs me fizeram enxergar estão aqui comigo, alguns não fisicamente. O Mauro se estivesse aqui me entregaria uma cerveja bem gelada sem dizer uma palavra. A Ana colocaria um cigarro na minha boca porque sabe que eu esqueço de fumar quando entro na bolha. O Fer Costa me daria um tapa na cara e me mandaria não parar de sorrir.

    Não parar de sorrir. Admito que esse é o único plano que eu me permito ter no momento. Provavelmente esse é o único plano que vou precisar até o fim da festa da uva.



Nas incontáveis voltas que já dei nesse espaço,
a escada do coreto até agora é meu lugar preferido.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Para o leste




               Isso foi ontem, no fim da tarde. Automaticamente parei na janela, e pensei como se estivesse perguntando:  ¿Temos tempo pra mais uma dança?  Resolvendo umas últimas tretas,  olhei  pro céu e percebi que estava atrasado, mas se eu dirigisse como um idiota, chegaria no mar antes da Lua.


            Cheguei. E com os pés descalços na areia eu entrei em acordo comigo mesmo. Existe um jogo que eu não posso ganhar. Mas os outros são meus.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

A montanha não tem nenhuma chance

        Numa carteira de cigarros meio amassada, no domingo de manhã eu rabisquei  algumas palavras pra escrever sobre elas depois. Foi no curtíssimo período entre chegar em casa e me jogar na cama.

O que consegui entender da minha letra de bebum foi isso:

Lua cheia na véspera

Chuva. logicamente.

O Virgílio tocou muito. Eu sorri e fiquei invisível.

FINALMENTE

         Lembro que estava com um sorriso enorme quando escrevi. Meio molhado de chuva, meio bêbado. A sensação de missão cumprida misturada com "¿eu mereço tudo isso?". O que eu não sabia era que ia me envolver numa treta sem pé nem cabeça nos minutos seguintes. Mas é bom pra lembrar como funciona tudo. É um bar, o trabalho é literalmente uma festa, e é melhor guardar as coisas particulares para si onde se trabalha. É uma pessoa fantástica, mas gerencia certas coisas como se estivesse na 5a série.

        O fato é que nada daquilo pôde (pode) tirar o sorriso de mim. E eu ganhei um show com a Gil Vargas de presente no domingo. Só pra ser infinito. Só pra terminar o fim de semana num palco. Sorrindo e ficando invisível mais uma vez. A mágica no absurdo. 


sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Eu ainda não posso ganhar

         Recém passou da meia noite e estou esquentando a água pra terceira térmica do dia. Eu deveria dormir. Deveria fazer as pazes comigo mesmo pra dormir melhor. Mas o fato é que eu não sei dormir. E não tenho erva mate suficiente pra  fazer as pazes com quem quer que seja. Preciso mesmo de água salgada e areia pra remendar certos pedaços. Sempre fico triste quando certas coisas quebram e eu não sei consertar. E ainda existem coisas aqui dentro que eu não sei consertar.

        Há uma frase que eu repito na minha cabeça quando caio um tombo: Levanta. Sacode a poeira. Dá a volta por cima. Eu nunca fui muito gentil quando converso comigo mesmo, então essa frase soando como uma ordem serve muito bem no meu jeito de pensar. Tirei ela de uma história em quadrinhos do Logan. 

      Mas o que fazer quando a poeira não está no corpo, e sim na mente.?  E porque diabos eu lembro nessa frase durante um banho de chuva épico.? Tento me convencer que fazer 20km pedalando embaixo de um dilúvio tem a ver com capacidade e não com sentir raiva de mim mesmo. É lógico que falho miseravelmente.

      O Bledo tem razão quando fala que eu virei outra pessoa quando comprei o baixo novo. Nós músicos sabemos bem que conforme vamos tocando melhor, vamos também nos tornando pessoas melhores. Quando alguém duvida dessa teoria eu aponto pro Caldo e as pessoas entendem o que estou falando. Mas eu ando precisando do Virgílio. O fender soa  melhor, isso é inegável, mas o inferno fica melhor quando tenho alguém pra me guiar nele. Quando estou no palco e fecho os olhos pra chorar melhor, é o Virgílio que grita comigo pra manter as notas soando no lugar. Segurei ele incontáveis vezes, e acho que só confio nele pra me segurar quando eu mais preciso.

      Aprendi com o tempo é que as pessoas costumam confessar suas fraquezas apenas pra aqueles que as deixam mais fortes.Vejo minha senhora tirando a máscara e meio sem jeito falando das fraquezas dela. Sinto um certo orgulho em pensar que eu a deixo mais forte, assim como ela faz comigo. E pessoas que não julgam são tão raras hoje em dia. Vou pegar as minhas e segurar firme para não perder mais nenhuma. Mas é bobagem minha, sei bem que algumas vão embora quando eu não for mais útil. As ondas não vão parar, como disse o mar.


Falando em mar, NUNCA ME CONCEDA DESCANSAR!