quinta-feira, 19 de outubro de 2017

No reason to get excited



            Vi meus amigos tocando essa música ontem. A ordem de mudança. Vai a onda, vem a nuvem e eu sinto a água mexendo a areia sob meus pés. Hora de mudar, antes que a correnteza fique forte demais e me derrube. Ainda toco a mesma escala, mas as notas estão soando diferentes. Acordes sempre serão sensações.

              Eu nunca soube direito qual era o meu papel na letra dessa música. Gosto da fala do ladrão, mas a ideia de tentar sempre uma saída e de nunca estar tranquilo é tão a minha cara.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Amparo

           Eu pedalo na chuva e penso em unicórnios. Em algum lugar algum baterista toca motorhead. Seguimos. Queria que minha vida tivesse seguido outro caminho, mas respeito cada passo e entendo como cheguei até aqui. Estou onde me coloquei. Escrevo minhas linhas toscas para 2 ou 3 pessoas entenderem. Mas elas são pra mim, antes de tudo. Falar é como marcar na minha pele as palavras. E me condenar a viver conforme o que digo. Assim como me condenei à esperança. 

          Ainda chove quando estou voltando pra casa. Numa estratégia que sempre se baseou em esquivar em vez de defender, a chuva me torna praticamente invisível. Num plano que sempre se baseou num gato que sorri e fica invisível, sumir sempre vai ser minha zona de conforto.



quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Um moinho cabisbaixo

              Sinto tanto a falta da minha irmã. Sinto falta da coragem medida dela. Era medo, mas ela dava um passo de cada vez e sempre seguia em frente. E disfarçava como uma profissional. Vi ela se arrastando, vi ela saltitando como uma criança brincando com balão, vi ela chorando e vi ela rindo.  E não soube dar valor.  Tantas vezes ela foi exatamente o que eu precisava que ela fosse e quando ela precisou eu não estava lá. Queria poder me culpar, mas eu estava tão perdido na época que já acho válido eu ter sobrevivido a tudo. 

               A saudade me machuca. Quando penso nela bem forte eu choro.  Mas na maioria das vezes que eu lembro dela e penso basicamente duas coisas.  Primeiro torço pra que ela esteja bem. E segundo penso que mesmo longe, o exemplo ficou. E faço o que posso para ficar mais forte.  A marca dos sonhadores  ficou muito melhor nela do que ficaria em mim. E ela me inspira a melhorar, assim como Dulcinéia inspirou o cavaleiro da triste figura. Não peço mais perdão, simplesmente agradeço. Com tapas e colo ela foi (e ainda é) essencial na formação do meu caráter.




It's a nice day to start again.

domingo, 16 de julho de 2017

Maktub

      Tem textos que marcam minha vida mais do que as tatuagens marcam a minha pele.  Sempre que alguém fala sobre me curar eu lembro disso:
 
        "Lembre-se de que você é a doença. Você não pode ser curado porque você é a doença. Se a doença fosse outra coisa qualquer, poderia ser curada, mas você é a doença. Não pode ser curado; você é incurável. Jogue fora a doença. Jogue fora a si mesmo, sinta como se você não existisse. Crie, cada vez mais, o sentimento de ser ninguém, de ser o nada.
          Mova-se para o não-ser, porque o não-ser é a porta para o ser supremo. Quando você cessar completamente de ser, você será divino. Quando você não for, você será o próprio Deus." - Osho

          E a dor fica aqui,  como um cão de guarda. Fiel e resignada com as escolhas do dono. Ela me protege e eu faço o melhor que posso para lidar com ela. Nunca criei aspirações sobre ser divino. Mas, na minha lógica burra. eu sempre achei que se eu cessasse de ser, não doeria mais.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Fumando o cigarro da saudade


           Houve um tempo onde Neruda não era poesia, era a música que a gente ouvia. O acaso se mostrou salvação e o entendimento era pouco. Eu faço os melhores capetas do mundo porque precisei aprender naquela época. A sorte caminhou sozinha na praia, pareceu errado na hora, mas o tempo ajeitou tudo. Foi um tempo em que Nietzsche chorou e que compadre meu ajudava sem saber. Há a repetição que sempre outras vezes em minha vida acontece. Eu rabiscava coisas na praia sozinho pro mar apagar. Um monte de água não se importa com tamanho das letras. Problemas grandes e pequenos nunca importaram entre um nó e outro. Palavras tem peso, nunca flutuaram o suficiente.


            Não sei o tamanho da bolha, mas acho que ela precisa ficar menor. Quanto menor ela for mais gente haverá fora dela. Fora da bolha é mais fácil ser feliz.
            Quisera eu poder fazer as coisas voltarem a ser como elas eram antes... como poderiam ter sido. Mas, ao que parece, a aura violeta não tem nada a ver com olhar para trás...
 
Eu vou casar com a saudade
Numa madrugada fria
Na saúde e na doença
Na tristeza e na alegria
Quando o sono não chegar
No mais distante lugar
No deserto beira mar
Dia e noite noite e dia