domingo, 16 de julho de 2017

Maktub

      Tem textos que marcam minha vida mais do que as tatuagens marcam a minha pele.  Sempre que alguém fala sobre me curar eu lembro disso:
 
        "Lembre-se de que você é a doença. Você não pode ser curado porque você é a doença. Se a doença fosse outra coisa qualquer, poderia ser curada, mas você é a doença. Não pode ser curado; você é incurável. Jogue fora a doença. Jogue fora a si mesmo, sinta como se você não existisse. Crie, cada vez mais, o sentimento de ser ninguém, de ser o nada.
          Mova-se para o não-ser, porque o não-ser é a porta para o ser supremo. Quando você cessar completamente de ser, você será divino. Quando você não for, você será o próprio Deus." - Osho

          E a dor fica aqui,  como um cão de guarda. Fiel e resignada com as escolhas do dono. Ela me protege e eu faço o melhor que posso para lidar com ela. Nunca criei aspirações sobre ser divino. Mas, na minha lógica burra. eu sempre achei que se eu cessasse de ser, não doeria mais.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Fumando o cigarro da saudade


           Houve um tempo onde Neruda não era poesia, era a música que a gente ouvia. O acaso se mostrou salvação e o entendimento era pouco. Eu faço os melhores capetas do mundo porque precisei aprender naquela época. A sorte caminhou sozinha na praia, pareceu errado na hora, mas o tempo ajeitou tudo. Foi um tempo em que Nietzsche chorou e que compadre meu ajudava sem saber. Há a repetição que sempre outras vezes em minha vida acontece. Eu rabiscava coisas na praia sozinho pro mar apagar. Um monte de água não se importa com tamanho das letras. Problemas grandes e pequenos nunca importaram entre um nó e outro. Palavras tem peso, nunca flutuaram o suficiente.


            Não sei o tamanho da bolha, mas acho que ela precisa ficar menor. Quanto menor ela for mais gente haverá fora dela. Fora da bolha é mais fácil ser feliz.
            Quisera eu poder fazer as coisas voltarem a ser como elas eram antes... como poderiam ter sido. Mas, ao que parece, a aura violeta não tem nada a ver com olhar para trás...
 
Eu vou casar com a saudade
Numa madrugada fria
Na saúde e na doença
Na tristeza e na alegria
Quando o sono não chegar
No mais distante lugar
No deserto beira mar
Dia e noite noite e dia



sábado, 8 de julho de 2017

E nunca emergimos iguais

            Muitas vezes eu considerei que a alquimia que eu gosto de seguir é como um rio que segue certeira e direta em uma direção, mas eu já conversei vezes suficientes com os sinais para saber que a alquimia é como um oceano em uma tempestade. O aparente caos não significa nada pra quem tem coragem para mergulhar.

             O plano foi bom. Mas ¿resolveu o que tinha que resolver? Não, nem perto.

Entendo as metáforas do Barão e os pedidos de ajuda da minha senhora.
Mas ainda não entendi o que a Morte tanto quer.  

Pelo menos enfrentei tudo de frente. Ficar sozinho tem disso.
Um casaco azul que não protege o coração é minha velha armadura inútil.
Ninguém pra por a culpa. Ninguém pra resolver nada por mim.
Nas minhas escolhas está o meu poder.
E, ao que parece, o mundo não tem nenhuma intenção de considerar meu medo na equação.

              O vento sopra noutra direção, vamos com ele. Nem todo amanhecer tem gosto de doce de leite.



quinta-feira, 6 de julho de 2017

Os anos só mudaram a cor.

           Escrever é sentir  em prestações. Adiar pedaços de coisas que sentimos pra depois. Mas será que as outras pessoas que escrevem também  são assombradas por textos antigos.? Será que as palavras que os outros escrevem também voltam para assombrar quem as escreveu. 


"não consigo te deixar ir
e me perco na gangorra 
entre me agradar e desagradar
com a idéia de que você vá...
gangorra essa sustentada 
por alguma coisa entre saudade e melancolia,
cor tristeza clara."

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Anotações nos meus livros

           Já escrevi aqui em algum lugar que sempre deixei pistas sobre minhas atitudes. Uma espécie de trilha de migalhas pra quem quisesse realmente saber meus porquês. De um jeito deturpado, era como se eu me justificasse. Como se a explicação, mesmo escondida, justificasse  o que eu fazia. E, por mais que eu tente pintar esse fato com cores altruístas, sei que há uma motivação egoísta aqui. Me vangloriava de uma falsa capacidade intelectual por conseguir disfarçar e iludir. Eu tinha força para não me esconder e sabia que assim estaria protegido.  Passou tanto tempo. Consegui me confundir todo na ideia de me proteger. Proteger o que.? de quem.? Não há nada aqui dentro que eu ainda preze o suficiente para justificar um muro. Sou burro demais para sustentar a ironia que gostaria. E sou sozinho demais para brincar de independente.

            Mas tudo isso são minhas migalhas. Porque há outras coisas que eu faço e que realmente não falo para ninguém. O segredo sim me ajuda e nas madrugadas ensurdecedoras eu já não preciso me justificar para ninguém.

            Comecei esse texto citando a mim mesmo, pra terminar de um modo melhor, cito um gaúcho bem mais útil do que eu. "...há coisas que um homem não deve confessar nem a si mesmo" - Érico Veríssimo"