segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Pra deixar de ser mimado

            Uma X32 na minha frente.. é só uma mesa de som.. botões e volumes e um tela.. mas ela simboliza tanta coisa. Foi a primeira mesa que pedi ajuda pra aprender como ela funciona. E, mais do que aprender a operar nela,  eu aprendi que tinha amigos onde menos esperava e que eles me ajudam muito mais do que deveriam. Com ela fiz meus shows mais na pressão pra que tudo ficasse bom. E contra toda minha falta de fé em mim mesmo... eles ficaram.

          E entre quinta e sábado, foi tudo se ajeitando conforme o tempo ia passando. Considerando tudo, foi muito mais fácil do que eu achei que ia ser. Mas muito mais caótico e muito mais alto. Não sei exatamente com o que estava preocupado já que quando a banda é boa meu trabalho é muito fácil. E eu tinha 3 bandas boas.

             No fim de tudo, para coroar uma noite especial, sobe todo mundo no palco. A Lucille e a Black Birds com o Caldo no meio. Meus amigos, e na maioria dos casos, meus heróis. E de repente pareceu que minha única função ali era ajuda a fazer aquele pequeno pedacinho de história acontecer.

             Foi uma noite daquelas que ficarão pra sempre na memória. Agradeço ao Fher, pela confiança, ao Nick e ao Zaca pelo profissionalismo, o Kiko pela compreensão e pela ajuda quando o bicho pegou. E as bandas, o Aguina, o Bitoca, o Leco... por tornarem um trabalho que deveria ser monótono e cansativo na coisa mais divertida do mundo.

               Eu disse que era uma mesa de som.? Pra mim ela sempre vai ser como um vídeo game maior. Fica a sensação de missão cumprida e a lição do maestro Nino Henz: "Fica esperto, tudo pode acontecer a qualquer momento"


Um muito obrigado a todos, de coração. 
Foi um privilégio.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Satolep continua hospitaleira

         Adoro planejar porque gosto da sensação de estar preparado. Saber o que fazer me deixa livre para pensar em outras coisas enquanto me jogo sem  me preocupar comigo mesmo. Mas isso não quer dizer que eu não me preocupe com os meus. Numa quinta feira sem eira nem beira, uma confissão me pega de surpresa. Não por ser novidade, mas porque sei o quanto é difícil. Não julgo, até porque meu contrato de trabalho deixa bem claro que essa não é minha função. E é engraçado me contarem uma história que eu conheço tão bem com personagens diferentes. No fim, somos água teimosa. Enquanto todos vem na praia e na mansidão do mar a redenção e a paz merecida, nós teimamos em ser rio. É correndo entre pedras e se jogando nos abismos das cachoeiras que nós somos mais nós.

           Quando cheguei em casa, coloquei de novo um velho pedaço de pano amarrado no meu braço. Se me condeno à esperança, acho justo usar a esperança amarrada no braço.

         Na sexta, porto alegre e minha alma se sentindo em casa. Uma riponga péxujo cantando um sambinha me lembrou da promessa. 

           E o pampa é o sertão com outro nome. E sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar. Viver é muito perigoso.



 

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

No reason to get excited



            Vi meus amigos tocando essa música ontem. A ordem de mudança. Vai a onda, vem a nuvem e eu sinto a água mexendo a areia sob meus pés. Hora de mudar, antes que a correnteza fique forte demais e me derrube. Ainda toco a mesma escala, mas as notas estão soando diferentes. Acordes sempre serão sensações.

              Eu nunca soube direito qual era o meu papel na letra dessa música. Gosto da fala do ladrão, mas a ideia de tentar sempre uma saída e de nunca estar tranquilo é tão a minha cara.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Amparo

           Eu pedalo na chuva e penso em unicórnios. Em algum lugar algum baterista toca motorhead. Seguimos. Queria que minha vida tivesse seguido outro caminho, mas respeito cada passo e entendo como cheguei até aqui. Estou onde me coloquei. Escrevo minhas linhas toscas para 2 ou 3 pessoas entenderem. Mas elas são pra mim, antes de tudo. Falar é como marcar na minha pele as palavras. E me condenar a viver conforme o que digo. Assim como me condenei à esperança. 

          Ainda chove quando estou voltando pra casa. Numa estratégia que sempre se baseou em esquivar em vez de defender, a chuva me torna praticamente invisível. Num plano que sempre se baseou num gato que sorri e fica invisível, sumir sempre vai ser minha zona de conforto.



quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Um moinho cabisbaixo

              Sinto tanto a falta da minha irmã. Sinto falta da coragem medida dela. Era medo, mas ela dava um passo de cada vez e sempre seguia em frente. E disfarçava como uma profissional. Vi ela se arrastando, vi ela saltitando como uma criança brincando com balão, vi ela chorando e vi ela rindo.  E não soube dar valor.  Tantas vezes ela foi exatamente o que eu precisava que ela fosse e quando ela precisou eu não estava lá. Queria poder me culpar, mas eu estava tão perdido na época que já acho válido eu ter sobrevivido a tudo. 

               A saudade me machuca. Quando penso nela bem forte eu choro.  Mas na maioria das vezes que eu lembro dela e penso basicamente duas coisas.  Primeiro torço pra que ela esteja bem. E segundo penso que mesmo longe, o exemplo ficou. E faço o que posso para ficar mais forte.  A marca dos sonhadores  ficou muito melhor nela do que ficaria em mim. E ela me inspira a melhorar, assim como Dulcinéia inspirou o cavaleiro da triste figura. Não peço mais perdão, simplesmente agradeço. Com tapas e colo ela foi (e ainda é) essencial na formação do meu caráter.




It's a nice day to start again.