quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Cartas guardadas na carteira

Ao som do Metallica com a Orquestra de São Francisco...com pitadas de Slipknot

_____É impossível não fugir do clima de fim que está no ar. Alguns com alívio e esperança, outros com raiva e culpa, mas todos estão com a palavra fim na ponta da língua. E recomeço no fundo da boca, onde o gosto é um pouco mais amargo. Não vou fazer aqui uma retrospectiva detalhada do ano, até porque acabei de fazê-la fumando um cigarro sentado na janela. Aconteceram muitas coisas ruins, mas vou me lembrar de 2010 como um ano bom. Duas partidas clássicas de xadrez: uma eu perdi porque afoguei o rei e outra eu ganhei com um sacrifício da dama mítico. Acabei recebendo um manual de instruções do canalha e, para o meu próprio espanto, percebi que não me encaixava nele. Ainda não consegui decidir se sou uma pessoa boa que finge ser tosca para se defender dos outros ou se sou uma pessoa ruim que finge ter bom coração para que as pessoas se importem comigo. De qualquer jeito, vou continuar sendo eu mesmo e continuar procurando essa resposta em 2011. E não vou procurar sozinho, porque o mundo me deu uma nova oportunidade e comecei a namorar de novo, sentindo o coração bater em vez de apanhar. Pensando bem, eu não estaria sozinho nem que quisesse. Um time forte se formou e que deverá durar o tempo necessário para cada um. Foi o ano em que reaprendi a ser jardineiro para cuidar da minha rosa. E para que ela cuidasse de mim. E para que eu usasse minhas asas.

_____Considerando que isso tudo está soando uma despedida e que ainda tenho algumas coisas prá fazer antes, termino o ano com um sorriso enorme e com uma frase muito adequada: Estou indo ver o mar. Muchas gracias a todos.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Gli stessi insegnanti

Madrugada de vinho chileno ao som de Bach. Foi unânime a constatação de que temos que estudar mais Bach. Uma livro que eu preciso ler e que eu esqueci de pegar. Bach foi muito inteligente. Mozart foi um gênio e Beethoven simplesmente transcendeu a coisa toda. E tem um livro que conta isso na estante do Barão. Bom, estranho seria se não houvesse.

A rosa falou sobre vergonha. Agora preciso mexer no alicerces do que estava construído para que a casa não pareça mais tão torta. Eu sei que cair ela não vai, mas só em pensar em viver sem ter que me equilibrar sempre já sinto um alívio.

O verão já está se armando para aquelas tardes quentes de partituras e metrônomos. E noites de pouco sono entre satisfação e ansiedade. O mesmo princípio de não enxergar com os olhos na música: sentir sem precisar dos ouvidos. Tem um mar antes, um fim de ciclo e um recomeço. Ao final dele uma tatuagem nova. Algumas despedidas, alguns reencontros. Pessoas que precisam seguir o seu caminho. E daqui a pouco já estaremos todos tropeçando nos nossos pés.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

I´l Ciabatino

Gastei minhas palavras no caderno, ao que parece. Não sei o que escrever.
¿Mas quem precisa de palavras?


Arrepia até a alma.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Minha.

Não páro de pensar. Nem quero.












terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O Vagalume tenta entender.

Ao som de: Cordel e Pirisca Grecco

_____A sonata ao luar foi roubada na cara dura. Eu não sei o que fazer. Fiquei a madrugada inteira pensando nisso e ainda não sei o que fazer. Eu sei que não fiz nada de errado e ela tem certeza que eu fiz, mesmo com 123 motivos para não fazer e absolutamente nenhum para fazer. ¿Se eu pedisse coerência seria pedir demais? A chuva foi embora e deixou um frio absurdamente peculiar no seu rastro. Acho que meu banho demorou demais, entrei no chuveiro no verão e quando saí parecia o próprio inverno. Manchas de maquiagem numa toalha, um travesseiro com cheiro de rosas, amarradores de cabelo roubados. Lembro do Barão dizendo algo sobre enfiar a cabeça no trabalho para evitar que a confusão tomasse conta. É um belo conselho, mesmo não sendo dito. Todas as músicas me lembram a mesma pessoa. Fotos tortas e por tortas entenda-se não widescreen. Rapé e um cérebro embatumado. Ou dois. Lembro de ter pedido sem hesitar. É injusto o tempo passar rápido quando estou com ela e muito devagar quando estamos longe, mas a relatividade tem dessas coisas. É absurdo não confiar em mim numa questão tão séria.


_____2 semanas hoje. E por mais que eu esteja sem chão, vou fazer o que sempre digo pros outros fazerem quando estão nesse estado: Ter fé.

Ela abriu minhas as asas para as coisas grandes do céu e não prá mim ficar rastejando no esgoto.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sobre o Sol e o Vagalume

Tá doendo prá caralho. Pelo menos chove. Esssa chuva gelada e melancólica que eu tanto faço. Saí pra caminhar. Só uma desculpa pra tomar um banho de chuva. Pra tentar chutar esse anjo triste que sentou praça por aqui. Pra tentar entender porque tudo isso está acontecendo. Eu queria realmente usar o bom e velho discurso do "eu não presto e se está ruim é porque eu mereço" mas ele não serve mais. Eu quero ser feliz e mereço ser feliz. Ela também. Muito mais do que eu.

Eu não vou estragar tudo. Não assim.
Lembrei de uma música que me fez pegar o violão.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Pequeno e feliz

_____A noite que começou com um capuccino, não poderia terminar de outra forma sem ser com uma partida mítica de xadrez. Sacrificio da dama é pra quem sabe. A noite que começou com um beijo roubado na porta da casa da cultura, passou por uma apresentação infinita e acabou com um café metafórico. Psicopatas os dois. É fascinante, aliás, ver o Barão tocando aquele piano de cauda da casa da cultura. De ouvidos atentos e dedos arqueados ele tem todos os sons que precisa. E com o olhar passeando entre as teclas e a partitura, o palco é dele. Entre orgulho e uma certa inveja, eu sorrio e agradeço por poder assistir.

_____Eu queria colocar a letra da balada do louco, mas há algo mais relevante. No campeonato de ironias, essa é minha:



_____Finalmente, eu sou o terceiro. Não apenas.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Das poesias que eu decorei...



Aqui do alto do cruzeiro
Onde o vento faz a curva pra voltar com mais coragem
Vejo o sol tocando a ponta do pára-raio da cruz
Elimino a ofensa do atrito
Atravanco o portão da ventania
Faço a caixa do mar ficar vazia
Boto um teto no vão do infinito

Para dar o pão pra os filhos
Que chegam magros da guerra
O mensageiro do sonho
Nesse terreno que treme
Da magra mão estendida
Da paixão que grita e geme
Das curvas do firmamento
Da claridade da lua
Solidão do mundo novo
A batucada da rua
O espetáculo não pode parar
Quando a dor se aproxima
Fazendo eu perder a calma
Passo uma esponja de rima
Nos ferimentos da alma

O espetáculo não pode parar
Há certas coisas no mundo
Que eu olho e fico surpreso
Uma nuvem carregada
Se sustentar com o peso
E dentro de um bolo dágua
Sair um corisco aceso

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

... e um pagodeiro tomando uma norteña citou nietzsche

Ao som de músicas que eu quero tocar.

Um brinde pelo time, que segundo nosso comentarista esportivo conhecido como Potro, vai prá libertadores facinho facinho. Aproveitamento severo.

Meu namoro não fez com que eu me esquecesse das promessas. Nem da do Lopes, nem daquela que fiz diante do mar. Falando em mar, não vamos demorar. A saudade é grande e temos um mundo de novidades pra contar um ao outro. Também não esqueci que dar valor apenas quando é conveniente é a mesma coisa que não dar valor nunca. E que quem mente nunca será confiável. ¿Mas quem sou eu pra falar sobre mentiras.? Ainda mais para quem diz que eu não presto.

Ainda não consegui deixar prá tras e continuo pensando no que eu fiz. Com um misto de orgulho e arrependimento. Não sei se tenho que pedir desculpas, se tenho que agradecer, se tenho que ser agradecido. Não era exatamente o certo, como eu já disse, mas alguém tinha que fazer. No fim de tudo, me quedo aqui com meus demônios. Tudo previsível. Depois de barganhar com os anjos, eu sabia que os outros também viriam cobrar a parte que lhes cabe. Numa mesa redonda com um colchão que machuca quando eu fico muito tempo deitado, conversaremos.

Olhando pra trás eu vejo como deu trabalho fazer com que chegássemos até aqui do jeito que estamos e justamente por isso o acaso tem respaldo comigo. Quando ele precisar de ajuda, sempre vai poder contar comigo. Livre arbítrio não serve pra nada quando não é usado. Certo e errado são conceitos velhos demais e eu estou com preguiça de usá-los. Os dias tem sido entre muito bons e perfeitos e as noites idem. Segue o baile.

Vegetarianos dão trabalho até que a gente se acostume com eles. Eu faço cagadas idiotas como pensar que presunto não é carne ou errar em 1 hora um compromisso e ainda assim ganho flores. Eu ganhei um jasmim. O mundo deve ser mesmo bem melhor do que eu pensava.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Caipiras e cigarros de morango

Ao som de: um burburinho de bater de asas na minah janela.

_____O mundo novo é bem melhor do que eu achava que pudesse ser. O time anda muito bem depois que compramos o passe de um novo atacante. As coisas acontecem quando tem que acontecer e eu fico feliz por ter estado lá quando elas aconteceram. E por ter sido, em parte, responsável por elas terem acontecido. Sou um diabinho muito bom e já não acho isso ruim. Na verdade, eu sinto vontade de chorar de tão feliz. Uma madrugada jogando escova enquanto um nobre descrevia as pessoas com harmonias e uma donzela se sentia nua. Outra madrugada de música boa e uma casal se redescobrindo a cada olhar. Ou dois. Posso estar muito errado, mas sei que preciso sair do mundo das regras de vez enquando. Qualquer um com asas vai me dar razão.

_____O cérebro da gente é tonal, tudo gira em torno da tônica. A tônica só é tônica porque existe uma dominante que diz que ela é a tônica. E isso também se aplica na música.

_____E eis que uma música do los hermanos me fez companhia enquanto eu dormia antes de acordar a rosa. Ao que parece dormi sorrindo com uma coroa que não pesa nada nada nada.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Um amanhecer mais colorido

_____Há uma conjunção de fatores: No meus jogos de tiro eu sou sniper desde que me entendo por gente. Dizem que tenho asas e vendo o mundo lá do céu tudo fica pequeno. Sou cego para um monte de coisas, mas tudo porque tento me focar em enxergar através de determinadas situações. E de determinadas pessoas. O segundo motivo que faz com que eu queira tocar sem olhar para o instrumento que estou tocando é prá poder olhar o que acontece ao redor. Tudo isso que faço ou me fazem eu tiro como lição para uma única coisa, simples e difícil: aprender a ver e enxergar. E, considerando tudo o que vejo, é muito bom que eu consiga interpretar tudo que vejo sem me envolver muito. Como uma testemunha, que observa e não interfere. Essa postura também foi difícil de ser aprendida. E com ela me preservo e preservo quem anda comigo. Eles me são tão caros.

_____O diabinho descabelado que está certo: muita preguiça.

Tomando chimarrão de pé descalço na grama na tarde sépia, uma poesia voltou como uma amiga que fica um tempão longe e que quando me vê pula no meu colo.



_____Arrepiou até a alma. As coisas mais leves são as únicas que o vento não consegue levar.