quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Cartas guardadas na carteira

Ao som do Metallica com a Orquestra de São Francisco...com pitadas de Slipknot

_____É impossível não fugir do clima de fim que está no ar. Alguns com alívio e esperança, outros com raiva e culpa, mas todos estão com a palavra fim na ponta da língua. E recomeço no fundo da boca, onde o gosto é um pouco mais amargo. Não vou fazer aqui uma retrospectiva detalhada do ano, até porque acabei de fazê-la fumando um cigarro sentado na janela. Aconteceram muitas coisas ruins, mas vou me lembrar de 2010 como um ano bom. Duas partidas clássicas de xadrez: uma eu perdi porque afoguei o rei e outra eu ganhei com um sacrifício da dama mítico. Acabei recebendo um manual de instruções do canalha e, para o meu próprio espanto, percebi que não me encaixava nele. Ainda não consegui decidir se sou uma pessoa boa que finge ser tosca para se defender dos outros ou se sou uma pessoa ruim que finge ter bom coração para que as pessoas se importem comigo. De qualquer jeito, vou continuar sendo eu mesmo e continuar procurando essa resposta em 2011. E não vou procurar sozinho, porque o mundo me deu uma nova oportunidade e comecei a namorar de novo, sentindo o coração bater em vez de apanhar. Pensando bem, eu não estaria sozinho nem que quisesse. Um time forte se formou e que deverá durar o tempo necessário para cada um. Foi o ano em que reaprendi a ser jardineiro para cuidar da minha rosa. E para que ela cuidasse de mim. E para que eu usasse minhas asas.

_____Considerando que isso tudo está soando uma despedida e que ainda tenho algumas coisas prá fazer antes, termino o ano com um sorriso enorme e com uma frase muito adequada: Estou indo ver o mar. Muchas gracias a todos.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Gli stessi insegnanti

Madrugada de vinho chileno ao som de Bach. Foi unânime a constatação de que temos que estudar mais Bach. Uma livro que eu preciso ler e que eu esqueci de pegar. Bach foi muito inteligente. Mozart foi um gênio e Beethoven simplesmente transcendeu a coisa toda. E tem um livro que conta isso na estante do Barão. Bom, estranho seria se não houvesse.

A rosa falou sobre vergonha. Agora preciso mexer no alicerces do que estava construído para que a casa não pareça mais tão torta. Eu sei que cair ela não vai, mas só em pensar em viver sem ter que me equilibrar sempre já sinto um alívio.

O verão já está se armando para aquelas tardes quentes de partituras e metrônomos. E noites de pouco sono entre satisfação e ansiedade. O mesmo princípio de não enxergar com os olhos na música: sentir sem precisar dos ouvidos. Tem um mar antes, um fim de ciclo e um recomeço. Ao final dele uma tatuagem nova. Algumas despedidas, alguns reencontros. Pessoas que precisam seguir o seu caminho. E daqui a pouco já estaremos todos tropeçando nos nossos pés.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

I´l Ciabatino

Gastei minhas palavras no caderno, ao que parece. Não sei o que escrever.
¿Mas quem precisa de palavras?


Arrepia até a alma.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Minha.

Não páro de pensar. Nem quero.












terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O Vagalume tenta entender.

Ao som de: Cordel e Pirisca Grecco

_____A sonata ao luar foi roubada na cara dura. Eu não sei o que fazer. Fiquei a madrugada inteira pensando nisso e ainda não sei o que fazer. Eu sei que não fiz nada de errado e ela tem certeza que eu fiz, mesmo com 123 motivos para não fazer e absolutamente nenhum para fazer. ¿Se eu pedisse coerência seria pedir demais? A chuva foi embora e deixou um frio absurdamente peculiar no seu rastro. Acho que meu banho demorou demais, entrei no chuveiro no verão e quando saí parecia o próprio inverno. Manchas de maquiagem numa toalha, um travesseiro com cheiro de rosas, amarradores de cabelo roubados. Lembro do Barão dizendo algo sobre enfiar a cabeça no trabalho para evitar que a confusão tomasse conta. É um belo conselho, mesmo não sendo dito. Todas as músicas me lembram a mesma pessoa. Fotos tortas e por tortas entenda-se não widescreen. Rapé e um cérebro embatumado. Ou dois. Lembro de ter pedido sem hesitar. É injusto o tempo passar rápido quando estou com ela e muito devagar quando estamos longe, mas a relatividade tem dessas coisas. É absurdo não confiar em mim numa questão tão séria.


_____2 semanas hoje. E por mais que eu esteja sem chão, vou fazer o que sempre digo pros outros fazerem quando estão nesse estado: Ter fé.

Ela abriu minhas as asas para as coisas grandes do céu e não prá mim ficar rastejando no esgoto.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sobre o Sol e o Vagalume

Tá doendo prá caralho. Pelo menos chove. Esssa chuva gelada e melancólica que eu tanto faço. Saí pra caminhar. Só uma desculpa pra tomar um banho de chuva. Pra tentar chutar esse anjo triste que sentou praça por aqui. Pra tentar entender porque tudo isso está acontecendo. Eu queria realmente usar o bom e velho discurso do "eu não presto e se está ruim é porque eu mereço" mas ele não serve mais. Eu quero ser feliz e mereço ser feliz. Ela também. Muito mais do que eu.

Eu não vou estragar tudo. Não assim.
Lembrei de uma música que me fez pegar o violão.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Pequeno e feliz

_____A noite que começou com um capuccino, não poderia terminar de outra forma sem ser com uma partida mítica de xadrez. Sacrificio da dama é pra quem sabe. A noite que começou com um beijo roubado na porta da casa da cultura, passou por uma apresentação infinita e acabou com um café metafórico. Psicopatas os dois. É fascinante, aliás, ver o Barão tocando aquele piano de cauda da casa da cultura. De ouvidos atentos e dedos arqueados ele tem todos os sons que precisa. E com o olhar passeando entre as teclas e a partitura, o palco é dele. Entre orgulho e uma certa inveja, eu sorrio e agradeço por poder assistir.

_____Eu queria colocar a letra da balada do louco, mas há algo mais relevante. No campeonato de ironias, essa é minha:



_____Finalmente, eu sou o terceiro. Não apenas.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Das poesias que eu decorei...



Aqui do alto do cruzeiro
Onde o vento faz a curva pra voltar com mais coragem
Vejo o sol tocando a ponta do pára-raio da cruz
Elimino a ofensa do atrito
Atravanco o portão da ventania
Faço a caixa do mar ficar vazia
Boto um teto no vão do infinito

Para dar o pão pra os filhos
Que chegam magros da guerra
O mensageiro do sonho
Nesse terreno que treme
Da magra mão estendida
Da paixão que grita e geme
Das curvas do firmamento
Da claridade da lua
Solidão do mundo novo
A batucada da rua
O espetáculo não pode parar
Quando a dor se aproxima
Fazendo eu perder a calma
Passo uma esponja de rima
Nos ferimentos da alma

O espetáculo não pode parar
Há certas coisas no mundo
Que eu olho e fico surpreso
Uma nuvem carregada
Se sustentar com o peso
E dentro de um bolo dágua
Sair um corisco aceso

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

... e um pagodeiro tomando uma norteña citou nietzsche

Ao som de músicas que eu quero tocar.

Um brinde pelo time, que segundo nosso comentarista esportivo conhecido como Potro, vai prá libertadores facinho facinho. Aproveitamento severo.

Meu namoro não fez com que eu me esquecesse das promessas. Nem da do Lopes, nem daquela que fiz diante do mar. Falando em mar, não vamos demorar. A saudade é grande e temos um mundo de novidades pra contar um ao outro. Também não esqueci que dar valor apenas quando é conveniente é a mesma coisa que não dar valor nunca. E que quem mente nunca será confiável. ¿Mas quem sou eu pra falar sobre mentiras.? Ainda mais para quem diz que eu não presto.

Ainda não consegui deixar prá tras e continuo pensando no que eu fiz. Com um misto de orgulho e arrependimento. Não sei se tenho que pedir desculpas, se tenho que agradecer, se tenho que ser agradecido. Não era exatamente o certo, como eu já disse, mas alguém tinha que fazer. No fim de tudo, me quedo aqui com meus demônios. Tudo previsível. Depois de barganhar com os anjos, eu sabia que os outros também viriam cobrar a parte que lhes cabe. Numa mesa redonda com um colchão que machuca quando eu fico muito tempo deitado, conversaremos.

Olhando pra trás eu vejo como deu trabalho fazer com que chegássemos até aqui do jeito que estamos e justamente por isso o acaso tem respaldo comigo. Quando ele precisar de ajuda, sempre vai poder contar comigo. Livre arbítrio não serve pra nada quando não é usado. Certo e errado são conceitos velhos demais e eu estou com preguiça de usá-los. Os dias tem sido entre muito bons e perfeitos e as noites idem. Segue o baile.

Vegetarianos dão trabalho até que a gente se acostume com eles. Eu faço cagadas idiotas como pensar que presunto não é carne ou errar em 1 hora um compromisso e ainda assim ganho flores. Eu ganhei um jasmim. O mundo deve ser mesmo bem melhor do que eu pensava.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Caipiras e cigarros de morango

Ao som de: um burburinho de bater de asas na minah janela.

_____O mundo novo é bem melhor do que eu achava que pudesse ser. O time anda muito bem depois que compramos o passe de um novo atacante. As coisas acontecem quando tem que acontecer e eu fico feliz por ter estado lá quando elas aconteceram. E por ter sido, em parte, responsável por elas terem acontecido. Sou um diabinho muito bom e já não acho isso ruim. Na verdade, eu sinto vontade de chorar de tão feliz. Uma madrugada jogando escova enquanto um nobre descrevia as pessoas com harmonias e uma donzela se sentia nua. Outra madrugada de música boa e uma casal se redescobrindo a cada olhar. Ou dois. Posso estar muito errado, mas sei que preciso sair do mundo das regras de vez enquando. Qualquer um com asas vai me dar razão.

_____O cérebro da gente é tonal, tudo gira em torno da tônica. A tônica só é tônica porque existe uma dominante que diz que ela é a tônica. E isso também se aplica na música.

_____E eis que uma música do los hermanos me fez companhia enquanto eu dormia antes de acordar a rosa. Ao que parece dormi sorrindo com uma coroa que não pesa nada nada nada.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Um amanhecer mais colorido

_____Há uma conjunção de fatores: No meus jogos de tiro eu sou sniper desde que me entendo por gente. Dizem que tenho asas e vendo o mundo lá do céu tudo fica pequeno. Sou cego para um monte de coisas, mas tudo porque tento me focar em enxergar através de determinadas situações. E de determinadas pessoas. O segundo motivo que faz com que eu queira tocar sem olhar para o instrumento que estou tocando é prá poder olhar o que acontece ao redor. Tudo isso que faço ou me fazem eu tiro como lição para uma única coisa, simples e difícil: aprender a ver e enxergar. E, considerando tudo o que vejo, é muito bom que eu consiga interpretar tudo que vejo sem me envolver muito. Como uma testemunha, que observa e não interfere. Essa postura também foi difícil de ser aprendida. E com ela me preservo e preservo quem anda comigo. Eles me são tão caros.

_____O diabinho descabelado que está certo: muita preguiça.

Tomando chimarrão de pé descalço na grama na tarde sépia, uma poesia voltou como uma amiga que fica um tempão longe e que quando me vê pula no meu colo.



_____Arrepiou até a alma. As coisas mais leves são as únicas que o vento não consegue levar.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Ops...

Só prá não dizerem que eu sou esquecido. Ainda do fim de semana:

O Potro perdeu um dos trunfos mais clássicos dele. Agora estamos quites.

O zine local coloca em manchete "Derrota não tira mérito". A reportagem é sobre um time de futebol locar (uma dica: é verde, ridículo e está na série D) que perdeu mais um jogo. Fico encantado com o processo de adaptação do ser humano. Como NÃO EXISTEM vitórias, eles precisam achar mérido no que tem. Já consigo vislumbrar carreatas comemorando empates sem gols.

Porra, Fiu. ¿¿Uma porca.???!!!!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Revelações

Não consigo escrever muito, foi um fim de semana extenuante. A brincadeira não acabou, só vai ficando mais séria. A vida vai ficando cada vez mais parecida com o two and a half men. E eu vou me apaixonando cada vez mais. E meu casaco tem o cheiro que eu tanto queria.

Se for o caso, a noite da festa latina pode ficar conhecida como a noite em que me sagrei campeão do 3º Rodo de ouro. Ou como a noite em que tomei uma tequila iron man. Ou como a noite em que quase perdi o que mais quero por minha recorrente incompetência. Mas eu vou melhorando. Vão me tornando melhor.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Meu currículo eu mandei pro inferno.

No meio da madrugada, visita para o Lopes. Um banho de chuva. Um cheiro que eu não consigo descrever como sinto falta. Um mundo de coisas que não entendo. Mas é preciso seguir em frente; todos os diabinhos sabem disso. Acabo entendendo o Potro nas insistências dele. Falando nisso. Tá tudo explicado aqui.

As palavras me faltam, mas meus braços doem de tanto tocar. Há uma relação estranha nisso que acho que só eu entendo. Fotos com cheiro de saudade. Dulcinéia, desculpe o sumiço. Às vezes é complicado. Mas eu sei que tu me entende.

E, sim, eu admito:

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Foco

_____O tempo passa rápido e a tendinite continua aqui. Ela é a prova de que não posso mentir para mim mesmo. Em algum lugar entre um entusiasmo kamikaze e um cansaço culpado, eu me quedo.

_____Hoje é dia do músico. Em vez de mandar os parabéns pros meus companheiros nessa arte maravilhosa e nessa profissão terrível, mando um muchas gracias. Quando comecei nessa vida, eu não tinha noção nenhuma de ritmo, de harmonia, de melodias. Agora caminho batucando tercinas, e fico cantarolando escalas maiores pra treinar o ouvido. Eu lembro que batia o pé para marcar o tempo. Agora, graças aos grandes músicos que muito me ensinaram, eu cosigo marcar o tempo com o meu coração. Gracias por todas as conversas que tivemos livres de qualquer palavra. Por todos os shows, os olhares e momentos mágicos que vivemos e criamos juntos. Gracias também para todas as pessoas que não tocam nenhum intrumento musical, mas que me inspiram a tocar.

_____Há uma frase (sempre há). Eu li ela em um livro antes de ter 13 anos. Antes de sequer supor que meu apelido um dia seria vento. E eu uso a frase até hoje.

"O vento sopra em outra direção, amigos. Vamos com ele. O homem põe, mas Deus dispõe."

_____A chuva me olha curiosa enquanto tomo um banho de chuva com cara de poker. E fico roubando flores sabendo que são elas que roubam pedaços de mim. Meu jardim fica lindo nas gotas de orvalho. O escuro não me incomoda, mas temos tanto que procurar. Felizmente há a luz de um vagalume para ilumiar nossos passos quando o sol se perde nos seus quehaceres.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

No meio dos shows

São shows estranhos. Fico pensando muito e deixo o Virgílio tocar. De todas as conversas, propostas e músicas, tem uma que não pode ser relevada. A última marchinha de carnaval antes dos sambas enredos.




Espero não ter perdido um Martin Fierro. É dificil lidar com quem fala muito, mas é igualmente complicado lidar com quem não fala nada.

E a Lua fica ali no céu cuidando de mim.
E as rosas...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Lenhando

Ao som de Roberto Carlos - Todos estão surdos

_____A madrugada anda diferente agora que estou lendo muito. Uma luz acesa faz toda diferença. E a luz negra virá. A Débora, meu velho PC, realmente desistiu. Tivemos uma relação com vários altos e baixos desde 2004 e chegou o momento de seguirmos em frente. Fico com o meu note (a.k.a Obdúlio) e uma série de coisas ligadas em USB. E é claro que o HD externo ia dar pau.

_____O fim de semana marcou a primeira festa do meu coração e do meu fígado juntos em anos. E ambos estão bem e em paz como demonstra muita bem a minha chuva. Domeq continua sendo o diabo engarrafado e Rum continua descendo que nem água mineral. A geral demonstra inveja. Mentira, loucura e filha da putice são caminhos sem volta. Fofo é um adjetivo muito peculiar. Piada interna por piada interna, tomo uma Dêde pensando na Nininha. E o Fiu é uma puta biscoiteira.

_____Um simples ajuste de postura e tudo volta pros trilhos. Eu até contaria do resto, mas ninguém iria acreditar. Segundo a observação perpicaz do Barão, as claves:

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Verdes, da cor de mate cuspido

Uma vez se jogava xadrez. Lembrei de um diálogo bem velho, dos alicerces e dos porões dos meus jogos enfumaçados.
- Sabe o que vai acontecer se eu colocar esse peão aqui.?
- Tu vai perder ele.
- Sim, e tu vai levar 10 jogadas até entender porque eu sacrifiquei um peão. E quando entender vai ser tarde demais.

A verdade é que eu sacrifiquei aquele peão simplesmente para deixar ele preocupado. E ganhei aquele jogo 14 jogadas depois porque ele ficou tão preocupado que cometeu dois erros bobos. Que ninguém diga que não dá prá blefar no xadrez.

Uma música ficou na cabeça desde a inauguração do Vagão Classic. E um cheiro, e um gosto e um olhar.



Teach me how to speak
Teach me how to share
Teach me where to go
Tell me will love be there
Love be there

Eu escolho a voz, obviamente. Tinha que estar chovendo. E eu tinha que fazer cada pingo valer a pena. As costuras de água salgada serão inúteis.

domingo, 7 de novembro de 2010

Começo a entender

Ao som de Pirisca Grecco - O céu da fronteira

_____Uma despedida que podia ser um adeus, mas que acabou se transformando num até logo. Psiquiatras e seus remédios para ansiedade, é isso que eles fazem. The devil may cry, mas isso fica como nosso pequeno segredo. Uma nova promessa e dessa vez eu sei que posso cumprir. Um abraço no semasas. Olhei pro calendário suspirando. Eu não podia adiar de novo. Deixei uma flor, como quem se despedia. Peguei um isqueiro e me olhei no espelho. Cheguei a pegar o bacardi na mão, mas lembrei do Jack Sparrow com o seu "e tudo isso sem nem uma gota de rum". Agua quente na térmica e chimarrão novo. Pé na estrada com a rota do sol vazia vazia. No céu a lua ia mudando de lado, se escondendo atrás das nuvens, mas me acompanhando.

_____Sentado na areia, usando o chimarrrão do mesmo jeito que usaria um cachimbo. Conversas sérias sobre ser ou fingir que se é. Vai ser sempre assim, é preciso estar sempre pronto para defender o que somos. Entre o sol e alguns pingos de chuva, fiquei com os pingos. Deixei um recado na areia para o caso de um amigo passar por ali. E subi a serra bem devagar. Em vez de andar a 160 eu preferi andar a 60 tomando chimarrão. Cantarolando Cross Canadian e Adoniran barbosa. Não havia pressa, não havia medo. Tudo como tinha que ser.

Cheguei em casa e instalei meu PS2 só pra jogar um velho jogo. O final é esse:

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Para ver o show...

Ao som de Guns - Patiense ¿15?

_____Passagem de som depois de um chimarrão com a Uruguaia. Tudo estranho, mas eu ia acabar entendendo porque. O fim da tarde estava lindo e eu fiquei um tempinho pegando sol. Entendi o recado. Olhei pro relógio e desisti de ir pra´casa tirar melhor as músicas. E entrei na igreja de são pelegrino com a sina de um covarde e o sorriso de um atrevido. Um batizado rolando e um casal de noivos querendo ver detahes de um casamento. Fiz um sinal para o padre Mário e ele entendeu que eu estaria esperando no jardim. o jardim do lado da igreja de São pelegrino parece menor, mas ela continua familiar.
- Eu sabia que tu ia aparecer por essa época, disse ele tirando a estola.
- Vim roubar mais uma flor. E deitar no mármore. Mas hoje estou de passagem. Estou indo prá praia na madrugada e quis passar aqui antes.
- Vai fazer o que na praia.?
- Dizem que o mar está agitado e gelado. Tenho que ver isso. E o sol convocou uma reunião, amanhã ao amanhecer. Vou lá ver o que querem comigo.

_____Do show fica só uma palavra. Mágico. Um sorriso enorme, ainda maior que o meu e lá estávamos eu e o Virgílio tocando como se não houvesse amanhã. Na música certa eu criei coragem e fui tocar teclado. Achei que ia demorar muito mais para tocar teclado em público, mas quando me dei conta já estava tocando. Coloquei o Virgílio no colo do Barão e eles se entenderam muito bem. Mesmo sem olhar para o lado, eu ouvi a voz do Fiu e achei muito justo ele estar cantando. Tudo no lugar certo, tudo onde tinha que estar.

_____A pena vermelha deu sinal de vida e com toda humildade que pude, pedi para a reunião ser adiada até a próxima lua nova. O sorriso quase diabólico da lua foi minha resposta. Tenho certeza que todos entenderam a virada da maré. O sertão pode até não ter virado mar, mas nós fizemos um belo trabalho. Ser julgado é um preço pequeno a ser pago. A geral que se foda, como disse a rosa. Posso não dizer "bom dia, gato" qdo me olho no espelho de manhã mas gosto da idéia de ter meu velho sorriso de volta.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A lei do eterno retorno

- Vai rever as rosas - disse a raposa. Assim, compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.

O pequeno príncipe foi rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu a tornei minha amiga. Agora ela é única no mundo.
E as rosas ficaram desapontadas.
- Sois belas, mas vazias - continuou ele. - Não se pode morrer por vós. Um passante qualquer sem dúvida pensaria que a minha rosa se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que todas vós, pois foi ela quem eu reguei. Foi ela quem pus sob uma redoma. Foi ela quem abriguei com o pára-vento. Foi nela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi ela quem eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. Já que ela é a minha rosa.

E voltou, então, à raposa:
- Adeus... - disse ele.
- Adeus - disse a raposa. - Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
- O essencial é invisível aos olhos - repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu ele, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade - disse ainda a raposa. - Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

domingo, 31 de outubro de 2010

Um coração sincero e um fígado forte.

Ao som de Frank SInatra - I won't dance

_____Era um jogo que eu não devia jogar. Muito a perder e pouco a ganhar. Pensei em fugir, mas lembrei que fugir por medo nunca é uma boa opção. E eu precisava enfrentar meus fantasmas. O gambito da rainha foi arrojado, mas foi necessário para que eu entendesse o peso da minha decisão. Posso ter colocado tudo a perder, mas sempre há um que de imprevisível na minha rosa dos ventos. Agora eu sei.

_____Quem viu um cabeludo de terno empoleirado no banquinho fumando um charuto no fim da festa deve ter se perguntando do que ele sorria. Acho que ele estva tentando ficar invisível. É sempre assim, quando a gente se machuca, sempre tenta se esconder.

_____Há um filtro de realidade no braço do Virgílio e as notas agora tem cheiro. Tocar está diferente. 3 penas azuis e a pena vermelha não dói mais. Quase consigo acreditar, mas a falta de prática atrapalha um pouco ainda.

_____Agora me quedo aqui com o coração na mão. Torcendo para que as costuras de água salgada aguentem. Enquanto isso venta forte. Depois da noite passada, um dos 3 tinha que assumir o controle. A fogueiras pequenas eu apago e as grandes eu torno ainda maiores. De novo e ainda. Falando nisso, o sertão e o mar... a lei do eterno retorno.

P.S. Nunca me conceda descansar.

domingo, 24 de outubro de 2010

Eu também prefiro assim...

I know it looks like I'm moving, but I'm standing still

Ao som de: Robert Hitchcok - Not dark yet

____Tava na cara que ia ser foda. E tava na cara que iam me dar um rasteia no meio de tudo. Eu só não sabia de onde ela ia vir. E lá estava a camiseta do kamikaze pra me defender e também porque havia o que comemorar. Acabei comemorando sozinho enquanto a camiseta foi muito necessária. Um show maluco em que eu resolvi soltar o cabelo e subir no bumbo da bateria. Acho que eu sorria, mas não consegui ficar invisível. Naquele mundinho por detrás dos meus cabelos, eu também estava quieto demais. E, de fato, ninguém percebeu. Lá estava eu, perdido no meio do tiroteio, mas ainda assim fingindo que estava tudo bem. Eu não consigo planejar tão bem quanto gostaria.

____Desisti de ir ver a hard rockers com a orquestra não pelo sono, mas sim por causa de um vazio absurdo que eu trouxe pra casa comigo. É hora de ficar aqui quieto pra não precisar fingir nada. Estou com aquela tristeza que me faz pedir desculpas por esbarrar nas sombras e agradecer às pedras que me fazem tropeçar. Somos velhos conhecidos e ninguém odeia ninguém. O chá de hortelã pesa uma tonelada. Dessa noite guardo um olhar de 3 segundos que me fez sentir completamente vulnerável e algumas lições interessantes. Eu deveria ter pedido ajuda. Eu deveria ter acreditado mais.

____Mudando de assunto, já que fui promovido a tenente, coloco uma foto do meu tenente preferido.

Tenente Templeton "Faceman" Peck, o cara de pau.
Cumprir a missão e pegar a gostosa. Te falo em aproveitamento.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Medalhas


Tirando a do DreamCast e a do N64, eu mereceria todas as outras.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O complexo de superioridade clássico.

Eis que o zine da cidade publica na edição de hoje a seguinte notícia:




____Isso só confirma que o glorioso alviverde serrano tem um evidente problema em se relacionarcom qualquer time maior do que ele. (Não vou considerar história porque ela não muda nada. Os fatos são que o juvergonha vai disputar a série D e o Caxias está na C.). Quando o Juventude estava na A e o Caxias na C, TAVA TUDO CERTO. A relação era uma formosura. Tanto a torcida quanto o time só se sentem confortáveis quando estão olhando prá baixo. Não deve demorar muito para que, juntamente com a famigerada campanha antigrenal, surja uma campanha anti grená. Tudo por que há uma GRANDE CONSPIRAÇÃO do Universo como um todo visando prejudicar o glorioso. Por mim podiam atalhar e criar uma campanha contra o futebol como um todo, já que o juventude é uma vergonha se considerarmos o futebol como parâmetro. Aquilo que se faz no Estádio Alfredo Jaconi (o estádio mais moderno da série D) não é futebol. É só uma piada pronta que eu não canso de contar e que continua ficando cada vez mais engraçada.

____¿O que estou dizendo? O juventuD é uma vergonha com qualquer parâmetro de comparação.

A propósito - entenda o chilique da papada no fotolog do hornal:
http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/rs/plantao/10,3080307,Presidentes-da-dupla-Ca-Ju-rompem-relacoes-entre-os-clubes.html

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Finalmente

Faz dias que eu quero postar essa música. Adoro a letra dela, que até onde eu sei é do Froner. O baixo que soa nela é o culpa minha e do Virgílio, o que me enche de orgulho.
Por enquanto é uma das minhas preferidas do disco.



Estando sujo. mantenho-me limpo
Não sendo nada, eu sempre sou
Possuindo pouco eu sou o cara mais rico
Andando lento mais veloz eu vou
Seguindo em círculos, usando um retilíneio
Viajando muito eu sempre fico onde estou

E sempre sério eu vou gargalhando
De todos os que falam prá mim
Num desalento cheio de pranto,
Num desespero velado, enfim,
Que a vida é uma grande inimiga
Com quem se luta dia a dia.
São esses que escondem tristezas
Na face vulgar da alegria

Porque eu vivo pra esquecer
E morrer todos os dias.
A memória é como um barco
Navegando num mar que não há.
Contradição é lei: vendanta

Esse crepúsculo não pertence a ninguém
Mas quem sente o seu poder agindo no coração
Olha o sol como canção
Tocando dentro do peito.
E esse sentir dá o direito
De posse e de comunhão

Porque eu vivo prá esquecer
E morrer todos os dias.
A memória é uma rocha litorânea
Que virou areia.
Contradição é lei...

Porque eu vivo prá esquecer
E morrer todos os dias
Se a memória é um entrevero
Das coisas que eu penso que sei,
Contradição é lei.
E não me exija nada mais além,
Um passo pro alto.

Vedanta.

domingo, 17 de outubro de 2010

Uma lacuna

Ao som de Cacho Cataña - Garganta con Arena

O template anterior me derrubou e aqui estamos com esse novo. Ele é provisório enquanto eu decido se vou pro wordpress ou perco meu tempo configurando as paradas aqui.

Enfim, antes de subir no palco, uma mensagem como quem pedia perdão. O Fiu apareceu e agradeci ao Único Acima por mandar um sem asas pra cuidar de mim. Se na madrugada anterior eu havia visto uma carta de tarô ruim na escada, ali eu estava vendo uma das minhas peças mais preciosas. Soltei o cabelo cantarolando o meu velho tango - la gente está apludiendo, aunque te estés muriendo no conocem tu dolor. De novo, atrás do sorriso e dos cabelos, ninguém me viu chorando. Lá fora chovia.

Não cantei aos berros por que ninguém iria ouvir, mas quase me derrubou.

"Tô precisando de ajuda,
me escuta por favor

É só você que me entende
seja do jeito que for

Me leva prá algum lugar
só pra viver essa paixão

Meu coração não suporta mais
bater assim tão descompassado

Não entendo pôr que razão
mas você nunca está do meu lado

Por favor não vá embora
fechando a porta sem me dizer nada

Faça alguma coisa comigo
não posso mais viver assim."


Se fosse em outras épocas eu mandaria pelo orkut por testemunho prá não ser aceito. Ficar dizendo que não é justo não vai ajudar em nada. Só sei que tá foda De tempos em tempos eu aprendo uma coisa nova que acaba por modificar todas as outras que eu achava que sabia. Foi assim com o postal em várias línguas, a promessa para o mar, as asas e o perdão. Acabei aprendendo que eu não estava e nunca estive perturbado por causa de pessoas. O que eu buscava e ainda busco é uma sensação. No momento, há uma única pessoa que faz com que todo o resto se torne relativo. E quando isso acontece eu sei que estou vivo. Balançado e com medo, me sentindo sozinho, mas ainda assim sorrindo e acreditando.

Pensar em inglês é o que chega mais perto de me irritar. Tudo parte da mesma ironia que pinta o mundo de cinza pra não me deixar ir para o ninho das águias enquanto a Lua via crescendo no céu.

Nunca melhora, como eu já vinha dizendo.

Em uma noite eu vou em todas as festas do mundo rindo de mim mesmo: ironicamente procurando o que mais quero onde tenho certeza que ela não está. ¿Mas que espécie de idiota eu seria se desistisse de procurar.? E de querer.?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Só prá constar.

Leste Europeu, um cover do Dolf Lundgreen tocando gaita, um punk dos anos 70 com um palito na boca tocando o case da gaita com a uma garrafa pet, um cara com uma pandeirola e um narigudo aleatório. Tocando ACDC.

Eis o resultado:

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

1. e4 e5

_____Entenda que, a partir do momento em que eu pego o peão do rei com a mão esquerda e avanço ele duas casas, não há mais possibilidade de retorno.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Dá água pro vinho

Ao som de Bajofondo - Centrojá

_____Duas horas incubando raiva. Tendo minha energia vital sendo sugada e meus ouvidos estuprados. Porque não basta fazer uníssonos desafinados. É preciso fazer eles berrando. Tocar bem não é suficiente. É preciso tocar SEMPRE, principalmente quando os outros estão tentando conversar. Uma frase soou adequada: Mais é mais. Enquanto eu ia tocando, ficava me perguntando porque ensaiar, se o baterista já tinha feito 3 entradas diferentes para a mesma parte e eu tenho certeza que no show ele vai fazer outra sem relação nenhuma com o que foi ensaiado. Fora do tempo, mas girando as baquetas e batendo forte. E a voz principal escondida atrás de uma pastinha de letras enquanto os beckings duelavam em termos de gritos, volume e, porque não dizer, falta de noção. Ainda consegui rir de mim mesmo, todo preocupado em contar compassos quando tirei a música, já que ela tem uma estrutura estranha. Eu sou um palhaço e a música ficou pro próximo ensaio, já que ficou uma bosta. Quando o ensaio acabou, saí fugido, dando graças ao Único Acima por ter um show prá fazer.

_____Entrei no Aristos confiante e de cabeça erguida. Achei o Castor e pedi um cabo P10. Ele me apresentou pro dono do bar com um "esse é meu filho". Apesar de tudo, bateu um certo orgulho. Não pela maternidade em si, mas simplesmente por fazer parte. Subi no palco no meio de uma música. Pedi licença com um olhar e depois das castoradas funcionarem lá estava eu tocando atrás dos cabelos. Duas músicas em Lá e eu já tinha esquecido o orgulho e a raiva. Eu estava só feliz por estar ali. De repente me dei conta que outras coisas haviam sumido também. Minha vergonha por tocar e meu anel do indicador. ¿Como diabos um baixista consegue perder um anel enquanto toca? Fui achar o anel no fim da festa, no dedo do Castor. Certas coisas não mudam mesmo.

_____Um monte de conversas depois, despedi-me explicando com quem está a minha preferência. E não precisei explicar mais nada. Tá na cara.

_____Nota mental: NUNCA MAIS ir ensaiar sem protetores auriculares.

Das crônicas de um ladrão de flores

Não lembro quando foi, ja fazia alguns anos. Eu descobri que o primeiro filme que a minha mãe assistiu no cinema foi um romance chamado Candelabro Italiano. Já fazia tempo também que eu estava procurando esse filme em DVD, tinha tentado todos os caminhos que a internet oferece e depois passei a tentar nos meios legais. Encomendei o filme em várias locadoras e depois não fui mais atrás. Já fazia uns 5 meses que eu nem lembrava do filme e ontem o cara de uma locadora disse que o filme que eu tinha encomendado havi chegado.

Quando minha mãe abriu o presente e viu o nome de filme eu vi dois olhos verdes enchendo de água. Ela não sabia o que dizer, mas não fez diferença nenhuma. Eu não precisava ouvir nada. Depois de um tempo ela me disse muito obrigada e me perguntou porque.

- Porque eu posso. Porque eu estou vivo. E quem anda comigo vive também. Porque tu é a minha mãe e tá na hora de eu cuidar de ti.

Ela me abraçou e ali ficamos os dois quietos. Eu sabia que meus silêncios que falam tudo tinham que ter vindo de algum lugar. Assisti o filme com ela, mas o filme não se passava na TV. A Catarina também tenta ficar invísivel atrás de um sorriso quando chora.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Frases simples e despretenciosas sobre grandes assuntos

"Ninguém é arrogante com um pau na boca"

R.R., conceituado músico da noite caxiense,
dissertando sobre uma possível solução para a arrogância de uma mina sem critério.

No sol maior mais negovéio de todos

Ao som de: ACDC - Whole Lotta Rosie

_____Dormindo pouco, quase nada. Tocando baixo de tarde, de noite, de madrugada. Tirando as músicas da pasta "tem que saber tocar". Dando tiros e risadas com amigos quando me chamam no skype.

_____Entre o "how does it feels?" do Like a Rolling Stone e o "did you exchange a walk on part in the war for a lead role in a cage" de Wish You Were Here, a cola resiste do jeito que dá. O coração dói o suficiente para fazer com que eu esqueça do ombro. Não consigo explicar. Acho até que nem preciso. Ultimamente tenho me daparado com muitas coisas que eu simplesmente não consigo colocar em palavras.

Não sei nem dizer o que dói tanto . Mas sei o que me faz sorrir. E sorrisos ultimamente é o que não me falta.

domingo, 3 de outubro de 2010

Isso é só o fim

_____Sou gemininano e isso me permite uma esquizofrenia agridoce e divertida. É difícil me entender, mas não impossível. Discutindo comigo mesmo sobre Lopes, Tiagos e Ventos escrevi um monte. Foi muito bom para que euconseguisse colocar em palavras um monte de coisas qeu eu sabia, mas não conseguia explicar. Sobre o vento, um velho diálogo explica bem o que eu penso.


- Que te diz o vento que passa?”


- “Que é vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois.
E a ti o que te diz?”

- “Muita cousa mais do que isso.
Fala-me de muitas outras cousas.
De memórias e de saudades
E de cousas que nunca foram.”

- “Nunca ouviste passar o vento.

O vento só fala que é vento.
E que sopra.
O resto que ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti.”

Frases simples e despretenciosas sobre grandes assuntos

Eis a fina flor da chinelagem

- Resenha, ao ver eu o Fiu entrando no Missi

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Amável, a senhora me ouviu.

Ao som de: Slipknot - Snuff

_____Eu tenho crises terríveis de auto estima. Mas deve ser porque fiquei eras tentando me convencer de que eu não prestava. Agora me esforço para me convencer do contrário. Não é dificil, mas é estranho. E o vazio do rodo ainda ecoa aqui dentro, mesmo que eu não tenha mais o rodo. Já não consigo pensar muito em termos de bom ou mal, fico no equilíbrio. Mas o conceito de equílíbrio é tão relativo. Se eu falo num equilibrista, facilmente imagina-se um cara caminhando numa corda a uns 30 metros de altura. Mas esse equilíbrio na corda é o mesmo que eu usaria caminhando no chão. Não há a mesma segurança, de fato, mas lá de cima a vista é melhor. E aqui embaixo há tantos tentando puxar a gente pro seu lado ou simplesmente para baixo.

_____Eu me conheço o suficiente para conseguir me enxergar.. Quem quer conversar sobre besteiras se aproxima de mim porque a minha conversa sabe ser leve. Sinto quais são os assuntos que incomodam e evito eles com uma baita elegância. Quem quer conversa séria também fica perto, porque não tenho medo de falar o que precisa ser dito, mesmo que machuque. Quem quer drogas me conhece porque sei os caminhos para conseguir o que quer que seja. Quem bebe sabe que sou (era) sempre parceiro para beber e conseguir o litro barato. Quem quer simplesmente se divertir acaba se ajuntando ao grupo de pessoas malucas que consigo juntar, mesmo a festa estando um saco. As mulheres que querem companhia me toleram canalhamente perto porque me entrego quando estou com alguém, mesmo que seja uma noite só. E não existe mulher que não perceba isso.

_____Está tudo ali, não mudo nada de lugar. Só coloco em movimento o que estava parado. Tudo girando. Não que eu centralize nada, que eu queria as coisas girando ao meu redor. Estou só pelo movimento. Tenho também meus momentos fechado, mas não adianta tentar me convencer que a vida é fechada. Meu lugar é no meio de tudo que gira. Ele não vai ser aqui prá sempre, mas agora é aqui. Quando eu estiver cansado de girar e soprar de lugar em lugar, vou parar de pedir para nunca me concederem descanso e descansarei sem culpa. Tudo vai ficar muito bem sem mim. Não é por saber jogar que vou jogar prá sempre. Não é por conseguir mentir sem piscar que eu goste de mentir.

_____Dos meus jogos eu gosto de todas as metáforas do xadrez, mas ultimamente tenho me encontrado jogando truco. A idéia de primeiro se aprender as regras e depois se aprender a mentir. Enganar o adversário e fazer versos sobre flor. Arriscar sabendo que sem aposta não tem como ganhar. Tudo isso me encanta. É muito mais a minha cara. O problema é que nos dois casos eu não encontro muitas pessoas com quem jogar. Gosto de jogar contra quem jogue melhor do que eu. Perder me mantém humilde. E partindo do pressuposto de que eu não tenho obrigação nenhuma de ganhar, quando ganho fico muito mais feliz. No fim, é tudo uma grande metáfora que serve como lição. Eu converso comigo mesmo me pedindo para colocar um peão no meio do tabuleiro porque isso vai mudar o jogo. E depois tenho que me quebrar para proteger o peão. E, quando vejo, o meio do tabuleiro é meu e fica bem mais fácil me defender por causa disso. Eu entendo a alma do peão e defendo ele por causa disso. Ganhar ou perder não importa tanto. E jogo truco com a idéia de simplesmente sorrir em vez de mentir. E é o contrário do poker. Não há poker face. Não finjo que não tenho nada para que o outro aposte e eu ganhe dinheiro. Consiste em fingir que tenho as melhores cartas para que o outro não queria disputar. Tão minha vida isso. E as batalhas que se ganha sem disputa fazem parte dos meus planos.

_____Depois de 10000 dias no fogo, depois do abismo e do cuidado para não me tornar também um monstro, de ser chutado do próprio abismo, das asas e do coração colado com água salgada... depois de tudo isso posso dizer que acredito em mim. E que não desisti de convencer dos contrários. Não desisti de acreditar, de correr atrás da dona do meu sorriso. Não desisti de ser bom, apesar de mim mesmo.

_____Chega de vielas e caminhos escuros. Minha senda segue agora pela estrada principal. Tenho estrelas que me guiam. Tenho um amor que me deixa leve. O vento sopra a nosso favor. De fato, é tudo que precisamos.

Tequila IronMan

Achei o vídeo da famigerada tequila. É assim que se bebe.



É assim que se toma Tequila LANAVACARIA.

domingo, 26 de setembro de 2010

Rabiscos e velhas leituras

O mais interessante do Gibran é que o melhor livro que ele escreveu foi o primeiro, justamente porque ele simplesmente aconteceu. Não foi buscado. E há uma frase que eu rabiscquei no meio do livro. "Quando um mendigo encontra uma mina de ouro, canta dança e fica louco de alegria - mas não um imperador." Tinha esquecido dessa frase já.

"Fala-nos da razão e da paixão"

"Vossa alma é freqüentemente um campo de batalha onde vossa razão e vosso juízo combatem vossa paixão e vosso apetite.
Pudesse eu ser o pacificador de vossa alma, transformando a discórdia e a rivalidade entre vossos elementos em união e harmonia.
Mas como poderei fazê-lo, a menos que vós mesmos sejais também pacificadores, mais ainda, enamorados de todos os vossos elementos?
Vossaa razão e vossa paixão são o leme e as velas de vossa alma navegante.
Se vossas velas ou vosso leme se quebram, só podereis derivar ou permanecer imóveis no meio do mar.
Pois a razão, reinando sozinha, restringe todo impulso; e a paixão, deixada a si, é um fogo que arde até sua própria destruição.

Que vossa alma eleve, portanto, vossa razão à altura de vossa paixão, para que ela possa cantar,

E que dirija vossa paixão a par com vossa razão, para que ela possa viver numa ressurreição cotidiana e, como a fênix, renascer das próprias cinzas.
Gostaria que tratásseis vosso juízo e vosso apetite como trataríeis dois hóspedes amados em vossa casa.
Certamente não honraríeis um hóspede mais do que o outro; pois quem procura tratar melhor um dos dois, perde o amor e a confiança de ambos."


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Não, eu não esqueci.

_____Eu tinha feito uma bela resenha sobre o rebaixamento do glorioso alviverde serrano, , mas o destino e o pouco caso com o que escrevo fez com que eu perdesse tudo com um pau absurdo no meu pc. Estou com preguiça de escrever tudo de novo, sendo assim, só mando as principais tags.

_____No zine da cidade foi dito que a direção do time não está tão errada. Señor, 3 rebaixamentos em 4 anos. ¿COMO A DIREÇÃO PODERIA ESTAR MAIS ERRADA.?

Do mesmo zine, seção de cartas:


_____Reparem que o manolo fala ANTES do ódio aos times da capital e DEPOIS do amor pelo time. É isso aí mesmo. Com esse tipo de pensamento, o proximo campeonato que o teu time vai disputar vai ter como premiação: um automóvel Opala 83, 2kg de Ximia de Uva da Tia Geni para cada jogador e um novilho pra engorda. Ou ainda, o César Casara, como seu primeiro ato na presidência, vai organizar um remake do Revival Rock Gol pro time ter um calendário sério para o primeiro semestre.

_____Esperei para escrever porque estava curioso pra saber se esse tombo histórico serviria para baixar o topete da papada. Eu sou um idiota. Eles ainda acham que são time grande. Isso é um fato único no futebol do Brasil. A gente não vê o América do Rio pensando que é maior que o Fluminense. A gente não vê o Uberaba marcando amistoso de despedida do pseudo craque contra o Cruzeiro e ACHANDO RUIM. Não se vê o Marília dizendo que tem um estádio mais moderno que o Morumbi. Mas se tu pegar qualquer juventudista e perguntar quem venceria um hipotético jogo entre o Juvergonha e o Real Madri, TODOS vão responder a mesma coisa. E na mesma conversa vão mandar a reversal de que estar em 14º lugar num campeonato é melhor do que estar em primeiro.

_____No meu cronograma o glorioso estaria na D no ano do centenário, mas eles se apressaram e completaram o feito 3 anos antes. E agora vão ficar um bom tempo lá. Naquele ostracismo do meio da tabela, em que não se cai e não se sobe, se joga por jogar. Um cumprimento de tabela eterno ou, melhor ainda, quase se classificando. Para que os torcedores acreditem e sejam divertimento garantido para todos nós que queremos que as coisas no futebol fiquem nos seus lugares. Mas é isso aí mesmo Se você pensou que o malcaratismo, o racismo e a arrogância ficariam impunes, lamento informar, mas NÃO. Se você pensou estar no mesmo patamar como clube de esporte e ser SUPERIOR como pessoa em relação aos seus semelhantes, lamento informar, mas você não é um torcedor, você é um imbecil com uma camisa de número 500 nas costas.

Forza Juve na cadeia. Juventude na série D no ano do centenário.

Tudo para colocar a papada no seu lugar.

Saudade de andar de balanço.

Diferenças entre homens e mulheres

Bah, uma série de referências do cotidiano. Ácidas.



______________"Não tem mi mi mi, manola"


Os créditos aparecem durante o video.
Todos os vídeos dela são bons, mas esse eu tive que postar.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O inverno nunca dorme

Ao som de Pirisca Grecco- A Luz da Milonga

_____Nas madrugadas ensurdecedoras, um novo alívio. O cheiro de café soa como uma sonata do beethoven. Na luz do abajur eu vejo a sombra da fumaça encher o quarto, servindo de cobertor para a minha saudade quando o frio da noite entra pelas frestas da janela insistentemente aberta. Penso no Lopes imaginando se ele ainda pensa em mim. Tomo o café como quem pede um abraço, como quem se aninha no colo de quem gosta. A solidão não pesa, não custa, mas eu sei que ela enche meu quarto. Eu sinto. Ofereço a ela um café forte, com muito açúcar e com som de chuva. Um pouco antes do amanhecer, a esperança se junta a nós tomando um chá de hortelã. Numa rápida troca de olhares, a gente abre ainda mais a janela. Havia mais gente que estava para chegar. Pensei um pouco e olhei pro lugar do céu onde eu imaginei que estava a Lua. A ironia de olhar pro horizonmte oeste perguntou se podia entrar e com cuidado eu puxei uma cadeira prá ela. Com a chegada do Sol por traz das nuvens de um cinza que eu tanto gosto, encontro alívio. Não importa o que aconteça na madrugada, o amanhecer sempre renova tudo. Alguns dormem enquanto eu tomo café com tão ilustres convidados. Os debates são acalorados e quase sempre precisamos provar do que somos feitos e qual é a nossa postura em cada frase.

_____Tudo é muito estranho. Não há nada em especial aqui dentro, mas parece que eu tenho tudo que preciso.


É certo que os caminhos são escuros
Prá quem não tem uma luz a lhe guiar
As respostas e as certezas que procuro
Sempre acho quando paro a milonguiar

Are you coming back soon... by the Harvest Moon

_____A primavera, a Lua da Colheita, os ventos atravessados de setembro, a saudade, a certeza, a vontade e a tentação de desistir da certeza pelo simples risco, a promoção para primeiro sargento, o céu verde, as flores pequenas, a proposta de aluguel do apartamenteo mobiliado, a casa que eu tenho que comprar. A raposa que passou entre nós, todos os olhares pra cima, 25 horas, a biblioteca do 4º andar, o escritório no fim do corredor do 27º, a vista, equilibrio no chão e na corda, o esquema da chave para ir embora. Vontade de não ir embora nunca. Amarradores de cabelo que vão, uma casaco que volta. As lendas que contam, o mito que eu deixei se criar, julgamentos aleatórios e parciais, o dedo indicador apontado pro meu nariz. Os livros na minha cabeceira. Os livros que me roubaram e os que ficam no chão do meu quarto. Meus planos que vão mudando sempre. Os objetivos que não mudam nunca. As explicações que eu não dou. A covardia que é não beber. A definição de karma. O antigo sofá de molas. 2 partidas de xadrez ao mesmo tempo. A paixão que virou jogo, o jogo que perdeu o sentido, o aperto no coração que me fazia tremer. Uma nova chance, a mesma chance, sem jogos, sem mentiras com a liberdade que só a verdade dá. Um coração colado com água e sal, todo fudido, mas ainda em condições de uso. A vida sem esperança. Nada a perder e eu não desisto.

_____Vem tudo ao mesmo tempo. Mas, ainda assim e principalmente por isso, NUNCA ME CONCEDA DESCANSAR.




Maybe I miss your lovin'
Maybe I miss your kiss just a little bit
Maybe I miss your body lyin' right next to mine
Maybe I miss your touch a little too much

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Permutas numa madrugada de Ventôse

Ela usa flores como marcadores de páginas para os livros que ela rouba de mim.

Eu roubo flores pra ela enquanto a porta não se abre.

Em troca eu ganho um céu verde. Ou dois.

Ela ganha o melhor abraço do mundo.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O meu Mozart particular.

_____Não tem muito que eu possa dizer, mas que bom que o Senhor está por perto. As resenhas e relaitivizações do campo harmônico não são as mesmas sem a presença de Vossa senhoria. No nosso mundinho tão pequeno e tão vivo, isso faz uma diferença sem tamanho. E tem todo o resto, mas eu não tenho palavras para tanto. Um muchas gracias e um Deus lhe pague. Hacemos un muy buen equipo.


Parabéns, Barão, que o mundo lhe seja bom.

"Você é estranho, senhor."

Ao som de Jeferson Airplane - Somebody to love

_____Ainda na tarde eu sabia que tudo ia continuar na mesma vibe. Minha fé de novo no pulso e um gosto de felicidade nos lábios. Acompanhei o fim do juventude (falo sobre isso com calma depois) no rádio e depois aniversário do Barão. Lazanha e conversas leves. Entre a lazanha de frango e a de brócolis com espinafre, eu já estava trabalhando no plano. Uma ligação inviabilizou o que era o plano A desde a véspera. O plano B foi rápido: um café no Missi, um abraço pra me agradecer por um barquinho de papel. A energia do lugar estava estranha e eu saí de lá rápido. Pensei no plano C, que seria o combo casa-cama-repouso merecido, mas o sono insiste em me abandonar quando preciso dele. E havia ali uma variável que eu nunca consigo controlar ou prever. Então parti pro plano D, que era ir pro Vagão ver o show do Fabrício Beck e resenhar o César Casara, já que ele será o futuro presidente do Esporte Clube Juventude. Encontrei o bar meio cheio, o César meio bêbado e a festa meio estranha. O tempo foi passando até o bar ficar muito vazio, o César muito bêbado e a festa imensamente estranha. Assim é o Vagão. Em alguns momentos eu achei que estava na festa latina. Das confusões que aconteceram, fica uma série de frases surreais do Pubby e o litro de Tequila pela metade que eu devolvi no balcão sem ter bebido uma gota. Ficou muito claro que nem todos tem a estrutura necessária para passar o rodo e lidar bem com a situação. Acabei me empenhando em manter a amiga acordada e o Casara longe das lésbicas carnívoras. Tudo muito normal, pensei eu.

_____Enquanto fiquei empoleirado lá no meu canto, considerei quantas situações na qual só conto com a sorte se equivalem em valor a uma situação que posso prever com certeza. É a mesma conta que se faz atribuindo-se valorres diferenciados para as peças de xadrez. Mas, diferentemente do tabuleiro, ainda não tenho um valor nem perto de estar preciso.

_____Há coisas que não mudam, graças ao Único Acima e a uma teimosia sábia que nós insistimos em usar, para descontentamento geral de quem observa de fora e não entende. E num sorriso de foda-se o equilíbrio volta a reinar.

domingo, 19 de setembro de 2010

confome eu dizia...

____Eu continuo dormindo do meu jeito absurdo. Meu corpo já entendeu que a casa caiu e que ele me odiar não vai melhorar nada. Quase todo mundo me pergunta porque estou fazendo isso. Alguns admirados e a grande maioria imaginando que sou um imbecil completo. Faz muito tempo que eu entendi que dormindo menos tempo e mais vezes o dia rende mais. Não sei explicar como nem porque, mas dormindo desse jeito aparentemente caótico, eu sinto que acordo e continuo de onde parei quando dormi. E não acordo pacholento. Invariavelmente acordo elétrico.

____O efeito colateral de tudo é que a cada 6 ou 7 dias meu corpo dá um takeover na idéia e simplesmente apago. Mas vale a pena. Enfim, todo esse blablabla pra, depois de dormir 3 horas, continuar de onde parei, postando o sambinha com a letra que eu cantei e a poesia da cecília.



A luz apaga porque já raiou o dia
E a fantasia vai voltar pro barracão
Outra ilusão desaparece quarta-feira
Queira ou não queira terminou o carnaval.

Mas não faz mal, não é o fim da batucada
E a madrugada vem trazer o meu amor
Bate o tambor, chora a cuíca e o pandeiro
Come o couro no terreiro porque o choro começou.

A gente ri
A gente chora
E joga fora o que passou
A gente ri
A gente chora
E comemora o nosso amor.



Pus o meu sonho num navio

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
depois abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas

Ainda o palhaço do Circo sem futuro.


_____
Agora entendo porque o circo não tem futuro. As fogueiras não são minhas. Eu faço meu trabalho, as fogueiras pequenas eu apago e as grandes eu torno ainda maiores. E das cinzas do circo que é queimado, alguns controem coisas fabulosas e alguns ficam apenas lamentando o que se perdeu. Essa escolha também não é minha. Meu trabalho também é fazer com que as pessoas encarem a necessidade dessa escolha.

_____Cheguei em casa sozinho, com vontade de um violão e de um sambinha, mas havia alguns queaceres antese uma palavra pra mudar na letra. Coloquei a chaleira no forno e ajeitei a cuia. Fui lá fora cuspir a água fria como se o frio e o mundo não existissem. E eles continuaram o seu caminho, como se eu não existisse. Olhei para o meu pulso direito e me senti nu, mas minha fé estava onde precisava estar. Vi dois passarinhos namorando num fio de luz na minha frente e me perdi num mundo de desconexas conversas comigo mesmo. Um coral de frases fortes ecoando aqui dentro. Até que ouvi a familiar voz do Lopes me avisando que a água já tinha fervido. Tudo bem, suspirei eu, às vezes o plano não dá certo mesmo, mas não dá pra saber se foi melhor ou pior. Fico com a sensação de missão cumprida. Comecei a noite meio decepcionado. Pensei que todo mundo ao meu redor me faz bem enquanto eu raramente ajudo. Ajudei quem pude na madrugada, até encontrei uma casa nova para um cachorrinho que apareceu ali na estação. Nós, os jaguaras, somos uma classe muito unida. Achei justo que eu rebatizasse o cusco. Olhei pra ele e vi que ele tinha cara de Chicão. Vi no olhar dele que ele tinha sido abandonado e que ele precisava de ajuda. Quando eu perguntei pro Chicão no que minha existência poderia ser útil e ele me olhou, eu soube na hora que não havia mais plano nenhum. Eu tinha que arrumar uma casa pra ele. E vejam só, num barulho de asas tudo se resolveu. Conversas sem palavras sempre fortalecem. Ouvi a risada do meu chefe quando gritei prá cima "eu não te falei que tudo fica melhor quando a gente trabalha juntos." Soltei um muchas gracias por ter estado na hora certa no lugar certo.. E de novo pensei que poderia ter feito mais.

Por mais que eu não saiba desenhar carneiros, eu sei fazer barcos de papel. Barcos de papel me doem, porque sempre me lembram da Cecília Meireles,... eu também pus meu sonho num navio. Vi maquiagem borrada e agradeci por não ter maquiagem em mim. Não havia o que borrar nos meus olhos e eu pude chorar invisível.

_____Havia (e ainda há) muitas coisas que precisam ser ditas, mas se não deu certo, paciência. Ninguém tinha nada a perder e um abraço e um olhar (ou 123 abraços e 123 olhares) foram consoladores e encorajadores. É só esquentar a água de novo, dessa vez tomando o merecido cuidado. Elogios em excesso podem até irritar, mas eles são, de fato, muito verdadeiros. Mas às vezes a gente não quer elogios. Às vezes a gente só quer alguém que nos entenda.

_____Considerando que já estou acordado faz mais de 9 horas, acho justo que eu desmaie por umas 4 horas antes de ir resgatar minha fé, pagando um resgate justo: um pacote de grostoli. Essa é nossa vida. Ajudo sempre que posso e, por saber do que sou capaz, sempre vou me cobrar por não fazer o suficiente. O que eu sinto, em vez de me pesar me deixa mais leve A verdade realmente me liberta.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sob o signo de Virgem

Ao som de um monte de barbaridades

_____Uma série de pessoas nascidas nessa muvuca entre agosto e setembro, eis os que me lembrei e os novos que descobri.

Nelson Rodrigues
.

Shean Connery


Fred Mercury


Keannu Reaves


Shaka
.
.
Andreas Kisser
.

Michael Jackson
.

Charlie Sheen
.

Roger Waters
.
.
Damon Wayans
.

B.B. King
.
.

Potro, o Maicon


Wood (A.B.A founder)
.
.
Maurício Pezzi, o Barão do Campo Harmônico e Arquiduque da Resenha.

.
.
Vanessão
.

Luciane Country Rock
.
.
Ana Carolina
.
.
E por último, mas não menos importante:

107 anos.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Frases simples e despretenciosas sobre grandes assuntos

...no Futebol de botão, até líbero faz gol.

Potro, o Gatuso dos pampas,
jogando de libero
com a braçadeira de capitão no sábado
chutando bundas e dando um bico prá frente quando meu plano estava por um fio.

P.S. Feitoooooooo!!!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Dormindo numa quebra de paradigmas

Ao som de Froner y La Barra Brava - Canção do Abandono

_____Todos os hospitais são iguais. No térreo uma administração comum. Mulheres com o cabelo amarrado em coques e com a maquiagem carregada. A sensação de copos de plástico com café. Quando saí do elevador no 1º andar eu senti o cheiro de morte como um tapa na cara. Coloco o fone de ouvido e fico ouvindo as músicas do froner. Penso uma série de coisas para o show. Não estou nervoso, não estou com medo. Estou um pouco ansioso.

_____Na sala de espera, o Único Acima me lembra da minha total incompetência para ter raiva das pessoas ou do que quer que seja. Foram dois golpes baixos, mas ele não teria ficado no cargo tanto tempo sendo um mero cumpridor de regras moralmente questionáveis. Aprendizado de resultado. Lembranças e alguns anseios voltaram misturados com o cheiro de velas da capela do hospital, embrulhando meu estômago e me tirando das minhas divagações. A bíblia estava aberta numa página aleatória. Fui até ela e deixei e ela aberta no livro de Jó. Na parte onde a casa cai severamente e ele ainda assim mantém a fé e a esperança. Uma mulher viu o que eu fiz e eu fiquei curioso para saber qual ia ser a reação dela enquanto ela ia lendo a página que eu havia deixado marcada. Eu estava quase dormindo quando ela cutucou o meu ombro e me disse obrigado. Acho até que soei arrogante quando respondi “estamos aqui prá isso”, mas juro que foi sem querer. Foi a resposta mais sincera que eu poderia dar. E nós sabemos que a verdade soa arrogante as vezes.

_____De volta para a sala de espera, a simpatia de uma enfermeira quase me incomodou. Mas ela certamente era uma pessoa que tinha encontrado seu caminho. Eu lembro de ter encontrado um pipoqueiro que era feliz vendendo pipocas. Lembro do porteiro de um prédio no Rio, da dançarina de tango e de mais alguns raros. Coloquei a enfermeira no mesmo balaio. Ela com certeza era feliz fazendo o que fazia de sol a sol.

_____Pensei em achar uma cadeira de rodas para ficar dando voltas pelo hospital enquanto esperava, mas lembrei que estava ali como responsável. O lance era com meu pai e não com a Bel. O Peca precisa de atenção, a Bel só precisa que a gente não incomode ela. De repente volta o Peca com uma fitinha no braço e um curativo do tamanho do mundo no olho. Ele não viu um pingo de hesitação em mim, mas estou assustado com a iminente inversão de papéis. Meus pais sempre cuidaram de mim e eu sinto (muito mais do que sei) que está chegando a hora de eu cuidar deles. Talvez seja responsabilidade demais para um mero louco do signo de gêmeos.

_____Enquanto escrevia isso, me mandaram procurar um médico. É um conselho válido, mas meu problema não é físico. Muito menos nos meus pensamentos.