quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Nada quebra como um coração

    A idéia do veneno vem dessa poesia. Eu lembrei dela enquanto podo uma planta que tem me dado trabalho.

Indiferença

Hoje é só mais um dia triste
Melhor acender o sol pro amanhecer
Daí não vou mais estar sozinho
Não vou mais lutar para esquecer
O céu e as estrelas ficaram em silêncio
Enquanto a Lua foi indo embora
E toda a escuridão que era minha
Só me deixa mais sozinho agora
Mas eu continuo de braços abertos
Quem sabe eu ainda consiga voar
É mais um dia no meu inferno
Mas ainda assim eu vou levantar
E que diferença isso faz.??

Eu vou segurar essa vela 
Até que o fogo queime a minha mão
Eu vou continuar apanhando
Até que fiquem cansados de me bater
Eu vou ficar encarando o nascer do sol
Prá ver se o Sol consegue me cegar
Mas eu não vou mudar meu caminho
Não mudo meu jeito de pensar
Eu vou continuar me injetando veneno
Até o momento em que eu seja imune
Vou gritar toda a minha dor
Até encher esse meu quarto vazio e frio
Mas,
E que diferença isso faz.?

terça-feira, 14 de novembro de 2023

Dado o maldito histórico anterior

    Apesar do freio não funcionar direito molhado, ou talvez justamente por isso, eu gosto de pedalar na chuva. Eu brigo com o frio e com a chuva até chegar um ponto em que eles não podem mais me perturbar. Talve seja uma reminiscência de uma época que eu achava que podia vencer qualquer briga se fosse forte o suficiente para aguentar todas as porradas e se fosse teimoso para levantar de novo e de novo. Eventualmente entendi que podia me esquivar. Que viver de forma que não parecesse vantajoso brigar comigo é uma baita maneira de desviar de brigas inúteis. Que não precisaria de força se tivesse malandragem. E que tomar veneno até  ficar imune me destruiria. E não é assim que eu me destruo. 

    No fim eu  gosto de pedalar na chuva porque não preciso ter vergonha de chorar.  Nessas madrugadas de  frio e chuva que me machucam eu encontro um pouco de paz. Os demônios que tanto perturbam  aqui dentro resolvem sussurar. Não fica mais fácil argumentar com eles, mas quando nem eles é nem eu estamos com raiva, fica menos difícil barganhar, pelo menos. 

    Sei que deveria dormir já que daqui a poucas horas preciso estar operacional de novo. Mas as vezes é tudo questão de um foda-se. Um grande e irrevogável foda-se. Eu queria arrancar minhas asas já que, de novo, elas não são nada mais que um peso morto que arrastarei comigo. Ela era os pensamentos felizes que me faziam voar. Sem ela posso voltar pra valeta, mais convencido do que nunca de que aqui é  o meu lugar. 

    Eventualmente eu devo me consolar, e em algum momento todos os demônios do inferno vão me.ouvir falar sobre esses 4 anos em que eu estive no.paraiso. Mas por enquanto dói. Só dói.