sábado, 19 de maio de 2007

Eu sou um mundo antes de ser um homem


Ao som do Vírgílio desplugado


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Caminhei por inúmeros caminhos. Passei por pedras, plumas, espinhos, lama, entre outros vários percursos desconhecidos até então. Agora estou parado - pés descalços, olhos fechados, vestindo a longa bata da humildade e como única arma a paciência – descansando, e esperando os sinos tocarem. Os sinos de uma nova caminhada, na verdade eu não sei o que me espera. Meu último percurso era agradável, um palmo de água gelada acariciando os pés desgastados pelo tempo. Em um certo momento, ouvi passos a minha frente. Chamei por alguém e só ouvi risos como resposta, um vento passou, tentei seguir o som dos passos, mas cessaram. Ficaram somente três coisas: o calor, o perfume e a falta.

_____A vida é assim mesmo, intensa, porém falsa, rodeada de amigos, mas ao mesmo tempo vazia. Vivemos para aprender a viver bem desse jeito falso. Hoje temos tudo, mas na verdade somos nada. Nada além de nada.
_____O que nos resta é lutar pela nossa própria evolução, e auxiliar quem realmente está no nosso lado. Não perco tempo com quem não merece ajuda, vive fechado em seu mundinho, rodeado de coisas desnecessárias e pensamentos fúteis.
_____Eu ainda estou aqui, parado, rodeado de expectativas e esperanças, crente que algo melhor está para acontecer. Sinto a água subindo lentamente. Será que ela irá parar.? Ou será que já chegou o fim.? Ou tudo não passa do começo.?

_____Vejo um clarear em meio a escuridão dos olhos fechados. Estou com receio de ver o que não devo, tudo seria mais fácil. A água começa a se movimentar em indas e vindas. Sobe e desce. Vai e volta. O clarão aumenta gradativamente, tudo parece se esclarecer aos poucos. Seja o que Deus quiser...
_____Abro meus olhos e só vejo a incompreensível claridade. Branco para todos os lados. Mais alguns segundos e começo a enxergar. Avisto ao fundo uma enorme bola de luz, amarela, flamejante, que exercia um poder imenso a quem estava ao seu redor. E algo me ligava a ele. Será esse estranho calor que ele traz, ou seria esse longo caminho de águas verdes que me leva até ele? Não sei. Acho que nunca vou saber. Mas sempre que posso, volto a essa praia, escondida nas profundezas do meu coração, para olhar fixamente a paisagem que me fascina.

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