sexta-feira, 18 de março de 2022

As reuniões de RH e os Nóias de Compostela

    Foi por aqui que eu perdi. Foi por aqui que eu perdi. Foi por aqui que eu perdi. E repito isso na minha cabeça mil vezes. As vezes quase me esqueço do que estou procurando, mas eu lembro que não posso desistir da busca. Não desisti de mim mesmo ainda.  AS vozes que discutem na minha cabeça são um fardo, mas eu acho mágico que elas comecem a falar em uníssono quando eu estou na beira de um abismo e preciso dar um passo atrás para voltar. Nem os anjos e nem o diabo conseguem ser tão eficientes. E eu pedalo de madrugada porque tem coisas que eu preciso encontrar sozinho. E eventualmente meus demônios vão cansar de correr atrás de mim. Talvez tenha a ver com velocidade. A velocidade que me remendo precisa ser maior do que a velocidade que eu me desmonto. O paulista réu primário certamente conseguiria colocar isso em uma fórmula. 

    Eu acredito em exceções, mas às vezes me sinto tão perdido que sinto que as próprias regras que eu tenho são baseadas na exceção. Odeio o trabalho que dá quando alguém mente pra mim. Acho que muito da minha sinceridade vem da ideia de não querer dar esse mesmo trabalho pros outros.

¿O que tu esperava, Vento?

¿O que tu esperava, Vento?

¿O que tu esperava, Vento?

    Houve uma época em que eu queria ser infinito. Mas o plano mudou e saber quando parar já é suficiente hoje em dia. Não é tão bonito e admirável, mas parece ser mais eficiente. Assim como eu acredito em exceções, eu acredito em escolhas. E, eventualmente, todos precisam pagar pelas suas.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Um pouco de tudo que fica

    Estou lendo o Vedanta, mas preciso fazer uma pequena pausa. Pego um livro do Frederico porque, assim como foi com o yin e yang, eu não tinha entendido uma coisa. E confiro uma frase pra garantir que não lembro dela errada. Eu achava que a luta era contra monstros e não com monstros. Que o cuidado era necessário para não me transformar naquilo que combato. Mas percebo que quando o abismo olha pra mim as sombras que carrego aqui dentro ficam muito mais assustadoras. Não é uma reclamação, mas as vezes eu sofro fazendo meu trabalho. É engraçado, mas o problema normalmente não é o problema. O problema é como eu lido com o problema. Não é o que se faz mas como se faz. E o por quê. O urso é branco porque é um urso polar.

    Mas uma coisa continua a mesma. Existe uma exceção que se mantém. O que se faz por amor sempre acontece  além do bem o e do mal.


domingo, 6 de fevereiro de 2022

Escolhas

    Poucas vezes eu vi tudo acontecer para ajudar uma pessoa. Poucas vezes eu vi tantas e tão capazes pessoas tentarem ajudar uma pessoa. E poucas vezes eu vi uma falha tão miserável quanto essa empreitada. Trabalho com os anjos de vez em quando quando eles precisam de mim, mas não tenho o poder deles. Não posso ajudar a não ser que alguém me deixe. E não tenho ilusões sobre minha metodologia. Quase sempre tenho interesses particulares, uso métodos questionáveis visando o fim e coloco certo e errado no balaio dos conceitos relativos. Mas o trabalho é realizado. Do melhor jeito possível e não a qualquer custo.  

    E veio um paulista. E veio o Diabo. E não adiantou nada. Além de não deixar ajudar ela ainda fugiu. E poucas vezes na vida eu quis tanto ajudar uma pessoa mas, quer saber.? Me dá minhas asas de volta que eu vou ali tocar Chico Buarque. Vai a onda e vem a nuvem. E o tempo vai virar. Ele sempre vira. Um milhão de vezes: nunca me conceda descansar!



terça-feira, 18 de janeiro de 2022

This is what it sounds like when the doves cry

Vou tocar com a Jackband no sábado e estou tirando o repertório enlouquecidadmente pra não fazer feio com o Bledo e com o Caldo. Mas depois de ouvir Purple Rain o youtube saiu tocando essa música sem cerimônia nenhuma.


   E eu larguei o Nico pra pegar o violão e fiquei tocando e tocando e tocando essa música. Sem cantar pra não atrapalhar. Even doves have pride. Saudades do Prince.

domingo, 3 de outubro de 2021

Frases simples e despretensiosas sobre grandes assuntos

 "- Tu deveria voltar pra casa. Lá tu tem internet e uma cama grande num quarto só pra ti."

Martina, mostrando uma sabedoria que normalmente vem como tempo. 

Ela tem 8 anos. Ou 9, eu sempre confundo.

Falando em numeros, -56 e contando

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Um gesto indicando morro abaixo

 Esse é um daqueles. 

    Os sinais são assim mesmo, as vezes eles gritam e as vezes eles sussurram, mas eles nunca silenciam. A cada mês de agosto o Vento e o Tiago sentam pra conversar. Uma promessa na frente do mar. Não é na frente, é diante de. às vezes as palabras brigam comigo. Era pra ser uma armadura e um personagem, acabou sendo a variável na equação que me permite equilibrar as coisas. A Mel Lisboa fala em escopo e eu lembro de Freud. Parece que estamos bem perto do centro da personalidade. É inútil levantar se vou continuar caindo por problemas pequenos. Adoro frio. Odeio neve, odeio gelo. Pelo menos meu braço dói diferente. Cachorro idiota, para de rosnar pra mim. Os pontos se ligam quando eu digito usando uma mão só e lembro que tentei estudar datilografia. 

    A namorada me liga, eu deveria estar feliz. Deveria costurar por memória muscular. Os sinais não silenciam, mas é fato que eles tem uma noção de tempo muito particular. Eles vêm quando precisamos dele e não quando queremos. A maldição do indeciso é poder escolher. Escolher é perder sempre. Julgar seria fácil, mas eu não me confesso pra qualquer um. Eu queria perguntar pra Alice, mas seria anacronismo em essência. Agosto acabou sem nenhum acerto entre o Vento e o Tiago e, ainda assim, V de Vadia. Nem todo vagante.....


segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Agosto

 - Oi.

- Achei que você não ia mais vir

- Eu não queria, mas sinto que fugir por medo continua inaceitável.

- Bobagem. Continuo inofensivo.

- Enfim, preciso de ti. Estou perdido.

- Se você continuar quebrado pelo medo, nenhum caminho vai servir. Pega essas asas e arrasta elas pra cima daquela montanha. E pula. Nunca fomos bons em voar, mas a esperança de aprender a cair sempre foi motivação suficiente.

- Mas eu vou cair de novo.

- Não importa. Cai. Tenta de novo. Cai melhor. Sacode a poeira e confia no café


segunda-feira, 28 de junho de 2021

¿Quem poderia imaginar que correr pra pegar o tick das 0700 ia dar nisso?

    Eu sempre senti o desprezo dos anjos quando eles precisam usar minha boca pra dizer o que precisa ser dito. E normalmente é um trabalho ingrato, porque a verdade sempre causa reações extremas. Justamente por isso é bom ter por perto alguém que não mente pra nós. O fato é que sempre haverá verdades para serem ditas. E foi bem estranho ser ouvidos em vez de ser boca. 

    Gosto de pensar que permaneço na vida das pessoas enquanto for útil pra elas. Depois de muitos anos, considerei que meu ciclo com o potro estava terminado. Ele parecia bem, tinha uma ruiva xucra pra gerenciá-lo e um filho para tornar a felicidade palpável. As coisas mais erradas da vida dele ele fez do meu lado, eu eu gosto demais dele para achar esse tipo de relação justa. Todas as vozes aqui dentro entraram num consenso de que, além de não precisar de mim, a vida dele estaria muito melhor comigo longe. Era um bom plano.

    Mas É ÓBVIO que em algum lugar alguém sempre tem outros planos. Talvez o Único Acima realmente goste de me enfiar ironias goela abaixo. É isso ou ele precisa muito que eu aprenda a trocar fraldas. E ganho um afiliado e fico sem chão como quem toma uma machadada nas pernas. E lembro na marra que quando o chão falta, eu só preciso bater minhas asas e confiar no céu. Notoriamente eu e o resto do universo temos opiniões bem diferentes sobre o que ou mereço. 

    Há um virginiano que parece que está além da minha capacidade de estragar tudo. Porque ele sempre volta. E o Potro sempre me salva de mim mesmo de novo e de novo e de novo quando eu fico perdido fugindo de mim mesmo. A Nadacu certamente teria uma teoria sobre minha incapacidade de me apegar por medo de perder ou as razões pelas quais eu tenho essa rotina de me auto sabotar. E ela escreveu uma bela lista de tarefas num quebra cabeças que foi bem complicado de montar. Os olhos cheios de água dificultaram muito.



    E dessa vez não vou ter como escapar, vou precisar aprender como se segura uma criança no colo.


sábado, 29 de maio de 2021

É diferente dependendo de onde você está olhando

 Eu ainda sei fazer chover. 

E depois que todos foram embora eu fiquei ali, sentado na chuva. Até esquecer do frio. Até meu sorriso sincero fazer chover mais forte. Até ouvir os relâmpagos rindo comigo. Obrigado por não esquecerem.

quinta-feira, 27 de maio de 2021

¿De que lado o sol nasce.?

    Eu lembro sempre daquelas tardes de domingo no verão. As mãos suando sem parar por causa do calor e da teimosia. As sobrancelhas não conseguindo tirar o suor dos olhos. E eu estudava com o Virgílio na mão obcecado por alguma coisa que eu nem sabia o que era. Talvez eu quisesse ser bom. Talvez meu metrônomo brigando comigo fosse a única companhia que eu merecesse na época. Talvez eu estivesse fugindo. Talvez eu estivesse procurando alguma coisa.

    E eu me lembro também das manhãs geladas do inverno. Quando o frio e a tendinite me acompanhavam enquanto eu tocava baixinho pra não acordar ninguém. E o sol amanhecia me ouvindo tentar e tentar. Não tocar melhor, mas ser uma pessoa melhor. 

    Eu lembro de tudo isso porque nada vai ser como era. Sei que tem coisas quebradas aqui dentro que eu não tenho como concertar, mas uma coisa eu queria ter de volta. Eu estou cansado da minha amargura. Cansado de arrastar minhas tragédias de arrasto. 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Pero que las hay, las hay...

     Uma conversa antiga, por que hoje estou propenso a relembrar coisas de 20 anos atrás. Tenho a impressão que era bem mais esperto na época.
- Eu só fico na vida das pessoas enquanto for útil pra elas, depois acabo me afastando.
- E tu se esforça pra ser útil?
- Irrelavante. Nenhum esforço pode me manter na vida de alguém que não me quer perto.

    Uma música antiga, porque o Virgílio também lembra dela. Acabo por sempre voltar pros engenheiros do hawai. 

Perdoa o que puder ser perdoado. Esquece o que não tiver perdão. Soa como um plano.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

I see you in the other side

     A abertura de How i met you mother ainda me emociona. Era fácil me ver como o Barney e aceitar que ia acabar sozinho. No fim eu era a Robin. Eu sempre fui a Robin. Perdi a esperança do guarda-chuva amarelo faz anos, mas ainda existe uma trompa azul na minha parede, pra me lembrar do peso das escolhas. 




    Coisas que não posso consertar. Portas que nunca mais vou abrir. 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Daqui a pouco o sol nasce

    Que bom que você veio. No meio desse caos eu imagino que esteja difícil pra você achar tempo pra conversar com algo tão insignificante. Não tem sido fácil, mas é assim mesmo. AS vezes a gente quase desiste do trabalho, mas nunca deixa de acreditar nele. Estamos cansados. Dia sim, dia não eu me fecho pro mundo. ¿Você lembra de quando eu era criança e tentava te explicar que conseguia viver duas vidas e apontava pras estrelas como justificativa. Como se as estrelas fizessem sentido pros perpétuos. Você poderia ter me explicado sobre o preço que se paga, mas em vez disso amavelmente me ouviu. E esperou que eu aprendesse por mim mesmo. Acho que ainda não aprendi tudo que deveria. E acho que nunca aceitei que não podia fugir de certas regras. Nossas conversas sempre trazem todas essas lembranças. Queria te dar um abraço. Queria que essa inquietação passasse e que eu parasse de procurar respostas que não existem. Sou tão humano nisso. Tentando racionalizar o invisível como se ele fosse matemática. Tentando consertar o que está irremediavelmente quebrado. 

    Não vou te amarrar muito, temos tanto ainda por fazer. Até a próxima e, se for por mim, traz meu cavalo. Espero que ele esteja bem e que vocês estejam se entendendo. Obrigado por tudo, minha amiga.

sábado, 9 de janeiro de 2021

¿Where in the world is Carmen Sandiego?

         Os minutos antes do amanhecer sempre serão minha hora preferida, mas quando a chuva deixa fim da tarde sépia o invisível vem e me bate forte. Devagar eu começo a entender. Devagar porque demoro a perceber o óbvio e também porque não é fácil. Não é fácil entender quem joga o mesmo jogo com um conjunto de regras e valores completamente diferentes dos meus. Eu poderia dizer que a felicidade é como o horizonte. Sempre está lá como um objetivo mas nunca ao nosso alcance. E por isso me arrebento todo pra fazer com que os outros sejam felizes enquanto fico olhando pro meu horizonte sem pedir muito mais do que isso. E se eu contasse essa linda metáfora pra ela, ela sorriria aquele sorriso que eu quero colocar num outdoor e jogaria o horizonte no meu colo. Outras regras trazem outras limitações. Outras definições de poder.




    Havia um jogo em 1993. Procurar uma ladra enquanto viajava pelo mundo testando os conhecimentos pra entender as pistas. E volta a Carmen Sandiego e o Tiago joga ela em mim como quem dá meia lua pra frente e soco. E eu me defendo tocando as músicas que doem nele. Talvez chegue um dia em que eu pare de me defender batendo. Mas obviamente esse dia não é hoje.



December songs that no long I sing

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Uma menina cantando em francês me lembrou da montanha

    E finalmente eu entendi. A mira do cupido não é ruim. O fato é que é difícil mirar com os olhos cheios de água

    Trabalha com uma orquestra tocando músicas francesas. Achei que Lá vie em rose ia me desmontar e me preparei pra ela com quem sabe que vai tomar um chute nas costelas. Mas nós não contávamos com a Zaz. E com um chute na cara o Único Acima ganha mais uma. Essa ironia é tua. Perdi mais uma. Aliás, eu perco todas minhas melhores apostas. As madrugadas com o Barão. Aprende a tocar sem olhar. Entende que não precisa olhar pro instrumento pra trocar, os dedos sabem onde ir. Queria poder dizer que aprendi a tocar sem olhar porque os olhos são inúteis pra ver certas coisas, mas a verdade é que entre subir num palco e ficar invisível e segurar o Virgílio enquanto ele toca sozinho, eu normalmente fecho os olhos pra me defender.

    Lembrei de uma história. Pode ser o eclipse, pode ser Saturno e Júpiter juntos no horizonte. Eu tenho os poços nas estrelas, mas os planetas são meus cúmplices. Acho estranho como ninguém vê eles correndo pelo céu.

    Naquelas quintas semiperdidas no Revival, entre drogas e dor, eu me fechava pra muita coisa. E todos me diziam que eu deveria dar uma chance para uma menina, porque ela queria muito ficar comigo. Eu respondi algo que acho que só eu via: Não era comigo, não precisava ser eu; podia ser qualquer um. Ainda hoje eu sinto a mesma coisa em várias situações. Parece que as pessoas precisam muito algo de mim, mas na verdade, pode ser de qualquer outra pessoa. 

    Agora preciso ouvir Carla Bruni até arrancar aquele maldito sotaque de Paris dos meus ouvidos. Até o cinza do fim da tarde ficar mais sépia. Je veux mourir avec ma main sur mon cœur, mais en attendant, ne me laisse jamais de repos


domingo, 1 de novembro de 2020

Um podcast que eu esqueci o nome

    A lua está cheia. Eu vejo marte vermelho. Tenho quase certeza que aquela outra é antares. Meu céu tem poços. Quetzalcoatl encheu o saco de mim. Deveríamos fazer terapia, mas não, comprei um violoncelo. Porra, Vento, tu só tinha um trabalho. Eu já tentei tocar o Lorenzo com inúmeros sentimentos, mas eu e ele só funcionamos bem na base da raiva. E minha mão dói por segurar o arco errado. E eu me sinto terrivelmente incompetente por não saber tocar. E eu me arrasto montanha acima pra me jogar de novo. Não posso mudar, yo creo. Mas sempre posso me tornar aquilo que eu sou. Se eu parar de chorar eu posso desenhar um universo usando essas 5 linhas e esses 4 espaços. São só bolinhas, mas são minhas. Basta dançar com as mãos. 

    Dormir.?? Nah, NUNCA ME CONCEDA DESCANSAR. 



quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Eu tenho unhas

    A madrugada tem dois horários significativos pra mim. 03h30 foi, por muito tempo, a hora de desmaiar. Por várias vezes sentei para escrever perto dessa hora com um sentimento de , cheguei até aqui, acho que mereço um descanso agora. Essa sensação vem do fato de que quase todo mundo que conheço vai dormir muito antes disso. Então, na minha metáfora de dias com 25 horas, eu achava que meu dia rendia mais. Acabei por me acostumar a dormir pouco. Indo dormir as 3h, conseguia acordas as 8 com uma certa dignidade. Eventualmente, talvez uma vez por semana,  eu chutava o balde e dormia até meio dia. 

    E 05h15 vem de uma época de trabalho. Atrás do balcão e em cima de palcos. Às vezes a madrugada passa rápido. Quando tudo está bem a madrugada passa rápido. E, de repente, já era 5h15 da manhã e parecia que a festa tinha começo uma hora antes. Saudade dessas noites em modo automático. 

    Eventualmente, entendi que quanto mais cedo eu acordasse, mais meu dia renderia. Eu não precisaria ficar acordado até as 3h se acordasse antes que todo mundo. Num dia normal, quando meus amigos acordam eu já pedalei 15km, já li algum livro aleatório ensinando coisas que nunca vou usar e já estou com o baixo na mão a ponto de me preocupar com a tendinite.

    Era um bom plano, mas meu corpo está brigando comigo. E agora, 3h32, eu estou acordado e completamente sem sono. Acho que me tornei um daqueles velhos chatos que nunca dorme e só reclama. 

    De qualquer jeito, saio da cama com  a mesma ordem de sempre: Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima.


E eu tinha um avatar, muito antes de ser moda


segunda-feira, 28 de setembro de 2020

She’s something mystical in colored lights

    Ouve um música cem vezes, toca a mesma harmonia mil vezes. Até as notas soarem exatamente como elas querem soar. Até o som ter cor. Ele ofereceu-lhe um ácido. E ela achou aquilo o máximo. As verdades mais simples são as que a gente mais demora pra enxergar. Ainda bem. Prefiro os tapas salpicados de sarcasmo do Karnal do que o Frederico batendo minha cabeça contra a parede. Ter alguém que sente orgulho de mim não é um peso, enfim. É um trampolim. Talvez voar sem medo de cair seja a única escolha. 

        Coloca uma nota depois da outra, como aquele idiota que escrevia 3 páginas antes de começar a realmente entrar no assunto que queria escrever. E as notas , assim como as palavras, acabam por significar exatamente o que a gente quer que elas signifiquem. É só a gente dar liberdade a elas.  É só desistir de secar os olhos e fechá-los pra enxergar melhor.


O medo redigiu-se ínfimo
E ele percebeu a dádiva.



sábado, 19 de setembro de 2020

Só efemérides

    Tem dias que é foda. E ali parado com o Virgílio na mão eu percebo que preciso tirar forças de onde não tem. Penso no sorriso da Claudia e sinto meu coração tremendo. Estar tudo bem e eu não me sentir como se estivesse tudo bem faz com que eu me sinta um merda. Eu briguei com o Único Acima e o Diabo me deu férias, mas ainda assim um anjo e um demônio andam por aqui comigo. Eu normalmente falo com eles em latim. Não que eles só entendam isso, mas eu não tenho mais com quem conversar. Não visito a Padre Mário tanto quanto gostaria. Apesar do latim, quando a coisa fica feia eu rezo o pai nosso em espanhol. Adoro a arrogância das orações católicas, cheias de ordens.. E tanto o anjo quanto o demônio entendem que eu preciso de ajuda, que sozinho eu não dou conta. Que carregar os escombros de uma vida me sobrecarrega. E eles me pegam pela mão. E então eu volto a ser só uma criança inconsequente que não tem medo do parquinho. Eu não estou mais sozinho. E eu sei bem como esse parquinho funciona. O que eu não sei é desistir. 

    E o Virgílio toca sozinho me carregando nas costas. Ter alguém que sente orgulho de mim é deveras estranho. Há serventia nas minhas asas. Pena que elas não ajudam pra dormir. 

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Fala mal do tupã agora

...afastai-nos das desgraças, da cachaça e da discórdia,
ajudai a unidade entre as nações.
alumiai homens, mulheres e crianças,
apagai entre os fortes a inveja e a ingratidão.
dai-nos a luz, fé a vida nas pajelanças,
evitai, ó tupã, a violência e a matança.
num lugar sagrado junto ao igarapé
nas noites de luas cheia , ó marçal, chamai
os espíritos das rochas pra dançarmos o toré.
trazei-nos nas festas da mandioca e pajés
uma resistência de vida
após bebermos nossa chicha com fé.
rogai por nós, ave dos céus...

- Oração ìndigena