sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Um Martin Fierro...

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Ao som de: Rob Thomas - Disease

_____Uma das minahs grandes referências literárias é o livro Grande Sertão:Veredas, do João Guimarães Rosa. Eu poderia enumerar uns 50 motivos para isso, mas vou colocar um , que pra mim é o mais relevante. Ele consegue fazer concordância com idéias e não com o gênero das palavras. Ele vai além das regras de português e da gramática. Algo como:

_____"Eu sei que isto que estou dizendo é dificultoso, muito entrançado. Mas o senhor vai avante. Invejo é a instrução que o senhor tem. Eu queria decifrar as coisas que são importantes. E estou contando não é uma vida de sertanejo, seja se for jagunço, mas a matéria vertente. Queria entender do medo e da coragem, e da gã que empurra a gente para fazer tantos atos, dar corpo ao suceder, O que induz a gente para más ações estranhas, é que a gente está pertinho do que é nosso, por direito, e não sabe, não sabe, não sabe!"

_____Eu sou muito disso: de encontrar uma determinada característica e ir me moldando a ela até troná-la minha. E achei outra referência, muito próxima. Começou no estúdio onde eu trabalho, passou por muitos eventos, muita cerveja, e muitas resenhas. Resenhas e palavras perspicazes jogando winning eleven ou gravando alguma banda folclórica qualquer. E um entendimento peculiar das entrelinhas do que é humano. O fato é que o Maurício escreve como se não tivesse nada a perder. E é assim que eu quero escrever. O blog dele está ali nos links, vale a pena ler comentários como: "Caxias é uma cidade única: tem todas as piores coisas das grandes cidades e todas as piores coisas das cidadezinhas provincianas. E, como brinde, ainda consegue não ter as coisas boas de nenhuma das duas."

_____O Alta Voz realmente é único. mas não pensem que não dá trabalho deixá-lo desse jeito.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Trabajo, de nuevo.

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Fiquei dois dias sem tocar. Descanso foi a desculpa que eu usei. Mas agora, no meio da madrugada, eu e o Virgílio chegamos num consenso: há muito trabalho a ser feito e de novo estamos atrasados.

5 horas de sono e tudo vai recomeçar, tudo que minha alma pedir, mesmo que as vezes seja mais que o corpo aguenta.

O resto das considerações ficam para o caderno da primeira gaveta.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

=.)

Ao som de: Julieta Venegas - Ilusion

A ironia continua se redefinindo com maestria: a minha mourinha está namorando um argentino.

Eu vejo meu sorriso refletido e posso dizer que meu ano acabou. Que venha o Boi de Terra.
Entreguei de presente um cd que ainda não ouvi. Mas sei que tem um pedaço da minha alma nele. E alguns pedaços da minha alma têm destino certo e merecido.

Eu agradeceria, mas ficou decidido que o que se faz de coração não carece de agradecimento.


sábado, 31 de janeiro de 2009

Mágico

Ao som de: sei lá o que é isso, mas é bom

_____Na quinta, saindo da TV e correndo prá montar as coisas encontrei um hipie me chamando de "guerreiro" e depois dizendo "ah o outro vento". E ele me desejou momentos abençoados. A partir daquele momento e considerando a garoa fina que caía eu já tinha certeza que tudo ia dar certo. A tarde inteira trabalhando com uma equipe digna de orgulho no teatro e tudo foi se montando enquanto a gente tentava entender o que estava fazendo. E me vesti de preto e coloquei o chapéu mais canalha possível.. Olhei para o Virgílio e disse: Deixa-me orgulhoso! E depois de 8 batidas do meu pé ele fez exatamente o que eu esperava dele. E o show foi rápido. E cada uma das pessoas daquele teatro pôde ver o meu sorriso na penumbra do meu canto do palco. Todos gostaram, mas eu sei muito bem que ainda tenho muito que melhorar. Mas finalmente tenho todas as músicas e posso começar a discutir com o Virgílio o que a gente vai fazer em algumasmúsicas .
_____A sexta foi na mesma inércia da quinta, com os tangos y milongas num café. Não haveria silêncio, não haveria penumbra. Mas haveria cerveja, cigarros e os mesmos amigos por perto. Nada com o que me preocupar. E foi um privilégio e uma honra tocar com aqueles caras para as pessoas que toquei.


Ficam meus agradecimentos
Dona Catarina, pelo chapéu.
Virgílio, por ter aprendido comigo
Rafa, pela paciência
Thomás, pela infinita paciência e por ter me apresentado como Vento.
Alemão, pelo entusiasmo
César, pelo que foi dito no camarim e por ter feito a cozinha da banda comigo
Maurício, pelos olhars durante o show e pelo chimarrão depois de tudo.
Ana, pelos pîc-pîcs e pelo apoio
O outro vento pelas palavras
A chuva que foi companhia constante
E a todos os amigos que foram naquele teatro ou no zarabatana.


Nós conseguimos tocar graças a essa folha de papel

_____Queria falar que estou com o coração partido, mas essa é outra história. Por enquanto já fico satisfeito simplesmente em saber que tenho um coração.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A véspera

Ao som do barulho da chuva e do vento me fazendo companhia

_____Com o cabelo bem mais curto e sem perder de vista um pedaço de papel amassado sem o qual não vai sair show, é conveniente que eu peça a mesma coisa que sempre peço antes de dias como o que vai amanhecer daqui a pouco: Coragem, serenidade e humildade. O resto é resto.

_____Eu até diria que estou nervoso, mas a cara que eu fiz na foto que saiu no jornal não deixa dúvidas: é exatamente o mesmo sorriso de "tudo vai dar certo" de sempre. Estou é muito animado.

_____Se for mesmo o caso, vai continuar chovendo. Amanhã escrevo mais.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

...

Ao som de: tango tango tango

Depois da formatura da Isa no UCs teatro, eu fiquei cantarolando uma velha música. Na minha formatura eu estava sussurando ela.

Yes I know my enemies
They're the teachers who taught me to fight me
Compromise
conformity
assimilation
submission
ignorance
hypocrisy
brutality
the elite


Só um adendo sobre a festa de sábado: Mesmo com tudo que foi dito, Os silêncios falaram muito mais. E a música que eu toquei 200 vezes foi essa.

Eu me pergunto o que é mais importante para uma espada. Aquele que a forjou ou aquele que a usa.
No meu caso, quem a forjou.

Vai ser foda sem ela.

domingo, 25 de janeiro de 2009

(Mais) Uma noite infinita

Ao som de: Carlos Gardel - Media Luz

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Eu ouço 200 vezes a mesma música e fico tocando repetidamente. É o mesmo processo de uma meditação que aprendi na minha adolescência. Eu ficava repetidno uma palavra aleatória até que ela perdesse o seu sentido e dissesse o que eu queria dizer. Agora eu fico tocando a mesma música até interiozar o seu significado, de forma que ela tenhapara mim, um significado completamente novo, filtrado e recomposto pela minha essência. E então eu consigo estar em cada nota que toco. E todo o resto cessa.

_____Eu fiz uma escolha na noite passada e ganhei uma madrugada CHEIA de conversas por feito uma escolha coerente. Cada conversa te sua devida importância. Na escada do Quinta prá colocar pingos nos "is" e me desculpar. E para reconhecer valor. Do lado do litro para fazer por merecer. Sentados no pecamóvel para lembrar o que passou e ver as mesmas coisas acontecendo hoje em dia, mas admitindo uma inegável evolução. Na escada do Vagão para reconhecer que preciso aprender com urgência a controlar minha língua. Na janela do bar coversando sem palavras. E na minha janela, com chimarrão e tango.



_____Foi uma noite como há muito não se via. Daquelas noites que me davam orgulho por fazer parte. Daquelas que deixariam as pessoas que realmente conseguem me enxergar orgulhosas do que eu consigo fazer quando não estou ocupado andando sem rumo.

¿ E ñ parece extremamente óbvio que cada um tem o que faz por merecer.??

sábado, 24 de janeiro de 2009

Um idiota tagarela


Ao som de Gabriela Cilmi - Sweet about me


_____A esperança não vem da existência dos idiotas mudos. Vem do fato de que, mesmo do jeito que as coisas estão, ainda haja sorrisos sinceros. E, mesmo que tudo se mantenha fora do lugar, sempre haverá a esperança de que tudo se ajeite. Talvez as coisas já estejam no seu devido lugar e a gente mesmo não saiba. I wanto to believe.

_____O mundo realmente é um lugar bem melhor quando tudo está ao contrário.

E mesmo tendo 4 formaturas para ir hoje, eu ficaria de bom grado em casa.
Com o Virgílio, uma cuia de chimarrão e um cd do bajofondo
Todo o sossego de um cara que desistiu de correr ao redor do proprio rabo.
¿Por que eu não fico? Porque seria egoísmo.
E uma simples fuga.

Mergulhar mais fundo não é mudar.
Subir mais alto não é mudar
Evoluir ou regredir não significa mudança.
É preciso mudar o rumo, renovar a esperança
È preciso mudar nossa vontade
Ou pelo menos nosso jeito de querer


_____E sempre haverá alguém para entender o que eu escrevo.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Te falo em salto

Ou: Meus acordes de céu

Não foi tão difícil aceitar o fato de que não posso saber de tudo

E tentar estar em todos os lugares que quero ao mesmo tempo é besteira.

Escolhas. Enquanto rio de mim mesmo aprendendo a tocar de novo eu penso nas minhas escolhas.

E...

Ninguém sabe nem entende
Se é um mago ou um duende,
Um feiticeirto do som
Desde quando desde onde
MAs há muito ele esconde
Um anjo no bandoneon

Esse mago deslumbrado
É um ser iluminado
No ofício da canção
E com o anjo no colo
Tem duas ninfas nos olhos
E um par de asas nas mãos

Se é magia ninguém sabe
Mas tanto encanto não cabe
No relicário de sons
E só quem ouve ele encantado
Percebe que um ser alado
Solfeja no bandoneon

E dizem que não é dom
Que prendeu no bandoneom
Um querubim menestrel
Que quando faz seus arranjos
Ele recebe do anjo
Esses acordes de céu.

São músicas como essa que fazem com que eu me empolgue cada vez mais para um show.

E dessa vez não vou me esconder atrás dos cabelos.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O fundo do poço, ou quase

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Já faz uns dias que eu estou querendo postar essa lista. Sem mais delongas, segue a lista das 10 piores coreografias que eu já vi.


10. Azuzana e Alíbera - Inri é o Rei: Asuzana e Alibera, díscipulas do Inri Cristo dando um show de interpretação apenas balançando as cabeças. Se a coreografia estiver chatinha, pretem atenção nas legendas em inglês da música. Elas também valem a pena.

9. Latino - Só Você - O Latino merece um lugar aqui, ainda mais se apresentando no programa do Gugu acompanhado de duas Latinetes. O ano era 1994.

8. Sandi e Júnior - Seu Coração - Naquela época em que a Sandy ainda era virgem, a grana para pagar bons coreógrafos era meio curta. O resultado pode ser visto nessa memórável apresentação no programa da Hebe. E qeu diabos ele quer dizer com a palavra "amorcegar".

7. Rodolfo Chikilicuatre - Chiki Chiki: Misture o hélio dos passo com o Tiririca e coloque um pouco de Zé Bonitinho. Tudo em español. Sem falar nas moças que estão no palco.

6. "Golimar": Uma pérola made in india. Qualquer semelhança com triller do Michel Jackson não é mera coinscidência.

5. Dança do Quadrado. Tudo bem, é lavagem cerebral, mas é incrível a quantidade de coisas ridículas que dá pra fazer dentro de um quadrado. ¿E porque um anão.?

4. Danny Ja Army - I want to love you tender - Com 4 segundos de música, quando o primeiro magrão aparece, já dá pra ver que a coreografia vai ser forte. Mas ela vai ficando cada vez pior no decorrer da música. Rola até um frevo no final. Mas o primeiro refrão é o ponto alto. E se alguém conseguir entender o que acontece no solo, por favor me explique.

3. Helio dos passos - Morena do Rio Turvo De Nova Prata-RS para o mundo. Não tem muito o que falar. Medalha de Bronze merecida.

2. Rivaldo sai desse lago - Medalha de prata para mais uma superprodução indiana, e não estou falando da novenla das 8. ¿O que é pior.? O aperto de mão que a mina dá no cara ou o óculos de cego do mané.??

1. Boney M - Daddy Cool A parte mais engraçada é que o que ele está fazendo não é uma dança aleatória e sim uma coreografia. É impossível também não reparar na performance das dançarinas de sotaque jamaicano.

Menção honrosa Beber cair levantar (ou o bebum e a bicicleta): Esse vídeo não é bem uma coreografia, mas raramente vi um vídeo em que a música e as imagens tivessem tanta relação entre si.

Por hora é isso.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Frases simples e despretenciosas sobre grandes assuntos.

Ou: O tamanho da minha marchada

_____Ensaio no meio da tarde com o Tomás, o violeiro da banda de tango, prá adiantar os serviços e ajeitar alguns detalhes das músicas. Perguntei sobre taquito militar e ele fala com a a maior naturalidade do mundo:

"Essa música é bem fácil"


A música em questão é essa:




Às vezes é preciso dar um grande salto.
Não dá pra atravessar um abismo dando pulinhos.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Dormir é para os fracos

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A minha busca é na batida perfeita

Sei que nem tudo tá certo mas com calma se ajeita
Por um mundo melhor eu mantenho minha fé
Menos desigualdade, menos tiro no pé



Ouvi essa música ontem, não sosseguei até tirar ela direitinho. Um sambinha de colcheias pontuadas, prá desencanar um pouco dos tangos.

E "Deixa deixa deixa eu dizer o que penso dessa vida
Eu preciso demais desabafar."

DE-SA-PE-GO

Ao som de: Astor Piazzola - Vuelvo al sur

_____Entrar numa livraria sem comprar um livro é impossível prá mim. Comprei o Germinal, só pra sublinhar ele todo. Só prá reler uma parte a 5 páginas do final. E ler sobre o vento.

_____E dando continuação a série "tem gente que nasce sem...": Tem gente que nasce sem um braço, tem gente que nasce sem uma perna, tem gente que nasce sem noção. E tem gente que não aprende a aceitar que não sabe tudo.

_____O Compadre está certo. Fui um imbecil por duvidar. Ou melhor, por não enxergar o que ele dizia nas entrelinhas e que estava na minha cara. E a Vida ensina muito, e eu entendo que tenho que aprender muito mais através do que as pessoas não dizem do que através do que elas dizem.

_____Estou disposto a pagar o preço pedido para aprender o que ainda não sei. E para lutar com honra.

_____No fim é verdade, sempre foi. Tudo é relativo.
_____Quando eu for viajar, não terei muita bagagem para levar. Mas, obrigatoriamente, vou ter que me levar comigo.

_____A chuva e o sorriso mais lindo do mundo me ajudam muito quando a fé fraqueja.

_____Basta um pouco de felicidade para tudo recomeçar. Se um dia eu esquecer disso, por favor, me lembrem.

sábado, 17 de janeiro de 2009

O índio que se desgarra nunca mais pode parar

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Eu tinha me programado para estudar bastante em janeiro.
Estou passando meus dias tocando tangos e milongas.
Aprendendo a tocar.
Aprendendo a ser tocador de tango.

O motivo é esse:

Eu vou estar lá, com um chapéu canalha.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Diálogos insólitos



Ao som de: uma caminhada na ponta do pé para não acordar ninguém


Ontem, de noite, no final da Pinheiro. Um daqueles lugares onde tudo se encontra. Um cordão da calçada e uma caixa de yakisoba sem legumes.

- Eu não entendo. Tu realmente não pode ser burro.

- ...

- Tu sabe que aquele lado é oeste, deve saber até o nome daquela estrela. Conversa com anjos e sabe mais de magia do que muita bruxa que eu conheço. Eu cansei de te ver nas festas de canto analisando as pessoas e os fatos. Tu consegue ficar triste ou feliz e não deixar transparecer nada. É incrivel a tua capacidade de transformar tudo em experiência. Onde quer que tu vá, tu dá um jeito de entortar tudo e deixar a situação a teu favor. E de tirar alguma lição.

- Isso não é mentira. ¿Mas o que te coloca em dúvida.?

- Mesmo vendo tudo isso, eu também te vejo chorando pelos cantos. Te vejo evitando coisas e pessoas por medo. Te vejo defendendo quem só te usa. Te vejo repetindo sempre os mesmo erros. Egoísta e falso. E tu deixa te usarem. Teus relacionamentos não dão certo e vc continua tentando.

- Tu já pensou todo tempo e toda energia que eu perderia se tivesse que me comportar como esperto, se eu tivesse que ser tão racional e frio como as pessoas inventaram que eu sou. É muito mais fácil fazer papel de bobo. Até te explicaria as vantagens, mas você pode descobrir por si mesma.
Às vezes é hipocrisia, as vezes é maquiavélico, e as vezes realmente demoro prá perceber certas coisas. Mas algumas outras eu percebo quando a maioria das pessoas nem sonha. Eu sou como criança que corre, tropeça e cai. Depois chora um pouco e continua correndo. Não vou andar devagar por medo de cair de novo. E já não me preocupo por não ser o dono da bola. Alguém sempre traz a bola prá gente jogar. E quando não tem bola a gente senta na beira do campinho e fica falando bobagem. Você nunca vai saber se eu sou um idiota que se faz de esperto ou um esperto que se faz de idiota... Mas eu sei.

E aquela estrela ali não é um estrela. É o planeta Vênus.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

"Tropeando penas que juntei solito"

Ao som de: tangos y milongas

_____Era pra ser um trabalho simples, um cartaz A3. Coloquei preço baseado no tempo que eu ia demorar pra fazer. Se não me pagassem nada eu faria do mesmo jeito. Eu tinha todo ele na minha cabeça. Uma banda de tango merece minha atenção. Gente que eu vejo as vezes pelo estúdio. Quando ouvias músicas e descobri que eles ñ tem baixista, sorri o meu sorriso óbvio. Apresentei o cartaz e me perguntaram o que tu vai querer fazer no show.

_____Ainda não sei a resposta, mas sei como eu quero fazer... Com um sorriso enorme, com um chapéu ainda mais canalha, um suspensório e com todo carinho. Não é todo dia que posso tocar tango.

_____Um yakisoba com sorriso bobo. Sentado no cordão da calçada comendo numa caixa com pauzinhos, me senti o próprio Deckard do Blade Runner. Em vez de replicantes falando sobre lágrimas e chuva, vi uma estrela bem grande num buraco entre as nuvens, no oeste do céu. Onde houver sentido, haverá uma colherada dedicada.

_____Estamos aqui prá isso, ¿não é mesmo.??

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Minha trilha sonora


Ao som de: Jayme Caetano Braun - Don Athaualpa

_____Por pura preguiça de fazer uma pesquisa de imagens e datas, abrir o Photoshop e fazer um gráfico divertido com a evolução do meu gosto musical, escrevo um texto metafórico sobre como cheguei onde estou... E demorei para postar porque há pessoas que não consigo resumir com uma música ou uma banda.

_____Eu era autista e não sabia, até ironicamente ter um disco do Raul Seixas nas mãos. Não sei o que aconteceu antes disso, acho até que não importa. A base de tudo é Engenheiros do Hawaí e música gaúcha. Depois foi Nirvana, enquanto nós repetíamos incessantemente a frase "eu também". Ainda hoje eu cantarolo Nirvana enquanto escovo os dentes. Foi uma época de anjos, de Secret Smile do Semisonic. Recados velados e cartas bem explícitas. O tempo passou entre Offspring,e uma excursão de mar gelado ouvindo Velhas Virgens. Conversas em corredores de hotel, perto de fogueiras e outras músicas que eu realmente não me lembro. Mania de Você na minha janela no São Carlos. Depois, por pura conveniência, Pearl Jam e toda onda grunge dos shows da Opium. E eu escolhi as amizades que já tinha e que já sabia que seriam definitivas. Havia Red Hot também, mas Red Hot de verdade veio depois, bem depois. Tardes de domingo com muita gente deitada ouvindo o acústico do Nirvana. Uma carta que me deixou torto chorando num cordão de calçada, e eu discuti com meu chefe sobre justiça. Numa dessas tardes, uma mão na barriga e um abraço.

_____Eu lembro de Micky Jagger com o Lenny Kravitz, dois shows, com a precisão de um relógio. Algumas músicas dos Papas da Língua como pano de fundo, mas inúmeras músicas, inúmeros shows, inúmeros gritos e lágrimas por trás dos cabelos. E já havia Chico Buarque, mas eu ainda não sabia. E a coisa ficou pesada, porque é impossível ver a claifórnia se não for através dos olhos do Marlon Brando. Uma roda de belina. Baile da caipira de vinho. Show por 1 real. Show por ração de cachorro. Porteiro borracho. Todo conhaque presidente em cada ensaio. Energia, mas sem conteúdo, sem direção. O retrato do meu ego na época. Depois fui pra trás do balcão, aprender a ter censo crítico, o começo da minha inquietação. Um lampejo de vontade, Prá não ser só mais um. Ser único. Na última noite do bar, eu já estava no chão por causa do Chico Buarque, que já era quase Tool. Mas encontrei paz com Jefferson Airplane. E todo meu sorriso foi justificado ouvindo Julieta Venegas.

_____Depois me encontrei nas entrelinhas de cada música do Tool que eu tirei. Dancei Enjoy the Silence num corredor. Sobre a chuva, minha tão cara amiga, eu fui falar num forrózinho de 3 notas. A música que eu queria ter feito é Turn the Page, na versão do Metállica. Eu tatuaria nas costas a letra de Every you, every me, do Placebo, mas não há mais espaço em minhas costas. Faria uma serenta genérica com Like a Stone, do Audioslave. Mas algumas pessoas teriam músicas próprias. A minha seria Schism.

_____Depois do hino do Politeama, fui me escorar nas harmonias do Chico Buarque como se ali houvesse uma verdade absoluta. Talvez haja. E acabei esbarrando no Muse como houvera esbarrado no Rage Agaisnt. Era prá ser. E voltamos a ser energia, mas agora com um foco. Se às vezes me escondo atrás dos cabelos, é porque o medo não permite que eu me liberte como quero. Como preciso. Como é justo.

_____¿Mas quem sou eu para falar em justiça.?

_____Fico aqui com o Virgílio e com as demais paranóias.

_____Com carinho. E com um pouco de silêncio

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Sem pedras dessa vez, por favor.

Ao som de: Tool - Sober

_____Essa era uma postagem para ontem de madrugada, mas acabei me empolgando assitindo piratas do caribe em español e capotei logo em seguida. Já que a indignação sobreviveu a uma noite de sono, acho que vale a pena ser mencionada.

_____O que está acontecendo é ridículo. Normal que certas pessoas não se falem, normal que certas pesoas não gostem da presença uma das outras. Há brigas, há magoas, há motivos de sobra para justificar e explicar cada desavença. Mas o fato é que tudo isso é muito ridículo. Principalmente a parte de ficar fazendo relatórios do tipo "fulano vai" ou "eu convidei ciclano". Ou ter que ficar escolhendo quem é que vai ser convidado quando se organiza alguma coisa. É com um sorriso que eu admito minha participação nessa idiotice coletiva

_____Falando por mim, deixei de falar com uma pessoa por um simples motivo: ela falou um monte de coisas que não tinha o direito de falar e eu prometi para mim mesmo que ela nunca mais teria oportunidade de me falar merda. Se o que ela falou é verdade ou não, se ela estava certa ou errada é uma coisa que só eu e ela sabemos. O resto é lenda que se criou. Não guardo rancor nenhum, não desejo mal e não desejo nada, a não ser o conforto que a distância oferece.
Com outra pessoa não falo para conseguir guardar as boas recordações que eu tenho e que aliás são muitas. Acabei me afastando para não dar chance, nem a mim e nem a ela de mais uma vez estragar tudo.

_____E tudo isso me enoja a ponto de eu sentir mais vontade de ficar longe. Malditas águas rasas. O mar só fica bom quando fica fundo o suficiente para que a gente perca a ilusão de segurança que insistimos em carregar. E ñ preciso escrever nenhuma tese para justificar isso dessa vez. Prá mim isso faz sentido. ¿E por acaso alguém gosta de ter sua vida acompanhada como folhetim.??

_____Tocar fogo no circo é muito muito divertido e ninguém melhor do que eu pode falar isso. A questão é que em algum momento você se dá conta de que está carregando uma tonelada de cinzas nas costas e que não consegue mais viver em paz por causa do peso. E durante um filme besta na sessão da tarde você percebe que está chorando sem saber nem o porque. E Você começa a ter medo de conversar com os amigos porque sabe que em algum momento eles vão usar o que você disse contra você. E ser julgado dói muito, mas é uma coisa que faz parte da vida. E a dor não vem do julgamento em si, mas sim pelo fato de existirem sempre critérios diferentes para pessoas diferentes.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Frases simples e despretenciosas sobre grandes assuntos.

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"Minha vida é um litro aberto"


Rafael Kbelo, baterista da banda Cura e bêbado costumás. Baita cara.

O poço ñ tem fundo

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No meio da tarde o Gel me manda o link que mudou o meu dia:


Resultado: Não fiaz mais nada a tarde inteira, só ouvindo porcarias.

A parte boa é que o repertório da Salve Ferris vai ficar ainda mais absurdo, considerando que eu me convenci a tocar Lua de Cristal e Borbulhas de amor.

Se houver mesmo uma festa no carnaval, quero deixar registrado desde já que "PERDEMOS O CONTROLE".

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Um lugar...

Ao som de: fusas na escala de Em

Eu tinha um anel de pescador quando pescava. Depois usei uma corrente que me prendia sem eu saber. E numa tarde fria, com a chuva caindo fina e gelada, cavei mais fundo que pude na areia e enterrei a corrente que me prendia. E agora carrego comigo uma constelação. Pequena e simples, como as maiores coisas da vida. Eu nunca fui bom e forjar pedaços. E me provei incapaz de seguir estrelas, embora finalmente eu consiga entendê-las. Se hoje estou longe delas, é por causa das minhas escolhas. Como culpar as estrelas por permanecerem no firmamento.??

Mesmo que a maioria das minhas perguntas tenha sido respondida com silêncio, eu entendi do que tenho medo.

E as estrelas vieram falar comigo. E, mesmo com toda distância. Eu sinto algo muito parecido com alívio. Para alguns o ano nõa terminou, para outros não começou. O ciclo está incompleto.

Devagar e de uma forma bem engraçada, estou voltando para a minha rotina. Compro uma agenda e cartões coloridos e sorrio fazendo as pessoas sorrir. Isos faz parte do meu trabalho.

É possível que o veneno consiga mesmo curar, mas por enquanto estou mais preocupado em voar do que trocar um ponto de apoio por outro.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Alguém prá cuidar de mim...


Ao som de: Caetano Veloso - Caracóis


É hora de ir pro leste. Encontrar o mar e acalmar um pouco meu coração.
Na bagagem levo um baixo, um metrônomo e dois livros. Há um trauma que preciso perder.

Volto ano que vem. Se tudo der certo, vou estar no mar para, de novo, ver ondas cheias de estrelas.

Levo também uma agenda para escrever sem ordens de páginas.
Eu não escrevo porque alguém lê... eu escrevo porque preciso.



Ano passado falamos sobre paz e sobre buscar um sentido enquanto a sorte andava pela areia. Esse ano podemos falar sobre força.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Realmente, não poderia ser mais simples

Ao som de: Stu Ham - Nostalgia

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Porque eu estava deprimido, e a ausência de sentido dos meus dias estava me enlouquecendo. Porque eu queria saber como era o mundo fora da nossa bolha de falsa segurança, já que ela não me servia mais.. Acabei gostando do que vi. Acabei vendo que as coisas podiam ser melhores do que festa de segunda a segunda e que se eu não fizesse nada por mim, ninguém iria fazer. E me fechei porque estava meio decepcionado com tudo, principalmente comigo mesmo... por ter negligenciado minha existência por tanto tempo. Porque cansei de falar e resolvi fazer.

_____Eu não entendo. Sofri muito, mas consegui terminar uma história que me fazia definhar. Comprei um amplificador novo e já juntei quase toda a grana para comprar um baixo novo. Há uma pilha de livros bons espalahados pelo meu quarto. Durmo pouco para acordar cedo e estudo 5 horas por dia. Tenho dois empregos e mais os shows que faço. Trabalho com a coisa que mais gosto. Parei de fumar e de beber, me permitindo apenas algumas excessões. Estou sempre tentando controlar minha arrogância, raramente minto e tomo todo cuidado possível para não magoar as pessoas ao meu redor. Eu me olho no espelho e me reconheço num sorriso leve e autêntico. Realmente não sei onde posso ter errado.

_____Enfim, eu queria ter alguém com quem conversar, alguém que depois não usasse o que eu digo (ou escrevo) contra mim. Alguém que pudesse entender minha felicidade infantil por ter descoberto porque um Db7 funciona como dominante num campo harmônico de Dó maior. Alguém que não confunda diferente com errado. Alguém que soubesse que já tomei na cabeça vezes suficientes para aprender a pensar por mim mesmo, sem que ninguém envenene meus pensamentos ou minhas ações.

_____Eu saí em busca de mim mesmo. Em busca de algum sentido e de uma evolução. Afastar-me de alguns e aproximar-me de outros foi consequência.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Summer nights

Ao som de: Placebo - Every you, every me

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Um dia corrido, com crianças testando muito a minha paciência. Calor, o infernal calor de Porto. Na volta pra casa ouvi Piazzola e tudo voltou para o caminho. E meu caminho me levou até um par de pés pequenos, e eu fiquei ali sentado no chão, com um balão na mão como se não houvesse amanhã. Como se toda alegria do mundo soprasse junto com o Vento.

_____Há fogueiras pequenas e fogueiras grandes. E há o meu trabalho.

_____Agora eu tenho toda confiança que preciso. E sei que meu coração ainda consegue bater atravessado.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A percepção é mais agradável do que a realidade.


Ao som de: repertório salve ferris


_____No casamento da semana passada eu inventei uma motivação que não tinha nada a ver comigo. E no decorrer da festa, apareceram motivos ainda melhores. e eu pude fazer o meu trabalho e tudo aconteceu de uma forma muito boa, até melhor do que eu merecia.

_____Para o Natal, pensei em fazer a mesma coisa, mas tudo é incerto. Acho que vou ter que fazer o show e a festa por mim. Não que isso seja ruim, mas não queria ficar fechado em mim mesmo.

_____É uma discussão meramente acadêmica: eu sempre me fecho em mim mesmo no Natal. Embora sempre haja espaço para alguns sorrisos sinceros. E algumas tequilas.


quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Alta a longe cognoscit


Ao som de: Minha mãe relamando que eu fiquei "batendo" no baixo a noite inteira


Eu não tenho medo de ondas gigantes, nem de água suja. Eu tenho medo de água rasa.

E isso não é soberba. É uma escolha... e na minha escolha reside meu poder.

O campeonato de ironias segue disputado...


Ao som de: Live - Pain Lies on the riverside


Ok, vcs me convenceram.
Nada poderia ser mais justo.

Eu mesmo profetizei isso, sem me dar conta da gravidade do que foi dito.

A verdade realmente me libertou.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Nada sairia do lugar que já estava

Matanza: Todo o cd

_____"Autista por opção" é uma comunidade no orkut que fiz questão de entrar.

_____Passei o dia inteiro tocando baixo sem me preocupar com muita coisa. O clima de final do ano está aí e a correria parece estar finalmente acalmando. E procurando músicas para tocar no natal, essa do matanza me chamou a atenção. Se rolar no show do natal, faço questão de cantar.



_____Nos meus relaionamentos com as pessoas acabo sendo racional demais, quase maquiavélico. Há um caminho que por um lado vai do regozijo puro e simples até uma questão de agradecimento. Por outro um nuvem de asco entre minha educação, meus interesses e a necessidade de convívio pacifico. O ponto de equílio deveria ser meu bom senso. Mas como usar de bom senso quando não se tem compaixão nenhuma.? Não consigo sentir pena. Não me preocupo realmente com quase ninguém. Se o mundo fosse meu, ninguém se magoaria, as pessoas seriam confiáveis e ninguém falaria mal de ninguém pelas costas. Como o mundo não é meu, eu tento ajudar quem se ajuda, ignorando quem não faz nada por si. Considero isso uma forma de manter a justiça que eu tão cegamente defendo.

_____Estou no meio de um fogo cruzado bem divertido. E, graças a Deus, estou conseguindo ficar de fora. Há tanto por fazer, mas enquanto assisto Piratas do Caribe na madruga, percebo que a velha questão de ser justo ou não volta de vez enquando, junto com meu medo, que anda rondando.

_____Meu mestre Jedi foi muito claro: quem anda com porcos come lavagem. Cada um escolhe o que quer, se quer ser porco, cavalo, avestruz ou urubu. Eu sei que escolhi não comer mais lavagem. Meu coração também já deu o seu recado: as experiências iam continuar se repetindo por quantas vidas fossem preciso até que eu aprendesse o que não queria aprender. E então eu parei de passar por determinadas situações para ultrapassá-las. E deixá-las para trás. É um alívio indescritível.

_____Pelo que me consta, continuo com o mesmo pedido que fiz antes de ir dormir pela segunda vez na manhã do dia do casamento. Pedi serenidade para assimilar qualque acontecimento sem me abalar, coragem para fazer o que fosse necessário e discernimento para saber qual era o meu lugar. Carreguei no colo por alguns segundos quem estava me carregando desde a noite anterior.

_____No fim é só um post meio reflexivo e insignificante enquanto eu me pergunto se novamente escreverei numa agenda enquanto estiver na praia. Mas talvez a pergunta não seja essa.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Ainda leve

Ao som de: Cake - Confort Eagle

- Por que vc demorou tanto.?
- Resolvendo coisinhas, mas você também demorou.
- Você me pediu para ficar longe ontem, lembra.?
- Sim, e eu te agradeço por ter feito o que pedi, foi importante.
- Como foi a noite.?
- Mágica, me lembrou aqueles nossos dias no mar, onde tudo parecia estar no lugar certo.
- Por que esses sorrisos enquando chora.?
- Não são lágrimas, são só gotas de chuva.
- Eu conheço bem cada uma das gotas que caem.
- Sim sim, foi força do hábito. Não sei como explicar o que sinto em palavras. É como se eu de repente tivesse tido uma idéia que fosse mudar todo o resto. Prá deixar tudo mais claro e mais simples. E então eu choro prá limpar a alma.
- E porque isso.?
- Eu sempre falo da importância da minha postura. Minha postura mudou. Não carrego mais fardos que não são meus e culpas que caíram no meu colo. Leveza.
- Mas eu ainda vejo mágoa em ti.
- Sim, nada é tão simples nesse jardim. Mas eu não estou sozinho. Há muitos mestres no caminho.
- Há algo de dirente em você.
- O nome disso, minha amiga, é felicidade. Sei bem que ela não é definitiva. Mas, parece justo que um guerreiro comemore uma vitória depois da batalha. Você pode ficar aqui comigo.? É justo que a gente comemore aqui nesse cantinho do meu mundo enquanto a próxima batalha não chega.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Eu brindei pelo discernimento


Ao som de: Diana Summer - Hot Stuff


Noite perfeita. Ponto.

E no final de tudo, mesmo cansado e bêbado, considerei que eu merecia um bom chimarrão na janela. Enquanto agradecia por tudo ter saído como saiu, por eu ter conseguido cumprir o trabalho que me propus e, principalmente, por estar muito melhor do que eu mereço estar. Ironia por ironia, hoje a melhor foi minha.

Verde... quente... erva... ventre... dentro... entranhas
Mate amargo noite adentro estrada estranha

Mãos e coração, livres e quentes: chimarrão e leveza
Mãos e coração, livres e quentes: chimarrão e leveza

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A lua sempre estará linda no céu.

Achou que eu não ia dar bola né.??




Prá mim e importante.
Por que é justo.
Por um sorriso que não cabe em mim de tão contente.
E porque eu não preciso falar nada.

Feitiços


Ao som de: Maná

Existe um lugar onde as coisas mais absurdas fazem sentido. Onde a vida pulsa em toda madrugada. Onde um JCM 900 é batente de porta e um Gianini sem trastes é chamado de pau velho. Um lugar onde cartão telefônico vira palheta e colegas de trabalho acabam virando amigos. Um lugar onde o tempo passa rápido entre dias e noites, sem distinção. Um lugar onde fui chamado de homem de conhecimento. E acabei me lembrando de um trecho de um livro de páginas bem amareladas.

- Quando um homem começa a aprender, ele nunca sabe muito claramente quais são seus objetivos. Seu propósito é falho; sua intenção, vaga. Espera recompensas que nunca se materializarão, pois não conhece nada das dificuldades da aprendizagem.

“Devagar, ele começa a aprender... a princípio, pouco a pouco, e depois em porções grandes. E logo seus pensamentos entram em choque. O que aprende nunca é o que ele imaginava, de modo que começa a ter medo. Aprender nunca é o que se espera. Cada passo da aprendizagem é uma nova tarefa, e o medo que o homem sente começa a crescer impiedosamente, sem ceder. Seu propósito torna-se um campo de batalha."

“E assim, ele se depara com o primeiro de seus inimigos naturais: o medo! Um inimigo terrível, traiçoeiro e difícil de vencer. Permanece oculto em todas as voltas do caminho, rondando à espreita. E se o homem, apavorado com sua presença, foge, seu inimigo terá posto um fim à sua busca.”

- O que acontece com o homem se ele fugir com medo?
- Nada lhe acontece, a não ser que nunca aprenderá. Nunca se tornará um homem de conhecimento. Talvez se torne um tirano, ou um pobre homem apavorado e inofensivo; de qualquer forma, será um homem vencido. Seu primeiro inimigo terá posto fim a seus desejos.
- E o que pode ele fazer para vencer o medo?
- A resposta é muito simples. Não deve fugir. Deve desafiar o medo, e, a despeito dele, deve dar o passo seguinte na aprendizagem, e o seguinte, e o seguinte. Deve ter medo, plenamente, e no entanto não deve parar. É esta a regra! E o momento chegará em que seu primeiro inimigo recua. O homem começa a se sentir seguro de si. Seu propósito torna-se mais forte. Aprender não é mais uma tarefa aterradora. Quando chega esse momento feliz, o homem pode dizer sem hesitar que derrotou seu primeiro inimigo natural.
- Isso acontece de uma vez, Dom Juan, ou aos poucos?
- Acontece aos poucos, e no entanto o medo é vencido de repente e depressa.
- Mas o homem não terá medo outra vez, se lhe acontecer alguma coisa nova?
- Não. Uma vez que o homem venceu o medo, fica livre dele o resto da vida, porque em vez do medo, ele adquiriu a clareza... uma clareza de espírito que apaga o medo. Então, o homem já conhece seus desejos; sabe como satisfazê-los. Pode antecipar os novos passos na aprendizagem e uma clareza viva cerca tudo. O homem sente que nada se lhe oculta.

“E assim ele encontra seu segundo inimigo: a clareza! Essa clareza de espírito, que é tão difícil de obter, elimina o medo, mas também cega."

“Obriga o homem a nunca duvidar de si. Dá-lhe a segurança de que ele pode fazer o que bem entender, pois ele vê tudo claramente. E ele é corajoso, porque é claro; e não pára diante de nada, porque é claro. Mas tudo isso é um engano; é como uma coisa incompleta. Se o homem sucumbir a esse poder de faz-de-conta, terá sucumbido a seu segundo inimigo e tateará com a aprendizagem. Vai precipitar-se quando devia ser paciente, ou vai ser paciente quando devia precipitar-se. E tateará com a aprendizagem até acabar incapaz de aprender qualquer coisa mais”

- O que acontece com um homem que é derrotado assim, Dom Juan? Ele morre por isso?
- Não, não morre. Seu inimigo acaba de impedi-lo de se tornar um homem de conhecimento; em vez disso, o homem pode tornar-se um guerreiro valente, ou um palhaço. No entanto, a clareza, pela qual ele pagou tão caro, nunca mais se transformará de novo em trevas ou medo. Será claro enquanto viver, mas não aprenderá nem desejará nada.
- Mas o que tem de fazer para não ser vencido?
- Tem de fazer o que fez com o medo: tem de desafiar sua clareza e usá-la só para ver, e esperar com paciência e medir com cuidado antes de dar novos passos; deve pensar, acima de tudo, que sua clareza é quase um erro. E virá um momento em que ele compreenderá que sua clareza era apenas um ponto diante de sua vista. E assim ele terá vencido seu segundo inimigo, e estará numa posição em que nada mais poderá prejudicá-lo. Isso não será um engano. Não será um ponto diante da vista. Será o verdadeiro poder.

“Ele saberá a essa altura que o poder que vem buscando há tanto tempo, é seu por fim. Pode fazer o que quiser com ele. Seu aliado está às suas ordens. Seu desejo é ordem. Vê tudo o que está em volta. Mas também encontra seu terceiro inimigo: o poder!"

“O poder é o mais forte de todos os inimigos. E naturalmente, a coisa mais fácil é ceder; afinal de contas, o homem é realmente invencível. Ele comanda; começa correndo riscos calculados e termina estabelecendo regras, porque é um senhor."

“Um homem nesse estágio quase nem nota que seu terceiro inimigo se aproxima. E de repente, sem saber, certamente terá perdido a batalha. Seu inimigo o terá transformado num homem cruel e caprichoso.”

- E ele perderá o poder?
- Não, ele nunca perderá sua clareza nem seu poder.
- Então o que o distinguirá de um homem de conhecimento?
- Um homem que é derrotado pelo poder morre sem realmente saber manejá-lo. O poder é apenas uma carga em seu destino. Um homem desses não tem domínio sobre si, e não sabe quando ou como usar seu poder.
- A derrota por algum desses inimigos é uma derrota final?
- Claro que é final. Uma vez que esses inimigos dominem o homem, não há nada que ele possa fazer.
- Será possível, por exemplo, que o homem derrotado pelo poder veja seu erro e se emende?
- Não. Uma vez que o homem cede, está liquidado.
- Mas e se ele estiver temporariamente cego pelo poder, e depois o recusar?
- Isso significa que a batalha continua. Isso significa que ele ainda está tentando ser um homem de conhecimento. O indivíduo é derrotado quando não tenta mais e se abandona.
- Mas então, Dom Juan, é possível a um homem se entregar ao medo durante anos, mas no fim vencê-lo.
- Não, isso não é verdade. Se ele ceder ao medo, nunca o vencerá, porque se desviará do conhecimento nunca mais tentará. Mas se procurar aprender durante anos no meio de seu medo, acabará dominando-o, porque nunca se entregou realmente a ele.
- E como o homem pode vencer seu terceiro inimigo, Dom Juan?
- Também tem de desafiá-lo, propositadamente. Tem de vir a compreender que o poder que parece ter adquirido na verdade nunca é seu. Deve controlar-se em todas as ocasiões, tratando com cuidado e lealdade tudo o que aprendeu. Se conseguir ver que a clareza e o poder, sem controle, são piores do que os erros, ele chegará a um ponto em que tudo está controlado. Então saberá quando e como usar seu poder. E assim terá derrotado seu terceiro inimigo.

“O homem estará, então, no fim de sua jornada do saber, e quase sem perceber encontrará seu último inimigo: a velhice! Este inimigo é o mais cruel de todos, o único que ele não conseguirá derrotar completamente, mas apenas afastar."

“É o momento em que o homem não tem mais receios, não tem mais impaciências de clareza de espírito... um momento em que todo o seu poder está controlado, mas também o momento em que ele sente um desejo irresistível de descansar. Se ele ceder completamente a seu desejo de se deitar e esquecer, se ele se afundar na fadiga, terá perdido a última batalha, e seu inimigo o reduzirá a uma criatura velha e débil. Seu desejo de se retirar dominará toda a sua clareza, seu poder e sabedoria."

“Mas se o homem sacode sua fadiga e vive seu destino completamente, então poderá ser chamado de um homem de conhecimento, nem que seja no breve momento em que ele consegue lutar contra o seu último inimigo invencível. Esse momento de clareza, poder e conhecimento é o suficiente”

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Buenos dias!

Ah, lembrei o que eu queria dizer ontem, antes de dormir e de ficar enrolando tanto..

Fico orgulhoso de saber que tenho uma flor mais forte que qualquer enchente.
Aprendi a não dar bola prá um monte de coisas que ouço. Transcendi.
Eu tatuaria a palavra 'saudade' na testa, mas só depois da clave de fá na mão esquerda.
Eu sempre vou ser solitário.
Antes que anoiteça de novo eu vou ler Dom Casmurro de novo.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

3 páginas

Ao som de um suspiro

_____Eu já nem sei o que pensar. Acostumado a duvidar de tudo. Acostumado a nunca me fiar em nada. Ainda antes de ouvir Nirvana eu ja era dado a amores faraônicos, sempre dividos entre paraísos e infernos. E subidas e descidas sem escalas. Resignado sabendo que é essa a sina de um geminiano com ascendente em gêmeos e com a surpreendentemente lógica lua em aquário. Há fotos que não vejo há tempo. Há textos que não me dizem mais nada. As vezes é alívio, as vezes é culpa, mas o fato é que esqueci muita gente. Será que eu deveria dizer obliterei.?? Não creio que me seja possível viver como se certas pessoas nunca tenham passado pela minha vida. Poucas pessoas que fizeram muita diferença. Cocaína e conversas num camarim decrépito, uma dissertação sobre ser bom ou ser único. Eu escolhi ser bom. Eu escolhi plantar um jardim que nunca vai me dar folga. Por mais que eu trabalhe, nunca vou ser bom o suficiente. Ser único é hobby.

_____Luz e sombra define melhor do que cura e veneno. È impossível pensar em dualidade sem sorrir balbuciando 'Jesus, it never ends, it works its way inside.' Talvez sejam mesmo versos subliminares. Talvez eu realmente relacione frases que começam com talves com coisas das quais tenho certeza. E são chatas todas minhas certezas. Sou perdidamente apaixonado pro minhas dúvidas, por minhas hesitações.

_____Vem chegando o fim do ano e é época de apertar o reset. Ano que vem a correria vai prosseguir firme e forte. Preciso de espaço aqui dentro e para isso preciso deixar uma série de coisas para trás. Vou para a praia porque meu coração dói de saudade do mar. E porque preciso fazer um teste. Eu preciso conseguir acreditar.

_____Havia uma época em que eu escrevia 3 páginas sobre um determinado assunto antes de começar a realmente escrever. Era um processo cansativo, mas através dele eu sabia que quando chegasse a hora de escrever eu seria sucinto e objetivo. É, eu já fui sucinto e objetivo, antes de ser ambíguo e contraditório.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Para cada lugar, uma coisa


Ao som de: Jeff Beck - Superstition


Partituras para os dias que passam devagar.
Drummond para o início do outono, onde há uma brisa anunciando que dias mais frios estão por vir.
Livros clássicos para tardes de folga, crônicas da Lia Luft para qualquer hora.
Livros de música para feriados prolongados.
Clarice Lispector para minhas noites de insônia.
Érico Veríssimo para saudades da infância.
Piaget para discutir com a minha mãe.
Gabriel Garcia Marquez para aprofundar.
Osho para colocar meus pensamentos em xeque.
A bíblia como fonte de sabedoria.

O teto do meu quarto e o espelho em frente a minha mesa para ficar em paz.


Tudo porque sou muito bom em mudar de assunto. E porque a expressão "olhar para o prórpio umbigo" soa como algo pouco nobre sempre que é dita. Eu me pergunto: será que é tão ruim assim eu cuidar de mim.? Porque é pejorativo me valorizar e reconhecer o meu valor.? De que umbigo eu posso realmente cuidar se não for o meu.? O umbigo é simbolo do alimento interior, é por onde eu me nutro de mim mesmo. E isso ninguém pode fazer por mim.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Oropa, frança e bahia

Ao som de: Bon Jovi - Keep the faith

_____A grande lição do fim de semana até agora é que há pessoas que podem mudar. E há pessoas que não vão mudar nunca. Mudar, ao que parece, tem muito mais a ver com capacidade do que com a vontade propriamente dita.

_____Antes de capotar na cama ontem,toquei Clarisse inteira no violão. É incrível ver que ainda consigo lembrar da letra inteira... deve ser pela palavra 'vilipendiado'. Ou pela parte da gaiola. O fato é que realmente 'estou cansado de ser vilipendiado. incompreendido e descartado. Quem diz que me entende nunca quis saber.'

_____Dormi 7 horas e acordei com a sensação de que dormi demais. Perdi uma noite dormindo. Eu deveria estar em outro lugar.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Viver é contrapontear




À moda Martin Fierro

Aqui me ponho a cantar
Ao compasso da guitarra
Que o índio que se desgarra
Nunca mais pode parar
Viver é contrapontear
Na tristeza onde se atola
Sem jamais pedir esmola
Nem carinho, nem perdão,
Pois abrindo o coração
É que o guasca se consola

E adonde venho respondo:
Sou da pampa e do varzedo
Guri criado sem medo
De cobra ou de marimbondo
Eu sei que o mundo é redondo
No seu arrodear sem fim
Índio pobre, e mesmo assim
Me alimento com meu canto
Tantos são donos de tanto
Ninguém é dono de mim

(Talvez por ser prisioneiro
Das ânsias e rebeldias
De andar as noites e os dias
Rondando como tropeiro
Talvez por ser guitarrero
Criado sem protocolo
Desde que mamei no colo
Da mama bugra campeira
Trago a alma prisioneira
Das coisas que vêm do solo)

Enquanto houver um paisano
Que ponteie uma guitarra
Enquanto houver uma garra
No lombo de um orelhano
Enquanto houver um pampeano
Guardando o sagrado estilo
Eu hei de seguir tranqüilo
Sem galopear, não me apuro
Porque quanto mais escuro
Mais claro é o canto do grilo

E quando eu me for, indiada,
Não quero mágoa nem choro
Não vai fazer falta um touro
Há tantos nesta invernada
Um 'Deus te salve', mais nada
Quando souberem: morreu
Já podem saber que eu
Que esbanjei tantos carinhos
Ando a campear nos caminhos
O que eu quis ser e não deu
Ando a campear nos caminhos
O que eu quis ser e não deu

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Om Namah Shivaya


Ao som de: Slipknot - Duality


_____Lembro de um padre que me disse " eu vou com calma porque tenho pressa". Lembro de me definir como budista num outro emprego. E agora vejo que minha calma vai ser testada muito antes do que eu pensei. Enquanto corro, leio poesia.

Meu coração é tão pequeno...
Se você mexer nele
Ele não aguenta.

Meu coração é tão pequeno...
Não sei dizer se me derruba
Ou se me sustenta.

Meu coração é tão pequeno...
Decerto veio ao avesso
Ou mesmo inverso

Meu coração é tão pequeno...
Na palma da mão cabe ele
e dentro dele, o Universo.

-Pedro Tostes

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Uma agenda para organizar o mundo



_____O final de semana infinito prossegue. Como já era bem previsto asegunda não traz calmaria nenhuma. há muito prá ser dito.De volta para sexta-feira:

_____Ligação do Rafa Schuler prá me deixar preocupado, mas disso eu falo depois. Fui parar no revival. Nada de muito relevante. E (de novo) tentam me doutrinar. Parece óbvio que já fiz minha escolha. Música é meu trabalho. E é o trabalhao mais divertido possível, mas cheguei num ponto em que não me divirto com alguém tocando uma guitarra desafinada. Ou com bateristas que erram tempos. Ou com vocalistas que usam pastinhas. Prá simplificar tudo. Eu só quero gente que me deixe trabalhar. Permito-me algumas excentricidades como a Salve Ferris ou a outra mentira das quintas do revival, mas o fato é que não corro mais atrás de nada. A regra que eu proponho é bem simples. Não queimar mais o meu filme. E não queimar o filme de ninguém que toca comigo.

_____Bom, a tal ligação de sexta era pra avisar de um show no sábado. Correria até Porto Alegre misturado com gente grande. Um bar bem legal. E eu admito que estava com medo. Quem tem falado comigo ultimamente pode me ver usando a palavra correria com mais frequência do que eu gostaria. E por causa desse tumulto todo eu descuidei um pouco de estudar. E no sábado ficou evidente que eu preciso estudar mais. No final das contas o show em si foi muito mais um teste para os meus ouvidos do que para a minha técnica. Sinto falta de tocar com pessoas com as quais eu possa discutir sobre funções harmônicas. O problema do meu jeito de tocar não é o meu jeito de tocar em si e sim meu jeito de pensar sobre o que estou tocando. Ou não pensar. E é daí que vem uma sensação ruim, misto de preocupação, culpa e medo. A negligência sempre volta para cobrar o seu preço.

_____No meio de tudo uma agradável surpresa. Twin peaks e uma pastelina no mesmo quarto. Um gato que pensa que é cachorro. Uma banca de frutas na esquina da borges. E eu apostaria minha vida como o fruteiro vende drogas. Uma rodoviária vazia de madrugada. Amanhecer na viagem e meu coração apertado de saudades do mar. Se a noite fosse uma batalha, não seria uma derrota. Mas ensinou tanto quanto.

_____E na minha volta para Caxias choveu, só para manter o costume. Eu insisto, por mim choveria prá sempre. As conversas sérias e as correrias não vão acabar nunca. Estou indo para a cama sabendo que vou dormir 4 horas do lado de um contrabaixo. Um sorriso sereno me acompanha. Estou fazendo exatamente o que escolhi fazer.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Só...

_____Há pessoas arrogantes e prepotentes o suficiente para achar que sabem de mim mais do que eu mesmo. Como se isso fosse possível. Maldita necessiada de controle que as pessoas insistem em ter. Os grandes males são o medo e a preguiça, mas seguidos de perto por essa vontade de ter controle.

_____E eu me fecho, não é uma armadura forte, mas é coesa. Sacrifiquei resistência por velocidade.

_____Não respondi antes mas respondo agora. Sou do tipo de amigo que só ajuda quem se ajuda e, em alguns casos, quem pede ajuda. Salvo isso, cada um se destrói e se redime do jeito que melhor lhe aprouver, sem minha intromissão.

_____Com o meu chefe aprendi a pensar grande, mas sem descuidar dos detalhes. E que fique claro que eu só aprendi isso porque foram os detalhes que negligenciei aqulees que mais me machucaram.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Frases simples e despretenciosas sobre grandes assuntos.

"Se envolver de graça não tem mais graça"

- Karem Jasmim, numa ligação de madrugada pra atualizar os fatos.
Para diminuir um pouco a saudade.
Para rir de besteiras e lembrar de propagandas de chocolate.
Para reafirmar a supremcia de caxias do sul e seus moradores.
E bah.



E sucos de lajanja com hortelã.
Vermelho ou verde..

domingo, 23 de novembro de 2008

10000 compassos

Ao som de: Vitor e Leo - Borboletas

_____Uma das minhas frases recorrentes é: 'eu não sou pago pra isso.' A verdade é que raramente faço as coisas apenas porque sou pago por elas. O mais comum é que eu faça coisas que eu gosto e não receba absolutamente nada em troca. Acabei me acostumando com isso, em parte porque a grande maioria das pessoas são mal agradecidas e esquece muito rápido o que a gente faz por elas. O resto é porque não quero agradecimento nenhum, quero apenas ficar em paz comigo mesmo. E tem tanta gente que me faz um bem indescritível, o mínimo que posso fazer é retribuir. Eu uso o 'eu não sou pago prá isso' com outro sentido, porque não há dinheiro no mundo que me motive a fazer certas coisas. E o show de quinta feira, além de ser um exemplo de desapego a minha vaidade, foi uma boa mostra do que acontece quando eu faço uma coisa sem vontade. Pelo menos acabou.

_____A parte que eu mais gosto é que pensam que é sem querer. Tem muito de profissionalismo e e lógica nas minhas atitudes, mas eu sempre cuido para colocar o sentimento acima de tudo. E não me dou mais ao luxo de sentir certas coisas sem querer.

Onde eu trabalho, não tenho vida pessoal.
Onde eu sorrio leve eu me sinto em casa
Quem sorri sincero sempre tem minha atenção
O tempo me ajuda, ainda que me faça correr
Ando com calma porque tenho pressa.

É bom cantarolar músicas sobre borboletas
E não ter nenhuma recordação pedante
Ou não ter ninguém que responda por patroa
E nenhum blabla bla sobre céu de outro alguém.
De algumas coisas eu sinto falta, às vezes
Mas a leveza preenche qualquer vazio que tente se criar.
Os compassos vão passando sem que eu precise contar

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

É prá isso que sou pago...


Ao som de: Skank - Ainda gosto dela

_____Além de me cativar, ainda me dá um saco de sete belo de presente. E um motivo para ir num casamento.



Mimada e orgulhosa, mas a melhor irmã do mundo.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Genialidade


_____
Houve uma vez um menino que corria de kart. Era uma tarde chuvosa. Ele rodou duas vezes durante aquela corrida e chegou em último. Ele decidiu que nunca mais queria passar por aquela vergonha. Ele morava não muito longe de um autódromo e desde aquela tarde, sempre que ele via as nuvens de chuva sobre o autódromo, ele pedia pro seu pai levá-lo até lá para ele treinar. Esse ritual se repetiu inúmeras vezes. Anos depois, já um piloto com uma carreira consolidada, ele fez isso numa outra tarde chuvosa:



“Ser o segundo é o mesmo que ser o primeiro dos perdedores.” Ayrton Senna.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Demasiado humano.

Ao som de: Duran duran - Come Undone


Eu posso chorar assistindo sessão da tarde e posso ver alguém morrer sem sentir nada.

Não entendo certas relações humans por que não as vivencio.

Tenho a crônica dos meus grandes amores bordados num tapete no meu banheiro.

O momento mágico do meu dia é quando ergo a cabeça descendo a escada de manhã. Eu sempre sorrio. faça chuva ou faça sol, o dia é meu.

O momento mágido da minha noite é quando são 3 da manhã e eu continuo sem sono. E eu pego meu baixo e fico tocando com ele desligado. Eu fecho os olhos e escutos todas as notas. E acabo dormindo com ele do meu lado.

E eu leio Nietzche como quem lê um jornal. Leio 'a arte da guerra' e 'o príncipe' como se lesse um manual de instruções. Escuto Tool como se fosse uma canção de ninar. Vivo a vida como quem joga. E jogo como se não quisesse ganhar.

Dentro de uma camiseta do grêmio muita coisa aconteceu. Isso me faz gremista mas não faz sentir raiva do inter nem pena do juventude.

Um par de asas. Uma pena para cada pecado. Uma pena vermelha por um pecado maior. Não que eu me culpe mais por ele, mas ele foi o que mais me ensinou.

Español me balança. Gosto do som. Do cheiro de uma manta. Do sorriso. Mesmo sem tudo isso, eu ainda gostaria da língua española só por causa do Neruda e de um hipie chileno.

Meus dois lados vivem discutindo. É comum que eu me refira a mim mesmo com um "nós" em vez de "eu". O fato é que me chamo de vento quando converso comigo mesmo.

Por se hablar en Neruda:

Oda a las cosas

Amo las cosas loca, locamente.
Me gustan las tenazas, las tijeras,
adoro las tazas, las argollas, las soperas,
sin hablar, por supuesto, del sombrero.
Amo todas las cosas, no sólo las supremas,
sino las infinitamente chicas,
el dedal, las espuelas, los platos, los floreros.

Ay, alma mía, hermoso es el planeta,
lleno de pipas por la mano conducidas en el humo,
de llaves, de saleros, en fin, todo lo que se hizo
por la mano del hombre, toda cosa:
las curvas del zapato, el tejido,
el nuevo nacimiento del oro
sin la sangre, los anteojos, los clavos,
las escobas, los relojes, las brújulas,
las monedas, la suave suavidad de las sillas.

Ay cuántas cosas puras ha construido el hombre:
de lana, de madera, de cristal, de cordeles,
mesas maravillosas, navíos, escaleras.

Amo todas las cosas,
no porque sean ardientes o fragantes,
sino porque no sé, porque este océano es el tuyo,
es el mío: los botones, las ruedas, los pequeños tesoros olvidados,
los abanicos en cuyos plumajes desvaneció el amor sus azahares,
las copas, los cuchillos, las tijeras, todo tiene en el mango,
en el contorno, la huella de unos dedos,
de una remota mano perdida en lo más olvidado del olvido.

Yo voy por casas, calles, ascensores, tocando cosas,
divisando objetos que en secreto ambiciono:
uno porque repica, otro porque es tan suave
como la suavidad de una cadera,
otro por su color de gua profunda.
otro por su espesor de terciopelo.

Oh río irrevocable de las cosas,
no se dirá que sólo amé
lo que salta, sube, sobrevive, suspira.
No es verdad: muchas cosas me lo dijeron todo.
No sólo me tocaron o las tocó mi mano,
sino que acompañaron de tal modo mi existencia
que conmigo existieron y fueron para mí tan existentes
que vivieron conmigo media vida
y morirán conmigo media muerte.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Advérbio de modo antes do predicado



_____
Recebi um mail da Su que merece ser postado. Fez-me pensar. Ainda mais depois de sexta. Não tenho palavras para descrever como é bom enxergar certas coisas de fora. E é justamente nesse 'fora' que repousa uma sensação muuuito boa por não fazer mais parte de certas coisas pequenas demais para o que me proponho.

"Não quero defender as relações falidas e que só fazem mal, nem estou sugerindo que as pessoas insistam em sentimentos que não são correspondidos, em relacionamentos que não são recíprocos, mas quero reafirmar a minha crença sobre o quanto considero válida a coragem de recomeçar, ainda que seja a mesma relação; a coragem de continuar acreditando, sobretudo porque a dor faz parte do amor, da vida, de qualquer processo de crescimento e evolução.

Pelas queixas que tenho ouvido, pelas atitudes que tenho visto, pela quantidade de pessoas depressivas que perambulam ocas pelo mundo, parece que temos escolhido muito mais vezes o `nada` do que a `dor`.

Quando você se perguntar: "Do que adianta amar, tentar, entregar-se, dar o melhor de mim, se depois vem a dor da separação, do abandono, da ingratidão?". Pense nisso: então você prefere a segurança fria e vazia das relações rasas ? Então você prefere a vida sem intensidade, os passos sem a busca, os dias sem um desejo de amor ? Você prefere o nada, simplesmente para não doer ?

Não quero dizer que a dor seja fácil, mas pelo amor de Deus, que me venha a dor impagável do aprendizado que é viver. Que me venha a dor inevitável à qual as tentativas nos remetem. Que me venha logo, sempre e intensa, a dor do amor...

Prefiro o escuro da noite a nunca ter me extasiado com o brilho da Lua...

Prefiro o frio da chuva a nunca ter sentido o cheiro de terra molhada...

Prefiro o recolhimento cinza e solitário do inverno a nunca ter me sentido inebriado pela magia acolhedora do outono, encantada pela alegria colorida da primavera e seduzida pelo calor provocante do verão...

E nesta exata medida, prefiro a tristeza da partida a nunca ter me esparramado num abraço...

Prefiro o amargo sabor do `não` a nunca ter tido coragem de sair da dúvida...

Prefiro o eco ensurdecedor da saudade a nunca ter provado o impacto de um beijo forte e apaixonado... Daqueles que recolocam todos os nossos hormônios no lugar!

Prefiro a angústia do erro a nunca ter arriscado...

Prefiro a decepção da ingratidão a nunca ter aberto meu coração...

Prefiro o medo de não ter meu amor correspondido a nunca ter amado ensandecidamente.

Prefiro a certeza desesperadora da morte a nunca ter tido a audácia de viver com toda a minha alma, com todo o meu coração, com tudo o que me for possível...

Enfim, prefiro a dor, mil vezes a dor, do que o nada...

Não há - de fato - algo mais terrível e verdadeiramente doloroso do que a negação de todas as possibilidades que antecedem o `nada`.

E já que a dor é o preço que se paga pela chance espetacular de existir, desejo que você ouse, que você pare de se defender o tempo todo e ame, dê o seu melhor, faça tudo o que estiver ao seu alcance, e quando achar que não dá mais, que não pode mais, respire
fundo e comece tudo outra vez...

Porque você pode desistir de um caminho que não seja bom, mas nunca de caminhar...

Pode desistir de uma maneira equivocada de agir, mas nunca de ser você mesmo...

Pode desistir de um jeito falido de se relacionar, mas nunca de abrir seu coração...

Portanto, que venha o silêncio visceral que deixa cicatrizes em meu peito depois das desilusões e dos desencontros... Mas que eu nunca, jamais deixe de acreditar que daqui a pouco, depois de refeita e ainda mais predisposta a acertar, vou viver de novo, vou doer de novo e sobretudo, vou amar mais uma vez...

E não somente uma pessoa, mas tudo o que for digno de ser amado!"
[Rosana Braga]

E estamos vivos ainda. Nem acima nem abaixo.
Do lado... cuidadosamente.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Ferroado

Ao som de: Duffy: Mercy


_____Uma correria absurda que começou na tarde de sábado, o qual seria meu primeiro dia oficial de trabalho. Foi uma incrível confusão de horários e coisas prá fazer em diferentes lugares da cidade. no meio tudo, um conversa na escada resolveu tudo e eu tive certeza de que ia dar tempo de fazer tudo, pelo menos em termos. Na noite, saí do estúdio e vim pra casa cantarolando um blues. Vi os raios de uma tempestade que estava se armando no céu. Sem me dar conta acelerei mais. A tempestade era minha.

_____E foi mais um show bom, mas que eu toquei com a cabeça bem longe. Pensando no que ainda tinha que fazer. Pensando no que queria fazer. No meio de 'with ou without you' confesso que fiquei um pouco triste. Tem uma parte da letra que diz 'and you give yourself away'. Talvez não seja a tradução correta, mas eu sempre traduzo essa frase como "Então você se dá". E eu percebo que consigo me doar por inteiro a várias coisas que faço, mas não consigo fazer o mesmo com pessoas. Talvez não sehja exatamente tristeza, talvez eu sinta pena de mim mesmo devido a essa incapacidade. Eu poderia até enfeitar esse texto falando que isso é minha naturea e tudo mais, mas seria mentira. Eu não sou assim. É medo de que se repita a mesma coisa que sempre aconteceu quando eu me entreguei para alguém. E também medo de magoar alguém que goste de mim, como normalmente acontece.

_____Eu me divido entre a vontade de ter alguém do meu lado e a certeza de que o ritmo de vida que eu me proponho não é compatível com uma namorada. E não é uma questão de tempo, é uma questão de postura.

_____Todas essas coisas eu fiquei pensando na madrugada enquanto colocava em ordem a bagunça do estúdio. Cansei o suficiente para dormir por lá mesmo, num sofá esquisito mas bem macio. Uma passada rápida em casa de meio dia prá tomar um banho e trocar de roupa: a tarde no estúdio prometia ser no mesmo ritmo da madrugada.

_____E eu começo a entender porque guardo minhas vontades prá mim. Quando falo delas e acabo tendo que mudar os planos, normalmente acontece alguma coisa e eu acabo me sentindo culpado. E, por Deus, há tanta coisa que eu quero fazer.

_____Só que agora, depois de 12 horas num lugar onde um JCM 900 é guardado atrás da porta pra ela ter onde bater e o melhor cachorro do mundo dorme no meio do corredor, eu só quero minha cama. Acho até que mereço dormir.

sábado, 8 de novembro de 2008

Estamos nos entendendo

Ao som de: Gustavo Viegas - Léxico

_____A semana foi complicada. Teve de tudo: emprego novo, terços rezados em latim, vidros estourados, mecânicos que não sabem a diferença entre esquerda e direite, bandas novas, muuuuitas músicas prá serem tiradas, vontade absurda de ficar sozinho. vontade absurda de conversar com algumas pessoas, colo de bruxa, sonhos comigo pulando a janela. As 25 horas realmente estão sendo bem utilizadas. Muitas coisas boas e muitas coisas ruins, mas ainda acho que estou no lucro.

_____E antes de sair para tocar hoje me desejaram sorte. Eu toquei prá 1000 pesoas, dei muitas risadas, vi a galera cantando a maioria das músicas enquanto o batera tocava muito... e ainda ganhei dinheiro prá isso. Ainda acham que isso é ruim.?? Ir para um bar decrépito e beber até ficar insuportavelmente chato e agarrar alguma mina só pq ela tem peito grande é melhor.? Nem argumentei, cheguei na fase na qual eu só sorrio. Eu sei. Estou aqui sentado tomando um capuccino com os pés em cima da mesa ouvindo o cd do Luís. Adoro o meu trabalho.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Frases simples e despretenciosas sobre grandes assuntos.

De vagão e revival não vive o músico.

- Cebola, vulgo Marcelo Mujen.
É autor das melhores piadas sobre o Conan,
um guitarrista meio surdo e um geminiano de extremo bom gosto.
Não necessariamente nessa ordem.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Conversas metafísicas

Ao som de: Se essa rua fosse minha

- Tu já aprendeu que a dor fica repousando na beira do rio, o que te falta aprender.?
Fiquei em silêncio. Sabia que a resposta não podia ser tão simples e que aquilo era um teste para minha arrogância. Finalmente respondi: - Não sei.
- Te falta aprender a se molhar sem reclamar, ela me disse sorrindo.
- Eu ia responder 'nadar'
- Tu realmente quer convencer os outros de que não sabe nadar.?

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Egomet Austro



_____Ao som da saudade de um som que eu não saberia definir. É um barulho de várias corrêias , com cheiro de madeira queimada, um pouco de fuligem, cheiro de verde. Marteladas. Uma serra. Ás vezes milho roubado da roça do Bidi. Barulho de água. Fogueiras enormes com grimpas para comer pinhão. Cheiro de mofo das páginas amareladas de toda coleção do Júlio Verne, de todos os livros. Todos todos todos os livros. O som do balanço no galho do plátano. Eu nunca vou esquecer o barulho do balanço e o melhor carrinho de lomba. Banho de rio. Depois do terceiro eucalipto dá pular que é fundo. Uma fonte com uma caneca azul para pegar água. Um lugar a 30 metros do caos, mas silencioso suficente para ouvir o próprio silêncio. Para ouvir o coração batendo e a alma flutuando.

_____Obrigado pelo mendigo bêbado. Ele foi a melhor companhia para uma garrafa de bacardi e uma carteira de marlboro light em meses. Obrigado pela paciência e pelo silêncio enquanto eu encontrava as respostas. Obrigado pelo amanhecer com chimarrão gelado. Pela paciência. Pelo canto onde ninguém me viu. Por tudo que eu pude aprender com aquele que todos chamavam de Seu Otávio, mas que prá mim vai ser sempre o Zé.

_____Ardala... Bel... a força de vocês foi foda. Meu salve rainha em latim foi prá vocês.

_____Um chá de camomila me fez dormir como criança. E denovo eu me senti pequeno... Nos quedamos todos em paz.

sábado, 1 de novembro de 2008

Ad majora Natus


Ao som de: repertío das bandas novas


- Boa noite
- Como tu entrou aqui.?
- Aquela cerca é uma mentira. E que mundo é esse em que precisamos colocar uma cerca ao redor de uma igreja.?
- Sempre havia um bêbado ou um maconheiro dormindo no jardim. E sempre quebravam alguma coisa. Tu não tem uma cerca na tua casa.??
- 1x0 prá ti. Posso entrar.?
- O que você quer aqui.?
- Eu não estou falando da casa paroquial.
- Por que eu abriria a igreja prá ti.?
- Porque é dia de los muertos e eu não vou encontrar o que estou procurando em nenhum cemitério.
- Tu vai demorar.?
- Não sei, mas pode ir dormir, eu ainda sei abrir e fechar as portas da igreja sozinho.
...
- Não quebra nada.
- Pode deixar, apague as luzes quando sair.
...

_____Eu vi as luzes da cidade entrando através dos vitrais e colorindo meu chão. Lembrei que o vidro é uma forma de líquido. Lembrei do chão frio nas minhas costas. O teto estava escuro demais, eu não conseguia ver nada. Sentei em cima do altar como um criança fazendo uma coisa absurdamente esquisita sem ter noção de que aquilo não é normal. Acabei sentado na escada na frente do altar querendo aprender a ser raposa. E discutindo uma série de coisas metafísicas comigo mesmo. Mesmo sem mar, foi uma madrugada e tanto. Ao ato de contrição colado no confessionário continua lá, orgulhosamente amarelado. As moedas nos olhos do sudário ainda me fascinam. Mesmo ele também tem que pagar seu tributo ao barqueiro.

_____Passei na sacristia para tomar água, mas encontrei algo melhor. Ainda deixei um bilhete para o padre Mário "Tomei um pouco do teu vinho, ele continua divino. Mil vezes obrigado. Por tudo - Do teu eterno coroinha"

_____Saindo ainda rezei na frente do Túmulo do Padre Giordani como quem dá de cara com uma velha foto de um amigo que foi viajar pra algum lugar longe. E antes que as portas se fechassem eu vi a estátua de São Francisco me olhando de cima. Acenei enquanto dizia "hasta luego, Chicão", espero que eu consiga crescer o suficiente para que tu não me olhes mais de cima"

_____No caminho pra casa ainda perdi 20 minutos no revival procurando alguma coisa que eu não sabia bem o que é, mas sabia que não estava lá. Bora pra casa fechar uma defesa e jogar street fighter. A correria vai prosseguir.

_____Eu não quero respostas. Eu só quero saber o que perguntar.