sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Compreender a marcha e ir tocando em frente

     Sete anos que trabalho naquele teatro, várias vezes já enchi os olhos dágua e outras tantas vezes enchi o coração de raiva. Já me senti foda e já me senti um lixo.  É um microcosmo dessa coisa que eu chamo de vida. Ontem, pela primeira vez minha mãe foi lá assistir um espetáculo. Era um shows medíocre pra mim, mas pra ela era algo mais. Consigo esperar ela na porta e sem combinar nada, as pessoas que trabalham comigo tratam ela como se ela fosse a pessoa mais importante ali. Eu finjo que não percebo porque não tenho palavras parar agradecer. Ela entra no teatro vazio e coloco ela sentada quase na primeira fila. Ela não tinha idéia, mas naquele lugar eu podia ficar olhando pra ela escondido na coxia. E assim foi o show, comigo bobo olhando uma senhora de 78 anos cantando músicas da época dela. 

    Gracia por todo. Apesar da relação confusa que temos, eu confesso que gosto quando o Único Acima cuida dos meus. Poderia falar em sorte ou merecimento, mas está claro que a CLT que tenho com ele não contempla essas coisas. De mãos dadas eu saio andando de mãos dadas com o acaso. Os dois amam quando o plano se junta.