segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

O acaso ainda é meu reino

No meio do caos do blues, estou sentado de cabeça baixa conversando comigo mesmo. Sinto alguém sentando do meu lado e mesmo sem olhar eu sabia quem era. A biscate eu conheço  pelo cheiro. 

-eu gosto de te ver no festival.tu caminha diferente aqui dentro. Ela me diz como quem comenta sobre o tempo no elevador.

Diferente como?

- É  fácil ver que tu sabe o que está fazendo e que seguraria esse aquele palco nas costas se fosse preciso.

-E se eu te dissesse que não me importo quase nada com o aquele palco. Mas eu me importo com aqueles dois com camiseta de bloco de carnaval.  Não é  a guerra. Essa merda é  a minha trincheira. eu cuido de quem esta comigo nela do mesmo jeito que tu me via cuidando de cada um dos peões dos meus jogos.

Ela me oferece um cigarro e a gente se escora um no outro. 

Serenidade. 

Eu sorrio lembrando que antes disso ela tinha me dado um tapa na cara sem cerimônia nenhuma. E agora ela me olhava satisfeita com a mesma  naturalidade que havia me olhado com pena depois de me bater. A mão que tudo escreve deve se divertir quando agenda nossos encontros

domingo, 3 de novembro de 2024

Mas errado quanto?

    Escrevi um texto uma vez enumerando coias que eu queria. Mas hoje eu queria apenas me importar menos com os outros. E talvez, mas só talvez, me importar mais comigo. Ainda não decidi sobre essa parte. Tudo vem em ondas, mas nesse mar em específico eu não queria tantas ondas me batendo. Às vezes eu queria passar no RH da firma e pedir desculpas por terem me contratado, mas sigo com a esperança boba de um peão, que torce para que haja uma mão mais sábia mexendo as peças e que, com sorte, me salve dos meus delírios.

    Há tantas fotos que eu deveria apagar do meu celular, tantas coisas que simplesmente deveria deixar para trás. Mas como uma árvore poderia deixar prá trás suas raízes?  Fora que preciso desse rastro de migalhas de felicidade caso eu precise voltar. Não que eu esteja perdido, mas não tenho ideia de pra onde estou indo. Ainda serei sufocado por essa vã esperança de ter para onde voltar, mas se não tenho medo da dor, o que tenho a perder.? 

    Ficaria tudo melhor sem mim. mas só mais nessa vida e na outra. ¿Era esse o trato, né.? Seguimos berrando 'nunca me conceda descansar' não porque não quero descansar, mas porque não sei ser outra coisa. E porque tenho certeza que não mereço. Seguimos com planos fadados a desmoronar por incúria de mim mesmo. Planos para ser o mar enquanto não consigo nem ser água. 

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

A última vez foi em 2011

No fim eu jogo cada partida de xadrez exatamente como eu vivo a vida.
No começo  eu jogo como eu quero.
Depois eu jogo como for possível
Daí eu erro e então passo a jogar como eu consigo, me sentindo um merda.
As vezes eu jogo bem e perco.
As vezes eu jogo mal e ganho.
Sempre acho que deveria ter jogado melhor.
Sempre parece que não sei jogar.



quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Torço para o que o senhor tenha paciência comigo

 Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima

 Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima

Levanta

Sacode a poeira

E dá a volta por onde for possível

domingo, 1 de setembro de 2024

Entre a especulação imobiliária e a volta do Beto Carrero

    Há uns 40 anos atrás eu percebi que as regras que usavam comigo eram arbitrárias. Eu devia ter feito o esperado e começado a usar regras arbitrárias pros outros mas, ao que parece, eu já tinha essa inclinação por não seguir o caminho óbvio. Achei que o melhor era começar a também usar regras arbitrárias pra mim mesmo Na época, mesmo sem saber o que significava arbitrário, eu estava destruindo os alicerces do conceito de certo e errado.

    Agosto, peço desculpas. Sei que não era o que tínhamos planejado, mas foi o que consegui fazer. A cirurgia me deu bastante tempo pra pensar e, dado o histórico anterior, nada de bom poderia sair disso. Eu não queria ir, mas ninguém me perguntou nada. Não que importasse algo, no caso. E acabo percebendo que, além das pessoas que não julgam, eu gosto das pessoas que fazem as perguntas certas. Ambas são tão raras. 

    "Ah, tem uma repetição, que sempre outras vezes em minha vida acontece. Eu atravesso as coisas - e no meio da travessia não vejo! - só estava era entretido nas idéias dos lugares de saída e de chegada. Assaz o senhor sabe: a gente quer passar um rio a nado, e passa; mas vai dar na outra banda é num ponto muito embaixo, bem diverso do em que primeiro se pensou. Viver nem não é muito perigoso?"



domingo, 28 de julho de 2024

É suficiente!

    Uma derrota totalmente inesperada no judo e uma japonesa desaba. Foi cagada dela, mas não muda o desfecho. Eu queria achar uma palavra pra definir os gritos dela, até pq eles estão num idioma que eu sou fluente. A definição de empatia devia ser melhor. Ou deveriam inventar uma palavra pequena, com poucas letras e sem acento pra explicar esses momentos em que a dor de alguém dói na gente mais do que a nossa própria.

 https://globoplay.globo.com/v/12792011/

quarta-feira, 22 de maio de 2024

Um lobo, um feiticeiro e um dorminhoco entram num bar...

    Eu acho até que estava indo bem. as costuras estavam no limite, mas parecia que elas iam aguentar. De novo eu me enganei

    Vilipendiado é uma palavra que eu deveria ter usado, e agora ela fica gritando na minha cabeça. Em alguma língua deve existir uma palavra que defina essa sensasção de que tudo fica muito melhor sem mim. Eu continuo procurando.

Foi por aqui que eu perdi...


Foi por aqui

que eu perdi.

domingo, 28 de janeiro de 2024

Eu ganhei foi tapa na cara

    Eu não deveria estar ali, mas os sinais berram enquanto o acaso vai ajudando. Do nada vem a biscate:

    - Tu já disfarçou melhor a vontade de chorar.

    - Talvez porque a vontade de chorar era menor. 

    E conversamos enquanto eu sabia que ela estava prestando mais atenção no que eu não estava dizendo no que nas palavras. 

    Ela pergunta sobre as costuras já sabendo a resposta. Meu personagem desmorona e os olhos enchem de água. E dessa vez eu não estava perto o suficiente pra fazer ela fechar os olhos com beijo. Não havia como chorar baixinho pra ninguém ver, então eu desisto e choro abraçado nela. Ela não fala uma palavra e dessa vez sou eu que entende o silêncio. Quando eu a solto tomo o maior tapa na cara da minha vida. Penso em revidar mas não era o caso.  Colo ou uma surra.. o que eu sempre pedi pra ela. Acho que ela viu que colo não ia resolver. Com a cara doendo eu lembro pq eu tinha medo dela. E ela vai me jogando palavras que me desmontam. Queria ter força pra odiar ela. Pra odiar o que estou me tornando. 

    O olhar de pena dela machucou mais do mill tapas. 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Não pode chover pra sempre

     Mostrando 3 alfinetes pro sol eu consigo mexer as nuvens, mas os nuances de fazer chover ainda são um mistério pra mim. Era pra serr uma garoa e não um dilúvio. Ser sincero com o próprio coração tem dessas. Mesmo de arrasto, eu vou com o vento.



domingo, 14 de janeiro de 2024

Era pra ser só uma música em 7/4

    Olhei no espelho antes do show e lembrei do meu trablalho. Apagar as chamas pequenas e tornar as grandes ainda maiores. E era o que eu ia fazer.  Entreguei a esperança pro Nico e pedi pra ele segurar. Naquele show com os meus eu podia estar mais bêbado do que deveria. Podia pular mais do que deveria. Podia gritar até a voz falhar, porque os demônios ainda não me ouviram o suficiente. Pensei que estava exagerando, mas é disso pra mais. O diabo teve a parte que lhe coube. Cada um teve. E no domingo, depois de tudo e de verificar se todos estavam vivos e bem, sentei nos pés da cama com o Virgílio. E nós tocamos Shism bem baixinho chorando de alegria, pra variar.



    Justamente por ter visto as peças desmoronarem, eu sei que elas se encaixam. E o Único Acima arece ter o memso problema que o Carlos, e ambos me pagam muito mais do que deveriam.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Cada palavra é um machado que abre um talho nas minhas costas

    Antes da virada do ano o vizinho me deixa a prancha com a mesma cara de preocupado dos anos anteriores. Ele sabe que existe sempre um risco. O céu está nublado e está frio, mas não me importa. Os fogos estouram e eu não ouso erguer a cabeça. Ao meu redor um monte de água salgada se disfarça de firmamento e fica estrelado com os reflexos do céu. Esse sou eu, procurando uma mágica só minha enquanto todos olham para outro lado. O mar está de ressaca mas eu não posso reclamar,  devagar eu tento usar água salgada pra refazer uma costura velha e gasta.  Sinto vontade de rezar.  Não acredito mais em deus, mas sei que onde há fé  também há luz. O céu é se apaga e ficamos nós ali no escuro. Acreditar não é ais tão fácil quanto costumava ser. 

    Uma vez escrevi um texto chamado traição com 3 personagens. Conforme o tempo foi passando eu fui me identificando com cada um dele de forma diferente. O tempo passa e vamos descobrindo nuances para os quais estávamos cegos em outras épocas. Eu sempre disse que inventei o Vento pra me defender do mundo. Mas agora está claro que ele serve muito bem para defender os outros desse ser humano tosco e nocivo que me tornei. 

    Tanto me esforcei pra construir pontes. Devia ter construído um castelo com muros bem.altos e fortes. Pra que nada mais pusesse me.atingir. Agora nada disso importa. Fiquei sem pontes e sem castelo. Restou apensa uma jangada correndo por um rio agitado que corre aqui dentro. 

    E eu estou cansado. Eu quase fui o suficiente. A gente quase conseguiu. E não há nada mais triste que um quase

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Wayward Son

    Incontáveis vezes eu tentei barganhar com o outro lado. Pedi para tirarem a dor de alguém e me deixar sentir no lugar. Porque eu e meus cães de guarda aguentamos. Eu sei que nunca fui digno, que não sou bem vindo na casa de nenhum dos deuses para os quais já rezei. Mas dessa vez, só dessa, eu realmente preciso de uma ajudinha aqui. ¿Algum de vocês podia arrancar essa dor e esse vazio de mim.? Se eu ainda estivesse namorando iria poder perguntar pra ela que diabo de mecanismo físico faz os pedaços de um coração doerem tanto.

    Eu posos reclamar o quanto quiser que não é justo eu  ficar desconfortável pra deixar os outros confortáveis, mas sei que é só uma racionalização inútil para minha inadequação. Ela merece mais e eu não consegui melhorar o bastate. 



segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Patético

    Eu coloco barras de chocolate em caixas de correio como se o mundo fosse bom. Como quem coloca um esparadrapo numa perna amputada. Como se eu não fosse um estrangeiro. Passageiro de um trem que não passa em mim. 

    De todas as derrotas e fracassos que eu tive na vida, saber que ela vai ficar melhor sem mim é, de longe, o que mais me dói.

    E quando os demônios me perguntam se valeu a pena, eu suspiro sozinho. Não conseguiria explicar que valeu uma vida inteira.

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Nada quebra como um coração

    A idéia do veneno vem dessa poesia. Eu lembrei dela enquanto podo uma planta que tem me dado trabalho.

Indiferença

Hoje é só mais um dia triste
Melhor acender o sol pro amanhecer
Daí não vou mais estar sozinho
Não vou mais lutar para esquecer
O céu e as estrelas ficaram em silêncio
Enquanto a Lua foi indo embora
E toda a escuridão que era minha
Só me deixa mais sozinho agora
Mas eu continuo de braços abertos
Quem sabe eu ainda consiga voar
É mais um dia no meu inferno
Mas ainda assim eu vou levantar
E que diferença isso faz.??

Eu vou segurar essa vela 
Até que o fogo queime a minha mão
Eu vou continuar apanhando
Até que fiquem cansados de me bater
Eu vou ficar encarando o nascer do sol
Prá ver se o Sol consegue me cegar
Mas eu não vou mudar meu caminho
Não mudo meu jeito de pensar
Eu vou continuar me injetando veneno
Até o momento em que eu seja imune
Vou gritar toda a minha dor
Até encher esse meu quarto vazio e frio
Mas,
E que diferença isso faz.?

terça-feira, 14 de novembro de 2023

Dado o maldito histórico anterior

    Apesar do freio não funcionar direito molhado, ou talvez justamente por isso, eu gosto de pedalar na chuva. Eu brigo com o frio e com a chuva até chegar um ponto em que eles não podem mais me perturbar. Talve seja uma reminiscência de uma época que eu achava que podia vencer qualquer briga se fosse forte o suficiente para aguentar todas as porradas e se fosse teimoso para levantar de novo e de novo. Eventualmente entendi que podia me esquivar. Que viver de forma que não parecesse vantajoso brigar comigo é uma baita maneira de desviar de brigas inúteis. Que não precisaria de força se tivesse malandragem. E que tomar veneno até  ficar imune me destruiria. E não é assim que eu me destruo. 

    No fim eu  gosto de pedalar na chuva porque não preciso ter vergonha de chorar.  Nessas madrugadas de  frio e chuva que me machucam eu encontro um pouco de paz. Os demônios que tanto perturbam  aqui dentro resolvem sussurar. Não fica mais fácil argumentar com eles, mas quando nem eles é nem eu estamos com raiva, fica menos difícil barganhar, pelo menos. 

    Sei que deveria dormir já que daqui a poucas horas preciso estar operacional de novo. Mas as vezes é tudo questão de um foda-se. Um grande e irrevogável foda-se. Eu queria arrancar minhas asas já que, de novo, elas não são nada mais que um peso morto que arrastarei comigo. Ela era os pensamentos felizes que me faziam voar. Sem ela posso voltar pra valeta, mais convencido do que nunca de que aqui é  o meu lugar. 

    Eventualmente eu devo me consolar, e em algum momento todos os demônios do inferno vão me.ouvir falar sobre esses 4 anos em que eu estive no.paraiso. Mas por enquanto dói. Só dói.

domingo, 29 de outubro de 2023

Palácio de Enfeites

    O eclipse passou raspando e eu fiquei sentado vazio olhando pra Lua, Rindo pq apararentemente só eu sabia que tudo estava meio alinhado no céu. Na madrugada eu lembrei de uma poesia que nunca consegui terminar.


Tu dormes

A cidade inteira dorme

Ninguém.percebe minha dor enorme 

A não ser a lua

Quieta e contraida

Como se de pena até chorasse

Com um.lenco de nuvens sobre a face 

Enquanto eu choro por ti.


    Eu acho que falta alguma coisa. E sigo sem saber com que rima acabar o último verso. 

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Ser discreto se provou ser mais vantajoso do que ser eloquente.

    Cada vez que meu ego tenta me seduzir eu desenho e redesenho uma cruz num caderno velho que tenho sempre a mão. Já furei a página de tanto que risquei, mas assim eu lembro que preciso crucificar o ego antes que seja tarde demais. Eu me sinto iremediavelmente derrotado por largar a música, mas isso é simplificar demais o que não pode ser reduzido a algo tão superficial.  Não posso largar a escala de C#m que toquei infinitas vezes até ela soar como eu precisava que ela soasse. Não posso ignorar o orgulho que sinto me equilibrando entre mágica e técnica quando estou atrás de uma mesa de som. Não teria como fingir que nao passei madrugadas sentado no chão no pé da cama chorando e tocando violão bem baixinho pra não atrapalhar o silêncio. 

    Isso é o palito de picolé do meu castelinho de areia e é mais fácil -beemm mais fácil- morrer do que tirar isso de mim. Mas o mundo me quebrou a tal ponto que cansei de tocar com talaricos e com pessoas vazias e interesseiras. 4 pessoas ruins para 1 boa, em proporção. Fora que o Diabo sabe ser cruel com quem não sabe lidar com ele.

    O fato é que eu não teria sobrevivido ao inferno sem o Virgilio pra me guiar. Eu cheguei muito perto da verdade enquanto ele me carregava no colo e tocava sozinho. A esperança está por um fio, mas eventualmente eu vou me consertar, quando entender na carne que o problema não é e nunca foi a música.

    O problema sou eu. Que surpreendente. Mas sejamos otimistas. Pelo menos vou parar de decepcionar os outros e, acima de tudo, nós mesmos. Assim.como encontrei existe um Virgílio,certamente existe uma Beatriz

"No tengo lo qué me falta, todavía

Y no sé si pueda esperar

Solo me queda esta triste melodía

Y no la puedo cantar" 





domingo, 27 de agosto de 2023

Basta um pouco de felicidade para tudo recomeçar

    Semana passada olhei para um sapato no meu pé e balancei entre desprezo e orgulho de mim mesmo. O que estou fazendo vai me destruir, mas talvez, depois de tudo, com a ajuda dela, eu consiga construir uma pessoa melhor dos escombros que sobrarem. Uma pessoa que tenha o mínimo de aptidão em ser feliz. E que eventualmente se perdoe. E que pare de voar mais estabanado que uma barata em pânico. Semana passada também prometi pro Tiago que iríamos conversar depois da próxima chuva. Porque agosto segue agosto. E choveu. E aqui estamos nós.

    Deu trabalho subir naquele palco fingindo que estava tudo bem. Fiquei divagando coisas sem nexo antes da primeira música. Um palhaço do circo sem futuro abaixado segurando o Virgílio e rezando o pai nosso em espanhol. Fazendo perguntas que já na hora eu não queria saber a resposta. Quando voltei parecia que tinham jogado minha alma de volta no meu corpo. E não foi um arremesso sutil. Num segundo um pensamento passa pela minha cabeça e agora eu vou gastar 3 páginas para tentar explicá-lo. É complicado, mas eu vou tentar mesmo assim. Se não me abro com os outros, me abro aqui.

    A minha mente é orientada pelo esforço, pela ação, obcecada por atividade. Quanto mais ativo eu sou, mais meu ego pode ser realizado, mais eu posso dizer "EU". Esse ritmo frenético é, basicamente, alimento para minha personalidade egoísta. E então eu corro, quase como se minha vida dependesse de estar sempre numa atividade frenética. Não durmo direito, não páro mais. Pode parecer paradoxal, mas quando faço isso até chegar a um exagero extremo onde todo e qualquer movimento simplesmente cessa, a fôrma é jogada fora e uma catarse acontece. E eu vislumbro um mundo que não é feito de esforço. Um pequeno pedaço de tempo e espaço onde me sinto em paz e as vozes na minha cabeça calam a boca. E o palco ainda é o melhor lugar para isso acontecer. 

    Eu poderia falar sobre não conseguir ou não me importar mais em ser invisível em cima do palco, já que me viram chorar. Mas nada disso importa no longo prazo. Amavelmente o senhor me ouviu. Não cheguei nem perto de falar o que queria, mas engatinhar na direção certa parece ser melhor do que correr na errada. Aqui dentro, eu estava acumulando loucura.. Um loucura que que todos nós temos. Ninguém é normal. Por trás da pretensa normalidade, esconde-se um louco, um anormal. E essa loucura perturbava minha percepção, perturbava tudo. Era um veneno que precisava ser libertado para que eu começasse a me sentir em casa comigo mesmo. Termino agosto com o mesmo texto, mas dessa vez, não como uma escusa para ser como sou e sim como um lembrete para que eu me torne bom, apesar de mim mesmo. 

    Eu sou o ar em movimento, a revolução apressada, apoiada no tripé mais forte. A melodia que soa desafinada no contratempo. A memória que discute com o orgulho. O arrependimento e a arrogância que voltam pintados de vermelho na minha hesitação. Sou um problema grande com uma solução simples. Sou uma resposta curta e óbvia. Sou o jardineiro que aprende com as flores. O amigo revoltado do Tempo. O Palhaço do Circo sem Futuro. O publicitário que lembra do juramento, o músico que fala tropeçando nas notas e que busca o silêncio. A testemunha que olha tudo sem se envolver. O ser humano que fica comovido. O anjo que se acha incapacitado para o emprego.

    Eu trabalho com conhecimento e com corações, considerando ambos fundamentais. Evito pessoas pela metade, elas invariavelmente me fazem mal. Posso consertar qualquer coração, menos o meu. Balanço muito, e também me sinto balançado. As pequenas chamas e as grandes fogueiras me conhecem bem.

    Sou o suor e as lágrimas, o medo e a compreensão. A dor e um pouco de alívio. A coragem e um muito de loucura. Sou tudo que posso ser, e ninguém pode pegar o Vento, a não ser que ele queira ser pego. Sou o olhar inocente de uma criança. Meu escudo quebrado e minha espada sem fio. Sou o amor, a fé e a esperança que carrego pendurados em mim. A vida pode ficar melhor comigo, mas você ficará bem menos confuso se não me conhecer como eu sou. Porque, uma vez que a gente se conheça, nossas vidas nunca mais serão as mesmas.

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Tipo peste da fronteira oeste

   É como se, de algum lugar, a mão que tudo escreve percebesse que estou quase quebrando e mandasse alguém pra cuidar de mim. A Dulcinéia me manda uma foto antiga. E ela é  minha melhor balança.  Quanto mais próximo da minha irmã, melhor minha vida está. E tem também esse poço de manias que eu chamo de chefe por cacoete e que me dá água quente e erva mate pura folha como quem coloca no lugar um ombro deslocado. E já na metade da térmica tudo de ruim fica pra trás. Não pedi ajuda e nem ele me ofereceu, mas de alguma forma tudo de ruim fica pra trás. Nas entrelinhas do que conversamos serenos ou dando coices um no outro eu acabo entendendo que o fim de um ciclo é  sempre o começo de outro. Eu deveria querer ficar melhor o tanto que quero que as coisas fiquem melhor pra ele.

    E nada como um dia depois de outro dia. Tem coisas aqui dentro que não tenho mais como consertar, mas tudo isso que me pesa agora tem conserto fácil. É  como o cubo mágico que sempre resolvo, só preciso de tempo.

   Silver tape pro que está preso e não deveria. Enforca gato pro que está solto e não deveria. Pra todo o resto, os meus cuidam de mim muito melhor do que eu mereço.

Gracias por todo, una ves mas.