domingo, 29 de março de 2015

O lugar de onde despenquei....

       Se equilibrar é difícil. Tem sido assim ultimamente. Tirei um som muito bom no meu trabalho. Tá, na verdade ele aconteceu sozinho. Minha senhora me vê. Tenho vontade de abraçá-la pra não soltar nunca. Chamo a mim mesmo de mimado e egoísta enquanto discuto comigo sobre merecimento e uma vontade de beijar. Tudo numa fração de segundo. Estava tudo bem enquanto meu corpo agradecia por eu estar indo devagar (a noite de ontem foi o inferno). Uma música me fez sair correndo. Não sou bom em chorar e ficar invisível fora do palco. Não é fraqueza. Eu simplesmente não me importo mais. Que me vejam chorando, destruído, meio morto e infeliz. Esse sou eu aprendendo a ser não o que esperam de mim e sim o que precisam que eu seja. Esse é um copo vazio de mim mesmo que eu tento encher de vida enquanto me diluo entre drogas e bebida. Eu sorrio por que há alguém aqui dentro que ainda consegue. Enquanto desabo me estendem a mão. Minhas asas doem.Silêncio. Não há paz. Nunca haverá pra mim. ¿Será que um dia vou conseguir não me sentir sozinho a cada passo que dou.? Será que um dia vou conseguir sentir de novo meu coração batendo em vez de apanhando.? 

O inferno não precisa mais de mim. De um jeito ou de outro estamos nos despedindo. 

segunda-feira, 23 de março de 2015

De novo.? Quantas vezes mais.?

     Eu tenho um campeonato de ironias com Deus e apesar de diferença gigante de recursos que cada um tem disponível, é um jogo divertido e, até certo ponto, disputado. Normalmente nos respeitamos enquanto adversários. Mas as vezes ele se passa e coloca na minha frente o que eu mais quero ao preço de uma mentira. E teimosamente eu falo a verdade e me arrebento.

        O Único Acima pode me testar o quanto quiser. Não fui feito pros caminhos fáceis ou pra uma paz morna. Eu quero mais e estou disposto a pagar o preço por ser eu mesmo.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Como tinha que ser

        Eu escrevo poesias em carteiras de cigarro vazias. Poderia escrever páginas e páginas sobre porque e como e quando faço isso, mas não vem ao caso agora. Eu não acredito em coincidências. Coincidência é uma palavra muito pequena pra explicar o trabalho que dá fazer as coisas se encaixarem e funcionarem juntas. Como explicar que eu tenha que ter passado por tudo que passei, tenha feito exatamente o que fiz e fugido pra praia pra dar de cara com uma mulher que escreve em guardanapos. Lembro dela perguntando meu problema. Respondi sem hesitar: "esquizofrenia e um coração burro". Depois de ouvir minha história ela me deu conselhos que soaram muito parecidos com os que o Kiko Mestre me daria. 

        Poderia ter sido muito diferente, mas no meu íntimo eu sei que tudo aconteceu exatamente como deveria ter acontecido. Nada foi coincidência. Eu estou exatamente onde tenho que estar e tudo teve que acontecer como aconteceu pra me trazer até aqui. Só o tempo vai dizer se aprendi as lições necessárias pra não passar por isso de novo. Mas agora, nesse momento, nesse pedacinho da minha vida, eu não me sinto fora do lugar. Vou aproveitar. É só um tomar de fôlego antes de bater as asas de novo, mas ainda assim eu vou aproveitar.


quinta-feira, 19 de março de 2015

Por e dispor

       O mar me viu vazio e me ignorou. Eu sei como ele funciona, ele tem que lidar com tantos vazios que acaba não se importando mais com eles. Em algum momento da minha vida fiz algo parecido.Eu queria ter algo para mostrar pra ele naquele momento, mas era só uma carcaça vazia parada na areia. Não havia força, não havia coragem, não havia tristeza, não havia dor...não havia nada. Fiquei tanto tempo fingindo ser tanta coisa que quando não precisei mais fingir e podia ser eu mesmo, não sabia mais o que era. Entrei no mar considerando a ideia de não voltar.  A morte sempre parece menos terrível quando se está cansado. Escrevi uma frase na areia e, no fim, acabei voltando por causa da frase. Viver e morrer pela palavra. E porque, mesmo não se importando muito comigo, o mar tinha outros planos pra mim que não incluíam me afogar.

Ele falou melhor

Às vezes eu acho as palavras. Às vezes as palavras me acham. 

"Eu sou vários. Há multidões em mim. Na mesa de minha alma sentam-se muitos, e eu sou todos eles. Há um velho, uma criança, um sábio, um tolo. Você nunca saberá com quem está sentado ou quanto tempo permanecerá com cada um de mim. Mas prometo que, se nos sentarmos à mesa, nesse ritual sagrado eu lhe entregarei ao menos um dos tantos que sou, e correrei os riscos de estarmos juntos no mesmo plano. Desde logo, evite ilusões: também tenho um lado mau, ruim, que tento manter preso e que quando se solta me envergonha. Não sou santo, nem exemplo, infelizmente. Entre tantos, um dia me descubro, um dia serei eu mesmo, definitivamente. Como já foi dito: ouse conquistar a ti mesmo." - Nietzsche

Mas...E que diferença isso faz.?


Hoje é só mais um dia triste
Vou acender o sol em mais um amanhecer
Acho que se eu estiver bem sozinho
Não vou mais lutar para esquecer
O céu e as estrelas ficam em silêncio
A Lua acabou indo embora
Devagar a escuridão volta a ser minha
Fazendo com que eu me sinta mais sozinho agora
Mas eu continuo de braços abertos
Quem sabe eu consiga voar
Mais um dia no inferno
Mas ainda assim eu vou levantar
E que diferença isso faz.??

Eu vou segurar essa vela 
Até que o fogo queime a minha mão
Eu vou continuar apanhando
Até que eles fiquem cansados de me bater
Eu vou ficar encarando o nascer do sol
Prá ver se o Sol consegue me cegar
Mas eu não vou mudar meu caminho
Não mudo meu jeito de pensar
Eu vou continuar me injetando veneno
Até o momento em que eu seja imune
Vou gritar toda a minha dor
Até encher esse meu quarto vazio e frio
Mas,
E que diferença isso faz.?

terça-feira, 10 de março de 2015

terça-feira, 3 de março de 2015

Superficial, depressivo, quase bom.. vazio

      Eu queria saber como as outras pessoas pensam. Como elas falam cosigo mesmas. Porque aqui dentro há muitas vozes numa eterna discussão aos berros. Penso que deveria ser mais sábio por conseguir ter vários pontos de vista pra analisar,mas a verdade é que me sinto muito mais perto da loucura do que da sabedoria. Não importa o que eu faça, o que eu diga, o que eu deixe de dizer, sempre haverá um lado meu contra.

       Há uma voz que sempre me fala que eu não sou bom o bastante e minha mão treme quando eu hesito e dou ouvido a ela. Mas sem ela eu seria tão arrogante...Eu já errei por arrogância e por me desprezar demais e sei  que os tombos por desprezo doem menos. Bom, ruim, pior melhor... Nada disso faz mais sentido pra mim. A solidão me liberta de querer a aprovação dos outros.. não preciso mais me comparar com nada e com ninguém.

      Há uma voz baixinha e melancólica que eu sei que é do meu coração. E qdo peço silêncio pra poder prestar atenção nela, a voz deixa de ser uma ferida que nunca cicatrizou pra ser um corte aberto. Na alma. E meu coração fala, e eu desisti de dizer que não dá. Talvez ele esteja certo em insistir, em dizer que se poderia ter sido, ainda pode ser. Ou talvez eu tenha razão em protegê-lo de tudo e de todos. Tantas decepções, tantas mentiras, tantos sonhos destruídos por que assim teve que ser. A verdade é que eu não consigo mais me importar como deveria.

        Há uma voz vermelha de ódio que silencia mais do que fala. Ela queima mais do que diz. Através dela eu relembro toda frustração de ter sido traído, de ter sido enganado e de enganar. Por causa dessa voz eu me preocupo em não machucar os outros, mas é inútil. Sou forjado pra ser sozinho, pra não machucar quem eu gosto. 

      E há a voz do Tiago. Tão inocente, tão esperançoso, tão vivo. Tudo aquilo que eu queria ser e nunca mais vou conseguir.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Sempiternamente

Ao som de Vendettas - Vou embora

      Saindo do meu quarto eu dou de cara com um espelho. Um lembrete gigante do jeito derrotado que levo minha vida. Cada vez que passo por ele antes de sair, sinto meu olhar mudando. A ternura dando lugar a frieza. O sorriso deixando de ser alegre e se tornando irônico. Minhas fraquezas não se transformam em força, mas ficam escondidas e renegadas enquanto eu finjo ser forte. Enquanto o poder mais medíocre de todos me defende: o poder da mentira. ¿Como cheguei a esse ponto? Ser falso para conseguir ser verdadeiro. Sei que um pedaço da minha alma morre cada vez que jogo xadrez com palavras manipulando as pessoas. Cada vez que eu ataco pq percebo que tenho que me defender. Cada vez que eu não me importo por não ter mais nada a perder

        Eu olho pra ela de longe e vejo ela me sorrindo com os olhos. Fazemos isso desde 2003. E aquilo que a gente mais teme sempre pode nos encontrar pelo caminho. Ela é linda, é inteligente, é gostosa e bem humorada. E uma das melhores mentirosas que eu conheço. Me sinto indefeso perto dela desde que percebi o poder dela. Ela tem o poder de não se importar. E ela sabe dizer quando eu minto. Ficar ou não ficar com ela não importava nada. Chegamos juntos no balcão e sem dizer uma palavra tomamos duas tequilas cada um. Senti um arrepio na alma quando ela me olhou nos olhos e perguntou do que eu tinha medo. Dei as costas e tentei fugir. Aquela vaca não teria o prazer de me ver chorando. No caminho ela me pegou pela mão e me puxou pra bem perto. Se ela fosse uma pessoa normal, eu teria paz naquele abraço. Se eu fosse normal...

       - Até quando tu vai ficar errando, se menosprezando e fazendo tudo errado só pra se nivelar com os outros.?? (Achei impressionante mais alguém além de mim chegar a essa conclusão. Ali ela me desarmou.)
       - Eu sou um merda, tu mais do que ninguém deveria ter visto isso. (Fingi humildade, mas ela não acreditou em nada do que eu disse.)
       - Eu me apaixonei  por ti, ela disse  - eu vi ela baixando a guarda e senti o corpo tenso. tinha certeza que ela ia bater forte - Mas tu ficou tanto tempo fingindo ser essa pessoa medíocre  que acabou se tornando ela.

      E então eu beijei ela. Não por vontade, não porque podia. Mas simplesmente porque ela beija de olhos fechados. E aquela vaca não ia me ver chorando.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

E ela tem capuz....

Havia um monopólio na ferraria do Olimpo. Todas as armaduras saíam da oficina do Héfeso. Ele era conhecido por forjar armaduras perfeitas, mas havia algo que todos sabiam. Cada armadura, mesmo sendo perfeita, possúia um ponto fraco. O ponto fraco só era conhecido porquem a usava e a discrição do Héfeso sobre o assunto era igualmente lendária. Era um mecanismo de controle para evitar que os gregos se perdessem na sua tirania.

A minha armadura era mais um símbolo do que uma proteção. O estandarte dos kamikazes que usei quando precisei ser bom e tive medo de hesitar. Medo e hesitação, essa era a finalidade da armadura, esconder meu medo e minha hesitação. O ponto fraco era claro. Bastava me olhar nos olhos e lá estava minha fraqueza esposta e vulnerável.  Era justo e funcional, numa estratégia que sempre se baseou em dissimulação. Depois que vc descobre que pode ficar invisível, não se preocupa muito com o que se passa no seu olhar.

Então o tempo passou e descobri que tenho uma armadura nova.
O ponto fraco dela? É bem simples, ela não protege meu coração. Quando perguntei pro Hefeso o que ele estava pensando quando desenhou, a resposta foi uma sonora gargalhada. Ele não entendeu porque deveria proteger uma coisa com a qual eu não me importo. Ele balbuciou também que ela não era minha de verdade, só estava comigo. E que se eu prestasse atenção no ombro dela, saberia a quem ela pertencia.

E aqui estou eu, racionalizando quase tudo para tentar entender como posso tirar força do fato de estar completamente vulnerável. E tentando não surtar. Acabei entendendo que toda essa situação era o sinal de que deveria encontrar alguém que cuidasse do meu coração, coisa que eu sou visivelmente incompetente demais para fazer. É interessante que depois de tantas mentiras e falsidade eu esteja vendo a verdade como o único caminho. Confiar é minha escolha mas, ela não é fácil. Acreditar é terreno perigo pra quem se acostumou em saber. Amar e ter uma pessoa especial do meu lado torna as coisas mais fáceis, mas... depois de colocar meu coração nas mãos dela, todos aqui dentro sabem que um tombo agora pode ser fatal.

Cuida de mim... dessa vez eu não consigo sozinho.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Dando um tempo da operação verão

Quando a alma sente tesão, a felicidade simplesmente acontece. Em cada detalhe.


terça-feira, 21 de maio de 2013

(G)iiixxxxsss


Felicidade é ter alguém que salve as segundas-feiras com uma frase romântica. É ser de alguém, em alguns casos. Um sentimento de pertencimento. Felicidade é quando a pessoa se perdoa pelos erros do passado e segue em frente sem todas a barreiras que vai se colocando ao longo dos anos. Ser um ícone da canalhice e um blog cheio de mimimis. Gêmeos com ascendente em gêmeos e lua em aquário. Tá tudo explicado nas minhas estrelas, no meu casaco azul que tem o melhor cheiro do mundo nele.

O chimarrão vem amargo, mas ele puxa que é uma maravilha. Pra saber se minha vida está boa, basta me pedir pra fazer um chimarrão.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Se o problema fosse qualquer outra coisa



Antes da segunda sinaleira eu já sabia que a viagem até aqui seria de discussão comigo mesmo. Eu notoriamente raciocino melhor andando a mais de 130km/h. O que já aprendemos é que os outros motoristas não lidam muito bem com coisas se movimentando rápido demais e as vezes eu precisava coçar o olho que insistia em marejar. É difícil ter noção de profundidade com um olho fechado. E eu ia sentindo o cheiro que havia sobrado nas minhas mãos, como que espremendo um último restinho de felicidade. Curva atrás de curva eu me sentia fugindo. Como se eu não soubesse que  fugir não tem nada a ver com localização ou distância geográfica. Como se eu não pudesse ver o remoroso me perseguindo cada vez que olhava pelo retrovisor.

Devo ser o pior mentiroso do mundo. Vivo mentindo sobre pequenas coisas: números, datas, horários, essas coisas que os adultos adoram saber para fingirem que tem algum controle. E de tempos em tempos eu tenho a chance de alcançar o que mais quero ao preço de uma mentira. ¿E o que o idiota faz? Vai lá e insiste em falar a verdade e se arrebenta todo.  E fica se sentindo a bactéria que caiu da baba do cavalo figurante de bandido que morreu no filme. É tão irônico isso. Fazer o certo e se sentir mal por fazê-lo.

Já faz mais de um ano que eu queimei tudo que já havia escrito. Não foi fácil arrancar tudo aquilo aqui de dentro. Não foi fácil me trazer de volta. O fato é que a ferida nunca cicatrizou direito. Na hora eu não percebi, mas mesmo queimando tudo, uma pequena sementinha não queimou. Ela ficou na minha ferida e, ali nasceu um pequeno brotinho. Eu nunca dei muita bola, mas aquela semente foi colocando raízes que agora não podem ser arrancadas. Cada vez que a tristeza vez elas descem mais fundo. Um simples pensamento as vezes muda uma mente para sempre. E agora que eu sei como fugir de verdade, nunca mais vou poder fingir que não sei o caminho.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Manobrar não é tão fácil quanto parece

Ou: Claro que eu não achei o bilhete


Por anos eu escrevi pra ela, e de repente ali estava eu tendo vergonha de escrever na frente dela. Troca-se vinho tinto por 9 textos. Troca-se sorrisos e maionese verde por inspiração. Como se eu não soubesse o que escrever sobre ela. Comida na boca pra que eu não esquecesse de comer. É bom ter algum que me conheça a esse ponto. Mordidas no queixo e eu percebi que não há nada mais inútil do que meu cavanhaque. ¿Estrelas? 5. Nada mais inútil do que tentar ficar longe dela. Ela tem um olho bom para corrigir as coisas. Não vejo coisa melhor que ela possa corrigir do que eu mesmo. ¿Ela vai colocar meus acordes no lugar da mesma maneira que coloca pontos e vírgulas nos meus textos.??

Achei que precisaria dar um nome estranho para a cor, mas a Fiat já fez isso por mim. Azul Trinidad. O que é isso me incomodando.? Ah, tem um grampo de cabelo no meu cabelo.

Nenhum agradecimento seria preciso. Era eu retribuindo uma milésima parte do que ela fez por mim.
E tem mais, eu desisto.  Uma luz da razão para viagem e um hidromel com emoção.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Oblíqua e dissimulada

"Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve." - Don Casmurro

Finalmente isso faz sentido.




quarta-feira, 27 de março de 2013

Carecendo de certezas apesar da certeza das dúvidas.


Discutindo harmonias e dando risadas nas aulas aprendo muito com o que acontece nas entrelinhas. Vejo um professor dizendo que ensinar um gênio ou um aluno esforçado é fácil. Difícil é puxar aquele que não se ajuda. Tornar bom o que é medíocre (medíocre não pejorativamente falando e sim na sua definição - aquele que está na média). Admiro a perseverança dele sem muita inveja. Não escondo que que sinto um certo orgulho por saber desistir das coisas e das pessoas (e tenho minha excessão que confirma isso). Por outro lado, um doutorado em música e de repente você tem o direito de ser contra tudo e discordar de tudo. Aprendo a entender isso. Professores tem que desconstruir o que o aluno não sabe, para que ele possa contruir um conhecimento mais próximo da realidade. Aprendo devagar a não concordar com isso, mas  por simpatia e admiração eu aceito as descontruções cruéis. Funcionam comigo e por isso eu imagino que elas não são tão funcionais. ¿E o que sei eu? Sempre aprendi o que eu queria apesar dos meus professores pra depois chamá-los de mestres. E tem mais, realidade em termos de música não é tão simples e explicável quanto parece. Não é tão matemático quanto poderia se supor. A teoria justifica e suporta acordes que acabam soando horríveis. E acordes errados soam com perfeição onde não deveriam. Teoria e prática são estranhas uma para outra quando ficamos tentando achar explicação pra tudo.

A música não carece de explicações, e explica tanto sem dizer nada. É algo para ser sentido e não explicado.

domingo, 24 de março de 2013

Paula quer batatas



Um sorriso de quem sabe que não é sorte - é competência - e eles se despediram. Péssima semana pra parar de fumar. Péssima noite para decidir não beber. Troca tudo por erva mate. 4 shows, 3 lugares, 2 pessoas. Vem a Vermelha numa livraria. Tempo de menos e ela me dizendo calma. Capuccino com chocolate branco. Pegar no sono em HD. Fórmula 1 bem melhor sem o Rubinho ¿Onde diabos fica Tapejara.? Luis José? Muda a cor de que? Toda ruiva.? Vai timeeee!!! Meu volante copeiro joga contra o time e me coloca no chão de novo. Cruel e libertador. Torres é perto demais, mano. O mar cuida dela mas eu cuidaria melhor. Eu sempre gostei do Yoshi azul. Identidade de Euler e desenhos rabiscados. Um pedaço de sensação ¿Me ensina a ser palhaço.? Como se precisasse... Ando entre gigantes.

"Supõe um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para chegar num lugar onde há batatas em abundância; Se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição no caminho. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria e ousadia da vitória, os hinos, aclamações e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas." - Quincas Borba

E tudo isso sem uma gota de rum, pelo menos pra mim.

terça-feira, 19 de março de 2013

Quase tudo

Eu queria saber desenhar. Desenhar uma montanha bem alta e depois desenhar um bonequinho de palitos carregando um saco pesado montanha acima. Ele ia demorar um a tempão prá chegar lá em cima e ia chegar todo machucado. Quando ele chegasse no topo da montanha ia ficar a noite inteira olhando as estrelas. Prá ele, uma constelação de 5 estrelas marca o que ele entende como casa. E qdo amanhecesse ele ia abrir o saco e tirar de dentro duas asas empoeiradas e sujas. pra colocar de volta nas costas, todo desengonçado. Existe um sorriso que só as pessoas tristes conseguem dar e depois de dar um desses sorrisos o bonequinho ia pular montanha abaixo. Ele até ia voar um pouco, mas sozinho ele não tem a força que precisa pra manter as asas abertas. Mesmo sabendo que não tinha como, mesmo sabendo que o chão era destino certo, ainda assim ele pulou. A queda seria foda e depois do tombo e de se recuperar um pouco (não da dor física porque a dor do corpo é uma piada perto da dor da alma), ele iria levantar e sem ter força de erguer os olhos iria colocar as asas dentro do saco e recomeçar tudo de novo. Mesmo as asas sendo só um emaranhado de água salgada e remendos mal feitos, eram dele. Foram presente da mulher palitinho que ele amava. Ao redor dele haveria uma multidão de palitinhos dizendo que ele não deveria ter pulado, que ele não deveria tentar voar de novo, dizendo que o chão era o lugar dele.  De cabeça baixa ele iria de novo em direção a montanha, com medo, duvidando de si mesmo, duvidando do real motivo de ter ganho aquelas asas que as vezes amaldiçoava por ter lhe trazido tantos problemas. Ele duvidava de quase tudo, menos de uma coisa. Com o mesmo sorriso que só as pessoas tristes conseguem dar, dessa vez com covinhas nas bochechas, ele iria continuar subindo naquela montanha até o dia em que a mulher palitinho com um coração forte voasse com ele. Ou o dia em que a queda fosse demais e ele acabasse morrendo. Os corpos de palitinho são muito frágeis perto das decisões que a alma toma. Ou de um amor que não sabe acabar.

Eu queria saber desenhar, porque não tenho mais palavras pra descrever o vazio que sinto longe dela..


segunda-feira, 18 de março de 2013

O céu e a vontade de comer sorvete.

Demorei pra escrever porque ainda não assimilei tudo que eu li. Qdo me dei conta estava com um sorriso que não cabia em mim, ao mesmo tempo que não conseguia enxergar o monitor direito de tanto chorar. Li e reli a nossa conversa incontáveis vezes. Eu poderia lembrar do dia de ontem como o dia em que meu corpo finalmente venceu uma antiga discussão comigo e me convenceu a dar um tempo de bebidas e cigarros. Em vez disso, vou lembrar que há um coração que me faz forte. Vou me lembrar sempre que o céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu. E vou lembrar que a mulher da minha vida também me ama. E eu nunca mais vou desprezar as asas que ela me deu.






segunda-feira, 4 de março de 2013

Um degrau por vez.


Pouca gente sabe, mas normalmente minhas asas são só uma pilha de escombros que eu carrego comigo em forma de culpa.  Mas as vezes, só as vezes, eu lembro porque tenho elas. Cada vez que meus olhos esbarram no que mais desejo eu fico sem chão. E lembro da bicuda que uma mulher me deu de cima do penhasco para que eu aprendesse a voar. E quando a gente fica sem chão, só pode confiar no céu. Talvez ela tenha percebido antes de todo mundo que eu rastejava enquanto fingia voar e num ato de puro altruísmo tenha decidido fazer alguma coisa a respeito de mim. Pode ter sido o caso dela também me amar.  Ou talvez não seja nada disso, pode ser apenas minhas esperanças embaralhando minha memória e meu entendimento do que aconteceu.

Continuo com a sensação de que alguma coisa está muito fora do lugar, mas sempre que amanhece e eu vou dormir, sei que ela está acordando em algum lugar não muito longe de mim. Esses pensamentos me dão algumas migalhas de serenidade e eu durmo melhor, mesmo não sendo ao lado dela. Acabo me sentindo grato por ter, no meio de toda confusão, alguém que me faz sorrir só por existir. Sei que não há mais volta pra nós e vou seguindo em frente aos tropeços. Sei também que o fato de ter  perdido meu grande amor me tornou um a pessoa melhor depois que repensei mil coisas.  Mas o fato é que minha alma nunca sossegou depois que eu a perdi.

Y no hay dolor que duela más que dolor del alma.