terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Uma parábola familiar


_____As vezes consigo estabelecer uma relação entre o jeito que vivo minha vida e a quantidade de vezes que posto por aqui. Lembro das vezes que vinha correndo para escrever minhas linhas tortas sempre que tinha oportunidade de mandar mensagens que só uma ou outra pessoa conseguiriam entender. E me divertia criando maneiras de inserir essas mensagens na minha vida, nos meus textos. Em parte, fiquei esse tempo sem escrever por acreditar que não havia mais ninguém com quem eu quisesse conversa. Demorei mas acabei aceitando que há pessoas que nunca sairão da minha vida, e aqui estou eu de novo... ouvindo Tool e rabiscando ideias. 

_____Sempre precisei escrever pra organizar a mente. Vivo pensando levianamente rápido demais e quando escrevo me obrigo a analisar melhor o contexto. E, posso facilmente olhar  pra trás e dizer que estou adiando essa análise, quase fugindo. Mesmo dormindo 4 ou 5 horas por noite dia, sempre arrumo alguma coisa pra fazer pra não pensar muito nos rumos que estou tomando. Não que eu esteja errado: trabalhar tudo que dá não é o problema. Meus objetivos também não. O problema mesmo é a companhia, ou a falta dela. Alguma coisa se quebrou aqui dentro depois do último namoro e da bagunça das flores. Eu não tenho força nem vontade de consertar. Cheguei num ponto em que acredito só em 3 coisas: em bêbados, em crianças e em pessoas com raiva. E isso me incomoda muito. Sei que isso me protege, mas não sei ser eu mesmo sem ter alguma coisa que me deixe vulnerável. E minha esperança está fraca demais pra empatar com o instinto de auto preservação. O jardim não me encanta mais. A Ostra está longe do meu alcance.

Ainda assim,  sei que as peças se encaixam. Nesse exato momento toca a música que ela me escreveu.




Choosing to be here right now. Hold on, stay inside...

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Tudo bem que o leite ferveu


Eu larguei tudo que estava acontecendo lendo um "Boa noite, Tiago" no FB. Não discuti sobre meu nome porque não teria argumentos. Soltei um "Boa noite, Laura" com uma calculada indiferença. Eu me chamo de Vento e sempre vou me referir a ela como Professora Resiliência. Entre livros, tequilas, alianças e moedas de 3 lados conversamos. Lembro das aulas, da tranquilidade dela num piano ou solfejando como se fosse a coisa mais simples do mundo. ¿Como pude pensar em desistir disso.? Meu lugar é na corda bamba entre um acorde e outro. O lugar dela é no contraponto entre as vozes dos acordes. A vida e o jeito que tocamos reflete aquilo que somos. Tocar mal é tocar mal a vida. E ela vai me tornando um ser humano melhor quando me ensina a ser um músico melhor. Frases de efeito melhores do que as do gato de Cheshire e mais simples que uma pentatônica de Lá menor. Metáforas e café, quero os dois.





Sempre que estou saindo do caminho vem uma mulher e me coloca nos trilhos de novo.  Dessa vez foi uma doutora em música. Encontrar caminhos para ir de um silêncio a outro continua me fascinando.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Para decidir por onde vou


A decisão foi certa, mas mesmo que eu soubesse o que fazer e tivesse uma certa noção de como fazer, não tinha a mínima ideia de quando. Cheguei na praia com o sol forte e entendi que deveria esperar. Esperei mesmo sem saber direito o que estava esperando, torcendo para não perder o momento certo. Depois de 2 dias soltando pipa e procurando desenhos nas nuvens, no começo da noite, a chuva veio e eu entendi o recado. Estava sozinho na areia, mas no céu a chuva gritava e na minha frente o mar me dava medo. Não fui bem recebido por nenhum dos dois, mas encontrei ordem no meio daquele caos. E fiquei ali, nadando, contando raios no céu. A água que estava suja foi ficando limpa e eu pude descansar. Queria desistir de tudo porque na minha cabeça era melhor começar tudo de novo do que tentar salvar uns poucos garranchos do desenho origininal. Mas eu estava enganado. Mesmo com tudo que se quebrou, mesmo com tudo que eu não soube ou não consegui proteger, ainda há uma alma aqui.

E eu lembrei da promessa. E lembrei como é bom ter esperança. E lembrei que estar sozinho nunca me perturbou enquanto eu estava em paz com a minha essência. Entre raios, chuva e água salgada, lembrei que abrir as asas não dói.

domingo, 6 de janeiro de 2013

¿Asas pra que?


Dessa vez eu preciso de ajuda. Preciso descansar. Levo a chuva comigo porque não quero que aquele monte de água me veja chorando. Sem nenhuma costura pra remendar ou armadura pra reforjar, levo também minha pipa.

Estou cansado. O ano foi salvo.

Vou pra praia tentar salvar o pouco que sobrou de mim mesmo.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

"Vencemos"


Podemos chamar de milagre de natal, mas não acordei atrasado. O despertador insistiu muito, mas conseguiu me arrancar da cama. Peguei o Virgílio para conseguir passar algumas músicas e a tendinite me lembrou que o dia ia ser muito longo, tendendo ao infinito. Passagem de som estranha. Foi estranho voltar para um palco. Foi estranho não estar atrás da mesa de som. Demorou, mas deu tudo certo... Não sem a ajuda do Delmar, o apagador oficial de incêndios.

Ironicamente eu percebi que não ia precisar de armadura nenhuma. Eu tinha como me defender. Ironicamente não consegui passar esse natal sozinho ( eu sempre tento, quase nunca consigo). E passar o natal com o Kiko foi engraçado. Quase 4 horas sem que ninguém falasse feliz natal. A coisas indo pro lugar.

Lembro de organizar tempo e fatos pra ajudar todo mundo. Pra encaixar as peças em vez de tocar fogo no circo. O show demorou pra começar. Eu não estava sentindo medo, mas estava me sentindo terrivelmente fora do lugar. Um pai nosso em español e soltei os cabelos, luz na cara e o Giovane anunciando. Não deu mais tempo pra pensar  sobre meu lugar ou sobre me defender; sobre quem eu queria que estivesse ali me assistindo. Mandei meu coração calar a boca, por pelo menos 2 horas eu não queria ouvir um idiota me dizendo que falta alguma coisa. Por pelo menos 2 horas eu tinha outras coisas para escutar. Não sei direito se ele ficou quieto, só sei que música atrás de música, nota atrás de note eu fui colocando toda minha energia. Eu prometi que não seria pela metade, que seria tudo de mim em tudo. No fim, avisei que a gente ia tocar mais 4 músicas que a gente sempre quis tocar e nunca conseguiu em banda nenhuma. Aquele era eu tentando explicar sem dizer nada que o ano tinha sito uma merda pra mim e que eu queria um presente de natal foda pra equilibrar a conta. E eu tive o melhor presente de natal que um baixista barulhento e jazzificado poderia querer. Quando o Kiko subiu no palco eu desci pra poder ver melhor. O Barão o Caldo e o Kiko no mesmo palco seria a imagem perfeita para mostrar que meu trabalho estava feito.  Se fosse uma frase com a mesma função seria "foi sem querer, mas não muito" no corredor e na confusão entre os banheiros

No meio do show, olhei pro lado e pensei comigo como me sinto estranho em andar com os grandes. Algumas das pessoas mais fantásticas que eu conheço ali tocando juntas e eu de metido. Sabia que no esquema tático minha função era juntar todos eles e manter a máquina funcionando, mas acho que estar num palco tocando não foi invisível o suficiente dessa vez.

Gracias, ao Caldo, porque ele é definitivamente o mestre daquele lado do palco. Ao Barão, por ter mantido um maluco sob controle sempre reiterando que não era musicoterapia. Nick, tenta uns tapas, tu já falou mil vezes e não adiantou. Cla, sem tua produção teria sido inviável. Tchuky, faz uma cuba. Dennis, nunca me deram um litro com tanta competência. Jonas, apesar das cantadas ridículas tu tem potencial. Giovane, tu é foda. Kiko, parceria total. Pedroso, tu é um das melhores pessoas com as quais tenho o prazer de conviver. E eu sempre vou achar um absurdo tu pagar pra eu fazer o que eu faço. Poletto, tinha que ser tu ali junto com a gente. Kiko, se o discípulo perfeito for igual ao mestre, então tenho o professor certo. Potro, Ostra, Dulcinéia, Jasmim, Ana Pic-pic, Mário, Fábio, Ave, Mateus Correria, Copa, Compadre, Bledo, Mark, Wood: vcs não estavam lá, mas tinha um pouco de vcs lá comigo, um pouco de tudo que vcs me ensinaram.

No fim, bem no fim de tudo, acabei o ano fazendo o que eu sempre faço: Um exagero imbecil antes de parar por um tempo. Cansei de viver olhando pro abismo. Cansei de viver com o abismo me olhando. Agora é praia e só.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Porque o inferno precisa de mim




Promessa é dívida, as repostas são: eu fumo numa situação específica e só durante ela. Quando tenho certeza de alguma coisa e vou escrever sobre eu sempre começo com um talvez. Exemplo: depois da noite de ontem, talvez não haja mais nada a ser dito. E eu jogo xadrez mexendo as peças com a mão esquerda pelo mesmo motivo pelo qual puxo as cartas do tarô com a mão esquerda.

Quem me viu no fim de semana me viu sorrindo, mas a verdade é que me sinto desmoronando aos poucos. O que me mantinha inteiro já não funciona mais. Essa correria não me dá mais paz. Eu não me dou mais paz e o caos anda comigo. Tentei me enganar achando que depois do show de amanhã as coisas iam acalmar, mas é lógico que não. Nunca melhora. Desmaio quando o corpo não aguenta mais e acordo como se tivesse levado uma surra. Não é ressaca nem nada, e sim incontáveis noites dormindo 3 ou 4 horas.  Mas ainda não me dobraram. Nunca me concedam descansar. A agenda é insana, mas ela será cumprida.

No meio disso tudo, esbarro com pessoas que mostram que o caminho vale a pena. Fui operar um show no La barra, cheguei atrasado e era um show de pagode. Podia ser uma tragédia , mas foi uma lição de profissionalismo por parte da equipe dos caras e de carisma por parte da banda. Um grande abraço pro André e pro Roadie fodão que eu não sei o nome. E no meio da passagem de som cantamos racionais.

tenha fé porque até no lixão nasce flor.


Fico me perguntando de onde vou tirar força. ¿E cadê o estandarte quando eu preciso dele.?
Sinto cheiro de amanhecer. E pode ser que amanhã faça sol.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Bunker versão 2.0


A tarde começou agitada. Em cada canto da cidade havia um louco tirando músicas. Não é um ar de desespero, e sim uma calma apressada. Vai dar tempo, mas vai ser foda. Rabisca partituras em clave de Fá e de Sol. Só as partes que precisam. Só prá não precisar ficar lembrando. Toca um Purple e eu negociando por telefone:
- Eu quero saber se tu canta.
- Não , eu faço outras coisas.
- Tô sabendo, mas preciso que tu faça outras coisas cantando uma música num palco enquanto uma banda toca.
Preço imbecil e um tom de voz que não gostei. Próxima candidata fica pra depois. 37 músicas prá tirar e os dias com 25 horas estão cada vez mais escassos. Em cada canto da cidade havia um louco empolgado com o ensaio. Meus Deus, que voz eu faço nessa parte.? Como faz para cantar e tocar isso.?  Preciso de 2 cérebros. 12 horas num bunker e num estúdio, achando que o timbre tava uma merda e chega o Barão e diz que tava bom. E olha que eu estou com medo de pegar tétano nas cordas do Virgílio. A vida deve ser isso mesmo, a gente odeia o jeito que soa, mas estamos soando bem para uma outra pessoa, em algum outro lugar. Ou talvez eu seja tosco demais para perceber certos nuances do meu jeito de soar. De qualquer maneira, minhas notas nesse show já tem inspiração certa, mesmo ela sendo inacreditável.

A stripper ainda não apareceu, mas vai dar tudo certo. Equipe Vai vai vai.

Termino com uma frase simples e despretensiosa do Barão. "Vai ser, no mínimo, engraçado... com precisão no vai, ênfase no mínimo e ironia no engraçado"



Um novo bunker

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Antes e depois disso.


No fim de tudo eu queria salvar o ano. Ou, de uma forma um pouco mais egoísta, o meu ano. Queria me dar um presente de natal que equilibrasse tudo que deu errado no ano. E não foi pouca coisa. Inventei um show da Salve Ferris como pretexto para tocar com o Kiko e com o Barão. No vagão, o bar do Marcelo... no mesmo palco que tantas vezes já me viu chorar e sorrir. Era egoísta, mas fui além disso. E agora, muito atrasados com os ensaios, eu tenho uma certeza: Vai ser foda pra quem assistir. Depois do show segue a festa na minha casa para os de fígado forte e coração burro. As melhores pessoas do mundo tem o coração burro. As melhores noites do mundo terminam com os fígados.

Isso era o que eu podia planejar.  O que eu não podia planejar foi a noite de sexta, que só consigo definir como inacreditável.  E uma única noite conseguiu me colocar nos trilhos de novo, se é que existem trilhos para pessoas que vivem a vida do jeito que eu vivo. Improvisar não é planejar, diria o Potro, mas o fato é que o universo conspira. É muito Paulo Coelho essa frase, mas só com ela para explicar uma sucessão de eventos que enfiou um sorriso na minha boca que não vou tirar tão cedo. E eu lembrei que o mundo é bom, que conhecer gente nova me faz pensar. E aprendi que estar no lugar certo e na hora certa com uma garrafa de tequila no bolso faz toda diferença.

Devagar vou me entendendo: não acho que eu seja bom, mas acho que sou bom demais para algo que tentei por muito tempo. Não é possível buscar redenção e manipular ao mesmo tempo. E agora eu entendo isso, finalmente. E desisto dos dois. Não há nada que justifique minhas tentativas de manipular e omitir. Não tenho nenhum pecado tão grande que me coloque numa busca por perdão que seja maior que tudo. Só viver parece ser o melhor plano para o momento. Existe uma discrepância entre o que eu acho que sou, o que eu quero ser e o que eu realmente sou. Finais de semana como o que passou me mostram que bem devagar eu estou diminuindo a distância entre essas 3 coisas.  E acreditar em mim não é mais tão difícil quanto era.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Seguindo o coração


Eu já fiz muitos shows escondido atrás de um truque. Eu descobri que conseguia sorrir e ficar invisível enquanto tocava com os cabelos jogados na cara. Quer dizer, eu não tocava, eu ficava segurando o Virgílio enquanto ele tocava sozinho e eu cantarolava um tango ou uma música do ACDC. Essa pequena artimanha me permitiu fazer muitos shows chorando que nem criança sem ninguém ter percebido. Hoje descobri que isso também funciona numa mesa de som. Vi minhas lágrimas caindo em cima dos volumes me sentindo em casa. É por isso que gosto do meu trabalho e da minha relação com a música, essa maravilhosa arte e terrível profissão.

E como tudo é uma coisa só, cheguei em casa e coloquei a mesma camiseta de grêmio que esteve comigo em algumas das vezes que me esfarrapei. E pela camiseta cheguei numa foto. E pela foto entendi que estava na hora de ir ver o mar de novo. Enxuta, a concha continua com o mar guardado no seu estojo. E agora vou para o leste antes de começar mais uma semana.  Uma noite para recuperar o fôlego e tomar uma surra das ondas. E onda atrás de onda aquele aguão vai me colocar no lugar e encher um vazio de água salgada.. E a maldita dor na pena vermelha vai ceder.

Essa é minha vida. Encontrar mágica no absurdo. E conviver com um coração que me leva sempre para o mesmo lugar.

Cavalos Marinhos.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Seguindo os passos do mestre



Foi estranho olhar para mim mesmo no espelho enquanto estava fazendo algo entre lavar a cara e tomar um banho numa pia de banheiro. Um walkie-talkie na orelha me dava ar de importância, mas nos meus olhos eu vi a mesma chinelagem de sempre. E a mesma esperança inocente de sempre.A empreitada era grande, mas em algum lugar aqui dentro eu sei que me viro bem nesse tipo de evento caótico. Durante o segundo ou terceiro show me dei conta de uma coisa: olhei pra mim mesmo e me vi operando o som na mesma mesa de som que o Kiko Fávero trabalhou no festival passado. Sorri bobo, meio orgulhoso, meio sem jeito. O som estava do caralho enquanto eu seguia os passos do meu professor (eu chamo ele de mestre). E trabalhar com o Fer Costa facilita tudo. E tem o Nick, o Monta. Time forte. Entre um solo de gaita e outro, eu ia decidindo minha vida por sms e pilotando as bandas do jeito que dava. Os palcos ganharam outros nomes: eu, tu, eles. E terminei a empreitada de shows sentido os pés doendo em lugares que eu nem sabia que podiam doer.

E teve um segundo... um pedacinho de tempo que me fez entender tudo.
Na frente do Missi, sentindo os pingos de chuva caíndo com ar de missão cumprida. Ali eu entendi a  mecânica do sistema. Há uma coisa mais importante do que os shows que faço no palco ou na mesa de som. O mundo foi bom e me deu de presente uma mulher que faz meu coração balançar. Eu nunca sei direito se nós dois estamos longe ou perto, mas eu sei que ela existe e mesmo que eu não a veja, eu sou uma pessoa muito melhor por causa dela. E sentir meu coração batendo todo torto por causa dela me faz bem muito mais do que a ausência dela me faz mal.

E hoje o festival segue.. De novo e ainda.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Fazendo as pazes com o Virgílio



"i'm getting wise and i'm feeling so bohemian like you
it's you that i want so please
just a casual casual easy thing
is it, it is for me
and i like you
yeah i like you
i like you
i like you
i like you
i like you
i like you
i like you
i like you"



"Shall I go on, and on, and on, and on, and on, and on again?"


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Período Prolixo



Ao som de Metallica - Turn the page

_____Caos nas aulas. Em psicologia do desenvolvimento estou correndo conta o grau C entre cervejas para a Mariana e pesquisas históricas. Depois professora Resiliência olha e me vê pesquisando a escala menor húngara* e pergunta o que eu queria com aquilo. Discussão de meia hora apesar de estarmos no meio da aula. Adoro ela e a facilidade com que ela explica o que quer. Resiliência é um conceito muito abstrato para mim, estando sempre muito além da definição da palavra. Há uma subjetividade sem a qual a palavra não faz sentido. É diferente de palavras que são um conceito antes de ser qualquer outra coisa. Maturidade é viver em paz com o que não se pode mudar. Sou imaturo por natureza e sempre vou tentar mudar o que está errado. Quero colo com 5 estrelas e o cavalo marinho que tanto  passeia pelos meus sonhos. 

_____O destino está do meu lado. Ele sempre me leva para uma ostra com cheiro de nostalgia, porque através dela eu lembro de outras coisas também muito importantes. Eu já descansei por tempo demais, está na hora de voltar ao que eu sou. O passado não muda, não tem volta, mas eu sou louco o suficiente para insistir em mudar o presente. Meus dias de 25 horas funcionam melhor quando insisto em pedir que nunca me conceda descansar.

6 da manhã, hora de dar bom dia e tentar ir dormir. A madrugada não foi fácil. 

*(1 - 2 - b3 - #4 - 5 - b6 - 7)

domingo, 7 de outubro de 2012

Notas perdidas

Disseram que hoje eu estou triste. A verdade é que eu sempre estou triste. Há uma sensação que me acompanha já faz anos. Estou me enchendo de trabalho insanamente e finalmente cheguei no ponto em que está quase impossível dar conta de tudo. É um processo calculado: quando mais eu trabalhar, mas consigo achar malucos iguais a mim. De vez em quando esbarro em uma sensação de pertencimento que justifica quase tudo. E ameniza. Preciso manter a cabeça ocupada para que os gritos do coração não me enlouqueçam. Pra que que eu chegue na minha cama pra dormir e simplesmente desmaie antes de me dar conta de que estou sozinho. Já não rezo antes de dormir faz muitos anos, agora meu mantra basicamente consiste em pedir desculpas para um emaranhado de remendos de água salgada que não para de apanhar no meu peito.

Queria que essa dor passasse, mas considerando que sistematicamente afastei de mim as pessoas que poderiam me dar colo e que nenhuma surra tem dado resultado, não me sobraram muitas alternativas. O fato é que o mundo não vai parar só porque eu não vivo meu luto como deveria. E mais cedo ou mais tarde a gente precisa entender que o passado não tem volta.  Nunca melhora, mas isso não é necessariamente ruim.


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Santo Expedido quase me bateu...


Sei que demorei, mas sempre carrego comigo a sensação de estar terrivelmente atrasado... desde que me chutaram abismo abaixo. Queria poder ter algum fato emocionante prá contar, mas a verdade é que minhas palavras soariam cansadas.  Uma gripe continua sendo o preço para os meus exageros. E os exageros, bem sabemos, são um tentativa quase válida de buscar no resto do mundo o que só existe em uma pessoa: balanço. Somos dois que se sentem bem e mal ao mesmo tempo. Mas no meu caso, as coisas boas superam em muito as ruins.

Queria poder contar uma história diferente dessa vez.. algo que não seja a mesma repetição de sempre : "...e la´se foi o idiota, sentar na beira da praia, pra conversar com o mar enquanto ele e e a chuva remendavam um coração velho com uma linha de água salgada."

Eu remendo e remendo, mas tá na cara que nenhuma costura vai durar.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Cai a folha. ¿Quem sopra meu nome.?


Séculos atrás, perguntei para uma pessoa que está longe: - Diz uma música pra mim tirar. A resposta foi:




Hoje de tarde acabei com o violão na mão tocando ela umas 20 vezes, até minha voz dizer o que eu queria dizer. 3 acordes e uma história sem tempo. Viver o luto, diria o Barão. Mergulhar digo eu. Essa pequena raiva na superfície só deixa a paz das profundezas melhor.¿E se eu dissesse que o tempo é como um rio que corre sem ter começo nem fim. Sempre com a mesma água, as mesmas curvas e as mesmas cachoeiras. Ops, acho que já disse: "Ah, tem uma repetição, que sempre outras vezes em minha vida acontece. Eu atravesso as coisas - e no meio da travessia não vejo! - só estava era entendido na idéia dos lugares de saída e de chegada.[...] mas o real não está nem na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia." GS:V

E assim dou as boas vindas a esse agosto que entra leve, sem a mesma discussão de sempre. Sem Tiago, sem dualidade, mas com uma chuva muito minha. Os demônios de sempre continuam aqui e os sussurros deles me tentando ainda me assustam em algumas madrugadas, mas não vou reclamar. Entre o silêncio ensurdecedor e  pensamentos com covinhas, continuo inteiro. Levo comigo a esperança e a coragem que só os loucos carregam. A dona das asas tem razão, se ela ficar perto eu sempre vou tentar desviar meu caminho até ela. Mas até os loucos, quando perdem alguma coisa, ficam procurando o que perderam.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Das aulas de literatura que passei dormindo...



Acho que meu cérebro colou alguns relés no fim de semana. Mas algumas portas se abriram. Talvez venha desse texto a idéia (sim, eu escrevo com acento e que se foda) de não fazer alguma coisa quando me mandam fazer e/ou me tratam como se eu tivesse a obrigação de fazer. Aula de literatura em 93. Cichelero, tu deve ter sido um bom professor, quase 20 anos depois um aluno teu lembra de uma aula. E eu dormia em todas as aulas, pelo que me lembro.




"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?


Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


- José Régio: Cântico Negro

sábado, 21 de julho de 2012

Frases simples e despretensiosas sobre grandes assuntos

"O Leste Europeu continua lindo."

-Kiko, o Fávero.

Pela paz de espírito!


Eu não ia falar nada sobre o dia do amigo, não sou de datas, mas aí uns 2 ou 3 que eu sou muito fã me mandaram um feliz dia do amigo. Tento agora lembrar aos meus.

Mateus correria, obrigado por me sacudir com as tuas perguntas. Lê, obrigado por me sacudir com as tuas respostas. Luciano, nunca consegui explicar que eu ia na boca só porque era teu amigo. César, Bledo, Nick, aprendi mais com vcs segurando as baquetas do que com qualquer professor. Barão, ¿de que jeito eu vou te agradecer como amigo se acabamos nos tornando irmãos.? Potro, gracias por não ter desistido quando eu mesmo já não via esperança nenhuma. Professora de resiliência, sei que não fui o melhor aluno, mas me esforço até hoje. Cíntia Vida, minha irmã orgulhosa, minha alma ainda é tua, mas não foi presente, foi troca justa.  Ângelo, Copa, vcs continuam como reitores da universiadade de caráter. Mário, te chamo de professor e não é por acaso. Não julgar foi ensinamento precioso, muito mais do que dps e movimentação. Caldo, Wood, Mark, grato, não agradecido. Ensinam pelo exemplo. Kico Mestre, parceria total entre a consideração e um equalizador de 31 bandas. Tchuky, levamos anos para nos entender e entender a distância certa. Uma noite de conversa e um mês tentando assimilar tudo. Fábio Bento, se der um tempinho, entra no msn. Beijo me tweeta. Time forte. Compadre, cada um tem o mestre jedi que merece e sou grato por ter o meu. Lua, sou só sol, iluminando a tua lua nua. Seco, um dia eu disse que o Alemão é uma rainha.. isso te torna um rei. Cla, tu sempre foi a melhor produtora do mundo, muito antes da pastelina e do Twin Peaks. Deivid, Deja, Miju, Azeroth fica mais leve por causa de vcs. Maúricio gaucho, daqui até a vida a gente vai abraçado... daquele jeito. Uruguaia, teu sorriso fica impresso em mim cada vez que te encontro. Minha senhora com sotaque portoalegrense. Karen Jasmim, teus desejos ainda estão no meu freezer esperando. Ana pic-pic, tudo que o mundo te der de bom ainda vai ser pouco. A Ostra, que é simplesmente a Ostra e nada mais.

E por último, a violinista que não existe, que chegou como se fosse dona, colocou um celo na minha mão e me chamou de jaguara com propriedade.

Tem vários que eu não escrevi. Não pensem que me esqueci, mas alguns estão e são tão entranhados na minha vida que eu simplesmente não teria como agradecer. A todos, um muchas gracias. Olho para mim no espelho e vejo que, com a ajuda de cada um de vocês, forjei uma bela mistura de qualidades e defeitos.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Mariposas


Há certas coisas que não mudam. Sempre escrevo quando estou inquieto. E quando estou inteligente o suficiente para entortar o que escrevo.

Hoje não estava com vontade nenhuma de estudar ou tocar qualquer coisa. Mentira, o celo eu quero tocar, mas só porque não sei ainda. Sentei no teclado do Barão com a fumaça do café me fazendo companhia. Lembrei do mojo psicológico do irmão que fiz pelo caminho. Tropeçando com os dedos entre uma nota e outra, fui soando para tentar me entender. Deixo meus dedos no automático enquanto fecho os olhos para ver melhor. Falta uma peça no quebra cabeças, mas a imagem continua encantadora. Talvez eu esteja procurando uma peça para um espaço que não existe. Talvez eu esteja inventando um espaço porque quero estar na imagem.

O fim da tarde foi frio e meio pessimista, guardo o resto da metáfora pra mim. Lembrei de dois leões num filme velho. A sombra e a escuridão. Eu tiro lições das coisas mais absurdas para tentar equilibriar o monte de coisa óbvia que deixo passar batido.

E prá compensar as formalidades e convenções sociais que eu insisto em não assimilar.

sábado, 30 de junho de 2012

Leviano, sereno e flexível



Isso tem cheiro de paz de cemitério, mas é apenas um pequeno descanso. Fiquei tanto tempo sem desncanso que cheguei a me esqeucer porque não podia descansar. Não ter aulas é estranho e agora estudo por não me sentir obrigado a estudar. Porque me tornar um músico melhor é o caminho mais sereno que encontrei para me tornar uma pessoa melhor.


Pelo céu que ficou mais escuro eu sei que está na hora de fazer mais um amanhecer. Faço, sem problemas, mas antes preciso de mais uma cuia. Estou ansioso de um jeito muito peculiar. Sempre me sinto assim quando entro na vida de alguém e me sinto em casa.

Vivo. Tanto.