Finalmente isso faz sentido.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Oblíqua e dissimulada
"Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve." - Don Casmurro
quarta-feira, 27 de março de 2013
Carecendo de certezas apesar da certeza das dúvidas.
Discutindo harmonias e dando risadas nas aulas aprendo muito com o que acontece nas entrelinhas. Vejo um professor dizendo que ensinar um gênio ou um aluno esforçado é fácil. Difícil é puxar aquele que não se ajuda. Tornar bom o que é medíocre (medíocre não pejorativamente falando e sim na sua definição - aquele que está na média). Admiro a perseverança dele sem muita inveja. Não escondo que que sinto um certo orgulho por saber desistir das coisas e das pessoas (e tenho minha excessão que confirma isso). Por outro lado, um doutorado em música e de repente você tem o direito de ser contra tudo e discordar de tudo. Aprendo a entender isso. Professores tem que desconstruir o que o aluno não sabe, para que ele possa contruir um conhecimento mais próximo da realidade. Aprendo devagar a não concordar com isso, mas por simpatia e admiração eu aceito as descontruções cruéis. Funcionam comigo e por isso eu imagino que elas não são tão funcionais. ¿E o que sei eu? Sempre aprendi o que eu queria apesar dos meus professores pra depois chamá-los de mestres. E tem mais, realidade em termos de música não é tão simples e explicável quanto parece. Não é tão matemático quanto poderia se supor. A teoria justifica e suporta acordes que acabam soando horríveis. E acordes errados soam com perfeição onde não deveriam. Teoria e prática são estranhas uma para outra quando ficamos tentando achar explicação pra tudo.
A música não carece de explicações, e explica tanto sem dizer nada. É algo para ser sentido e não explicado.
domingo, 24 de março de 2013
Paula quer batatas
Um sorriso de quem sabe que não é sorte - é competência - e eles se despediram. Péssima semana pra parar de fumar. Péssima noite para decidir não beber. Troca tudo por erva mate. 4 shows, 3 lugares, 2 pessoas. Vem a Vermelha numa livraria. Tempo de menos e ela me dizendo calma. Capuccino com chocolate branco. Pegar no sono em HD. Fórmula 1 bem melhor sem o Rubinho ¿Onde diabos fica Tapejara.? Luis José? Muda a cor de que? Toda ruiva.? Vai timeeee!!! Meu volante copeiro joga contra o time e me coloca no chão de novo. Cruel e libertador. Torres é perto demais, mano. O mar cuida dela mas eu cuidaria melhor. Eu sempre gostei do Yoshi azul. Identidade de Euler e desenhos rabiscados. Um pedaço de sensação ¿Me ensina a ser palhaço.? Como se precisasse... Ando entre gigantes.
"Supõe um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para chegar num lugar onde há batatas em abundância; Se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição no caminho. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria e ousadia da vitória, os hinos, aclamações e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas." - Quincas Borba
E tudo isso sem uma gota de rum, pelo menos pra mim.
terça-feira, 19 de março de 2013
Quase tudo
Eu queria saber desenhar. Desenhar uma montanha bem alta e depois desenhar um bonequinho de palitos carregando um saco pesado montanha acima. Ele ia demorar um a tempão prá chegar lá em cima e ia chegar todo machucado. Quando ele chegasse no topo da montanha ia ficar a noite inteira olhando as estrelas. Prá ele, uma constelação de 5 estrelas marca o que ele entende como casa. E qdo amanhecesse ele ia abrir o saco e tirar de dentro duas asas empoeiradas e sujas. pra colocar de volta nas costas, todo desengonçado. Existe um sorriso que só as pessoas tristes conseguem dar e depois de dar um desses sorrisos o bonequinho ia pular montanha abaixo. Ele até ia voar um pouco, mas sozinho ele não tem a força que precisa pra manter as asas abertas. Mesmo sabendo que não tinha como, mesmo sabendo que o chão era destino certo, ainda assim ele pulou. A queda seria foda e depois do tombo e de se recuperar um pouco (não da dor física porque a dor do corpo é uma piada perto da dor da alma), ele iria levantar e sem ter força de erguer os olhos iria colocar as asas dentro do saco e recomeçar tudo de novo. Mesmo as asas sendo só um emaranhado de água salgada e remendos mal feitos, eram dele. Foram presente da mulher palitinho que ele amava. Ao redor dele haveria uma multidão de palitinhos dizendo que ele não deveria ter pulado, que ele não deveria tentar voar de novo, dizendo que o chão era o lugar dele. De cabeça baixa ele iria de novo em direção a montanha, com medo, duvidando de si mesmo, duvidando do real motivo de ter ganho aquelas asas que as vezes amaldiçoava por ter lhe trazido tantos problemas. Ele duvidava de quase tudo, menos de uma coisa. Com o mesmo sorriso que só as pessoas tristes conseguem dar, dessa vez com covinhas nas bochechas, ele iria continuar subindo naquela montanha até o dia em que a mulher palitinho com um coração forte voasse com ele. Ou o dia em que a queda fosse demais e ele acabasse morrendo. Os corpos de palitinho são muito frágeis perto das decisões que a alma toma. Ou de um amor que não sabe acabar.
Eu queria saber desenhar, porque não tenho mais palavras pra descrever o vazio que sinto longe dela..
Eu queria saber desenhar, porque não tenho mais palavras pra descrever o vazio que sinto longe dela..
segunda-feira, 18 de março de 2013
O céu e a vontade de comer sorvete.
Demorei pra escrever porque ainda não assimilei tudo que eu li. Qdo me dei conta estava com um sorriso que não cabia em mim, ao mesmo tempo que não conseguia enxergar o monitor direito de tanto chorar. Li e reli a nossa conversa incontáveis vezes. Eu poderia lembrar do dia de ontem como o dia em que meu corpo finalmente venceu uma antiga discussão comigo e me convenceu a dar um tempo de bebidas e cigarros. Em vez disso, vou lembrar que há um coração que me faz forte. Vou me lembrar sempre que o céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu. E vou lembrar que a mulher da minha vida também me ama. E eu nunca mais vou desprezar as asas que ela me deu.
segunda-feira, 4 de março de 2013
Um degrau por vez.
Pouca gente sabe, mas normalmente minhas asas são só uma pilha de escombros que eu carrego comigo em forma de culpa. Mas as vezes, só as vezes, eu lembro porque tenho elas. Cada vez que meus olhos esbarram no que mais desejo eu fico sem chão. E lembro da bicuda que uma mulher me deu de cima do penhasco para que eu aprendesse a voar. E quando a gente fica sem chão, só pode confiar no céu. Talvez ela tenha percebido antes de todo mundo que eu rastejava enquanto fingia voar e num ato de puro altruísmo tenha decidido fazer alguma coisa a respeito de mim. Pode ter sido o caso dela também me amar. Ou talvez não seja nada disso, pode ser apenas minhas esperanças embaralhando minha memória e meu entendimento do que aconteceu.
Continuo com a sensação de que alguma coisa está muito fora do lugar, mas sempre que amanhece e eu vou dormir, sei que ela está acordando em algum lugar não muito longe de mim. Esses pensamentos me dão algumas migalhas de serenidade e eu durmo melhor, mesmo não sendo ao lado dela. Acabo me sentindo grato por ter, no meio de toda confusão, alguém que me faz sorrir só por existir. Sei que não há mais volta pra nós e vou seguindo em frente aos tropeços. Sei também que o fato de ter perdido meu grande amor me tornou um a pessoa melhor depois que repensei mil coisas. Mas o fato é que minha alma nunca sossegou depois que eu a perdi.
Y no hay dolor que duela más que dolor del alma.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Uma parábola familiar
_____As vezes consigo estabelecer uma relação entre o jeito que vivo minha vida e a quantidade de vezes que posto por aqui. Lembro das vezes que vinha correndo para escrever minhas linhas tortas sempre que tinha oportunidade de mandar mensagens que só uma ou outra pessoa conseguiriam entender. E me divertia criando maneiras de inserir essas mensagens na minha vida, nos meus textos. Em parte, fiquei esse tempo sem escrever por acreditar que não havia mais ninguém com quem eu quisesse conversa. Demorei mas acabei aceitando que há pessoas que nunca sairão da minha vida, e aqui estou eu de novo... ouvindo Tool e rabiscando ideias.
_____Sempre precisei escrever pra organizar a mente. Vivo pensando levianamente rápido demais e quando escrevo me obrigo a analisar melhor o contexto. E, posso facilmente olhar pra trás e dizer que estou adiando essa análise, quase fugindo. Mesmo dormindo 4 ou 5 horas por noite dia, sempre arrumo alguma coisa pra fazer pra não pensar muito nos rumos que estou tomando. Não que eu esteja errado: trabalhar tudo que dá não é o problema. Meus objetivos também não. O problema mesmo é a companhia, ou a falta dela. Alguma coisa se quebrou aqui dentro depois do último namoro e da bagunça das flores. Eu não tenho força nem vontade de consertar. Cheguei num ponto em que acredito só em 3 coisas: em bêbados, em crianças e em pessoas com raiva. E isso me incomoda muito. Sei que isso me protege, mas não sei ser eu mesmo sem ter alguma coisa que me deixe vulnerável. E minha esperança está fraca demais pra empatar com o instinto de auto preservação. O jardim não me encanta mais. A Ostra está longe do meu alcance.
Choosing to be here right now. Hold on, stay inside...
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Tudo bem que o leite ferveu
Eu larguei tudo que estava acontecendo lendo um "Boa noite, Tiago" no FB. Não discuti sobre meu nome porque não teria argumentos. Soltei um "Boa noite, Laura" com uma calculada indiferença. Eu me chamo de Vento e sempre vou me referir a ela como Professora Resiliência. Entre livros, tequilas, alianças e moedas de 3 lados conversamos. Lembro das aulas, da tranquilidade dela num piano ou solfejando como se fosse a coisa mais simples do mundo. ¿Como pude pensar em desistir disso.? Meu lugar é na corda bamba entre um acorde e outro. O lugar dela é no contraponto entre as vozes dos acordes. A vida e o jeito que tocamos reflete aquilo que somos. Tocar mal é tocar mal a vida. E ela vai me tornando um ser humano melhor quando me ensina a ser um músico melhor. Frases de efeito melhores do que as do gato de Cheshire e mais simples que uma pentatônica de Lá menor. Metáforas e café, quero os dois.
Sempre que estou saindo do caminho vem uma mulher e me coloca nos trilhos de novo. Dessa vez foi uma doutora em música. Encontrar caminhos para ir de um silêncio a outro continua me fascinando.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Para decidir por onde vou
A decisão foi certa, mas mesmo que eu soubesse o que fazer e tivesse uma certa noção de como fazer, não tinha a mínima ideia de quando. Cheguei na praia com o sol forte e entendi que deveria esperar. Esperei mesmo sem saber direito o que estava esperando, torcendo para não perder o momento certo. Depois de 2 dias soltando pipa e procurando desenhos nas nuvens, no começo da noite, a chuva veio e eu entendi o recado. Estava sozinho na areia, mas no céu a chuva gritava e na minha frente o mar me dava medo. Não fui bem recebido por nenhum dos dois, mas encontrei ordem no meio daquele caos. E fiquei ali, nadando, contando raios no céu. A água que estava suja foi ficando limpa e eu pude descansar. Queria desistir de tudo porque na minha cabeça era melhor começar tudo de novo do que tentar salvar uns poucos garranchos do desenho origininal. Mas eu estava enganado. Mesmo com tudo que se quebrou, mesmo com tudo que eu não soube ou não consegui proteger, ainda há uma alma aqui.
E eu lembrei da promessa. E lembrei como é bom ter esperança. E lembrei que estar sozinho nunca me perturbou enquanto eu estava em paz com a minha essência. Entre raios, chuva e água salgada, lembrei que abrir as asas não dói.
domingo, 6 de janeiro de 2013
¿Asas pra que?
Dessa vez eu preciso de ajuda. Preciso descansar. Levo a chuva comigo porque não quero que aquele monte de água me veja chorando. Sem nenhuma costura pra remendar ou armadura pra reforjar, levo também minha pipa.
Estou cansado. O ano foi salvo.
Vou pra praia tentar salvar o pouco que sobrou de mim mesmo.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
"Vencemos"
Podemos chamar de milagre de natal, mas não acordei atrasado. O despertador insistiu muito, mas conseguiu me arrancar da cama. Peguei o Virgílio para conseguir passar algumas músicas e a tendinite me lembrou que o dia ia ser muito longo, tendendo ao infinito. Passagem de som estranha. Foi estranho voltar para um palco. Foi estranho não estar atrás da mesa de som. Demorou, mas deu tudo certo... Não sem a ajuda do Delmar, o apagador oficial de incêndios.
Ironicamente eu percebi que não ia precisar de armadura nenhuma. Eu tinha como me defender. Ironicamente não consegui passar esse natal sozinho ( eu sempre tento, quase nunca consigo). E passar o natal com o Kiko foi engraçado. Quase 4 horas sem que ninguém falasse feliz natal. A coisas indo pro lugar.
Lembro de organizar tempo e fatos pra ajudar todo mundo. Pra encaixar as peças em vez de tocar fogo no circo. O show demorou pra começar. Eu não estava sentindo medo, mas estava me sentindo terrivelmente fora do lugar. Um pai nosso em español e soltei os cabelos, luz na cara e o Giovane anunciando. Não deu mais tempo pra pensar sobre meu lugar ou sobre me defender; sobre quem eu queria que estivesse ali me assistindo. Mandei meu coração calar a boca, por pelo menos 2 horas eu não queria ouvir um idiota me dizendo que falta alguma coisa. Por pelo menos 2 horas eu tinha outras coisas para escutar. Não sei direito se ele ficou quieto, só sei que música atrás de música, nota atrás de note eu fui colocando toda minha energia. Eu prometi que não seria pela metade, que seria tudo de mim em tudo. No fim, avisei que a gente ia tocar mais 4 músicas que a gente sempre quis tocar e nunca conseguiu em banda nenhuma. Aquele era eu tentando explicar sem dizer nada que o ano tinha sito uma merda pra mim e que eu queria um presente de natal foda pra equilibrar a conta. E eu tive o melhor presente de natal que um baixista barulhento e jazzificado poderia querer. Quando o Kiko subiu no palco eu desci pra poder ver melhor. O Barão o Caldo e o Kiko no mesmo palco seria a imagem perfeita para mostrar que meu trabalho estava feito. Se fosse uma frase com a mesma função seria "foi sem querer, mas não muito" no corredor e na confusão entre os banheiros
No meio do show, olhei pro lado e pensei comigo como me sinto estranho em andar com os grandes. Algumas das pessoas mais fantásticas que eu conheço ali tocando juntas e eu de metido. Sabia que no esquema tático minha função era juntar todos eles e manter a máquina funcionando, mas acho que estar num palco tocando não foi invisível o suficiente dessa vez.
Gracias, ao Caldo, porque ele é definitivamente o mestre daquele lado do palco. Ao Barão, por ter mantido um maluco sob controle sempre reiterando que não era musicoterapia. Nick, tenta uns tapas, tu já falou mil vezes e não adiantou. Cla, sem tua produção teria sido inviável. Tchuky, faz uma cuba. Dennis, nunca me deram um litro com tanta competência. Jonas, apesar das cantadas ridículas tu tem potencial. Giovane, tu é foda. Kiko, parceria total. Pedroso, tu é um das melhores pessoas com as quais tenho o prazer de conviver. E eu sempre vou achar um absurdo tu pagar pra eu fazer o que eu faço. Poletto, tinha que ser tu ali junto com a gente. Kiko, se o discípulo perfeito for igual ao mestre, então tenho o professor certo. Potro, Ostra, Dulcinéia, Jasmim, Ana Pic-pic, Mário, Fábio, Ave, Mateus Correria, Copa, Compadre, Bledo, Mark, Wood: vcs não estavam lá, mas tinha um pouco de vcs lá comigo, um pouco de tudo que vcs me ensinaram.
No fim, bem no fim de tudo, acabei o ano fazendo o que eu sempre faço: Um exagero imbecil antes de parar por um tempo. Cansei de viver olhando pro abismo. Cansei de viver com o abismo me olhando. Agora é praia e só.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Porque o inferno precisa de mim
Promessa é dívida, as repostas são: eu fumo numa situação específica e só durante ela. Quando tenho certeza de alguma coisa e vou escrever sobre eu sempre começo com um talvez. Exemplo: depois da noite de ontem, talvez não haja mais nada a ser dito. E eu jogo xadrez mexendo as peças com a mão esquerda pelo mesmo motivo pelo qual puxo as cartas do tarô com a mão esquerda.
Quem me viu no fim de semana me viu sorrindo, mas a verdade é que me sinto desmoronando aos poucos. O que me mantinha inteiro já não funciona mais. Essa correria não me dá mais paz. Eu não me dou mais paz e o caos anda comigo. Tentei me enganar achando que depois do show de amanhã as coisas iam acalmar, mas é lógico que não. Nunca melhora. Desmaio quando o corpo não aguenta mais e acordo como se tivesse levado uma surra. Não é ressaca nem nada, e sim incontáveis noites dormindo 3 ou 4 horas. Mas ainda não me dobraram. Nunca me concedam descansar. A agenda é insana, mas ela será cumprida.
No meio disso tudo, esbarro com pessoas que mostram que o caminho vale a pena. Fui operar um show no La barra, cheguei atrasado e era um show de pagode. Podia ser uma tragédia , mas foi uma lição de profissionalismo por parte da equipe dos caras e de carisma por parte da banda. Um grande abraço pro André e pro Roadie fodão que eu não sei o nome. E no meio da passagem de som cantamos racionais.
tenha fé porque até no lixão nasce flor.
Fico me perguntando de onde vou tirar força. ¿E cadê o estandarte quando eu preciso dele.?
Sinto cheiro de amanhecer. E pode ser que amanhã faça sol.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Bunker versão 2.0
A tarde começou agitada. Em cada canto da cidade havia um louco tirando músicas. Não é um ar de desespero, e sim uma calma apressada. Vai dar tempo, mas vai ser foda. Rabisca partituras em clave de Fá e de Sol. Só as partes que precisam. Só prá não precisar ficar lembrando. Toca um Purple e eu negociando por telefone:
- Eu quero saber se tu canta.
- Não , eu faço outras coisas.
- Tô sabendo, mas preciso que tu faça outras coisas cantando uma música num palco enquanto uma banda toca.
Preço imbecil e um tom de voz que não gostei. Próxima candidata fica pra depois. 37 músicas prá tirar e os dias com 25 horas estão cada vez mais escassos. Em cada canto da cidade havia um louco empolgado com o ensaio. Meus Deus, que voz eu faço nessa parte.? Como faz para cantar e tocar isso.? Preciso de 2 cérebros. 12 horas num bunker e num estúdio, achando que o timbre tava uma merda e chega o Barão e diz que tava bom. E olha que eu estou com medo de pegar tétano nas cordas do Virgílio. A vida deve ser isso mesmo, a gente odeia o jeito que soa, mas estamos soando bem para uma outra pessoa, em algum outro lugar. Ou talvez eu seja tosco demais para perceber certos nuances do meu jeito de soar. De qualquer maneira, minhas notas nesse show já tem inspiração certa, mesmo ela sendo inacreditável.
A stripper ainda não apareceu, mas vai dar tudo certo. Equipe Vai vai vai.
Termino com uma frase simples e despretensiosa do Barão. "Vai ser, no mínimo, engraçado... com precisão no vai, ênfase no mínimo e ironia no engraçado"
Um novo bunker
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Antes e depois disso.
No fim de tudo eu queria salvar o ano. Ou, de uma forma um pouco mais egoísta, o meu ano. Queria me dar um presente de natal que equilibrasse tudo que deu errado no ano. E não foi pouca coisa. Inventei um show da Salve Ferris como pretexto para tocar com o Kiko e com o Barão. No vagão, o bar do Marcelo... no mesmo palco que tantas vezes já me viu chorar e sorrir. Era egoísta, mas fui além disso. E agora, muito atrasados com os ensaios, eu tenho uma certeza: Vai ser foda pra quem assistir. Depois do show segue a festa na minha casa para os de fígado forte e coração burro. As melhores pessoas do mundo tem o coração burro. As melhores noites do mundo terminam com os fígados.
Isso era o que eu podia planejar. O que eu não podia planejar foi a noite de sexta, que só consigo definir como inacreditável. E uma única noite conseguiu me colocar nos trilhos de novo, se é que existem trilhos para pessoas que vivem a vida do jeito que eu vivo. Improvisar não é planejar, diria o Potro, mas o fato é que o universo conspira. É muito Paulo Coelho essa frase, mas só com ela para explicar uma sucessão de eventos que enfiou um sorriso na minha boca que não vou tirar tão cedo. E eu lembrei que o mundo é bom, que conhecer gente nova me faz pensar. E aprendi que estar no lugar certo e na hora certa com uma garrafa de tequila no bolso faz toda diferença.
Devagar vou me entendendo: não acho que eu seja bom, mas acho que sou bom demais para algo que tentei por muito tempo. Não é possível buscar redenção e manipular ao mesmo tempo. E agora eu entendo isso, finalmente. E desisto dos dois. Não há nada que justifique minhas tentativas de manipular e omitir. Não tenho nenhum pecado tão grande que me coloque numa busca por perdão que seja maior que tudo. Só viver parece ser o melhor plano para o momento. Existe uma discrepância entre o que eu acho que sou, o que eu quero ser e o que eu realmente sou. Finais de semana como o que passou me mostram que bem devagar eu estou diminuindo a distância entre essas 3 coisas. E acreditar em mim não é mais tão difícil quanto era.
domingo, 2 de dezembro de 2012
Seguindo o coração
Eu já fiz muitos shows escondido atrás de um truque. Eu descobri que conseguia sorrir e ficar invisível enquanto tocava com os cabelos jogados na cara. Quer dizer, eu não tocava, eu ficava segurando o Virgílio enquanto ele tocava sozinho e eu cantarolava um tango ou uma música do ACDC. Essa pequena artimanha me permitiu fazer muitos shows chorando que nem criança sem ninguém ter percebido. Hoje descobri que isso também funciona numa mesa de som. Vi minhas lágrimas caindo em cima dos volumes me sentindo em casa. É por isso que gosto do meu trabalho e da minha relação com a música, essa maravilhosa arte e terrível profissão.
E como tudo é uma coisa só, cheguei em casa e coloquei a mesma camiseta de grêmio que esteve comigo em algumas das vezes que me esfarrapei. E pela camiseta cheguei numa foto. E pela foto entendi que estava na hora de ir ver o mar de novo. Enxuta, a concha continua com o mar guardado no seu estojo. E agora vou para o leste antes de começar mais uma semana. Uma noite para recuperar o fôlego e tomar uma surra das ondas. E onda atrás de onda aquele aguão vai me colocar no lugar e encher um vazio de água salgada.. E a maldita dor na pena vermelha vai ceder.
Essa é minha vida. Encontrar mágica no absurdo. E conviver com um coração que me leva sempre para o mesmo lugar.
Cavalos Marinhos.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Seguindo os passos do mestre
Foi estranho olhar para mim mesmo no espelho enquanto estava fazendo algo entre lavar a cara e tomar um banho numa pia de banheiro. Um walkie-talkie na orelha me dava ar de importância, mas nos meus olhos eu vi a mesma chinelagem de sempre. E a mesma esperança inocente de sempre.A empreitada era grande, mas em algum lugar aqui dentro eu sei que me viro bem nesse tipo de evento caótico. Durante o segundo ou terceiro show me dei conta de uma coisa: olhei pra mim mesmo e me vi operando o som na mesma mesa de som que o Kiko Fávero trabalhou no festival passado. Sorri bobo, meio orgulhoso, meio sem jeito. O som estava do caralho enquanto eu seguia os passos do meu professor (eu chamo ele de mestre). E trabalhar com o Fer Costa facilita tudo. E tem o Nick, o Monta. Time forte. Entre um solo de gaita e outro, eu ia decidindo minha vida por sms e pilotando as bandas do jeito que dava. Os palcos ganharam outros nomes: eu, tu, eles. E terminei a empreitada de shows sentido os pés doendo em lugares que eu nem sabia que podiam doer.
E teve um segundo... um pedacinho de tempo que me fez entender tudo.
Na frente do Missi, sentindo os pingos de chuva caíndo com ar de missão cumprida. Ali eu entendi a mecânica do sistema. Há uma coisa mais importante do que os shows que faço no palco ou na mesa de som. O mundo foi bom e me deu de presente uma mulher que faz meu coração balançar. Eu nunca sei direito se nós dois estamos longe ou perto, mas eu sei que ela existe e mesmo que eu não a veja, eu sou uma pessoa muito melhor por causa dela. E sentir meu coração batendo todo torto por causa dela me faz bem muito mais do que a ausência dela me faz mal.
E hoje o festival segue.. De novo e ainda.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Fazendo as pazes com o Virgílio
"i'm getting wise and i'm feeling so bohemian like you
it's you that i want so please
just a casual casual easy thing
is it, it is for me
and i like you
yeah i like you
i like you
i like you
i like you
i like you
i like you
i like you
i like you"
"Shall I go on, and on, and on, and on, and on, and on again?"
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Período Prolixo
Ao som de Metallica - Turn the page
_____Caos nas aulas. Em psicologia do desenvolvimento estou correndo conta o grau C entre cervejas para a Mariana e pesquisas históricas. Depois professora Resiliência olha e me vê pesquisando a escala menor húngara* e pergunta o que eu queria com aquilo. Discussão de meia hora apesar de estarmos no meio da aula. Adoro ela e a facilidade com que ela explica o que quer. Resiliência é um conceito muito abstrato para mim, estando sempre muito além da definição da palavra. Há uma subjetividade sem a qual a palavra não faz sentido. É diferente de palavras que são um conceito antes de ser qualquer outra coisa. Maturidade é viver em paz com o que não se pode mudar. Sou imaturo por natureza e sempre vou tentar mudar o que está errado. Quero colo com 5 estrelas e o cavalo marinho que tanto passeia pelos meus sonhos.
_____O destino está do meu lado. Ele sempre me leva para uma ostra com cheiro de nostalgia, porque através dela eu lembro de outras coisas também muito importantes. Eu já descansei por tempo demais, está na hora de voltar ao que eu sou. O passado não muda, não tem volta, mas eu sou louco o suficiente para insistir em mudar o presente. Meus dias de 25 horas funcionam melhor quando insisto em pedir que nunca me conceda descansar.
6 da manhã, hora de dar bom dia e tentar ir dormir. A madrugada não foi fácil.
domingo, 7 de outubro de 2012
Notas perdidas
Disseram que hoje eu estou triste. A verdade é que eu sempre estou triste. Há uma sensação que me acompanha já faz anos. Estou me enchendo de trabalho insanamente e finalmente cheguei no ponto em que está quase impossível dar conta de tudo. É um processo calculado: quando mais eu trabalhar, mas consigo achar malucos iguais a mim. De vez em quando esbarro em uma sensação de pertencimento que justifica quase tudo. E ameniza. Preciso manter a cabeça ocupada para que os gritos do coração não me enlouqueçam. Pra que que eu chegue na minha cama pra dormir e simplesmente desmaie antes de me dar conta de que estou sozinho. Já não rezo antes de dormir faz muitos anos, agora meu mantra basicamente consiste em pedir desculpas para um emaranhado de remendos de água salgada que não para de apanhar no meu peito.
Queria que essa dor passasse, mas considerando que sistematicamente afastei de mim as pessoas que poderiam me dar colo e que nenhuma surra tem dado resultado, não me sobraram muitas alternativas. O fato é que o mundo não vai parar só porque eu não vivo meu luto como deveria. E mais cedo ou mais tarde a gente precisa entender que o passado não tem volta. Nunca melhora, mas isso não é necessariamente ruim.
Queria que essa dor passasse, mas considerando que sistematicamente afastei de mim as pessoas que poderiam me dar colo e que nenhuma surra tem dado resultado, não me sobraram muitas alternativas. O fato é que o mundo não vai parar só porque eu não vivo meu luto como deveria. E mais cedo ou mais tarde a gente precisa entender que o passado não tem volta. Nunca melhora, mas isso não é necessariamente ruim.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Santo Expedido quase me bateu...
Sei que demorei, mas sempre carrego comigo a sensação de estar terrivelmente atrasado... desde que me chutaram abismo abaixo. Queria poder ter algum fato emocionante prá contar, mas a verdade é que minhas palavras soariam cansadas. Uma gripe continua sendo o preço para os meus exageros. E os exageros, bem sabemos, são um tentativa quase válida de buscar no resto do mundo o que só existe em uma pessoa: balanço. Somos dois que se sentem bem e mal ao mesmo tempo. Mas no meu caso, as coisas boas superam em muito as ruins.
Queria poder contar uma história diferente dessa vez.. algo que não seja a mesma repetição de sempre : "...e la´se foi o idiota, sentar na beira da praia, pra conversar com o mar enquanto ele e e a chuva remendavam um coração velho com uma linha de água salgada."
Eu remendo e remendo, mas tá na cara que nenhuma costura vai durar.
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