sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Coming through in waves

Texto velho, mas ainda não estava pronto. Faltava uma pequena alteração no final dele

              Eu queria ser autêntico. Dizem que as pessoas se apaixonam por quem é assim. Eu queria saber falar melhor de mim mesmo, sem precisar de máscaras e 3 filtros do photoshop. Queria aceitar melhor os meus medos e as curiosidades. E queria, principalmente, me admitir fraco sem a menor culpa, mas as pessoas não precisam saber disso. O mundo já tem pessoas fracas demais e sinto que não tenho muita chance nesse mercado. Eu queria ser o melhor, para mim, para ti, para nós, mas acontece que eu sempre escapo da estrada boa, tenho mania de precisar passar por muitos buracos e barrancos fora da estrada. Eu sei que nem tudo precisa ser tão difícil e dolorido, mas tem um espaço gigante fora da estrada. Um espaço pelo qual ninguém se interessa. Eu não me sinto bem desperdiçando essa infinidade de possibilidades.

                Quando eu escrevo, falo alto demais, fico sem voz de tanto gritar e pode ser que a pessoa fique surda ou enlouqueça quando não entender nada. Eu queria, também, poder entender melhor, mas não entendo nada, por isso, não se esforce, eu sei que não valho a pena. Talvez eu até valha em alguns dias pares e nas terças-feiras, porque sempre gostei mais deles, mas nos dias ímpares nem a minha sombra vale. Ou vice-versa, não sei se isso é uma regra, ainda não decidi.

               Eu queria ler livros alternativos que todo mundo leu enquanto eu gastava tempo com os clássicos que precisava ler. Saber dançar melhor é outra coisa que eu queria, é impressionante a vantagem  que esse tipo de gente tem. Queria saber mais sobre as ligações de carbono da química orgânica, falar com sotaque espanhol. Queria que a genética fosse mais branda comigo. Um sorriso menos filho da puta e menos cara de quem sempre perde. É, eu queria ter o ar dos vencedores, quem sabe isso pudesse funcionar melhor que minha arrogância emulada.

               Uns poucos que sobraram aqui perto não enxergam quase nada disso e mesmo assim me veem de um jeito que o espelho não me conta. Eu queria ser metade do que veem em mim. Metade do que as revistas dizem que devemos procurar em alguém. Metade do que os meus sonhos pedem nas minhas poucas horas de sono. Eu queria ter mais conversas em vez de escrever cartas que nunca vou mandar.

                  Mas o fato é que sou exatamente isso. E entre linhas, entre erros e acertos, sorrisos tortos e gostos trocados, tudo isso tem dona.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Ô loco, bicho...

        Tocar bem tem pouco a ver com o quanto eu estudo e sim com 'como' eu estudo. E com a maneira que eu penso. E com o jeito que levo a vida. Fico tocando com o sem trastes a tarde inteira pra depois pegar o Virgílio e achar tudo muito fácil... mas acho que tudo sempre foi mais fácil com o Virgilio.

        E os meus me enchem de felicidade. Meu baterista me manda uma mensagem e antes de terminar de ouvir o áudio eu já estou chorando de orgulho. Às vezes o mundo parece tão errado e de repente acontece algo muito bom com quem faz por merecer. E eu sinto como se as coisas estivessem indo pro lugar. 

         Tem dias que meu trabalho é mais recompensador do que tudo.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Frases simples e despretensiosas sobre grandes assuntos

"As palavras tem poder."

-FARINA, Cassiano, resolvendo uma treta com um texto moralizador no FB.

sábado, 25 de janeiro de 2020

Joga o D-20

      "Se eu estiver voando alto demais, me derrubem" é um pedido recorrente nas minhas conversas com o invisível e o fato é que é preciso tomar cuidado com o que se deseja. Agora preciso me olhar no espelho com esse ar de decepção e raiva. Aqui dentro tudo está confuso e eu me sinto como se estivesse jogando um dado pra fazer um teste de vontade. Preciso ficar longe do diabo. Parar de beber parece ser um bom caminho. E parar de tolerar o intolerável soa quase como uma ordem.

       Às vezes eu sinto que meu coração se aninha em outra pessoa. Acho que é nesse momento que eu sei que é amor. É quando a saudade incomoda tanto que coça. É quando mesmo uma noite de merda deixa lições importantes. A tempestade ainda sopra do paraíso. Não consigo mentir. Lealdade é um hábito terrível. 

        Estou indo ver o mar. Porque não importa o que aconteça, meus pedaços eu colo com água salgada.  Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima.  E volta a ler o mesmo livro pra ver se dessa vez aprende. Pra ver se a ressaca moral passa mais rápido.

        "O que nem foi julgamento legítimo nenhum: só uma extração estúrdia e destrambelhada, doideira acontecida sem senso, neste meio do sertão. Ah, mas no centro do sertão, o que é doideira às vezes pode ser a razão mais certa e de mais juízo. Sertão é isso: o senhor empurra prá trás, mas de repente ele volta a rodear o senhor dos lados. Sertão é quando menos se espera; digo." - GS:V

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Eu sei bem porque faço o que ninguém me pede pra fazer.

     Trabalhando em teatro, vejo incontáveis apresentações de escolinhas infantis. Eu lembro de uma apresentação especifica de quando eu estudava e era obrigado a pagar esse vale na qual eu percebi não importava o que eu fizesse, não ia fazer diferença nenhuma. Provavelmente essa ideia deu demasiada liberdade pra crianca retardada que eu fui.

        Ainda sobre a fauna do teatro, a vaidade é o pecado que mais me diverte. E, falando em diversão, eu sei que em algum lugar alguém ri de mim quando uma menina de 6 anos com chifres de rena me manda um video e eu choro bobo. Uma criança gostar de mim é  algo que simplesmente implode meu jeito de me enxergar. Eu me reconstruo do jeito que dá é fico aliviado porque ninguém me ve aos pedaços. E quem consegue ver não se importa nem um pouco com meu estado fragmentado.

          Eu vou cumprir a minha parte.. Nessa vida e na outra..até porque não sei ser de outro jeito. Mas até onde me consta, a parte de vcs esta paga. Vcs me deram um mestre quando eu estava além de qualquer vontade de redenção. E a dor nao machuca mais, embora ela ainda me odeie. E não venham me falar sobre Lucas 6,40.. Já ficou bem claro que as regras do trabalho não estão escritas na bíblia.

       Uma ordem simples, mas não tinha como ela ser facil. "Torna-te aquilo que tu és." Não que eu tenha adiado, o fato é que eu não tinha ideia do que eu sou, não sabia a o que devia me tornar. E foi bem foda caminhar sem saber onde queria chegar. Tanto que na maioria das vezes eu simplesmente seguia pra me afastar de onde não queria estar.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Só mais nessa vida e na próxima...

       Não parece mais ser medo. Mas continua sendo uma percepção diferente da da realidade. Sinto o acaso dando hadoukens por aí me ajudando. Ando tão a flor da pele que qualquer peça mal encenada me faz chorar. Baixar a cabeça ainda é um hábito difícil de abandonar, mas olhar pro horizonte parece ser o certo.

         As vozes não calaram a boca. Estou a quilômetros da serenidade que tanto quero. Mas ainda assim, estou bem. Eu sou daqueles que sempre olham pra as tempestades com esperança. Existe um campeonato de ironias com o único acima do fato de um que sempre barganhou e trabalhou com demônios namorar um anjo é minha jogada.

           Um anjo e um demônio andam de mãos dadas comigo. E com eles juntos de mim, os planos estão se juntando cada vez mais.

             Faço uma show com o Virgílio e não consigo parar de rir. Tinha esquecido como ele toca sozinho e de como meus dedos sabem os lugares exatos das notas sem que eu precise olhar. E tenho um baterista que sabe que quando eu me sinto um bosta eu leio Nietzsche.

               Não vou nem discutir, mas vcs sabem.que eu não mereço nada disso né.?

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Escopo


        Certas coisas me tocam. Às vezes aquilo que a gente mais teme se joga no nosso colo. Mas às vezes a gente tropeça em pequenas coisas cheias de significado que indicam que estamos no caminho certo. Os sinais funcionam melhor quando estamos prestando atenção neles. O problema é que volta a esperança pra me amaldiçoar. Enquanto espécie somos o lixo da vala, mas sob as circunstancias certas, uma única  pessoa é capaz de coisas incríveis. O único acima não me paga pra fazer o que eu faço, então..  quando presencio essas coisas,  considero uma gorjeta  merecida. 


        No meio do inferno de uma apresentação com 200 pirralhos correndo e me dando trabalho,  eu vi dias duas meninas abraçadas. Aquele abraço que da força. E elas só ficaram abracadas ali esperando pra entrar no palco. Era só um abraço, mas eu lembrei de mim com 12 anos. Era sozinho porque não sabia ser de outro jeito. E como eu sentia falta desse tipo de abraço. 

        Talvez seja só meu lado triste se sentindo incompetente de novo. Ultimamente, cada  vez que alguém me pergunta porque estou estranho, eu queria realmente conseguir explicar que está tudo bem.  Eu estou feliz, mas existe um erro que permanece inadmissível. Eu improviso e parece que tenho certeza do que estou fazendo, por que o acaso joga comigo...mas a verdade é  que nunca me perdoo  quando não me preparo. E tomo chá com minha raiva. Por que sorrir sempre me da trabalho.

           E ja é 2019.. semana passada era 1993

sábado, 21 de setembro de 2019

Talvez eu tenha iluminado a coisa errada

        Eu sempre dei nome para as coisas com as quais converso. O nome do meu baixo é Virgílio. Porque Virgílio foi o guia do Dante enquanto ele atravessava o inferno. Tocar nunca foi sereno pra mim. Às vezes eu estou no palco tocando e me sinto como quando a gente está no mar e toma uma onda grande na orelha e se esculhamba todo rolando no turbilhão de água. Eu sabia que precisava de algo que conseguisse tocar sozinho e que me segurasse quando eu estivesse prestes a desmoronar. Ou que risse comigo quando eu abro um sorriso e fico invisível no palco.  Ontem fugi com o Virgílio e fiquei sentado no chão tocando baixinho. A paz não vem de graça. Acabei adiando as coisas sérias que eu precisava fazer e negligenciando as coisas de adulto também.

           Acordei cedo pra colocar as tarefas em dia, mas vem a minha senhora e monopoliza minha manhã. E antes que eu me desse conta ela estava discutindo com o Peca sobre pés de Maracujá.  Acho lindo eu precisar de ajuda e vocês me mandarem ela. E ela me coloca nos trilhos de novo sem cerimônia nenhuma enquanto conversa sobre os problemas dela. 



           E eu recarrego minhas baterias.  E me sinto pronto pra tocar. Com os olhos cheios de água, mas com as asas abertas, hoje naquele palco eu não vou ser vítima.  

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Acabou a folga, volta pro trabalho!

        Às vezes a gente joga bem e perde. Acordei com essa frase gritando na minha cabeça. Não que eu tenha perdido, mas me sinto derrotado. Mil coisas pra escrever e pouco tempo pra organizar as ideias de forma coerente. Tenho raiva da minha passividade. 

           Queria muito dar uma desculpa pra mim mesmo e dizer que depois que esse caos passar eu me ajeito, mas o fato é que o caos não vai passar nunca. Nunca melhora. No meio de tudo isso eu vou continuar dizendo que me chamo vento e que meu trabalho é apagar as fogueiras menores e tornar as grandes ainda maiores. E vou continuar gritando 
NUNCA ME CONCEDA DESCANSAR.

          Tenho meu chimarrão, meu baixo maquiavélico, os meus. Os meus dois cães de guarda seguem fiéis. Tenho a Claudia. Estou melhor do que jamais estive, mas ainda existem coisas quebradas aqui dentro que eu não consigo consertar. Não sinto falta de estar triste, mas eu sei que certos castelos de areia eu não posso derrubar.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

O pingo tranqueava largo

     Sempre que começa agosto o Tiago e o Vento sentam e conversam tentando se entender. Talvez seja a euforia do momento, mas esse parece ser um dos melhores agostos que eu consigo me lembrar. Muito trabalho com os meus. A Jeane me contratou. A Claudia. A Cíntia. O Duda. O Caldo. O Bledo.  Em algum lugar, alguém parece empenhado em me deixar bem. O acaso té se puxando.

         Na minha cabeça é o Ken ganhando do Akuma de novo. 

        E o diabo não pode mais me perturbar, mas eu seria muito inocente se achasse que ele é a pior tentação. Felizmente eu não esqueci de certas coisas, e continuo acreditando que fugir de algo que não estou em condições de enfrentar é uma ótima estratégia. Eu não fujo por medo, essa é a única regra que estabeleci. Fora isso,  é sempre melhor fugir de lutas em que não tenho nada a ganhar e muito a perder.

         E agosto foi assim. Como sempre, não resolvi metade do que precisava resolver entre o Vento e o Tiago. Ainda sinto raiva do arrombado. Ainda quero bater um tiro de meta na buceta de uma guria. Ainda acho que não mereço nada disso que se sucede comigo. Eu queria sacudir os escombros das minhas asas como um cachorro se sacode pra se secar. Eu queria não ter tanta vontade de chorar.

      O fato é que um anjo e um demônio andam comigo. E de mãos dadas a gente sai desse agosto mais forte. Eu cantarolo Vitor Ramil e é como se isso me desse aval pra voar de novo.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Olááááa, Enfermeira!

                  Anos atrás, ela me disse que eu parecia um desenho animado. Eu não entendi muito bem o que ela quis dizer, mas acho que isso aqui explica mais ou menos a idéia.  E isso é interessante porque os pensamentos da gente, se conectam de forma misteriosa. A mesma pessoa também me disse que eu precisava entender que opiniões sempre estavam carregadas com a bagagem pessoal que cada um carrega. E,  se eu compreendesse isso, todos os julgamentos não perturbariam mais. Eles não são julgamentos, são confissões.

                 E poucas vezes nessa vida uma bruxa teve poder pra barganhar comigo. O que me lembra que na época achei absurdo receber ordens de uma, ao mesmo tempo que fiquei fascinado por alguém usar o imperativo do verbo ser do jeito certo.



              "Seja verdadeiro. Seja honesto. E se você não conseguir ser nada disso, seja pelo menos gentil. O mundo precisa de gente da tua laia." Assim terminava uma carta de 1998. Olhando pra trás eu percebo que deveria ter obedecido mais essa ordem. Mas percebo também que o acaso no desistiu de mim. E que anos tentando me esconder não tiraram  o desenho animado de mim. E por aqui e e por ali continuo esbarrando em pessoas que me tratam muito melhor do que eu mereço. Continuo grato por poder ajudar os meus.  Existe essa turma de pessoas boas que tornam o mundo melhor. Alguém tem que cuidar desse tipo de gente, eles são tão raros. E 3 meses de namoro. Eu rio sozinho cada vez que ela fala que é minha namorada e as pessoas olham pra ela como se ela tivesse dito que nasceu em marte. 



domingo, 7 de julho de 2019

Pinot Noir


         Quando eu pensei em morrer, plantei uma plantinha que nunca mais vou conseguir arrancar. Eu mantenho ela sobre controle, mesmo sabendo que talvez eu não tenha como vencer. Mas agora eu sei que um dia, quando eu estiver bem velho e chato.. eu poderei sentar na sombra dela e me consolar... a gente sempre se consola.

         Cuidar dos meus é  um trabalho que me leva a lugares peculiares. E ser tratado que nem cachorro num open bar de vinho na capital do vinho faz sentido dentro desse trabalho terrível que é a música.  Música é  perfeita enquanto arte e catarse.. mas como trabalho é só perrengue.

          Volta pra cada e escreve, mas eu deveria estar na praia..  estou perdendo uma geada lá.  Mas tem convites  que são essencialmente irrecusáveis.  Espero que a cola aguente e que uma menina de 6 anos não force demais as costuras.  Tem coisa demais aqui dentro e no frio não chove. Pelo menos estou fora da jurisdição do Diabo, ao que parece.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Não importa

      Pensei em mandar uma linda carta que começaria com "Então, sua trouxa...". Mas o fato é que o trouxa da história sou eu. A experiência cansou de mostrar que quem brinca com crianças eventualmente sai mijado. E não poderíamos esperar nada diferente de alguém doente que vive de aparências e gerencia a vida e as pessoas como se estivesse na 5ª série. 

     Nessas horas eu me lembro que vento não é um apelido; é um trabalho. As fogueiras pequenas eu faço desaparecer e as grandes eu torno ainda maiores. Ter pena de uma pessoa não torna ela melhor. Nem a deixa menos asquerosa. 

    Raramente escolho a forma como me agridem. Então, me dou ao direito devolver a agressão do jeito que achar melhor. 

     É notório que eu me defendo batendo. E que a dor que carrego comigo me ensinou a bater onde dói.

sábado, 22 de junho de 2019

Há tempos

      - Que horas a gente começa.?
      - AGORA.
      E eu subo no palco meio correndo. Solto meu meio suspiro/meio sorriso enquanto afino o Nico e aviso que talvez ele precisasse tocar sozinho em algum momento. Vejo um sorriso que em deixa leve. As asas coçam. A tempestade que sopra do paraíso não pesa mais. De alguma forma, eu fui feito para voar no meio do caos. 

    Camila bateu forte e me trouxe pro chão, incontáveis noites eu passei chorando e esperando amanhecer. Mas foi uma frase do U2 que me faz desmoronar como um castelo de cartas. "Então você se dá". Deixei meu baixo tocando enquanto fiz o que faço de melhor em cima de um palco. Eu sorri e fiquei invisível. E chorei até sentir as lágrimas quentes escorrendo no rosto. E ninguém me viu. É vaidade, eu sei, mas fiquei muito feliz por ainda saber fazer isso. Por mesmo depois de tudo ainda ser capaz de me reconstruir mais rápido do que eu me desmonto. 

       Acaba o show, enrola o cabo e vai pro outro show. Ainda pensei comigo: "O trabalho foi, agora é a festa". Chega correndo, pluga e sai tocando junto com o Bledo. ¿ O que mais eu poderia querer.? Ainda vi minha irmã sentada no colo da minha namorada. Tudo parece estar indo pro lugar. Mil elogios pra ela e poucos pra mim. Tudo realmente parece estar no lugar.

        Calma, Mar. Assim que a alquimia mudar, sem falta eu colo aí. Eu sei que já passou da hora.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Troco controle por paz, mil vezes

     Eu gosto de pensar que a Morte é uma menina com um Ankh no pescoço e um olho de Hórus mal pintado no olho, mas isso é ridículo. Fora o Destino, ela é a mais velha dos perpétuos. Gosto de pensar que ela não entende muito bem o trabalho, mas dizem que a cada cem anos ela passa um dia como mortal, ao fim do qual ela morre. Tudo para compreender melhor a sua missão. Eu gosto de pensar que somos amigos, e que teremos uma conversa agradável quando chegar a hora. E que ela cuida bem do meu cavalo. 


     Lembro de tudo isso quando esbarro no trabalho dela. Eu queria poder quebrar as regras e roubar a dor das pessoas pra mim. Não de todos, só dos meus. Tem pessoas boas demais nessa lista e eu queria poder fazer mais por elas. Ninguém está pronto para perder um pai.

      E aí o baterista manda um áudio quando eu estou tentando consolar o inconsolável. Velórios cristãos me fodem. Mas em algum lugar, alguém achou importante me manter otimista.. me lembrar do que realmente importa.  Alguém achou importante me lembrar que a ordem de mudar foi foda, mas que eu não estou sozinho. Que depois da madrugada escura e fria existe uma linda manhã de outono. Eu marquei uma pedra de tanto que escrevi nela que teria justiça e paz, mas preciso admitir que as vezes era foda acreditar que existia um caminho. 

         Sobe o elevador pra falar com a gerência. Não adianta nada termos regras se elas são extrapoladas. De novo, eu tive o que eu mais queria ao preço de uma mentira. E, de novo, mentir não foi sequer cogitado. As experiências repetidas tem uma única finalidade: ensinar o que não foi aprendido da primeira vez. Sendo assim, eu só queria perguntar que tipo de lição eu deveria aprender. A resposta foi muito mais direta e esclarecedora do que o normal. "A lição não é pra você, é pra nós". Um anjo e um demônio andam sempre comigo. E nem nos meus melhores devaneios de importância eu achei que eles poderiam aprender alguma coisa comigo.

domingo, 5 de maio de 2019

Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece.

        Colocaram uma força tarefa pra me dar suporte e eu fui adaptando o plano da melhor maneira que pude. Às vezes a gente faz a coisa errada e se sente bem. Às vezes a gente faz a coisa certa e se sente um merda. Faz parte do jogo. E eu estava ali pra ganhar.

       Não teria como contar tudo que eu carreguei comigo quando subi naquele palco. E todas coisas ruins que larguei antes de subir. Eu fui feliz o suficiente pra irritar as pessoas ruins. Antes de tudo, o Nico perguntou se eu iria tocar. Respondi que ia tocar cada nota. E ia colocar tudo em cada uma delas. Elas tinham destino certo. No meio do show eu senti o coração ficando pequeno. Soltei o cabelo na cara torcendo pra ainda saber ficar invisível. E entre suor e lágrimas eu sorri e ninguém mais me viu.

       Foi preciso que deitassem nas minhas asas pra que eu lembrasse que elas não servem pra varrer o chão. Da outra vez a Ostra me chutou do abismo pra que eu voasse.. Dessa vez eu precisei me jogar por conta própria. O acaso me ajudou de formas que eu nem imagino, mas eu li  claramente os sinais enquanto parecia só um baixista inconsequente. 

       Cheguei em casa e fiz chimarrão. E quando amanheceu tudo estava no lugar. A serenidade que eu tanto pedi, ao meu alcance. Não posso resolver todos os problemas dos meus, mas creio que já faço uma grande coisa não criando mais problemas para eles. Quando a ordem de mudança vem, a gente muda. 

           A Carmem me deve um livro. Até lá eu volto pros mesmos livros de sempre.



Aee Frederico.. Vamoooo

segunda-feira, 29 de abril de 2019

A colheita é comum, mas o capinar é sozinho

          Já faz algum tempo que não escrevo aqui. Estava tudo morno, mas do nada acontecem coisas que mudam tudo. 

           No sábado eu carregava os estragos da sexta, e sai de casa atrasado, mas nada absurdo. Era o suficiente pra que eu me sentisse incompetente. Chegando na bier eu encontro o Leko. Por falta de definição melhor, o Leko é a versão humana de um antidepressivo. Eu me sinto bem todas as vezes que encontro ele. E é engraçado porque ele não tem idéia do quanto me ajuda. Era um baita plano. Eu entraria com o coração e ele entraria com a técnica. Seria foda. Passamos o som como quem não se importa, mas ele ficou ótimo. Nossa.. que surpresa.. era a Jack band.. eram os meus. É lógico que eu ia fazer tudo ao meu alcance pra deixar o som bom. No fim  eu tinha uma janela de 2 horas. O plano de ir pra casa ficar sozinho  era atraente. Mas o convite "fica, vai ter pizza" mudou tudo. E lá fiquei eu sem zona de segurança.

          Pontualmente as 21.30 coloquei o Maurício no palco. Como músico sou tosco, mas como diretor de palco sou implacável. Havia um horário e ele seria cumprido. Depois corre daqui e dali pra ganhar 15 minutos e colocar a Jack Band no palco. Tudo estava estranhamente normal quando eu me perguntei onde estava a mágica que eu tanto busco, parece que o Mauro me ouviu. Tocaram Enjoy the silence. E enjoy the silence tem uma letra daquelas que me desmonta mais rápido do que eu consigo me reconstruir. Eu realmente tinha tudo que precisava ao alcance das minhas mãos.

          Pára tudo (eu sei que não tem mais acento, mas  foda-se) . Aparece um sorriso igual o do Mauro. O signo certo. ¿Quantos anos.? 4? 5? Mil coisas passando na minha cabeça e uma frase do Grande Sertão: "Sertão é isto: o senhor empurra para trás, mas de repente ele volta a rodear o senhor dos lados. Sertão é quando menos se espera”. Eu normalmente racionalizaria e fugiria, mas não hoje. Eu sai de casa para ventar e não iria abrir mão dessa condição. E diante de qualquer julgamento de cunho moral, eu responderia com a mesma frase: "Nunca é alto o preço a se pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo.” Com ela eu me justifico.

          No fim de tudo, quando eu cheguei em casa e sentei na chuva, a chuva caiu e escondeu minhas lágrimas enquanto eu sorria bobo. Eu amo tanto a chuva que daria nome pra cada gota que cai, assim como nomeei os tijolos daquele prédio do lado do Galleria. Você me deram muito mais que eu merecia. 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Ventando

     É um novo trabalho, mas chego nele com os estragos de tudo que veio antes. E com as lições que os tombos deixaram:

     Não forçar o momento de soltar a flecha por medo de perder o fôlego.

     O momento em que somos mais facilmente manipulados é justamente quando tentamos manipular.

Sun Tzu


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

¿como cheguei até aqui?

      Durante a vida, fiz incontáveis piadas sobre os caxienses acharem que a festa da uva é grande. Na minha cabeça sempre foi uma festinha minúscula numa cidade pequenas com rompantes de grandeza. Mas o campeonato de ironias com o Único Acima não dá folga e já no primeiro dia de trabalho eu tive que dar 4 voltas pelos pavilhões. É tudo relativo, eu sei, mas não tenho mais coragem de dizer que isso aqui é pequeno.

     E, pra fazer tudo isso acontecer, de alguma forma juntou-se um time invejável. Olhar pro lado e ver os meus trabalhando e fazendo a festa sair do papel é mágico. E assim como foi no festival de blues e em alguns outros trabalhos especiais, não sobrou muito tempo pra que eu hesitasse ou ficasse duvidando de mim mesmo. A mesma regra: nada é pra ontem e quase tudo é pra agora.

   O tamanho do trabalho é assustador, mas de alguma forma, meu amor ao caos me mantém ainda de cabeça erguida. Os gigantes que tantas vezs me fizeram enxergar estão aqui comigo, alguns não fisicamente. O Mauro se estivesse aqui me entregaria uma cerveja bem gelada sem dizer uma palavra. A Ana colocaria um cigarro na minha boca porque sabe que eu esqueço de fumar quando entro na bolha. O Fer Costa me daria um tapa na cara e me mandaria não parar de sorrir.

    Não parar de sorrir. Admito que esse é o único plano que eu me permito ter no momento. Provavelmente esse é o único plano que vou precisar até o fim da festa da uva.



Nas incontáveis voltas que já dei nesse espaço,
a escada do coreto até agora é meu lugar preferido.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Para o leste




               Isso foi ontem, no fim da tarde. Automaticamente parei na janela, e pensei como se estivesse perguntando:  ¿Temos tempo pra mais uma dança?  Resolvendo umas últimas tretas,  olhei  pro céu e percebi que estava atrasado, mas se eu dirigisse como um idiota, chegaria no mar antes da Lua.


            Cheguei. E com os pés descalços na areia eu entrei em acordo comigo mesmo. Existe um jogo que eu não posso ganhar. Mas os outros são meus.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

A montanha não tem nenhuma chance

        Numa carteira de cigarros meio amassada, no domingo de manhã eu rabisquei  algumas palavras pra escrever sobre elas depois. Foi no curtíssimo período entre chegar em casa e me jogar na cama.

O que consegui entender da minha letra de bebum foi isso:

Lua cheia na véspera

Chuva. logicamente.

O Virgílio tocou muito. Eu sorri e fiquei invisível.

FINALMENTE

         Lembro que estava com um sorriso enorme quando escrevi. Meio molhado de chuva, meio bêbado. A sensação de missão cumprida misturada com "¿eu mereço tudo isso?". O que eu não sabia era que ia me envolver numa treta sem pé nem cabeça nos minutos seguintes. Mas é bom pra lembrar como funciona tudo. É um bar, o trabalho é literalmente uma festa, e é melhor guardar as coisas particulares para si onde se trabalha. É uma pessoa fantástica, mas gerencia certas coisas como se estivesse na 5a série.

        O fato é que nada daquilo pôde (pode) tirar o sorriso de mim. E eu ganhei um show com a Gil Vargas de presente no domingo. Só pra ser infinito. Só pra terminar o fim de semana num palco. Sorrindo e ficando invisível mais uma vez. A mágica no absurdo. 


sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Eu ainda não posso ganhar

         Recém passou da meia noite e estou esquentando a água pra terceira térmica do dia. Eu deveria dormir. Deveria fazer as pazes comigo mesmo pra dormir melhor. Mas o fato é que eu não sei dormir. E não tenho erva mate suficiente pra  fazer as pazes com quem quer que seja. Preciso mesmo de água salgada e areia pra remendar certos pedaços. Sempre fico triste quando certas coisas quebram e eu não sei consertar. E ainda existem coisas aqui dentro que eu não sei consertar.

        Há uma frase que eu repito na minha cabeça quando caio um tombo: Levanta. Sacode a poeira. Dá a volta por cima. Eu nunca fui muito gentil quando converso comigo mesmo, então essa frase soando como uma ordem serve muito bem no meu jeito de pensar. Tirei ela de uma história em quadrinhos do Logan. 

      Mas o que fazer quando a poeira não está no corpo, e sim na mente.?  E porque diabos eu lembro nessa frase durante um banho de chuva épico.? Tento me convencer que fazer 20km pedalando embaixo de um dilúvio tem a ver com capacidade e não com sentir raiva de mim mesmo. É lógico que falho miseravelmente.

      O Bledo tem razão quando fala que eu virei outra pessoa quando comprei o baixo novo. Nós músicos sabemos bem que conforme vamos tocando melhor, vamos também nos tornando pessoas melhores. Quando alguém duvida dessa teoria eu aponto pro Caldo e as pessoas entendem o que estou falando. Mas eu ando precisando do Virgílio. O fender soa  melhor, isso é inegável, mas o inferno fica melhor quando tenho alguém pra me guiar nele. Quando estou no palco e fecho os olhos pra chorar melhor, é o Virgílio que grita comigo pra manter as notas soando no lugar. Segurei ele incontáveis vezes, e acho que só confio nele pra me segurar quando eu mais preciso.

      Aprendi com o tempo é que as pessoas costumam confessar suas fraquezas apenas pra aqueles que as deixam mais fortes.Vejo minha senhora tirando a máscara e meio sem jeito falando das fraquezas dela. Sinto um certo orgulho em pensar que eu a deixo mais forte, assim como ela faz comigo. E pessoas que não julgam são tão raras hoje em dia. Vou pegar as minhas e segurar firme para não perder mais nenhuma. Mas é bobagem minha, sei bem que algumas vão embora quando eu não for mais útil. As ondas não vão parar, como disse o mar.


Falando em mar, NUNCA ME CONCEDA DESCANSAR!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Tu é o ar em movimento


          Praia, no meio da semana, só porque eu posso. E também porque precisava de sal e água pra consertar meus remendos. A alquimia estava me levando pro leste. E terminar o ano não seria nada fácil. Se nem o Diabo nem minha senhora estariam comigo, eu estava disposto a conseguir ajuda especializada.

         Deitado na rede eu senti uma sensação familiar. O mesmo sobre salto que eu sentia quando uma das minhas aranhas estava pelo meu quarto e andava perto dos meus pés descalços. Olhei pro chão perto do meu braço e vi um escorpião. Eu sabia que não ia morrer mas que se aquele merdinha resolvesse me picar iria dor MUITO. Lembrei da história da rã atravessando o rio. Acabei pegando no sono sem mexer o braço, enquanto divagava sobre o quanto precisamos ser o que somos. O quanto queremos. E o escorpião deve ter ficado ali pra se proteger da chuva. 

         Na noite seguinte, depois de um dia infinito, sentei na beira da praia antes de subir a serra, ela chegou e sentou na duna um pouco mais acima, escorando as pernas em mim. E eu achei incrível a maneira como ela conseguiu fazer isso de forma não sexual. Ela começou a mexer no celular e de repente eu percebi que ela estava fazendo a mesma coisa que eu fiz incontáveis vezes: usar as palavras das pessoas contra elas mesmas. 

        Achei ótimo estar escuro e ela estar atrás de mim. Nunca lidei bem com pessoas me vendo chorar. Ouvir meu texto em terceira pessoa e com outra voz foi estranho, mas olhando pra trás agora, percebo que era exatamente o que eu precisava ouvir. As vezes o mundo bate tanto que a gente não consegue parar pra manter o foco no meio do caos.

     Ironicamente, dias atrás eu escrevi uma carta que não mandei. Era pra uma ex namorada e falava sobre a importância de não esquecer aquilo que somos. Mais uma vez, a carta era pra mim mesmo e eu não percebi na hora. 

        Já no domingo, depois de tudo, quando eu deitei na cama, liguei pra agradecer. E eu tinha que descobrir uma coisa. Obviamente ela conhecia meu texto. Quando escrevi ele uns dez anos atrás ela já estava por perto. Mas eu queria saber que frase ela tinha usado pra pesquisar ele. E agora não paro de rir da minha própria arrogância: ela só precisou aqui e procurar por "me custa creer". 

         Eu sempre voltei pro chão caindo. E já que o céu vai ter que esperar... talvez seja a hora de aprender a pousar sem me arrebentar.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Frases simples e despretenciosas sobre grandes assuntos

"Eu gosto muito de ti. Nem parece que tu é de Caxias"



- FARINA, Diogo, 
em um dos melhores elogios que eu poderia ouvir.

domingo, 18 de novembro de 2018

Hora de costurar a esperança

           Depois de 3 dias de shows eu admito que fui para a quarta noite meio de arrasto. Meu corpo estava pedindo arrego, mas eu sabia que poderia manter meu sorriso à base de yagger. E sabia também que ia chover.

           Até que um olhar mudou tudo. Acho que disfarcei o nervosismo na voz, acho até que não enchi o olho de água quando aqueles olhos cor de céu me olharam como se eu fosse transparente. O fato é que de repente voltou tudo.

No fm de tudo ninguém me viu gargalhando sozinho na chuva. Talvez eu esteja 6 meses atrasado, talvez dez anos, mas de alguma forma, continua parecendo que tudo está acontecendo exatamente como deveria. O Virgílio voltou, voltei a me sentir em casa no palco e

Pîc Pîc

E dez anos depois eu volto a roubar flores pra deixar na porta dela.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Pra deixar de ser medroso

       Vou contar uma história. Talvez eu precise me lembrar dela depois.

       Certos shows me assustam. Eu sempre acho que sou incapaz de certas coisas, mas não dessa vez. O mundo tinha outros planos e estava cagando e andando pra minha auto estima nula. Eu ia tocar na Lucille.

       Mas antes eu precisava da minha espada e no exato momento em que eu precisei o Virgilio voltou. Um yin e yang metalizado cinza e preto. Na minha cabeça a madeira sempre vai me fazer pensar em coisas talhadas. Talhar é uma boa metáfora sobre como formamos nosso caráter. Por outro lado o metal é forjado. E forjar cabe muito melhor do que talhar no meu contexto. E cinza. Por que nem o preto e nem o branco me interessam.

       Existe um jeito de meditar no qual vc fica repetindo uma mesma palavras infinitas vezes. E chega um ponto em que a palvra perde o significado e passa a dizer exatamente o que vc quer dizer. Ou, no meu caso, toca a mesma note infinitas vezes até ela soar exatamente como eu quero que ela soe.

       E eu lembrei de tudo isso enquanto subia no palco meio correndo. Meia hora antes o Fer estava sem voz, mas já no palco ele me olhou com uma cara que eu conheço muito bem.  Ficou claro que ele ia gritar naquele microfone como se não houvesse amanhã. Não que fosse necessário. Sei bem que ele troca força por know how quando é preciso. 

       Estuda como se fosse o pior baixista do mundo e toca como se fosse o melhor. O akuma e o ken na minha cabeça. de novo. Que bom que ainda existem pontos pra serem ligados.

       Eu não sabia metade das músicas, mas não tinha tempo para ficar preocupado com isso. Na primeira volta eu ouvia, na segunda eu aprendia como tocar e na terceira eu já sabia onde estava pisando. O Mauro me salvou incontáveis vezes. Mas nenhuma novidade. Ele é desses. O Bledo batia forte e sorria...e por causa dele o groove já estava meio pronto nos meus dedos. O Fer me mantinha com os pés no chão e ria da minha cara quando eu errava. Era o maestro certo para reger tudo aquilo. Não havia mais nada que o baixista barulhento e jazzificado que mora em mim poderia querer.

        Não gritei. Não me escondi atrás dos cabelos. E percebi bem rápido que eu estava dentro da mesma mágica que eu vi de fora algumas vezes. Soar firme como um pilar, mas sem deixar de ser livre. A Fran me deixava arrepiado. Nunca deixo de me impressionar com ela.

       E essa, senhores, não foi a história de como eu toquei na Lucille. Essa foi a história de como eu lutei comigo mesmo. Essa foi mais uma história na qual eu só cheguei tão longe por estar acompanhado de gigantes.

domingo, 9 de setembro de 2018

Conexão Waterloo - Guadalajara


             Semana passada eu vesti uma camiseta do vagão e antes que eu me desse conta havia um rótulo de bacardi colado nela. O velho escudo cheio de estardalhaço. Dessa vez ele serviu para alguma coisa. Por causa dele e de um show com meus, eu percebi que estava na hora de levantar a guarda de novo. Ficar escondido num canto deixano o mundo me bater não resolveria nada. E, com uma espada nova, eu fiz um show escorado num balcão. Lembrei de algo que um inimigo me disse uma vez sobre ser senhor das minhas ações. E lembrei que certas coisas não mudam. Se me defendo batendo, é lógico que me defendo com uma espada.


              Há músicas que me desmotam. E há músicas que colam meus pedaços. Não conseguiria explicar tudo que essa música significa. E acho que não conseguiria agradecer como foi mágico tocar essa música com os meus amigos. Queria que meu pai estivesse lá pra me ver tocar. Por capricho, eu queria também a filha do seu Afonso, mesmo ela estando cansada de saber que é o meu bem querer. As outras coisas que eu queria estavam ali, ao alcance da minha mão.




              E depois mais shows, mais noites mal dormidas, ressaca pra acordar e começar tudo de novo. Normalmente eu toco no lado errado do palco da beer, na frente do quadro de waterloo. Aquele quadro já foi pano de fundo de tanta coisa. Ele testemunhou meu melhor e meu pior. Irônico pensar que justamente ele me fez lembrar do porque eu estava ali. Me fez tirar o peso das costas e simplesmente segurar um fender e ser feliz. E eu não tinha mais medo. Eu não me escondi mais. Um exagero atrás do outro. 
 

                Tudo acaba em gudalajara. E o méxico tem suas regras. O frederico que sabia das coisas.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Vai vendo... mas fica

         Perto do balcão eu ouço um som mais do que familiar: o bater de asas  do Ismael. O mesmo som que eu tento emular com meu suspiro/sorriso/soluço. Sei que já tive mais cerimônia para falar com ele, mas falei a única coisa que estava na minha cabeça naquele momento: - Ela manja do chamamé. Na verdade eu estava pensando numa parte de uma música do Jayme Caetano. "Misto de diaba e de santa, com ares de quem é dona. E um gosto de temporona que traz água na garganta."

        E ali a gente ficou olhando nossa responsabilidade. A parte que nos cabe nesse latifúndio. Senti ele me olhando e sabia do que se tratava. A frase não é minha, mas usar ela contra mim faz muito sentido. Um tenista - tinha que ser um tenista - certa vez disse que "As vezes você joga bem e perde". Nunca esqueci dessa frase. E naquele momento eu inegavelmente estava dentro de um jogo que não poderia ganhar. Mas antes de me entregar eu ainda olhei pra ele falei fieri potest. Confiar nas asas nos une de uma forma única, embora a gente use nossas penas pra fins bens diferentes.

          Vai com medo mesmo. Eu sei que mais uma vez vou perder. Eu sei que vou acabar sem nada e sem ter para onde correr. Mas a verdade é que eu não sei fazer o que faço de outro jeito.  É só um boneco de palitinhos que teima em subir a montanha pra continuar pulando. A queda dói, mas o tempo que eu passo no ar justifica qualquer coisa. Talvez em um outro lugar, uma outra vida... não sei... talvez eu encontre meu lugar no céu.

terça-feira, 31 de julho de 2018

I heard, I heard, across a moonlit sea...

             Ainda de manhã um aviso de ressaca com ondas de dois metros. E eu senti uma certa saudade da água gelada do mar. Mas o que realmente me convenceu a ir pra praia depois de tudo foi uma maga. 





             Deitado na areia, longe de tudo e de todos desse mundo, rindo de tanto chorar.. eu ainda lembrei de dizer bem baixinho. "Estou ouvindo agora, pai."

Eu confesso minhas fraquezas só pra quem me fortalece.

terça-feira, 26 de junho de 2018

O preço que se paga as vezes é alto demais

           O despertador toca e de alguma forma eu já estou acordado. Me espalho na cama e deixo o lençol gelado fazer meu corpo entender que está na hora de levantar. Não é suficiente e eu preciso de muita força de vontade pra me arrastar até o banheiro de olhos ainda fechados pra tomar um banho. A agua não cai gelada, mas ela está longe de estar quente. Me agasalho pouco com um roupa de mendigo e saio pra pedalar. ¿Que espécie de pensamentos me trouxeram até aqui? Por que diabos eu gosto desse frio e dessa chuva fina nas madrugadas.? Queria lembrar que mês os franceses chamam de brumário. Menos de 500 metros depois o frio já chegou nos meus ossos. A garoa gruda na pele mas eu mantenho minha parte do trato com a chuva: não abaixo a cabeça. Quando meu corpo tenta reclamar eu pedalo mais forte até o cansaço e a dor nas pernas ofuscarem qualquer tentativa de sentir pena de mim mesmo. Às vezes eu pedalo 2km. Às vezes eu pedalo 20km. Às vezes eu persigo idéias, as vezes eu fujo de pensamentos ruins. Com a cidade vazia eu me sinto mais livre. Existe uma rua onde os anjos falam comigo e eu escuto eles melhor quando é madrugada e a cidade inteira dorme.

           Várias gripes me ensinaram da pior maneira o que o suor faz quando esfria no corpo da gente. A água pro chimarrão ferve enquanto eu tomo um banho quente. Ainda falta um tempo até o amanhecer e descansar, como se sabe, é ir fazer outra coisa. Toco um baixo desplugado sem fazer muita força. Depois de 20 anos tocando, acho que consigo imaginar as notas e ouvir elas na minha cabeça. Mas não me engano, é um mero exercício para os meus dedos.

           A tendinite me lembra que amanheceu e que tenho outra empreitada para me punir. Sento em frente a um maldito quebra cabeça e preciso segurar as peças com a mão esquerda e forçar a vista para seguir em frente. Andar mancando na direção certa ainda é melhor que sair correndo na direção errada.

           Temos tanto ainda por fazer. Eu admito que fico triste quando penso que vou ter que fazer tudo sozinho. Mas a solidão ainda é melhor do que colocar outra pessoa dentro do meu inferno.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

¿Is that enough.?

        No sábado, chego em casa depois do show e abro uma gaveta pra jogar dinheiro e cigarros dentro. O cheiro de um bilhete que eu guardei me machuca de um jeito que não consigo explicar. Eu não tenho problema nenhum em fugir quando enfrento algo que não posso vencer, mas ir pra praia não era uma opção. Estou num impasse com o mar e acho que só em agosto resolveremos tudo.

          Um baterista me manda mensagem me agradecendo por ser meu amigo. Queria que ele pudesse entender o quanto faz diferença cada vez que eu olho para o lado e vejo ele sorrindo. Eu estou ali perdido e sem rumo, mas ele bate forte naquela bateria e, de alguma forma, isso me ajuda a seguir em frente. Cada vez que ele sorri  eu entendo porque o inferno nunca me assustou. Eu estou em ótima companhia nele.

           Se eu não tive o mar, na segunda tive dois olhos azuis que olham através de mim faz 24 anos. A felicidade dela é um pouco minha também. E saber que ela e o Dani se encontraram me deixa muito satisfeito com o mundo e com o rumo que as coisas estão tomando. Tudo vai dar certo.

           Na terça vou para o uruguai. o mundo ficaria melhor se houvessem mais pessoas que me ligassem e dissessem "tô passando aí em meia hora, vamos pro Uruguai". Durante a viagem eu tive um anjo mudo empoleirado do meu lado enquanto meu demônio ia tentando negociar comigo. Cada um do seu jeito, ambos me ajudaram. Tudo que me obriga a olhar para dentro de mim mesmo serve.

            Aí aparece a cigana querendo ler minha mão. Segurei a mão dela e falei sem nem perceber que estava falando em espanhol: "No necesito saber nada sobre mañana Que Santa Sara la proteja y cuide siempre de los tuyos." Ela me olhou assustada e se afastando falou algo que não entendi. Lição de Marketing internacional nº1: Voce não precisa ser grande coisa, mas fica muito mais fácil negociar quando pensam que você é grande.

            Dentro da loja, vejo um uruguaio com cara de cearense que é sem dúvida o melhor funcioário dentre todos os free shops de Rivera. Deixei ele e o joal tratando das coisas sérias enquanto pedi ajuda pra recepcionista com cara de xina. Depois de vários sorrisinhos, pensei em totas as inconsêquncias dos gaúchos que me precederam na banda oriental e perguntei sem hesitar: ¿te puedo hacer 3 preguntas?
E aí fica a lição de mkt internacional nº2 quem procura acha, quem desloca recebe; e matéria atrai matária na razão direta de suas massas e na razão inversa do quadrado de suas distâncias.

             Quem pede tem a preferência.

       Penso que evitar conflitos que eu não consigo prever nem o fim e nem as consequências não seja covardia.


terça-feira, 8 de maio de 2018

Foi por aqui que eu perdi

       Assisto um video de uma raposa vendendo um guarda roupa.. 10, 20, 123 vezes. Aperta forte um relicário na mão. Tem vezes que eu hesito. tem vezes que eu acho que estou fazendo tudo errado e não consigo nem me explicar pra mim mesmo. Na parede uma trompa azul ri de mim enquanto jogo meu celular longe pra não telefonar. Não dizer que sinto falta. Não dizer que tá foda. Até Azeroth perdeu o sentido

        De alguma forma a angústia que sinto comove alguém do 27 andar e eles mandam a alma gêmea falar comigo. Ter as ferramentas certas é fantástico. De todas as pessoas do mundo, poder usar a única que não me deixou nem 1% melhor, mas me lembrou com maestria de como as coisas tendem a ficar melhor quando eu me afasto. E de que ainda tenho trabalho a fazer.

        Eu escolhi tudo isso senhores, mesmo quando o desespero me cega eu não esqueço disso. Era pra ser muito diferente, mas certas escolhas estão muito acima de mim.  Estou no chão mas não perdi minhas asas. Já passamos por coisas piores que isso. Eu sei que se eu chegar em agosto, tudo ficará bem.

        Mas, por favor, até lá, NUNCA ME CONCEDAM DESCANSAR

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Faltaram apenas as tranças

- E como está indo o plano.?
- O plano está indo excelentemente bem.
- Tu não parece bem. Eu sempre sei quando tu chora tocando.
- O plano não envolve eu ficar bem. Estou sozinho, estou quebrado. Mas as pessoas ficam melhores sem mim. E tudo está se ajeitando de formas que eu nem imaginava possíveis. As pessoas fodas acabam se encontrando.
- O que tu quer com tudo isso.?
- O que eu quero não importa.
- Tu é o cara mais covarde e ao mesmo tempo o mais louco insano  que eu conheço.
- Gêmeos com ascendente em gêmeos, ao seu dispor. Meu trabalho é saber o que as pessoas não sabem. Isso sempre me fez solitário.
- E agora.?
- Agora eu vou pra lá.
- O que tem lá.?
- Um monte de água salgada.
- Isso é tão 2007. Tu indo pra praia depois de um show
- Existe na minha vida essa repetição que acontece sempre.

domingo, 29 de abril de 2018

Ego quondam iterum

         Maldito Héfeso. A nóia dele com o ponto fraco na armadura está inscrita em mim também. Ou talvez eu seja burro demais. mas posso me justificar. Não há nada aqui que eu queira defender, ¿por que me preocuparia com uma armadura.?

           Um metro quadrado ou talvez um pouco mais. Era o espaço que eu tinha em cima do palco. Era meu reino. Meu bunker. Meu agora. Do meu lado o Robledo e o Duda. Com uma banda boa eu me sinto invencível. Eu não sabia as músicas, mas eu não me importava. Era pra ser divertido, era pra ser libertador. Era pra pedir uma carta de alforria pra dor que passeia comigo de mãos dadas. Mas o que você mais teme pode te encontrar no caminho. Nenhuma novidade, sempre que eu me sinto invulnerável a vida me dá uma voadora. E eu percebi que estava de volta no inferno. E fez falta o Virgílio. Quando eu desmoronava tocando ele tocava sozinho. E ali estava eu sem espada e sem condição nenhuma de me defender. Na minha cabeça ecoava um velho tango. Sorrir e ficar invisível não era possível.

            Assim como aconteceu em Paris, eu sabia que ia perder tudo. E que ia precisar tirar força do cu pra sustentar minha escolha.

            Há um velho livro por aqui com um poema escrito em latin.
            Essa é a única frase que eu deveria tatuar.
perfer et obdura
dolor hic tibi proderit olim

sábado, 28 de abril de 2018

Das coisas que obviam

         37 anos depois eu descubro que existe mais do Peca em mim do que eu podia imaginar. No meio de um feriado chega uma comitiva pra buscar meu pai, torneiro mecâncico aposentado, pedindo ajuda pra concertar alguma coisa. Não sei porque acabei indo junto.

           Uma ponta de eixo quebrada, e um monte de coisa torta. E ele botou o guardapó e o óculos do mesmo jeito que eu amarro meu cabelo num coque quando sei que vai ser foda.  A gambiarra é de família, agora eu sei. E correndo pra lá e pra cá atrás de um torno o Peca deixou até o engenheiro impressionado. E é claro que ele fez piada quandoo engenheiro pediu pra ele ensinar o porque fazia as coisas do jeito que estava fazendo. 

          Quando viu que o cara estava soldando errado, foi lá e soldou, E odiou do mesmo jeito que eu odeio estanhar cabos.

           Naquele momento eu entendi o tamanho do meu pai. E percebi que, mesmo se eu estivesse tocando para 1 milhaõ de pessoas num estádio, ainda assim ele seria maior.

        Depois de tudo, sozinho e reconhecendo minha escolha, a madrugada seguia ensurdecedora. Mil vezes eu peguei o celular na mão pra mandar mensagem pedindo ajuda. Mas eu escolhi me afastar pra não machucar. E longe de tudo, só sobrou uma pessoa que não me julgaria.

domingo, 22 de abril de 2018

Eu vivo pra me sufocar


            Muito antes de saber que vagrant significa errante em inglês, eu joguei um jogo chamado vagrant story. Eu era um riskbreaker e aprendia magias novas através de grimórios. Muito se falava sobre o grimório definitivo, que continha o segredo da magia mais foda. E eu passei meio jogo procurando um livro. Até que um inimgo perguntou "¿Mas porque vc acha que o grimório definitivo é um livro?" O grimório definitivo era uma tatuagem enorme nas costas do cara que fez a pergunta. Eventualmente eu consegui uma tatuagem igual para aprender a magia que eu precisava.

                A idéia de uma tatuagem nas costas vem precisamente desse jogo.

             Há uma música da blackbirds que diz "eu quero uma nova guia".  Como filho de Iansã, eu sempre achei que guia era uma coisa. Mas ontem eu vi que não. E perguntei pra mim mesmo sorrindo "¿Porque vc pensou que guia é um cordão de colocar no pescoço.?

                E, como fez dezenas de vezes antes, minha irmã me ajudou a me encontrar.


quinta-feira, 19 de abril de 2018

A lo lejos

         Tem duas poesias que eu sempre me lembro quando vejo o mar. A Cecília Meireles colocando o sonho dela num navio e  os versos mais tristes do Neruda.




E mais de 100 vezes eu gritei esses versos dentro da água. mas nunca foi a última dor. 
E nunca será, por que minha alma nunca aceita que eu a perdi.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Antes de Nietzsche e Tool, Pearl Jam e Júlio Verne

           Divido as fazes da minha vida em bandas e autores. Sempre um e outro. Sempre um ao mesmo tempo que o outro.  Mas houve uma vez dois verões em que eu li Neruda.  E naqueles verões e não toquei nada. Nada poderia ser mais musical que um chileno apaixonado.  Em vez de tocar eu escrevia poesias na areia entre as ondas e  as dunas. A solidão me partia em dois e eu não tive opção a não ser aprender a me reconstruir mais rápido do que me desmonto. 


De las estrellas que admiré, mojadas
por ríos y rocíos diferentes,
yo no escogí sino la que yo amaba
y desde entonces duermo con la noche.

De la ola, una ola y otra ola,
verde mar, verde frío, rama verde,
yo no escogí sino una sola ola:
la ola indivisible de tu cuerpo.

Todas las gotas, todas las raíces,
todos los hilos de la luz vinieron,
me vinieron a ver tarde o temprano.

Yo quise para mí tu cabellera.
Y de todos los dones de mi patria
sólo escogí tu corazón salvaje.

sábado, 14 de abril de 2018

Um horizonte a menos

         No xadrez abra o jogo como quem lê um livro. No meio do jogo seja um soldado que defende cada peça e cada posição. E no fim, escreva uma poesia. Essa foi a melhor lição de xadrez que eu jamais tive. 

        São fases, eu sei. Não fugir por medo não me dá aval pra fugir pra sempre. Posso correr pro mar quantas vezes quiser, mas sei que certas respostas não estão lá. A água salgada me conserta nessas madrugadas que eu fujo pra amanhecer sozinho na praia. Mas vou ter que voltar pros livros do Iung que eu não entendo e pras músicas do Tool que eu não consigo tocar.

        Dentro de uma garrafa eu tenho uma epifania. E com uma tequila eu não brindei à putaria; brindei aos sinais que ficaram anos tentando me mostrar a mesma coisa.

          Ironicamente alguém está tocando Bush no meu violão em algum lugar.

         Se meu anjo ainda estivesse aqui ele estaria gargalhando sentado na minha janela aberta. O frio me mantém focado assim como a tristeza me faz competente. O que eu quero não é importante, mas isso não significa que eu não queira muito certas coisas.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Pega-peixe é especialidade da família

        Quando nossos olhares se cruzaram eu demorei o tempo de uma batida de coração pra perceber que ela era exatamente a pessoa que eu precisava encontrar. Soltei aquele meu riso meio suspiro enquanto pensava no trabalho que deve ter dado fazer a gente se encontrar. Ali estava minha irmã. A Dulcinéia pra me lembrar do meu trabalho. E diferenciar moinhos e gigantes é tão fácil pra ela.

          Acordei de susto e saí da cama já correndo. Ás vezes a gente sabe exatamente onde deveria estar. Eram 3 horas da manhã, eu tinha tempo, mas a urgência era justificada.

         Anos atrás o mar tomou de mim a minha fé. E levei anos para construir uma nova. Hoje entreguei minha esperança. É preciso me libertar. Não vou vencer a tempestade se insistir em ficar carregando peso inútil.