quarta-feira, 24 de junho de 2015

Triplamente protegido

         Não beber é paliativo. Não passa de uma solução superficial para um problema mais abaixo. A bebida nos tira os freios e as máscaras que usamos para parecermos mais aceitáveis socialmente. Uma garrafa depois e estamos mostrando o que realmente somos, aquilo que pensamos e não nos permitimos mostrar. E de repente pra nós faz sentido tentar algo impraticável e correr todos os riscos desnecessários possíveis. Curtir uma situação beirando o insustentável que pra gente está legal.. mas que pros outros é absurdamente impensável. 

Ou mudamos o que somos para que a ausência de máscaras não nos destrua ou evitamos álcool como quem tapa o sol com a peneira. 

Pena que ninguém muda. Pena que aceitar o que somos as vezes é tão difícil. Por muito tempo li A Arte da Guerra e O Príncipe procurando alguma verdade secreta neles. Procurando algum método que torne mais suave o caminho para transformar pensamentos em ações. Acabei descobrindo que estava apenas procurando alento. Justificativas racionalizadas para ser como eu sou. Para não me importar com o que pensam de mim e como me julgam.

Ironicamente, eu não lembro nem de Maquiavel nem de Sun Tzu quando bebo. 

Eu penso em Osho e Nietzsche 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Paz de cemitério

Não importa o dia, a festa, SEMPRE que não saio acabo descobrindo depois que deveria ter saído. Que havia em algum lugar, uma pessoa ou evento que precisava do meu envolvimento. Sentimento do Blitz. - Oh man!

Almoço com a minha senhora. Alguém que te conhece sem que tu fale nada e que termine tuas frases melhor que tu mesmo não tem preço.

Depois vai ajudar uma amiga, não porque ela merecesse ou porque eu sou o cara pra ajudar quem precisa. Mas ela pediu e sabemos bem como é difícil pedir ajuda. Em troca conheci uma cachorrinha que não parou quieta um segundo e que foi muito simpática em não me morder forte. 

Como é bom conseguir guardar segredos. Isso de fazer e pensar coisas e não contar pra ninguém é meio que libertador. 

E os dias vão passando e só. Parece que estou aprendendo alguma coisa, mas não sei com certeza.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Estripulias

          Isso é de um livro velho, mas eu sei que é diferente. Rabisquei de memória uns pedaços e escrevi o resto. E faz dias que olho pra um pedaço de papel jogado na minha mesa tentando salvar as rimas ou a métrica.  

E não tem como salvar nenhum dos dois... Por mais que a gente se esforce, algumas coisas ficam erradas mesmo.


E eu fiz tanta estripulia
Que de novo o rei me chamava
Pra casar com a sua filha
Eis o dote que ele me dava:
Oropa, França e Bahia
Se eu prometia que me comportava.

Mas eu disse que não queria
Porque ela não me amava
E dela eu sempre fugia
Porque ela sempre me machuvava.
Um homem melhor ela merecia
Melhor que que ela sonhava.
E a princesa teria muita alegria
Se um adeus ela me dava.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Às vezes é a espada que me defende

O Vírgílio queria um palco, eu queria saber se ainda era capaz. E queria me sentir seguro, pelo menos por um tempinho.  Consegui um show pra ele e ele me defendeu. 

Ainda lembro das palavras 


"O errante vagueia pela terra a procura da resposta para suas preces mais tenebrosas 

Ela está para além de qualquer esperança - mas, no entanto, a salvação ainda é possível.

Por que? O que faz um mortal tentar o impossível.? Dizem que as almas, uma vez perdidas, não podem ser reclamadas. Mas, com essa espada, talvez não seja impossível. 

Tudo lança uma sombra. Quando uma entidade existe para além do reino mortal, os homens pouco mais vêem além de sombras. Mas há uma espada antiga. Sem ela, não será possível encontrar aquilo que o errante deverá vencer. E se não for encontrado, não poderá ser destruído.

Ilumina-a e ela iluminar-te-a."



E choveu. O resto é história.

domingo, 7 de junho de 2015

Fateweaver

           Agora, olhando pra trás, faz todo sentido eu ter odiado o Danzo desde a primeira vez que o vi. Tenho todos os defeitos do mundo...sempre odiei quem é parecido comigo. Menos a minha senhora.. de certa forma ela é a minha redenção. Jogou um pouco de luz e carinho naquilo que pra mim são só sombras e becos escuros.  Somos iguais, mas gosto de pensar que o lugar dela é nos galhos, brilhando ao sol.. enquanto o meu é nas raízes, sustentando um bem maior. No fim, a árvore floresce e isso me basta. Andar mancando na direção certa ainda é melhor do que correr na errada.


sábado, 6 de junho de 2015

Fora de contexto


            Um paulista me chama no palco pra tocar Nirvana. Ele não sabia, mas me deixou sem chão. Quem não tem chão tem que confiar no céu. A irmandade manda recado. Tudo é permitido. Nada é verdade. Eu sabia o que fazer e não cabia em mim de contentamento. Poderia fazer o que faço de melhor. Era só sorrir  que eu ficaria invisível. A letra de Polly pesando. Uma tonelada de memórias. O acústico, o suspiro. Ele morreu. Morrer. Um baixo estranho mas meus dedos sabiam o que fazer. As luzes piscam e o som do baixo fica mais alto. Havia um dos meus atrás da mesa de som, exatamente onde eu sabia que ele estaria antes mesmo dele pensar em ir. Esse é o plano. Colocar tudo no lugar. Ficar invisível para não incomodar mais ninguém. Solta o cabelo e sorri. Fecho olhos e vejo a mesma imagem. A mesma tendinite corroendo meu braço. Talvez não esteja tudo perdido. Asas sujas. Cortar elas. Chorar no palco.  Eu posso, ali sou invisível. Ali a dor e loucura não podem me machucar. E talvez ninguém nunca entenda como isso me liberta.  A maré muda. Mas existem marés e existe a Lua.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Paradigmas

         Meus planos, os bons pelo menos, sempre se basearam na ideia de que as situações ruins e adversas são inevitáveis. Queria poder dizer quer era uma escolha tentar moldar as pessoas em vez de moldar a situação... até porque acreditar nas pessoas faz toda diferença. Mas eu estava enganado. Nunca foi escolha. Era incompetência ou incapacidade para prever problemas antes deles acontecerem. Era deixar o circo pegar fogo enquanto torcia para que me ajudassem a tentar apagar. Em suma, uma tolice sem tamanho. 

      Ainda acredito na pessoas, talvez até mais do que antes. Já testemunhei feitos incríveis, para o bem o para o mal.  Mas agora faço parte do time que tenta deixar tudo ao redor melhor pra que cada um possa dar o seu máximo. 

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Fora dos livros de história


        No tempo em que Getúlio Vargas era presidente do Brasil, prefeitos não eram eleitos, mas sim nomeados, eis que o prefeito da cidade de São Borja escreve-lhe a telegrama a seguir: 

"Presidente, preciso de Vossa ajuda. Cada homem tem seu preço e eles estão chegando no meu ."

domingo, 31 de maio de 2015

sábado, 30 de maio de 2015

O plano não era nem meu...

Lista do top 3 melhores presentes

1. Minha esperança.
2. Um guarda chuva amarelo (esse não foi entregue mas a ideia foi genial)
3. As mensagens pra mim começar e terminar o dia.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Um checkin nas ondas



Sem dúvida nenhuma, a mensagem mais surreal de aniversário. A 3M se puxou.

"Um cédage do 6851 dair ipsír.
Ou roa tesquo nombse quilde quoamimer lerrer banhopor. 
Fea i únpami voz quo orcsova inge irram.
Ortose quo vecô ialdi olpoldi o quo nombsis di taidi der tór celgonider po fiçi ressas

Fonaz ilavosrísae, Paige. 
O tsi orro pou orcsivalhe quo pu doaxi mildis om pa chimide volpe.
Quilde pu moler ortosis veu orpis ià chupilde puir munopir tsi nelgo."



segunda-feira, 25 de maio de 2015

Uma parábola familiar

      Quando tudo silencia e a festa acaba, eu me sinto bem por finalmente sentir como se eu pertencesse a isso tudo. Por ter silenciado, ao menos em parte, a sensação de que estou atrasado e fora do meu lugar. A ideia de que as coisas acontecem apesar de mim e não por minha causa  enche o mundo de leveza. E me libera do peso da arrogância. Claro que tudo isso não faz com que eu me sinta menos sozinho. Ou melhor, não faz com que eu seja menos sozinho. Estou longe de me entender comigo mesmo, mas as vozes aqui dentro não gritam mais. E eu juro que escuto gargalhadas quando fico em silêncio. Há o que eu sou, o que eu quero e o que eu mostro. Em algum lugar dentro da mítica do número 3 essas três coisas estão se aproximando cada vez mais. 

         São  3 da manhã e está chovendo. O silêncio não é mais tão ensurdecedor. Meu universo é barato. Posso enlouquecer por ter perdido a esperança, mas o medo não me perturba mais. Nunca estive mais forte do que quando admiti que estava vulnerável. A tristeza não conseguiu me deixar mais eficiente do que a coragem. Nunca quis tanto viver desde o momento em que aceitei que não tenho mais nada a perder. 

          E nunca estive mais são do que quando admiti que estava louco.

domingo, 24 de maio de 2015

Frases simples e despretensiosas sobre grandes assuntos

Esperança é tão útil quanto um alçapão numa canoa.

- Um dos Luíses... um dos melhores, na verdade.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Um mundo cinza

        O passado volta, mas isso não é necessariamente ruim. Eu sei que caráter não se ensina, mas se fosse possível ensinar, o Ângelo seria reitor da universidade. Em algum momento eu lembro que regulei o baixo dele e ele me falou que queria me ver tocando uma música. E eu disse que um dia quando estivesse pronto iria tocar.

          E a música fala sobre cores se misturando e ficando cinza. E justamente agora que pedi pro mestre pintar o Virgílio de cinza, escuto a música sentindo que é a hora. Estou tocando ela já faz umas 4 horas. Mais uma noite sem dormir. Todas as cores se misturam e se tornam cinza. Essa metáfora é tão minha. 

Mas meu coração já lida bem com isso.



segunda-feira, 18 de maio de 2015

Vem comigo

       E minha fama chegou na cidade muito antes de mim. Dois passos dentro da festa e encontro um irmão. Mais um passo e encontro os melhores sorrisos Sabia que estaria seguro e que daria tudo certo. Eu estava em casa. Aquele caos me soava familiar. Aquele abraço era onde eu queria estar. Do jeito que deu, me comportei. Ou não, dependendo do ponto de vista. Fica a certeza de que voltaremos mais vezes.

        Com uma noite épica termino uma sequência de 10 noites seguidas de festa. No meio do inverno. Não foi fácil e não teria conseguido sozinho. Aprendemos muito sobre o que podemos. Eu acredito que deva ser assim mesmo, quando menos esperamos, precisamos provar do que somos feitos e do que somos capazes. Agora preciso de descanso. Planejar com muita gente envolvida está sendo um desafio e tanto. Até cartas precisei escrever. Felizmente, pessoas sempre serão pessoas. Mas sou obrigado a admitir que tudo funciona melhor quando cada um sabe o que está fazendo e porque está fazendo.

       No fim de tudo, a única pergunta realmente importante sobre a festa#10 é: ¿como diabos ela conseguiu uma lata de tinta e um pincel pra pintar o chão enquanto eu andava de balanço.?


sexta-feira, 15 de maio de 2015

quarta-feira, 13 de maio de 2015

O paraíso não vai ficar vazio.



         No meio de uma janta aleatória eu sinto as coisas diferentes. Percebo que estou ajudando e que estão me ajudando também. Sinto que estou ensinando e aprendendo cada vez que a gente se reúne e conversa sobre como foi nosso dia ou sobre o que estamos fazendo da vida. Sobre o que somos. Lembro que guardava meus planos e estratégias como se fossem algo sagrado e secreto, mas agora divido eles com meus amigos. É assim que divido minhas conquistas com eles.  E está valendo muito a pena.

         Mas ainda deito em puffs no meio de um shopping e soluciono problemas com chopp. Talvez nem tudo tenha mudado. Às veze até sinto minha falta... mas na maioria do tempo acho que foi um alívio.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Entre os montinhos e a festa#5


          Que bom que voltei a escrever (Je e Patrolinha, muchas gracias). Escrever de forma ambígua continua me divertindo. Eu posso colocar meu coração em cada palavra e ser muito sincero, mas outra interpretação sempre é possível. Então, ninguém pode afirmar com certeza que sabe do que eu estou falando.

          Mas tem quem tente, e isso torna tudo muito melhor. A experiência mostra que as pessoas julgam o mundo baseadas em si mesmas. Quem é bom enxerga bondade nos outros. Que é ruim só enxerga defeitos. Os anos vão passando e ainda fico impressionado  quando alguém consegue achar que me conhece por causa do que eu escrevo. Por causa do que projeta em mim. Convivo com pessoas por anos sinto que não as conheço integralmente. Nem eu me conheço direito. Mas julgar os outros com base nos próprios valores e princípios realmente é mais fácil. Não diria justificável, mas fácil com certeza.   

Mas é tudo como tem que ser. Se há uma coisa com a qual sempre poderemos contar é essa avidez que as pessoas tem por controle, por conhecimento.  A falta de controle gera medo. E ultimamente o medo tem derrubado vários. Eu sempre disse que me considerava uma pessoa simples, mas agora percebo que usava a palavra errada. Eu não sou simples, eu sou lógico. Existe um código e um padrão que eu sempre sigo  - grande novidade, todos tem um padrão. E depois que se entende esse padrão, fica fácil entender qualquer pessoa.

              E por fim, que bom que a verdade me libertou. A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido. Lucas 12, 48

Foi caro.. E difícil.

Pensando no fim de semana, lembrei de um trecho de um livro.

"O guerreiro dificilmente sabe o resultado de uma batalha quando esta acaba.

O movimento da luta gerou muita energia a sua volta, e existe um momento onde tanto a vitória como a derrota ainda são possíveis.  Só o tempo irá dizer se ele venceu ou perdeu: o destino daquela luta – e de todas as que travou – está sempre nas mãos de Deus.

Nestes momentos, o guerreiro da luz não fica preocupado com os resultados. Examina seu coração e pergunta: “combati o bom combate?” Se a resposta é positiva, ele descansa.  Se a resposta é negativa, ele pega a sua espada e começa a treinar de novo.

Uma outra batalha o espera.  Se continuar lutando, sempre pode modificar um resultado negativo."

Estou me sentindo um pouco assim. Sacrifiquei muito pra que tudo acontecesse como aconteceu. E ainda não sei direito como tudo se encaminha a partir daqui. Sigo em frente, tentando me equilibrar entre escolhas e consequências. Até porque, não sei descansar ainda.

E tem o Potro achando que vamos freiar ele. Em algum momento ele vai acabr descobrindo que é ele que vai freiar a gente. 

Um gato disse certa vez: "Eu sou louco, você é louco, todos somos loucos! Se nâo fôssemos loucos não estaríamos aqui."

domingo, 10 de maio de 2015

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Dulcineia is back

Havia um site séculos atrás onde as pessoas tinham que mandar histórias com apenas 6 palavras. Não lembro do site, mas poderia contribuir com ele.

Ele amou. Ela não. Tão típico

Achou a alma gêmea. Somente ele.

Estranhos... Amantes... Mais?... Muito rápido...  Estranhos

E séculos atrás havia uma irmã.. E ela voltou quando eu mais preciso dela. E com um rabisco que eu quero na minha pele.

Uma coisa muito comum quando eu falo de how I met your mother pra alguém ou converso com alguém que já assistiu é ser comparado com o Barney. Admito que meu jeito de gerenciar a vida e que muitas das minhas atitudes apontam pra ele, mas eu ainda me acho parecido com o Ted. Eis uma fala dele:

"Os grandes momentos da vida podem não ser necessariamente as coisas que você faz, mas também as coisas que acontecem com você. Não estou dizendo que não devem tomar uma atitude. Para algumas coisas na vida, vocês precisam de atitude, e vocês terão.  Mas nunca se esqueçam que a qualquer dia poderão colocar o pé pra fora de casa e sua vida inteira poderá mudar para sempre. O universo tem um plano, crianças. E este plano está sempre acontecendo. Uma borboleta bate suas asas e começa a chover. É um pensamento amedrontador, mas também maravilhoso. Todas as peças da máquina trabalhando constantemente para que você fique exatamente onde deveria, exatamente quando deveria. No lugar certo, na hora certa." - Ted Mosby

Independente da minha loucura,  Esse é o tipo de coisa que eu falaria

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Lua cheia e geada

         O despertador toca e eu levanto apressado. Sei bem como é essa época do ano e não dou muita chance pro meu corpo me convencer que ficar embaixo das cobertas é melhor. Meu primeiro pensamento consciente é embaixo do chuveiro. Tudo que acontece antes disso é só minha força de vontade. De passagem pelo espelho dou um sorriso resignado. Tem dias que acho que eu deveria dormir mais. Tem dias que eu acho que deveria dormir menos. Ainda assim, esquento a água com uma ansiedade que só ofrio dá.

            Volto pro meu quarto e a sensação de que estou atrasado e que deveria ter dormido mais continuam se debatendo. Acordar cedo faz meu dia render, mas não decidi ainda se isso é um objetivo ou uma fuga. De qualquer forma, ligo o metrônomo e começo a estudar. Deixo o quarto o mais escuro que posso para que o amanhecer seja mais perceptível. Todo pensamento sobre coisas pra fazer ou pessoas pra falar fica adiado pra depois das 8h. Todos os dias quando acordo, fico pouco mais de duas horas focado em me tornar um músico melhor. Se eu for um músico melhor, serei também uma pessoa melhor.. essa foi a maior lição da faculdade em São Leopoldo e das madrugadas no bunker. É impossível negar a relação que existe entre um homem e seu trabalho. 

            No meio das harmonias e dos ritmos tortos, isso, eu olho para um anel preso nas cordas do Virgílio. Fico me perguntando se ela ainda pensa em mim quando acorda, da mesma maneira que eu pensava nela. 

segunda-feira, 4 de maio de 2015

É tanto...

           Ter o Alan por perto no fim de semana foi bom. Ele também é um palhaço. E sempre que lembro dele vem junto essa história. A maquiagem borra de vez em quando e a voz hesita mas o espetáculo não pode parar.

"Existe essa coisa de transformação para poder enfrentar tudo. É tão semelhante com a nossa existência, toda máscara que utilizamos no nosso dia a­ dia, nesse grande espetáculo que é nossa vida, e nesse circo que é o planeta. Independente do que aconteça, o palhaço tem que entrar em cena, o espetáculo não pode parar. Independente de todas as tragédias que estão acontecendo, sempre temos que passar uma mensagem de alegria. Essa imagem do palhaço é muito forte. Ela também nasceu de uma poesia: o filho tinha vergonha do pai, por que o pai era palhaço. O filho se formou em Direito e seguiu outro caminho. Um dia o filho visitou o pai, que já estava no leito de morte. Ele era uma pessoa muito amargurada. Então ele se acocorou, pegou a mão do pai e disse: “Pai, me ensina a ser palhaço?”. E o pai respondeu: “Isso não se ensina seu bosta! "


domingo, 3 de maio de 2015

Nem farrapos nem praia

          Ele sabia que não ia conseguir me ajudar sozinho então chamou a ajuda de um belo time. Meus moinhos de vento sempre serão gigantes. Sempre vou forçar o melhor das pessoas esperando que elas façam o mesmo comigo. O tempo passa devagar quando você está procurando um único rosto em todas as pessoas ao redor. Quando parece que todas as músicas fazem sentido. 

Depois de tudo, quando entrei em casa e vi que estava seguro, tomei um banho pra lavar a alma. Não que eu estivesse cansado , mas a intensidade da noite deu trabalho. Minha visão de equilíbrio permanece: Só há equilíbrio quando o risco de cair é real. Ajudei quem estava por perto na mesma medida que nos ajudaram. É assim que funciona, agora eu sei. A alquimia estava ali e eu me senti dentro do todo. Fazendo parte da maré que mudou. Poucos viram que não estava tudo bem e se surpreenderam quando eu falei o que estava acontecendo sem metáforas ou joguinhos ou planos mirabolantes. 

Obrigado Vento, foi exatamente que precisávamos. O acaso nos ajudou de formas suaves que nem imaginamos e sou grato por isso também  No fim, talvez o Potro tenha seja realmente parecido comigo. Ele não acredita em si mesmo, ainda que saiba do seu valor. Mas quando o momento chega, ele aceita o fardo de ser exatamente o que é preciso que ele seja. Sinto orgulho dele por isso.

sábado, 2 de maio de 2015

Ser remédio ou veneno é só uma questão da dose

        - Vento, faz poucos dias que tivemos uma das conversas mais importantes desde que nos conhecemos. Ambos sabíamos que estávamos fazendo a coisa certa e que o teu tempo havia passado. Insistir seria a destruição de ambos. Essa conversa caberia num mês de agosto. Mas hoje eu preciso de ti de novo. Sei que poderia fugir mas não vou fugir pelo motivo errado. De um jeito ou de outro eu quero enfrentar as consequências pelos meus erros. O conceito de punição que uso para os outros, uso também e principalmente para mim mesmo. Tenho medo e sei que vou com medo mesmo, mas não quero mais me esconder atrás de um ar superior. Não quero mais fingir que não sinto nada ou sorrir um sorriso vazio. Sei bem o caminho que sigo quando me sinto machucado, mas dessa vez faremos diferente. Tantas vezes te ajudei a não cair no abismo. Não me sinto em condições de exigir nada, mas humildemente peço ajuda. Estaremos no controle, eu prometo. Não haverá nenhuma bebida ou nenhuma droga para prejudicar nosso discernimento. Eu vou estar no controle, mas preciso que você me lembre que sou forte. Que ser eu mesmo não está errado. Que nada nada nada disso tem a ver com merecimento e que a ilusão dos apostadores não funciona. 

          A resposta não poderia ser outra. Diabinhos corporativistas sempre usam as mesmas palavras - Você vai fraquejar, você não vai saber o momento certo. Sua mão vai hesitar. Deixa que eu te ajudo.

E saio de casa cantando um tango. Todo barco precisa de um porto.

O silêncio dela é foda.

         Cheguei em casa me perguntando ¿e o que aprendemos hoje?. Depois de tanto fingir que sabia de tudo, foi preciso aceitar que preciso aprender muita coisa ainda. Uma tarde  entre  pessoas maravilhosas e eu me sentia envolvido e não testemunhando. Uma noite tomando água e com poucos cigarros para aprender que um sorriso sincero funciona muito melhor que qualquer personagem. O segurança me olha eme pergunta o que estava diferente em mim. Respondi que estava kardashiando. Queria poder explicar o que está explícito no meu olhar.

         O silêncio dela é foda, mas sei que com ele vou aprender algo imprescindível.  E que, diga-se de passagem, deveria ter aprendido há anos. Preciso encontrar um ponto de equilíbrio entre a serenidade que estar comprometido me dá e sensação de que estou terrivelmente atrasado. Agora volto pras minhas cartas.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Mas, se tu me cativas...

O fato de eu me considerar uma pessoa solitária me permitiu criar algumas válvulas de escape para lidar melhor com a solidão. Eu falo sozinho e converso com coisas que estão sempre por perto como se elas fossem velhos amigos. O exemplo mais clássico disso é o Virgílio, meu contrabaixo. O nome dele é esse por causa da divina comédia. Virgílio é o poeta grego que guia Dante pelo inferno. Eu poderia falar também do Cláudio, meu girassol...ou da Maiara, a aranha que mora no meu quarto, mas considerando que não são coisas e sim seres vivos, não é a mesma coisa.

Esses não são os únicos exemplos. Acabei me apegando a uma série de talismãs que me acompanham sempre. Não os trato como se eles fossem parte integrante de mim,mas sim como se estivessem comigo por um tempo, sendo minha companhia por um determinado trecho da caminhada. Cada um tem o seu motivo. Um anel no dedo com uma constelação desenhada me lembra de parar tudo de vez em quando para olhar as estrelas e ouvir elas sorrindo. Um terço budista no pulso me lembra da fé, do karma e de TODO o resto que o budismo me trouxe. Um Tau no pescoço me lembra da alegria de São Francisco e de que a paz é boa. E um pingente do pequeno príncipe que guardei por um tempo me lembrava do segredo da raposa ao mesmo tempo que me lembrava que eu podia sorrir e ficar invisível.

Há um tempão atrás uma prima minha morava comigo. Lembro que demorou bastante tempo até que deixássemos de ser dois completos estranhos um para o outro. Os dois eram filhos únicos e, considerando que ambos tinham seus motivos, ficávamos cada um no seu canto da casa. Numa determinada época, havia uma nuvem negra de tristeza pairando pela casa...o pai dela tinha cometido suicídio e eu estava todo torto por causa de um namoro que não havia dado certo. Não lembro direito de quem foi a iniciativa, mas chegou um momento em que a gente começou a se aproximar. E enquanto íamos nos tornando grandes amigos, a nuvem de tristeza ia se dissipando.

O tempo foi passando e os dois já achavam divertida a idéia de ter um irmão - pro bem e pro mal. Nos divertíamos e nos ajudávamos muito, mas também implicávamos muito um com o outro. Uma implicância clássica era com o que o outro estava lendo. A gente meio que tentava impor o gosto literário um ao outro e por isso quase sempre estávamos nos dando livros de presente.

Nossos horários não fechavam, então quando eu queria dar um livro pra ela, eu deixava em cima da cama dela quando ela não estava em casa. Ela fazia a mesma coisa. Era uma agradável surpresa chegar em casa e dar de cara com um livro novo. Eu estudava español na época e numa manhã cheguei em casa e sobre meus travesseiros estavam o Pequeno Príncipe  e Alice nos País das Maravilhas em español.  Do lado havia um bilhete e um pingente com a silhueta do principezinho.

"Se as coisas ficarem ruins, fecha os olhos que tu vai enxergar bem melhor com o coração. Se mesmo assim não melhorar, sorri e fica invisível. Todos aqui são loucos ."

E esse pingente ficou comigo muito tempo. Sorrir e ficar invisível realmente dá certo. Enxergar melhor de olhos fechados também. Mas agora as coisas mudaram. Não quero mais fechar os olhos quando as coisas estiverem ruins. Eu vou melhorá-las. E meu sorriso eu quero refletido em outro sorriso igual ao meu.

Desculpas, Patrolinha.

            Fazer a coisas certa no momento errado e do jeito errado não soa mais como uma boa opção. Se a noite de ontem provou alguma coisa é que gerenciar a vida  na porralouquice não leva a lugar nenhum. Até podia dar certo quando não havia mais ninguém envolvido, mas as coisas são diferentes agora. A situação está diferente e nesse novo contexto não há mais espaço para minha velha postura kamikaze.

          Uma noite bebendo e de repente eu falho naquilo que deveria ser o mais básico. Agora pedir desculpas não adianta muito. Estou repensando uma série de coisas com o cuidado para que isso não aconteça mais. E sei bem que dei uns dez passos pra trás no processo de fazer com que ela confie em mim e acredite em nós. No fim, acho que essa é a pior parte: sentir que ela está decepcionada. 

            Eu poderia falar sobre o foo fighters que tocou na festa. Ou sobre a mensagem dela com o pingente. Essas coisas que normalmente eu entenderia - e justificaria - como sinais pra gente se ver. O fato é que ela disse não um bilhão de vezes. ¿Que bosta de namorado eu vou ser se ignorar isso.?  

          Eu não sei o que ela lê no meu olhar. Mas no dela eu leio que podemos dar certo. Desde que eu pare de avacalhar. A mudança segue.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Kardashiando

               Eu começaria a maior parte dos meus textos com um "enfim". É como se eu escre-vesse de tras pra frente. Pensasse primeiro no fim e depois num caminho pra chegar até ele.  É o meu jeito de colocar alguma ordem nos meus pensamentos que chegam em forma de avalanche. 

Se eu não organizasse. meus textos seriam assim:
Perguntar não é jogo e sim igualdade. Poucas perguntas importam ¿O que é o amor? O que é sagrado? pelo que vale a pena morrer? Pelo que vale a pena morrer.? Estou confuso. Todos estamos. A confusão se dilui. Fui feito pra ser solitário. Ninguém é uma ilha. Diminuir espaços. Dar espaço para aprender. Esperar. Fé e esperança não são a mesma coisa. Agir com fé e agir com esperança são coisas diferentes. Um selo nas minhas cartas. O livro tinha poeira demais. Roubei ele de uma casa paroquial. Mentira. Achei ele lá. Mentira. Um padre me deu. Buenos dias, dijo ele zorro. O pingente no lugar certo. O que  eu sou importa mais do que o meu trabalho. Tiago. Enxergo longe porque tenho gigantes me segurando. Fazer é muito diferente do que dizer que preciso fazer. Conhecer a estratégia certa não é vencer. Alguém me desenha um carneiro.? Um boneco de palitinho.?  Que o caminho do heróis siga até o triforce. Quando a ordem de mudança vem, a gente muda. De frente pro abismo só se pode andar prá trás, seguindo as próprias pegadas. Uma tempestade sopra do paraíso forçando as minhas asas. Ela é tão forte que eu consigo mais fechá-las.


         Essas poucas linhas que não devem fazer sentido nenhum pra mais ninguém além de mim, se organizadas dariam umas 123 páginas (estou aprendendo a exagerar). 

Um pedaço do texto seria assim algo:
Quando me sinto confuso, gosto de fazer as pessoas pensarem. Vivo pensando e isso fortalece e me desconstrói. No fim faz bem e  divido isso com os outros as vezes contra a vontade deles . Sou fiel ao que acredito mas não tenho medo de mudar de idéia. As vezes seguir em frente obstinadamente significa cair. Não sei as perguntas certas, mas sei que certas respostam mostram muito mais do que deveriam. E pergunto porque sou curioso. Porque me interessa saber o que levou uma determinada pessoa pra minha vida, pra dentro do meu mundo que agora não tem mais muros nem fosso. Desde criança achei que me isolar era minha única possibilidade. E por mais que as razões fossem justificáveis. Sinto-me indescritivelmente leve agora. Com os escombros dos muros eu construirei pontes. Conforme eu me aproximar das pessoas que gosto, mas próximo estarei de mim mesmo.

Ler as cartas pra mim e pra outra pessoa são coisas completamente diferentes. A bagunça de informações precisa ser organizada e descrita também nesse caso. Peguei um VELHO livro cheio de rabiscos e anotações sobre as cartas pra lembrar das palavras certas de cada carta. Quase 20 anos se passaram desde que um padre me deu ele de presente. Acho que essa ironia conta pra mim. E, na prateleira o livro estava do lado do pequeno príncipe em español. Essa ironia conta pro Único Acima.

Mudar não é fácil, mas é bem divertido. Ontem tive uma conversa cheia de entrelinhas que me convenceu ainda mais que estou de volta nos trilhos. Reaprendendo coisas simples e me libertando de vícios crônicos. Com fé e atitudes na proporção certa.

Agora que a ordem de mudança veio, sinto que nada mais pode me parar.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Pelo Rei de Paus

         Foi numa terça. É lógico que seria numa terça.

       Se há alguém no meu mundo que pode representar o rei de paus, essa pessoa é o Taloco. Meu compadre desde sempre. As coisas sempre podem ser melhoradas. Quando se possui uma idéia melhor, vale a pena divulga-la e trabalha-la. Esse não foi  o único motivo de eu ir procurar meu velho mestre. A propósito: "O discípulo não está acima do mestre: todo aquele, porém, que for bem instruído será como seu mestre" (Lucas 6.40). No meio da minha dualidade e da minha necessidade tosca de ter duas teorias, ele me prova por A+B que tudo é uma coisa só. No meio do mundo ele me vê de cabeça baixa e ninguém é melhor do que ele em me fazer erguer a cabeça. Uma ou outra palavra pinçada no meio das nossas conversas e de repente tudo pode mudar. Mil vezes obrigado, aliás.

       Pensei numa carta mas não esqueci do todo.E, para que fique registrado aqui, se um dia for necessário precisar a data exata, ontem foi o dia em que o Taloco e o Vento finalmente se entenderam. Chega de personagens pra mim.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Eu ganho pela cor do trigo....

      Todo mundo tem um plano até tomar o primeiro golpe. No meu caso, não se perde plano nenhum, simplesmente se adapta tudo enquanto tenta-se não acusar o golpe. No meio de tudo eu chorei. Falhei miseravelmente. Sem plano B eu sigo em frente. 

         Depois de tudo entrei no carro e ouvi um barulho estranho no porta trecos da porta Eu ainda tinha a chave de uma casa da praia. E uma toalha no porta malas. Antes que eu sequer tivesse tempo de hesitar, estava indo pro leste. Não que eu fosse chorar mais ou exagerar na minha dor ouvindo o som das ondas, mas havia uma coisa que eu precisava fazer. Havia um brotinho cujas raízes já estavam fundas demais. Já estava na hora de arrancar esse maldito brotinho e deixar minhas feridas cicatrizarem. Lembrei das 4 leis espirituais e me senti um pouco melhor. Meu conceito perigoso e realista de equilíbrio. Não poderia ter sido diferente. Mesmo colocando tudo a perder, fui eu mesmo. Inteiro. Burro. Intenso. O pingente está com ela.

      Quando voltei, dei de cara com minhas cartas de tarô me esperando. Pelo Único Acima, que ninguém ouse dizer que eu não sei planejar. Fiquei embaralhando por uns 5 minutos, adiando o inevitável. Quando vi as cartas, não cheguei a sorrir, mas fiquei em dúvida se era a realidade me dando uma voadora ou se era o campeonato de ironias voltando.  ¿A Morte e Os Enamorados MESMO?






         Na praia sempre escrevo na areia. Faz parte das minhas conversas com o mar. Dessa vez escrevi num lugar onde as ondas não pudessem apagar. Precisamos de tempo. 

E faz séculos que sei que não sou importante. 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Uma coisa de cada vez

     Talvez eu esteja dando um tiro no meu próprio pé , já que não sei como esses dois vão ficar. Mas cada capítulo que estou assistindo de How I met your mother tem um pouco do que está acontecendo



domingo, 26 de abril de 2015

sábado, 25 de abril de 2015

Cada vez mais juntos

         Conjugação verbal é uma das partes que eu mais gosto na língua portuguesa. Gosto do pretérito perfeito  e do imperfeito e entendo quando cada um cabe. O presente do indicativo é o melhor tempo verbal no meu reino - que chamo de agora. Com tudo isso em mente, não pude deixar de perceber uma mudança no meu jeito de ver as coisas. No meu jeito de falar comigo mesmo. Depois de uma mudança, eu normalmente encho minha oratória de infinitivos: coisas que preciso fazer. Pessoas com as quais quero conversar. Maneiras para mudar. Deixar pra trás. Esquecer. Esconder-me. 

        Tudo tão impessoal. O jeito de falar típico de quem não quer se envolver. De quem não se compromete. De quem não queria ou não conseguia se envolver, no meu caso.

         O fato é que ontem à noite, quando me dei conta, estava falando comigo através de imperativos. Acredite. Confie. Entenda. Torça. Mude. Ajude. Faça mais. Seja. E entendo porque não me sinto vulnerável ,mesmo me mostrando sem escudo nenhum... o comprometimento me deixa forte. 

        Por fim, penso que as melhores pessoas merecem meu melhor tempo verbal...então voltamos ao presente do indicativo.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

3 parágrafos sob encomenda.

        É bem possível que eu tenha começado a entender as estrelas por causa do meu signo. Ou porque eu adorava deitar na grama e olhar pro céu a noite. Nunca saberemos. Geminianos tem fama de ser duas caras. Eu achei que ter o ascendente em gêmeos fosse significar que eu teria 4 personas diferentes. Na prática não é o que acontece. Sou ambíguo e mantenho minha dualidade e o ascendente só tornou isso mais evidente. Mas ironicamente me tornou menos superficial em tudo. Em vez de 4, as mesmas duas, mas mais densas e mais interdependentes entre si. E com o que acontece fora. E isso não é 100% efetivo. Assim como na matemática, que menos com menos da mais,  tem coisas que eu deveria ter ou ser que simplesmente se anularam.  Me entrego por inteiro. Sou extremamente fiel quando me apaixono. Eu deveria ser inteligente mas sou burro igual a uma porta, embora pense rápido e improvise com maestria (prática né). Tenho um senso de lealdade comparável com o de um cachorro.  E vá lá que minha empatia é meio mal configurada. Mas eu sei bem que o cara que a configurou deixou ela do jeito que eu precisava. Imagino que conversar comigo seja bom, porque estou muito mais interessado em ouvir do que falar. Aliás, meus silêncios são extremamente tagarelas.


             Sei que às vezes pareço frio e insensível. Mas isso é só minha mente sendo prática enquanto tenta se reorganizar quando caio um tombo feio ou quando acontece alguma mudança fora do meu controle. A dor me machuca e demonstrar isso pros outros não me ajuda em nada. Não ajuda ninguém em nada, na verdade. O que nos leva a minha imensa dificuldade em pedir ajuda. Em aceitar que preciso de ajuda. Pensando bem, isso talvez tenha mais a ver com os meus traumas do que propriamente com uma constelação específica. E seria bobagem eu não falar da minha Lua em aquário. Raciocino com sentimentos e sinto com pensamentos por causa dela. Tenho uma certa dificuldade em entender as necessidades emocionais dos outros. Pra mim tudo poderia  - e deveria - ser mais simples


           Já escrevi isso aqui em algum lugar. Quando não sei muito sobre algum assunto, falo pelos cotovelos sobre ele. Quando não sei, falo só poucas coisas na hora certa - meu jeito de tocar segue o mesmo raciocínio. Uma decisão que parece casual foi muito estudada e discutida internamente. Ser de gêmeos me permite agir ao mesmo tempo que me olho de fora. Nasce daí minha tendência e minha capacidade para analisar  Isso me leva a falar do meu hobby que é ler pessoas. E eu leio com curiosidade a mim e aos outros enquanto tendo  interpretar o que o que vejo. E vejo tanta coisa, deveria ser fofoqueiro, mas acabo usando o que fico sabendo não para intriga mas sim para saber quem anda comigo. Confio fácil demais e preciso de um método pra diferenciar os confiáveis dos falsos. Os leais dos mentirosos. Testo os meus antes de chamá-los de meus. Testando os outros estou testando a mim mesmo. Crio uma certa barreira ao meu redor que me torna uma pessoa solitária ( mentira eu sou solitário por outro motivo.) e me causa uma série de dificuldades nos relacionamentos. Mas depois dessa barreira sou um amigo extremamente verdadeiro, para o bem e para o mal. 

quarta-feira, 22 de abril de 2015

E um símbolo na minha espada me lembrou do triforce.


        Ligar pontos com o futuro. 1992 é antigo agora. Legend of zelda: a link to the past também. Foi nesse ano e nesse jogo que vi o triforce pela primeira vez. Poder sabedoria e coragem representados em 3 triângulos iguais. 



            ¿Por que lembrei dele.? Porque agora em 2015 tenho minha versão melhorada do triforce. Só mudo poder por força...(sabemos que força e poder são tão diferentes quanto o sol da lua.)




"May the way of the hero lead to the Triforce!"

terça-feira, 21 de abril de 2015

Feliz

        Sexta era curiosidade... sábado foi vontade e segunda foi admiração. Inevitável. ¿Como é possível alguém que eu não conhecia mudar tanto minha vida em 3 dias.? Um sorriso bobo refletido no meu e de repente todas minhas tragédias e meus desencontros do passado pesam menos. Misturo um pouco de medo com uma certeza mágica de que estou no lugar certo e no tempo certo. Não mudo o que sou mas mudo meu jeito de ver o mundo. E, pelo Deus que não existe. como o mundo é bom. Anoiteceres, inverno. Impossível escolher entre o pequeno príncipe e a Alice. Falo da Europa. Meu cenário era ficar por ela. Ela melhora tudo e diz que iria junto. 

         Uma proposta para ficarmos bêbados juntos. Ela compra a causa e me embebeda por entre a lei seca do bar. Havia um plano pra ir devagar, mas sabemos bem como os planos mudam rápido quando há muita coisa em jogo. Os olhos quase enchendo d'água e arranjei coragem pra perguntar. Eu tinha esperança que ela dissesse sim. Ela me diz não sabendo porque estava respondendo. E não muda nada, já que continuamos sorrindo. A meu favor eu tinha as mordidas no pescoço. Então eu contei minha fraqueza sobre a erguida de sobrancelhas. Que ela nunca admita que confia em mim e que eu seja sempre confiável. Que nossas asas voem juntas.

           Na minha mesa encontro um anel. Coloco ele nas cordas Virgílio, meu velho baixo... meu guia no inferno. Minha relação com a música é sempre assim. Ou de todo coração ou nada feito. E como anel dela minhas notas soam melhores. Cada vez mais parecidas com o riso que encheu meu quarto de cores.

Quase. 

Somos quase namorados. 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Meu santo é forte

          Pensei em largar tudo e voltar a estudar. Isolado em algum outro lugar onde pudesse ter como objetivo único me preencher com conhecimentos variados. Livros, filmes, e muitos bate papos.  Depois pensei em vender tudo e comprar um pedaço de terra em alguma cidade do litoral do Nordeste e me dar a tranquilidade de uma vida entre a natureza e o conforto de uma presença totalmente voltada para o amor. Então pensei em me isolar por uns meses e enlouquecer. Fazer um livro, ou mais dois ou três, E me embrenhar em pensamentos insanos. Me embriagar. Sexo, Drogas, destruição. Colocar tudo no papel e voltar como quem sai do inferno com todos os segredos roubados do Diabo.

 
      Tenho tantos mundos e vontades e desejos dentro de mim. E eles são tão contraditórios por muitas vezes. Não é que não goste da vida que levo, ao contrário, amo muito o que faço e agradeço todos os dias por ser assim. Mas é que tenho sede de ser mil em mim. Tenho ânsia de viver sem fim. Tenho gosto por querer provar vários sabores, várias texturas, vários amores. Quero acreditar em Deus, dançar ao som dos tambores do Candomblé e meditar num templo budista. Quero ouvir as palavras de Cristo, de Krishna, do Lama e do Nietzsche. Quero nadar no mar e pular nas águas das cachoeiras. Quero voar, mergulhar, quero correr. 



           Pensei em ser livre por alguns segundos e depois voltar para combater.  Tenho talhado em mim um exército que nunca dorme: a força do vento, o barulho das trovoadas e a determinação do mar. Tenho em mim as dores do mundo, a angústia da fome e a centelha do Adeus. Sou o que tiver que ser, na hora que preciso for e apenas para quem merecer. E aqueles que tentarem me derrubar, aqueles que zombam por minhas costas, aqueles que desejam meu fim… Terão de lidar com a força que levo dentro do meu coração. A força de uma linda canção. A força que me conduz entre o campo minado e a artilharia do inimigo. E no fundo, lá bem no fundo, eles sabem que sou como uma grande árvore, mesmo quando atingido, continuo oferecendo frutos. E quem desfruta de minhas sombras, de minhas brisas e dos meus temporais, não precisa temer minha desordem… 
Não tenha medo, tenho sorte. 



         Sou feito de cem mil conflitos, mas sou aquele que não lhe deixará para trás. Não tenho medo da morte.  Se tiver que morrer por minhas utopias e por meus sonhos:  
Que digam diante das minhas cinzas ... Aqui jaz mais um que apanhou e sofreu, mas que nunca se rendeu ao mundo. 

domingo, 29 de março de 2015

O lugar de onde despenquei....

       Se equilibrar é difícil. Tem sido assim ultimamente. Tirei um som muito bom no meu trabalho. Tá, na verdade ele aconteceu sozinho. Minha senhora me vê. Tenho vontade de abraçá-la pra não soltar nunca. Chamo a mim mesmo de mimado e egoísta enquanto discuto comigo sobre merecimento e uma vontade de beijar. Tudo numa fração de segundo. Estava tudo bem enquanto meu corpo agradecia por eu estar indo devagar (a noite de ontem foi o inferno). Uma música me fez sair correndo. Não sou bom em chorar e ficar invisível fora do palco. Não é fraqueza. Eu simplesmente não me importo mais. Que me vejam chorando, destruído, meio morto e infeliz. Esse sou eu aprendendo a ser não o que esperam de mim e sim o que precisam que eu seja. Esse é um copo vazio de mim mesmo que eu tento encher de vida enquanto me diluo entre drogas e bebida. Eu sorrio por que há alguém aqui dentro que ainda consegue. Enquanto desabo me estendem a mão. Minhas asas doem.Silêncio. Não há paz. Nunca haverá pra mim. ¿Será que um dia vou conseguir não me sentir sozinho a cada passo que dou.? Será que um dia vou conseguir sentir de novo meu coração batendo em vez de apanhando.? 

O inferno não precisa mais de mim. De um jeito ou de outro estamos nos despedindo. 

segunda-feira, 23 de março de 2015

De novo.? Quantas vezes mais.?

     Eu tenho um campeonato de ironias com Deus e apesar de diferença gigante de recursos que cada um tem disponível, é um jogo divertido e, até certo ponto, disputado. Normalmente nos respeitamos enquanto adversários. Mas as vezes ele se passa e coloca na minha frente o que eu mais quero ao preço de uma mentira. E teimosamente eu falo a verdade e me arrebento.

        O Único Acima pode me testar o quanto quiser. Não fui feito pros caminhos fáceis ou pra uma paz morna. Eu quero mais e estou disposto a pagar o preço por ser eu mesmo.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Como tinha que ser

        Eu escrevo poesias em carteiras de cigarro vazias. Poderia escrever páginas e páginas sobre porque e como e quando faço isso, mas não vem ao caso agora. Eu não acredito em coincidências. Coincidência é uma palavra muito pequena pra explicar o trabalho que dá fazer as coisas se encaixarem e funcionarem juntas. Como explicar que eu tenha que ter passado por tudo que passei, tenha feito exatamente o que fiz e fugido pra praia pra dar de cara com uma mulher que escreve em guardanapos. Lembro dela perguntando meu problema. Respondi sem hesitar: "esquizofrenia e um coração burro". Depois de ouvir minha história ela me deu conselhos que soaram muito parecidos com os que o Kiko Mestre me daria. 

        Poderia ter sido muito diferente, mas no meu íntimo eu sei que tudo aconteceu exatamente como deveria ter acontecido. Nada foi coincidência. Eu estou exatamente onde tenho que estar e tudo teve que acontecer como aconteceu pra me trazer até aqui. Só o tempo vai dizer se aprendi as lições necessárias pra não passar por isso de novo. Mas agora, nesse momento, nesse pedacinho da minha vida, eu não me sinto fora do lugar. Vou aproveitar. É só um tomar de fôlego antes de bater as asas de novo, mas ainda assim eu vou aproveitar.


quinta-feira, 19 de março de 2015

Por e dispor

       O mar me viu vazio e me ignorou. Eu sei como ele funciona, ele tem que lidar com tantos vazios que acaba não se importando mais com eles. Em algum momento da minha vida fiz algo parecido.Eu queria ter algo para mostrar pra ele naquele momento, mas era só uma carcaça vazia parada na areia. Não havia força, não havia coragem, não havia tristeza, não havia dor...não havia nada. Fiquei tanto tempo fingindo ser tanta coisa que quando não precisei mais fingir e podia ser eu mesmo, não sabia mais o que era. Entrei no mar considerando a ideia de não voltar.  A morte sempre parece menos terrível quando se está cansado. Escrevi uma frase na areia e, no fim, acabei voltando por causa da frase. Viver e morrer pela palavra. E porque, mesmo não se importando muito comigo, o mar tinha outros planos pra mim que não incluíam me afogar.

Ele falou melhor

Às vezes eu acho as palavras. Às vezes as palavras me acham. 

"Eu sou vários. Há multidões em mim. Na mesa de minha alma sentam-se muitos, e eu sou todos eles. Há um velho, uma criança, um sábio, um tolo. Você nunca saberá com quem está sentado ou quanto tempo permanecerá com cada um de mim. Mas prometo que, se nos sentarmos à mesa, nesse ritual sagrado eu lhe entregarei ao menos um dos tantos que sou, e correrei os riscos de estarmos juntos no mesmo plano. Desde logo, evite ilusões: também tenho um lado mau, ruim, que tento manter preso e que quando se solta me envergonha. Não sou santo, nem exemplo, infelizmente. Entre tantos, um dia me descubro, um dia serei eu mesmo, definitivamente. Como já foi dito: ouse conquistar a ti mesmo." - Nietzsche

Mas...E que diferença isso faz.?


Hoje é só mais um dia triste
Vou acender o sol em mais um amanhecer
Acho que se eu estiver bem sozinho
Não vou mais lutar para esquecer
O céu e as estrelas ficam em silêncio
A Lua acabou indo embora
Devagar a escuridão volta a ser minha
Fazendo com que eu me sinta mais sozinho agora
Mas eu continuo de braços abertos
Quem sabe eu consiga voar
Mais um dia no inferno
Mas ainda assim eu vou levantar
E que diferença isso faz.??

Eu vou segurar essa vela 
Até que o fogo queime a minha mão
Eu vou continuar apanhando
Até que eles fiquem cansados de me bater
Eu vou ficar encarando o nascer do sol
Prá ver se o Sol consegue me cegar
Mas eu não vou mudar meu caminho
Não mudo meu jeito de pensar
Eu vou continuar me injetando veneno
Até o momento em que eu seja imune
Vou gritar toda a minha dor
Até encher esse meu quarto vazio e frio
Mas,
E que diferença isso faz.?

terça-feira, 10 de março de 2015

terça-feira, 3 de março de 2015

Superficial, depressivo, quase bom.. vazio

      Eu queria saber como as outras pessoas pensam. Como elas falam cosigo mesmas. Porque aqui dentro há muitas vozes numa eterna discussão aos berros. Penso que deveria ser mais sábio por conseguir ter vários pontos de vista pra analisar,mas a verdade é que me sinto muito mais perto da loucura do que da sabedoria. Não importa o que eu faça, o que eu diga, o que eu deixe de dizer, sempre haverá um lado meu contra.

       Há uma voz que sempre me fala que eu não sou bom o bastante e minha mão treme quando eu hesito e dou ouvido a ela. Mas sem ela eu seria tão arrogante...Eu já errei por arrogância e por me desprezar demais e sei  que os tombos por desprezo doem menos. Bom, ruim, pior melhor... Nada disso faz mais sentido pra mim. A solidão me liberta de querer a aprovação dos outros.. não preciso mais me comparar com nada e com ninguém.

      Há uma voz baixinha e melancólica que eu sei que é do meu coração. E qdo peço silêncio pra poder prestar atenção nela, a voz deixa de ser uma ferida que nunca cicatrizou pra ser um corte aberto. Na alma. E meu coração fala, e eu desisti de dizer que não dá. Talvez ele esteja certo em insistir, em dizer que se poderia ter sido, ainda pode ser. Ou talvez eu tenha razão em protegê-lo de tudo e de todos. Tantas decepções, tantas mentiras, tantos sonhos destruídos por que assim teve que ser. A verdade é que eu não consigo mais me importar como deveria.

        Há uma voz vermelha de ódio que silencia mais do que fala. Ela queima mais do que diz. Através dela eu relembro toda frustração de ter sido traído, de ter sido enganado e de enganar. Por causa dessa voz eu me preocupo em não machucar os outros, mas é inútil. Sou forjado pra ser sozinho, pra não machucar quem eu gosto. 

      E há a voz do Tiago. Tão inocente, tão esperançoso, tão vivo. Tudo aquilo que eu queria ser e nunca mais vou conseguir.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Sempiternamente

Ao som de Vendettas - Vou embora

      Saindo do meu quarto eu dou de cara com um espelho. Um lembrete gigante do jeito derrotado que levo minha vida. Cada vez que passo por ele antes de sair, sinto meu olhar mudando. A ternura dando lugar a frieza. O sorriso deixando de ser alegre e se tornando irônico. Minhas fraquezas não se transformam em força, mas ficam escondidas e renegadas enquanto eu finjo ser forte. Enquanto o poder mais medíocre de todos me defende: o poder da mentira. ¿Como cheguei a esse ponto? Ser falso para conseguir ser verdadeiro. Sei que um pedaço da minha alma morre cada vez que jogo xadrez com palavras manipulando as pessoas. Cada vez que eu ataco pq percebo que tenho que me defender. Cada vez que eu não me importo por não ter mais nada a perder

        Eu olho pra ela de longe e vejo ela me sorrindo com os olhos. Fazemos isso desde 2003. E aquilo que a gente mais teme sempre pode nos encontrar pelo caminho. Ela é linda, é inteligente, é gostosa e bem humorada. E uma das melhores mentirosas que eu conheço. Me sinto indefeso perto dela desde que percebi o poder dela. Ela tem o poder de não se importar. E ela sabe dizer quando eu minto. Ficar ou não ficar com ela não importava nada. Chegamos juntos no balcão e sem dizer uma palavra tomamos duas tequilas cada um. Senti um arrepio na alma quando ela me olhou nos olhos e perguntou do que eu tinha medo. Dei as costas e tentei fugir. Aquela vaca não teria o prazer de me ver chorando. No caminho ela me pegou pela mão e me puxou pra bem perto. Se ela fosse uma pessoa normal, eu teria paz naquele abraço. Se eu fosse normal...

       - Até quando tu vai ficar errando, se menosprezando e fazendo tudo errado só pra se nivelar com os outros.?? (Achei impressionante mais alguém além de mim chegar a essa conclusão. Ali ela me desarmou.)
       - Eu sou um merda, tu mais do que ninguém deveria ter visto isso. (Fingi humildade, mas ela não acreditou em nada do que eu disse.)
       - Eu me apaixonei  por ti, ela disse  - eu vi ela baixando a guarda e senti o corpo tenso. tinha certeza que ela ia bater forte - Mas tu ficou tanto tempo fingindo ser essa pessoa medíocre  que acabou se tornando ela.

      E então eu beijei ela. Não por vontade, não porque podia. Mas simplesmente porque ela beija de olhos fechados. E aquela vaca não ia me ver chorando.