sexta-feira, 1 de maio de 2015

Mas, se tu me cativas...

O fato de eu me considerar uma pessoa solitária me permitiu criar algumas válvulas de escape para lidar melhor com a solidão. Eu falo sozinho e converso com coisas que estão sempre por perto como se elas fossem velhos amigos. O exemplo mais clássico disso é o Virgílio, meu contrabaixo. O nome dele é esse por causa da divina comédia. Virgílio é o poeta grego que guia Dante pelo inferno. Eu poderia falar também do Cláudio, meu girassol...ou da Maiara, a aranha que mora no meu quarto, mas considerando que não são coisas e sim seres vivos, não é a mesma coisa.

Esses não são os únicos exemplos. Acabei me apegando a uma série de talismãs que me acompanham sempre. Não os trato como se eles fossem parte integrante de mim,mas sim como se estivessem comigo por um tempo, sendo minha companhia por um determinado trecho da caminhada. Cada um tem o seu motivo. Um anel no dedo com uma constelação desenhada me lembra de parar tudo de vez em quando para olhar as estrelas e ouvir elas sorrindo. Um terço budista no pulso me lembra da fé, do karma e de TODO o resto que o budismo me trouxe. Um Tau no pescoço me lembra da alegria de São Francisco e de que a paz é boa. E um pingente do pequeno príncipe que guardei por um tempo me lembrava do segredo da raposa ao mesmo tempo que me lembrava que eu podia sorrir e ficar invisível.

Há um tempão atrás uma prima minha morava comigo. Lembro que demorou bastante tempo até que deixássemos de ser dois completos estranhos um para o outro. Os dois eram filhos únicos e, considerando que ambos tinham seus motivos, ficávamos cada um no seu canto da casa. Numa determinada época, havia uma nuvem negra de tristeza pairando pela casa...o pai dela tinha cometido suicídio e eu estava todo torto por causa de um namoro que não havia dado certo. Não lembro direito de quem foi a iniciativa, mas chegou um momento em que a gente começou a se aproximar. E enquanto íamos nos tornando grandes amigos, a nuvem de tristeza ia se dissipando.

O tempo foi passando e os dois já achavam divertida a idéia de ter um irmão - pro bem e pro mal. Nos divertíamos e nos ajudávamos muito, mas também implicávamos muito um com o outro. Uma implicância clássica era com o que o outro estava lendo. A gente meio que tentava impor o gosto literário um ao outro e por isso quase sempre estávamos nos dando livros de presente.

Nossos horários não fechavam, então quando eu queria dar um livro pra ela, eu deixava em cima da cama dela quando ela não estava em casa. Ela fazia a mesma coisa. Era uma agradável surpresa chegar em casa e dar de cara com um livro novo. Eu estudava español na época e numa manhã cheguei em casa e sobre meus travesseiros estavam o Pequeno Príncipe  e Alice nos País das Maravilhas em español.  Do lado havia um bilhete e um pingente com a silhueta do principezinho.

"Se as coisas ficarem ruins, fecha os olhos que tu vai enxergar bem melhor com o coração. Se mesmo assim não melhorar, sorri e fica invisível. Todos aqui são loucos ."

E esse pingente ficou comigo muito tempo. Sorrir e ficar invisível realmente dá certo. Enxergar melhor de olhos fechados também. Mas agora as coisas mudaram. Não quero mais fechar os olhos quando as coisas estiverem ruins. Eu vou melhorá-las. E meu sorriso eu quero refletido em outro sorriso igual ao meu.

Desculpas, Patrolinha.

            Fazer a coisas certa no momento errado e do jeito errado não soa mais como uma boa opção. Se a noite de ontem provou alguma coisa é que gerenciar a vida  na porralouquice não leva a lugar nenhum. Até podia dar certo quando não havia mais ninguém envolvido, mas as coisas são diferentes agora. A situação está diferente e nesse novo contexto não há mais espaço para minha velha postura kamikaze.

          Uma noite bebendo e de repente eu falho naquilo que deveria ser o mais básico. Agora pedir desculpas não adianta muito. Estou repensando uma série de coisas com o cuidado para que isso não aconteça mais. E sei bem que dei uns dez passos pra trás no processo de fazer com que ela confie em mim e acredite em nós. No fim, acho que essa é a pior parte: sentir que ela está decepcionada. 

            Eu poderia falar sobre o foo fighters que tocou na festa. Ou sobre a mensagem dela com o pingente. Essas coisas que normalmente eu entenderia - e justificaria - como sinais pra gente se ver. O fato é que ela disse não um bilhão de vezes. ¿Que bosta de namorado eu vou ser se ignorar isso.?  

          Eu não sei o que ela lê no meu olhar. Mas no dela eu leio que podemos dar certo. Desde que eu pare de avacalhar. A mudança segue.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Kardashiando

               Eu começaria a maior parte dos meus textos com um "enfim". É como se eu escre-vesse de tras pra frente. Pensasse primeiro no fim e depois num caminho pra chegar até ele.  É o meu jeito de colocar alguma ordem nos meus pensamentos que chegam em forma de avalanche. 

Se eu não organizasse. meus textos seriam assim:
Perguntar não é jogo e sim igualdade. Poucas perguntas importam ¿O que é o amor? O que é sagrado? pelo que vale a pena morrer? Pelo que vale a pena morrer.? Estou confuso. Todos estamos. A confusão se dilui. Fui feito pra ser solitário. Ninguém é uma ilha. Diminuir espaços. Dar espaço para aprender. Esperar. Fé e esperança não são a mesma coisa. Agir com fé e agir com esperança são coisas diferentes. Um selo nas minhas cartas. O livro tinha poeira demais. Roubei ele de uma casa paroquial. Mentira. Achei ele lá. Mentira. Um padre me deu. Buenos dias, dijo ele zorro. O pingente no lugar certo. O que  eu sou importa mais do que o meu trabalho. Tiago. Enxergo longe porque tenho gigantes me segurando. Fazer é muito diferente do que dizer que preciso fazer. Conhecer a estratégia certa não é vencer. Alguém me desenha um carneiro.? Um boneco de palitinho.?  Que o caminho do heróis siga até o triforce. Quando a ordem de mudança vem, a gente muda. De frente pro abismo só se pode andar prá trás, seguindo as próprias pegadas. Uma tempestade sopra do paraíso forçando as minhas asas. Ela é tão forte que eu consigo mais fechá-las.


         Essas poucas linhas que não devem fazer sentido nenhum pra mais ninguém além de mim, se organizadas dariam umas 123 páginas (estou aprendendo a exagerar). 

Um pedaço do texto seria assim algo:
Quando me sinto confuso, gosto de fazer as pessoas pensarem. Vivo pensando e isso fortalece e me desconstrói. No fim faz bem e  divido isso com os outros as vezes contra a vontade deles . Sou fiel ao que acredito mas não tenho medo de mudar de idéia. As vezes seguir em frente obstinadamente significa cair. Não sei as perguntas certas, mas sei que certas respostam mostram muito mais do que deveriam. E pergunto porque sou curioso. Porque me interessa saber o que levou uma determinada pessoa pra minha vida, pra dentro do meu mundo que agora não tem mais muros nem fosso. Desde criança achei que me isolar era minha única possibilidade. E por mais que as razões fossem justificáveis. Sinto-me indescritivelmente leve agora. Com os escombros dos muros eu construirei pontes. Conforme eu me aproximar das pessoas que gosto, mas próximo estarei de mim mesmo.

Ler as cartas pra mim e pra outra pessoa são coisas completamente diferentes. A bagunça de informações precisa ser organizada e descrita também nesse caso. Peguei um VELHO livro cheio de rabiscos e anotações sobre as cartas pra lembrar das palavras certas de cada carta. Quase 20 anos se passaram desde que um padre me deu ele de presente. Acho que essa ironia conta pra mim. E, na prateleira o livro estava do lado do pequeno príncipe em español. Essa ironia conta pro Único Acima.

Mudar não é fácil, mas é bem divertido. Ontem tive uma conversa cheia de entrelinhas que me convenceu ainda mais que estou de volta nos trilhos. Reaprendendo coisas simples e me libertando de vícios crônicos. Com fé e atitudes na proporção certa.

Agora que a ordem de mudança veio, sinto que nada mais pode me parar.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Pelo Rei de Paus

         Foi numa terça. É lógico que seria numa terça.

       Se há alguém no meu mundo que pode representar o rei de paus, essa pessoa é o Taloco. Meu compadre desde sempre. As coisas sempre podem ser melhoradas. Quando se possui uma idéia melhor, vale a pena divulga-la e trabalha-la. Esse não foi  o único motivo de eu ir procurar meu velho mestre. A propósito: "O discípulo não está acima do mestre: todo aquele, porém, que for bem instruído será como seu mestre" (Lucas 6.40). No meio da minha dualidade e da minha necessidade tosca de ter duas teorias, ele me prova por A+B que tudo é uma coisa só. No meio do mundo ele me vê de cabeça baixa e ninguém é melhor do que ele em me fazer erguer a cabeça. Uma ou outra palavra pinçada no meio das nossas conversas e de repente tudo pode mudar. Mil vezes obrigado, aliás.

       Pensei numa carta mas não esqueci do todo.E, para que fique registrado aqui, se um dia for necessário precisar a data exata, ontem foi o dia em que o Taloco e o Vento finalmente se entenderam. Chega de personagens pra mim.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Eu ganho pela cor do trigo....

      Todo mundo tem um plano até tomar o primeiro golpe. No meu caso, não se perde plano nenhum, simplesmente se adapta tudo enquanto tenta-se não acusar o golpe. No meio de tudo eu chorei. Falhei miseravelmente. Sem plano B eu sigo em frente. 

         Depois de tudo entrei no carro e ouvi um barulho estranho no porta trecos da porta Eu ainda tinha a chave de uma casa da praia. E uma toalha no porta malas. Antes que eu sequer tivesse tempo de hesitar, estava indo pro leste. Não que eu fosse chorar mais ou exagerar na minha dor ouvindo o som das ondas, mas havia uma coisa que eu precisava fazer. Havia um brotinho cujas raízes já estavam fundas demais. Já estava na hora de arrancar esse maldito brotinho e deixar minhas feridas cicatrizarem. Lembrei das 4 leis espirituais e me senti um pouco melhor. Meu conceito perigoso e realista de equilíbrio. Não poderia ter sido diferente. Mesmo colocando tudo a perder, fui eu mesmo. Inteiro. Burro. Intenso. O pingente está com ela.

      Quando voltei, dei de cara com minhas cartas de tarô me esperando. Pelo Único Acima, que ninguém ouse dizer que eu não sei planejar. Fiquei embaralhando por uns 5 minutos, adiando o inevitável. Quando vi as cartas, não cheguei a sorrir, mas fiquei em dúvida se era a realidade me dando uma voadora ou se era o campeonato de ironias voltando.  ¿A Morte e Os Enamorados MESMO?






         Na praia sempre escrevo na areia. Faz parte das minhas conversas com o mar. Dessa vez escrevi num lugar onde as ondas não pudessem apagar. Precisamos de tempo. 

E faz séculos que sei que não sou importante. 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Uma coisa de cada vez

     Talvez eu esteja dando um tiro no meu próprio pé , já que não sei como esses dois vão ficar. Mas cada capítulo que estou assistindo de How I met your mother tem um pouco do que está acontecendo



domingo, 26 de abril de 2015

sábado, 25 de abril de 2015

Cada vez mais juntos

         Conjugação verbal é uma das partes que eu mais gosto na língua portuguesa. Gosto do pretérito perfeito  e do imperfeito e entendo quando cada um cabe. O presente do indicativo é o melhor tempo verbal no meu reino - que chamo de agora. Com tudo isso em mente, não pude deixar de perceber uma mudança no meu jeito de ver as coisas. No meu jeito de falar comigo mesmo. Depois de uma mudança, eu normalmente encho minha oratória de infinitivos: coisas que preciso fazer. Pessoas com as quais quero conversar. Maneiras para mudar. Deixar pra trás. Esquecer. Esconder-me. 

        Tudo tão impessoal. O jeito de falar típico de quem não quer se envolver. De quem não se compromete. De quem não queria ou não conseguia se envolver, no meu caso.

         O fato é que ontem à noite, quando me dei conta, estava falando comigo através de imperativos. Acredite. Confie. Entenda. Torça. Mude. Ajude. Faça mais. Seja. E entendo porque não me sinto vulnerável ,mesmo me mostrando sem escudo nenhum... o comprometimento me deixa forte. 

        Por fim, penso que as melhores pessoas merecem meu melhor tempo verbal...então voltamos ao presente do indicativo.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

3 parágrafos sob encomenda.

        É bem possível que eu tenha começado a entender as estrelas por causa do meu signo. Ou porque eu adorava deitar na grama e olhar pro céu a noite. Nunca saberemos. Geminianos tem fama de ser duas caras. Eu achei que ter o ascendente em gêmeos fosse significar que eu teria 4 personas diferentes. Na prática não é o que acontece. Sou ambíguo e mantenho minha dualidade e o ascendente só tornou isso mais evidente. Mas ironicamente me tornou menos superficial em tudo. Em vez de 4, as mesmas duas, mas mais densas e mais interdependentes entre si. E com o que acontece fora. E isso não é 100% efetivo. Assim como na matemática, que menos com menos da mais,  tem coisas que eu deveria ter ou ser que simplesmente se anularam.  Me entrego por inteiro. Sou extremamente fiel quando me apaixono. Eu deveria ser inteligente mas sou burro igual a uma porta, embora pense rápido e improvise com maestria (prática né). Tenho um senso de lealdade comparável com o de um cachorro.  E vá lá que minha empatia é meio mal configurada. Mas eu sei bem que o cara que a configurou deixou ela do jeito que eu precisava. Imagino que conversar comigo seja bom, porque estou muito mais interessado em ouvir do que falar. Aliás, meus silêncios são extremamente tagarelas.


             Sei que às vezes pareço frio e insensível. Mas isso é só minha mente sendo prática enquanto tenta se reorganizar quando caio um tombo feio ou quando acontece alguma mudança fora do meu controle. A dor me machuca e demonstrar isso pros outros não me ajuda em nada. Não ajuda ninguém em nada, na verdade. O que nos leva a minha imensa dificuldade em pedir ajuda. Em aceitar que preciso de ajuda. Pensando bem, isso talvez tenha mais a ver com os meus traumas do que propriamente com uma constelação específica. E seria bobagem eu não falar da minha Lua em aquário. Raciocino com sentimentos e sinto com pensamentos por causa dela. Tenho uma certa dificuldade em entender as necessidades emocionais dos outros. Pra mim tudo poderia  - e deveria - ser mais simples


           Já escrevi isso aqui em algum lugar. Quando não sei muito sobre algum assunto, falo pelos cotovelos sobre ele. Quando não sei, falo só poucas coisas na hora certa - meu jeito de tocar segue o mesmo raciocínio. Uma decisão que parece casual foi muito estudada e discutida internamente. Ser de gêmeos me permite agir ao mesmo tempo que me olho de fora. Nasce daí minha tendência e minha capacidade para analisar  Isso me leva a falar do meu hobby que é ler pessoas. E eu leio com curiosidade a mim e aos outros enquanto tendo  interpretar o que o que vejo. E vejo tanta coisa, deveria ser fofoqueiro, mas acabo usando o que fico sabendo não para intriga mas sim para saber quem anda comigo. Confio fácil demais e preciso de um método pra diferenciar os confiáveis dos falsos. Os leais dos mentirosos. Testo os meus antes de chamá-los de meus. Testando os outros estou testando a mim mesmo. Crio uma certa barreira ao meu redor que me torna uma pessoa solitária ( mentira eu sou solitário por outro motivo.) e me causa uma série de dificuldades nos relacionamentos. Mas depois dessa barreira sou um amigo extremamente verdadeiro, para o bem e para o mal. 

quarta-feira, 22 de abril de 2015

E um símbolo na minha espada me lembrou do triforce.


        Ligar pontos com o futuro. 1992 é antigo agora. Legend of zelda: a link to the past também. Foi nesse ano e nesse jogo que vi o triforce pela primeira vez. Poder sabedoria e coragem representados em 3 triângulos iguais. 



            ¿Por que lembrei dele.? Porque agora em 2015 tenho minha versão melhorada do triforce. Só mudo poder por força...(sabemos que força e poder são tão diferentes quanto o sol da lua.)




"May the way of the hero lead to the Triforce!"

terça-feira, 21 de abril de 2015

Feliz

        Sexta era curiosidade... sábado foi vontade e segunda foi admiração. Inevitável. ¿Como é possível alguém que eu não conhecia mudar tanto minha vida em 3 dias.? Um sorriso bobo refletido no meu e de repente todas minhas tragédias e meus desencontros do passado pesam menos. Misturo um pouco de medo com uma certeza mágica de que estou no lugar certo e no tempo certo. Não mudo o que sou mas mudo meu jeito de ver o mundo. E, pelo Deus que não existe. como o mundo é bom. Anoiteceres, inverno. Impossível escolher entre o pequeno príncipe e a Alice. Falo da Europa. Meu cenário era ficar por ela. Ela melhora tudo e diz que iria junto. 

         Uma proposta para ficarmos bêbados juntos. Ela compra a causa e me embebeda por entre a lei seca do bar. Havia um plano pra ir devagar, mas sabemos bem como os planos mudam rápido quando há muita coisa em jogo. Os olhos quase enchendo d'água e arranjei coragem pra perguntar. Eu tinha esperança que ela dissesse sim. Ela me diz não sabendo porque estava respondendo. E não muda nada, já que continuamos sorrindo. A meu favor eu tinha as mordidas no pescoço. Então eu contei minha fraqueza sobre a erguida de sobrancelhas. Que ela nunca admita que confia em mim e que eu seja sempre confiável. Que nossas asas voem juntas.

           Na minha mesa encontro um anel. Coloco ele nas cordas Virgílio, meu velho baixo... meu guia no inferno. Minha relação com a música é sempre assim. Ou de todo coração ou nada feito. E como anel dela minhas notas soam melhores. Cada vez mais parecidas com o riso que encheu meu quarto de cores.

Quase. 

Somos quase namorados. 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Meu santo é forte

          Pensei em largar tudo e voltar a estudar. Isolado em algum outro lugar onde pudesse ter como objetivo único me preencher com conhecimentos variados. Livros, filmes, e muitos bate papos.  Depois pensei em vender tudo e comprar um pedaço de terra em alguma cidade do litoral do Nordeste e me dar a tranquilidade de uma vida entre a natureza e o conforto de uma presença totalmente voltada para o amor. Então pensei em me isolar por uns meses e enlouquecer. Fazer um livro, ou mais dois ou três, E me embrenhar em pensamentos insanos. Me embriagar. Sexo, Drogas, destruição. Colocar tudo no papel e voltar como quem sai do inferno com todos os segredos roubados do Diabo.

 
      Tenho tantos mundos e vontades e desejos dentro de mim. E eles são tão contraditórios por muitas vezes. Não é que não goste da vida que levo, ao contrário, amo muito o que faço e agradeço todos os dias por ser assim. Mas é que tenho sede de ser mil em mim. Tenho ânsia de viver sem fim. Tenho gosto por querer provar vários sabores, várias texturas, vários amores. Quero acreditar em Deus, dançar ao som dos tambores do Candomblé e meditar num templo budista. Quero ouvir as palavras de Cristo, de Krishna, do Lama e do Nietzsche. Quero nadar no mar e pular nas águas das cachoeiras. Quero voar, mergulhar, quero correr. 



           Pensei em ser livre por alguns segundos e depois voltar para combater.  Tenho talhado em mim um exército que nunca dorme: a força do vento, o barulho das trovoadas e a determinação do mar. Tenho em mim as dores do mundo, a angústia da fome e a centelha do Adeus. Sou o que tiver que ser, na hora que preciso for e apenas para quem merecer. E aqueles que tentarem me derrubar, aqueles que zombam por minhas costas, aqueles que desejam meu fim… Terão de lidar com a força que levo dentro do meu coração. A força de uma linda canção. A força que me conduz entre o campo minado e a artilharia do inimigo. E no fundo, lá bem no fundo, eles sabem que sou como uma grande árvore, mesmo quando atingido, continuo oferecendo frutos. E quem desfruta de minhas sombras, de minhas brisas e dos meus temporais, não precisa temer minha desordem… 
Não tenha medo, tenho sorte. 



         Sou feito de cem mil conflitos, mas sou aquele que não lhe deixará para trás. Não tenho medo da morte.  Se tiver que morrer por minhas utopias e por meus sonhos:  
Que digam diante das minhas cinzas ... Aqui jaz mais um que apanhou e sofreu, mas que nunca se rendeu ao mundo. 

domingo, 29 de março de 2015

O lugar de onde despenquei....

       Se equilibrar é difícil. Tem sido assim ultimamente. Tirei um som muito bom no meu trabalho. Tá, na verdade ele aconteceu sozinho. Minha senhora me vê. Tenho vontade de abraçá-la pra não soltar nunca. Chamo a mim mesmo de mimado e egoísta enquanto discuto comigo sobre merecimento e uma vontade de beijar. Tudo numa fração de segundo. Estava tudo bem enquanto meu corpo agradecia por eu estar indo devagar (a noite de ontem foi o inferno). Uma música me fez sair correndo. Não sou bom em chorar e ficar invisível fora do palco. Não é fraqueza. Eu simplesmente não me importo mais. Que me vejam chorando, destruído, meio morto e infeliz. Esse sou eu aprendendo a ser não o que esperam de mim e sim o que precisam que eu seja. Esse é um copo vazio de mim mesmo que eu tento encher de vida enquanto me diluo entre drogas e bebida. Eu sorrio por que há alguém aqui dentro que ainda consegue. Enquanto desabo me estendem a mão. Minhas asas doem.Silêncio. Não há paz. Nunca haverá pra mim. ¿Será que um dia vou conseguir não me sentir sozinho a cada passo que dou.? Será que um dia vou conseguir sentir de novo meu coração batendo em vez de apanhando.? 

O inferno não precisa mais de mim. De um jeito ou de outro estamos nos despedindo. 

segunda-feira, 23 de março de 2015

De novo.? Quantas vezes mais.?

     Eu tenho um campeonato de ironias com Deus e apesar de diferença gigante de recursos que cada um tem disponível, é um jogo divertido e, até certo ponto, disputado. Normalmente nos respeitamos enquanto adversários. Mas as vezes ele se passa e coloca na minha frente o que eu mais quero ao preço de uma mentira. E teimosamente eu falo a verdade e me arrebento.

        O Único Acima pode me testar o quanto quiser. Não fui feito pros caminhos fáceis ou pra uma paz morna. Eu quero mais e estou disposto a pagar o preço por ser eu mesmo.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Como tinha que ser

        Eu escrevo poesias em carteiras de cigarro vazias. Poderia escrever páginas e páginas sobre porque e como e quando faço isso, mas não vem ao caso agora. Eu não acredito em coincidências. Coincidência é uma palavra muito pequena pra explicar o trabalho que dá fazer as coisas se encaixarem e funcionarem juntas. Como explicar que eu tenha que ter passado por tudo que passei, tenha feito exatamente o que fiz e fugido pra praia pra dar de cara com uma mulher que escreve em guardanapos. Lembro dela perguntando meu problema. Respondi sem hesitar: "esquizofrenia e um coração burro". Depois de ouvir minha história ela me deu conselhos que soaram muito parecidos com os que o Kiko Mestre me daria. 

        Poderia ter sido muito diferente, mas no meu íntimo eu sei que tudo aconteceu exatamente como deveria ter acontecido. Nada foi coincidência. Eu estou exatamente onde tenho que estar e tudo teve que acontecer como aconteceu pra me trazer até aqui. Só o tempo vai dizer se aprendi as lições necessárias pra não passar por isso de novo. Mas agora, nesse momento, nesse pedacinho da minha vida, eu não me sinto fora do lugar. Vou aproveitar. É só um tomar de fôlego antes de bater as asas de novo, mas ainda assim eu vou aproveitar.


quinta-feira, 19 de março de 2015

Por e dispor

       O mar me viu vazio e me ignorou. Eu sei como ele funciona, ele tem que lidar com tantos vazios que acaba não se importando mais com eles. Em algum momento da minha vida fiz algo parecido.Eu queria ter algo para mostrar pra ele naquele momento, mas era só uma carcaça vazia parada na areia. Não havia força, não havia coragem, não havia tristeza, não havia dor...não havia nada. Fiquei tanto tempo fingindo ser tanta coisa que quando não precisei mais fingir e podia ser eu mesmo, não sabia mais o que era. Entrei no mar considerando a ideia de não voltar.  A morte sempre parece menos terrível quando se está cansado. Escrevi uma frase na areia e, no fim, acabei voltando por causa da frase. Viver e morrer pela palavra. E porque, mesmo não se importando muito comigo, o mar tinha outros planos pra mim que não incluíam me afogar.

Ele falou melhor

Às vezes eu acho as palavras. Às vezes as palavras me acham. 

"Eu sou vários. Há multidões em mim. Na mesa de minha alma sentam-se muitos, e eu sou todos eles. Há um velho, uma criança, um sábio, um tolo. Você nunca saberá com quem está sentado ou quanto tempo permanecerá com cada um de mim. Mas prometo que, se nos sentarmos à mesa, nesse ritual sagrado eu lhe entregarei ao menos um dos tantos que sou, e correrei os riscos de estarmos juntos no mesmo plano. Desde logo, evite ilusões: também tenho um lado mau, ruim, que tento manter preso e que quando se solta me envergonha. Não sou santo, nem exemplo, infelizmente. Entre tantos, um dia me descubro, um dia serei eu mesmo, definitivamente. Como já foi dito: ouse conquistar a ti mesmo." - Nietzsche

Mas...E que diferença isso faz.?


Hoje é só mais um dia triste
Vou acender o sol em mais um amanhecer
Acho que se eu estiver bem sozinho
Não vou mais lutar para esquecer
O céu e as estrelas ficam em silêncio
A Lua acabou indo embora
Devagar a escuridão volta a ser minha
Fazendo com que eu me sinta mais sozinho agora
Mas eu continuo de braços abertos
Quem sabe eu consiga voar
Mais um dia no inferno
Mas ainda assim eu vou levantar
E que diferença isso faz.??

Eu vou segurar essa vela 
Até que o fogo queime a minha mão
Eu vou continuar apanhando
Até que eles fiquem cansados de me bater
Eu vou ficar encarando o nascer do sol
Prá ver se o Sol consegue me cegar
Mas eu não vou mudar meu caminho
Não mudo meu jeito de pensar
Eu vou continuar me injetando veneno
Até o momento em que eu seja imune
Vou gritar toda a minha dor
Até encher esse meu quarto vazio e frio
Mas,
E que diferença isso faz.?

terça-feira, 10 de março de 2015

terça-feira, 3 de março de 2015

Superficial, depressivo, quase bom.. vazio

      Eu queria saber como as outras pessoas pensam. Como elas falam cosigo mesmas. Porque aqui dentro há muitas vozes numa eterna discussão aos berros. Penso que deveria ser mais sábio por conseguir ter vários pontos de vista pra analisar,mas a verdade é que me sinto muito mais perto da loucura do que da sabedoria. Não importa o que eu faça, o que eu diga, o que eu deixe de dizer, sempre haverá um lado meu contra.

       Há uma voz que sempre me fala que eu não sou bom o bastante e minha mão treme quando eu hesito e dou ouvido a ela. Mas sem ela eu seria tão arrogante...Eu já errei por arrogância e por me desprezar demais e sei  que os tombos por desprezo doem menos. Bom, ruim, pior melhor... Nada disso faz mais sentido pra mim. A solidão me liberta de querer a aprovação dos outros.. não preciso mais me comparar com nada e com ninguém.

      Há uma voz baixinha e melancólica que eu sei que é do meu coração. E qdo peço silêncio pra poder prestar atenção nela, a voz deixa de ser uma ferida que nunca cicatrizou pra ser um corte aberto. Na alma. E meu coração fala, e eu desisti de dizer que não dá. Talvez ele esteja certo em insistir, em dizer que se poderia ter sido, ainda pode ser. Ou talvez eu tenha razão em protegê-lo de tudo e de todos. Tantas decepções, tantas mentiras, tantos sonhos destruídos por que assim teve que ser. A verdade é que eu não consigo mais me importar como deveria.

        Há uma voz vermelha de ódio que silencia mais do que fala. Ela queima mais do que diz. Através dela eu relembro toda frustração de ter sido traído, de ter sido enganado e de enganar. Por causa dessa voz eu me preocupo em não machucar os outros, mas é inútil. Sou forjado pra ser sozinho, pra não machucar quem eu gosto. 

      E há a voz do Tiago. Tão inocente, tão esperançoso, tão vivo. Tudo aquilo que eu queria ser e nunca mais vou conseguir.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Sempiternamente

Ao som de Vendettas - Vou embora

      Saindo do meu quarto eu dou de cara com um espelho. Um lembrete gigante do jeito derrotado que levo minha vida. Cada vez que passo por ele antes de sair, sinto meu olhar mudando. A ternura dando lugar a frieza. O sorriso deixando de ser alegre e se tornando irônico. Minhas fraquezas não se transformam em força, mas ficam escondidas e renegadas enquanto eu finjo ser forte. Enquanto o poder mais medíocre de todos me defende: o poder da mentira. ¿Como cheguei a esse ponto? Ser falso para conseguir ser verdadeiro. Sei que um pedaço da minha alma morre cada vez que jogo xadrez com palavras manipulando as pessoas. Cada vez que eu ataco pq percebo que tenho que me defender. Cada vez que eu não me importo por não ter mais nada a perder

        Eu olho pra ela de longe e vejo ela me sorrindo com os olhos. Fazemos isso desde 2003. E aquilo que a gente mais teme sempre pode nos encontrar pelo caminho. Ela é linda, é inteligente, é gostosa e bem humorada. E uma das melhores mentirosas que eu conheço. Me sinto indefeso perto dela desde que percebi o poder dela. Ela tem o poder de não se importar. E ela sabe dizer quando eu minto. Ficar ou não ficar com ela não importava nada. Chegamos juntos no balcão e sem dizer uma palavra tomamos duas tequilas cada um. Senti um arrepio na alma quando ela me olhou nos olhos e perguntou do que eu tinha medo. Dei as costas e tentei fugir. Aquela vaca não teria o prazer de me ver chorando. No caminho ela me pegou pela mão e me puxou pra bem perto. Se ela fosse uma pessoa normal, eu teria paz naquele abraço. Se eu fosse normal...

       - Até quando tu vai ficar errando, se menosprezando e fazendo tudo errado só pra se nivelar com os outros.?? (Achei impressionante mais alguém além de mim chegar a essa conclusão. Ali ela me desarmou.)
       - Eu sou um merda, tu mais do que ninguém deveria ter visto isso. (Fingi humildade, mas ela não acreditou em nada do que eu disse.)
       - Eu me apaixonei  por ti, ela disse  - eu vi ela baixando a guarda e senti o corpo tenso. tinha certeza que ela ia bater forte - Mas tu ficou tanto tempo fingindo ser essa pessoa medíocre  que acabou se tornando ela.

      E então eu beijei ela. Não por vontade, não porque podia. Mas simplesmente porque ela beija de olhos fechados. E aquela vaca não ia me ver chorando.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

E ela tem capuz....

Havia um monopólio na ferraria do Olimpo. Todas as armaduras saíam da oficina do Héfeso. Ele era conhecido por forjar armaduras perfeitas, mas havia algo que todos sabiam. Cada armadura, mesmo sendo perfeita, possúia um ponto fraco. O ponto fraco só era conhecido porquem a usava e a discrição do Héfeso sobre o assunto era igualmente lendária. Era um mecanismo de controle para evitar que os gregos se perdessem na sua tirania.

A minha armadura era mais um símbolo do que uma proteção. O estandarte dos kamikazes que usei quando precisei ser bom e tive medo de hesitar. Medo e hesitação, essa era a finalidade da armadura, esconder meu medo e minha hesitação. O ponto fraco era claro. Bastava me olhar nos olhos e lá estava minha fraqueza esposta e vulnerável.  Era justo e funcional, numa estratégia que sempre se baseou em dissimulação. Depois que vc descobre que pode ficar invisível, não se preocupa muito com o que se passa no seu olhar.

Então o tempo passou e descobri que tenho uma armadura nova.
O ponto fraco dela? É bem simples, ela não protege meu coração. Quando perguntei pro Hefeso o que ele estava pensando quando desenhou, a resposta foi uma sonora gargalhada. Ele não entendeu porque deveria proteger uma coisa com a qual eu não me importo. Ele balbuciou também que ela não era minha de verdade, só estava comigo. E que se eu prestasse atenção no ombro dela, saberia a quem ela pertencia.

E aqui estou eu, racionalizando quase tudo para tentar entender como posso tirar força do fato de estar completamente vulnerável. E tentando não surtar. Acabei entendendo que toda essa situação era o sinal de que deveria encontrar alguém que cuidasse do meu coração, coisa que eu sou visivelmente incompetente demais para fazer. É interessante que depois de tantas mentiras e falsidade eu esteja vendo a verdade como o único caminho. Confiar é minha escolha mas, ela não é fácil. Acreditar é terreno perigo pra quem se acostumou em saber. Amar e ter uma pessoa especial do meu lado torna as coisas mais fáceis, mas... depois de colocar meu coração nas mãos dela, todos aqui dentro sabem que um tombo agora pode ser fatal.

Cuida de mim... dessa vez eu não consigo sozinho.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Dando um tempo da operação verão

Quando a alma sente tesão, a felicidade simplesmente acontece. Em cada detalhe.


terça-feira, 21 de maio de 2013

(G)iiixxxxsss


Felicidade é ter alguém que salve as segundas-feiras com uma frase romântica. É ser de alguém, em alguns casos. Um sentimento de pertencimento. Felicidade é quando a pessoa se perdoa pelos erros do passado e segue em frente sem todas a barreiras que vai se colocando ao longo dos anos. Ser um ícone da canalhice e um blog cheio de mimimis. Gêmeos com ascendente em gêmeos e lua em aquário. Tá tudo explicado nas minhas estrelas, no meu casaco azul que tem o melhor cheiro do mundo nele.

O chimarrão vem amargo, mas ele puxa que é uma maravilha. Pra saber se minha vida está boa, basta me pedir pra fazer um chimarrão.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Se o problema fosse qualquer outra coisa



Antes da segunda sinaleira eu já sabia que a viagem até aqui seria de discussão comigo mesmo. Eu notoriamente raciocino melhor andando a mais de 130km/h. O que já aprendemos é que os outros motoristas não lidam muito bem com coisas se movimentando rápido demais e as vezes eu precisava coçar o olho que insistia em marejar. É difícil ter noção de profundidade com um olho fechado. E eu ia sentindo o cheiro que havia sobrado nas minhas mãos, como que espremendo um último restinho de felicidade. Curva atrás de curva eu me sentia fugindo. Como se eu não soubesse que  fugir não tem nada a ver com localização ou distância geográfica. Como se eu não pudesse ver o remoroso me perseguindo cada vez que olhava pelo retrovisor.

Devo ser o pior mentiroso do mundo. Vivo mentindo sobre pequenas coisas: números, datas, horários, essas coisas que os adultos adoram saber para fingirem que tem algum controle. E de tempos em tempos eu tenho a chance de alcançar o que mais quero ao preço de uma mentira. ¿E o que o idiota faz? Vai lá e insiste em falar a verdade e se arrebenta todo.  E fica se sentindo a bactéria que caiu da baba do cavalo figurante de bandido que morreu no filme. É tão irônico isso. Fazer o certo e se sentir mal por fazê-lo.

Já faz mais de um ano que eu queimei tudo que já havia escrito. Não foi fácil arrancar tudo aquilo aqui de dentro. Não foi fácil me trazer de volta. O fato é que a ferida nunca cicatrizou direito. Na hora eu não percebi, mas mesmo queimando tudo, uma pequena sementinha não queimou. Ela ficou na minha ferida e, ali nasceu um pequeno brotinho. Eu nunca dei muita bola, mas aquela semente foi colocando raízes que agora não podem ser arrancadas. Cada vez que a tristeza vez elas descem mais fundo. Um simples pensamento as vezes muda uma mente para sempre. E agora que eu sei como fugir de verdade, nunca mais vou poder fingir que não sei o caminho.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Manobrar não é tão fácil quanto parece

Ou: Claro que eu não achei o bilhete


Por anos eu escrevi pra ela, e de repente ali estava eu tendo vergonha de escrever na frente dela. Troca-se vinho tinto por 9 textos. Troca-se sorrisos e maionese verde por inspiração. Como se eu não soubesse o que escrever sobre ela. Comida na boca pra que eu não esquecesse de comer. É bom ter algum que me conheça a esse ponto. Mordidas no queixo e eu percebi que não há nada mais inútil do que meu cavanhaque. ¿Estrelas? 5. Nada mais inútil do que tentar ficar longe dela. Ela tem um olho bom para corrigir as coisas. Não vejo coisa melhor que ela possa corrigir do que eu mesmo. ¿Ela vai colocar meus acordes no lugar da mesma maneira que coloca pontos e vírgulas nos meus textos.??

Achei que precisaria dar um nome estranho para a cor, mas a Fiat já fez isso por mim. Azul Trinidad. O que é isso me incomodando.? Ah, tem um grampo de cabelo no meu cabelo.

Nenhum agradecimento seria preciso. Era eu retribuindo uma milésima parte do que ela fez por mim.
E tem mais, eu desisto.  Uma luz da razão para viagem e um hidromel com emoção.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Oblíqua e dissimulada

"Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve."Don Casmurro

Finalmente isso faz sentido.




quarta-feira, 27 de março de 2013

Carecendo de certezas apesar da certeza das dúvidas.


Discutindo harmonias e dando risadas nas aulas aprendo muito com o que acontece nas entrelinhas. Vejo um professor dizendo que ensinar um gênio ou um aluno esforçado é fácil. Difícil é puxar aquele que não se ajuda. Tornar bom o que é medíocre (medíocre não pejorativamente falando e sim na sua definição - aquele que está na média). Admiro a perseverança dele sem muita inveja. Não escondo que que sinto um certo orgulho por saber desistir das coisas e das pessoas (e tenho minha excessão que confirma isso). Por outro lado, um doutorado em música e de repente você tem o direito de ser contra tudo e discordar de tudo. Aprendo a entender isso. Professores tem que desconstruir o que o aluno não sabe, para que ele possa contruir um conhecimento mais próximo da realidade. Aprendo devagar a não concordar com isso, mas  por simpatia e admiração eu aceito as descontruções cruéis. Funcionam comigo e por isso eu imagino que elas não são tão funcionais. ¿E o que sei eu? Sempre aprendi o que eu queria apesar dos meus professores pra depois chamá-los de mestres. E tem mais, realidade em termos de música não é tão simples e explicável quanto parece. Não é tão matemático quanto poderia se supor. A teoria justifica e suporta acordes que acabam soando horríveis. E acordes errados soam com perfeição onde não deveriam. Teoria e prática são estranhas uma para outra quando ficamos tentando achar explicação pra tudo.

A música não carece de explicações, e explica tanto sem dizer nada. É algo para ser sentido e não explicado.

domingo, 24 de março de 2013

Paula quer batatas



Um sorriso de quem sabe que não é sorte - é competência - e eles se despediram. Péssima semana pra parar de fumar. Péssima noite para decidir não beber. Troca tudo por erva mate. 4 shows, 3 lugares, 2 pessoas. Vem a Vermelha numa livraria. Tempo de menos e ela me dizendo calma. Capuccino com chocolate branco. Pegar no sono em HD. Fórmula 1 bem melhor sem o Rubinho ¿Onde diabos fica Tapejara.? Luis José? Muda a cor de que? Toda ruiva.? Vai timeeee!!! Meu volante copeiro joga contra o time e me coloca no chão de novo. Cruel e libertador. Torres é perto demais, mano. O mar cuida dela mas eu cuidaria melhor. Eu sempre gostei do Yoshi azul. Identidade de Euler e desenhos rabiscados. Um pedaço de sensação ¿Me ensina a ser palhaço.? Como se precisasse... Ando entre gigantes.

"Supõe um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para chegar num lugar onde há batatas em abundância; Se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição no caminho. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria e ousadia da vitória, os hinos, aclamações e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas." - Quincas Borba

E tudo isso sem uma gota de rum, pelo menos pra mim.

terça-feira, 19 de março de 2013

Quase tudo

Eu queria saber desenhar. Desenhar uma montanha bem alta e depois desenhar um bonequinho de palitos carregando um saco pesado montanha acima. Ele ia demorar um a tempão prá chegar lá em cima e ia chegar todo machucado. Quando ele chegasse no topo da montanha ia ficar a noite inteira olhando as estrelas. Prá ele, uma constelação de 5 estrelas marca o que ele entende como casa. E qdo amanhecesse ele ia abrir o saco e tirar de dentro duas asas empoeiradas e sujas. pra colocar de volta nas costas, todo desengonçado. Existe um sorriso que só as pessoas tristes conseguem dar e depois de dar um desses sorrisos o bonequinho ia pular montanha abaixo. Ele até ia voar um pouco, mas sozinho ele não tem a força que precisa pra manter as asas abertas. Mesmo sabendo que não tinha como, mesmo sabendo que o chão era destino certo, ainda assim ele pulou. A queda seria foda e depois do tombo e de se recuperar um pouco (não da dor física porque a dor do corpo é uma piada perto da dor da alma), ele iria levantar e sem ter força de erguer os olhos iria colocar as asas dentro do saco e recomeçar tudo de novo. Mesmo as asas sendo só um emaranhado de água salgada e remendos mal feitos, eram dele. Foram presente da mulher palitinho que ele amava. Ao redor dele haveria uma multidão de palitinhos dizendo que ele não deveria ter pulado, que ele não deveria tentar voar de novo, dizendo que o chão era o lugar dele.  De cabeça baixa ele iria de novo em direção a montanha, com medo, duvidando de si mesmo, duvidando do real motivo de ter ganho aquelas asas que as vezes amaldiçoava por ter lhe trazido tantos problemas. Ele duvidava de quase tudo, menos de uma coisa. Com o mesmo sorriso que só as pessoas tristes conseguem dar, dessa vez com covinhas nas bochechas, ele iria continuar subindo naquela montanha até o dia em que a mulher palitinho com um coração forte voasse com ele. Ou o dia em que a queda fosse demais e ele acabasse morrendo. Os corpos de palitinho são muito frágeis perto das decisões que a alma toma. Ou de um amor que não sabe acabar.

Eu queria saber desenhar, porque não tenho mais palavras pra descrever o vazio que sinto longe dela..


segunda-feira, 18 de março de 2013

O céu e a vontade de comer sorvete.

Demorei pra escrever porque ainda não assimilei tudo que eu li. Qdo me dei conta estava com um sorriso que não cabia em mim, ao mesmo tempo que não conseguia enxergar o monitor direito de tanto chorar. Li e reli a nossa conversa incontáveis vezes. Eu poderia lembrar do dia de ontem como o dia em que meu corpo finalmente venceu uma antiga discussão comigo e me convenceu a dar um tempo de bebidas e cigarros. Em vez disso, vou lembrar que há um coração que me faz forte. Vou me lembrar sempre que o céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu. E vou lembrar que a mulher da minha vida também me ama. E eu nunca mais vou desprezar as asas que ela me deu.






segunda-feira, 4 de março de 2013

Um degrau por vez.


Pouca gente sabe, mas normalmente minhas asas são só uma pilha de escombros que eu carrego comigo em forma de culpa.  Mas as vezes, só as vezes, eu lembro porque tenho elas. Cada vez que meus olhos esbarram no que mais desejo eu fico sem chão. E lembro da bicuda que uma mulher me deu de cima do penhasco para que eu aprendesse a voar. E quando a gente fica sem chão, só pode confiar no céu. Talvez ela tenha percebido antes de todo mundo que eu rastejava enquanto fingia voar e num ato de puro altruísmo tenha decidido fazer alguma coisa a respeito de mim. Pode ter sido o caso dela também me amar.  Ou talvez não seja nada disso, pode ser apenas minhas esperanças embaralhando minha memória e meu entendimento do que aconteceu.

Continuo com a sensação de que alguma coisa está muito fora do lugar, mas sempre que amanhece e eu vou dormir, sei que ela está acordando em algum lugar não muito longe de mim. Esses pensamentos me dão algumas migalhas de serenidade e eu durmo melhor, mesmo não sendo ao lado dela. Acabo me sentindo grato por ter, no meio de toda confusão, alguém que me faz sorrir só por existir. Sei que não há mais volta pra nós e vou seguindo em frente aos tropeços. Sei também que o fato de ter  perdido meu grande amor me tornou um a pessoa melhor depois que repensei mil coisas.  Mas o fato é que minha alma nunca sossegou depois que eu a perdi.

Y no hay dolor que duela más que dolor del alma.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Uma parábola familiar


_____As vezes consigo estabelecer uma relação entre o jeito que vivo minha vida e a quantidade de vezes que posto por aqui. Lembro das vezes que vinha correndo para escrever minhas linhas tortas sempre que tinha oportunidade de mandar mensagens que só uma ou outra pessoa conseguiriam entender. E me divertia criando maneiras de inserir essas mensagens na minha vida, nos meus textos. Em parte, fiquei esse tempo sem escrever por acreditar que não havia mais ninguém com quem eu quisesse conversa. Demorei mas acabei aceitando que há pessoas que nunca sairão da minha vida, e aqui estou eu de novo... ouvindo Tool e rabiscando ideias. 

_____Sempre precisei escrever pra organizar a mente. Vivo pensando levianamente rápido demais e quando escrevo me obrigo a analisar melhor o contexto. E, posso facilmente olhar  pra trás e dizer que estou adiando essa análise, quase fugindo. Mesmo dormindo 4 ou 5 horas por noite dia, sempre arrumo alguma coisa pra fazer pra não pensar muito nos rumos que estou tomando. Não que eu esteja errado: trabalhar tudo que dá não é o problema. Meus objetivos também não. O problema mesmo é a companhia, ou a falta dela. Alguma coisa se quebrou aqui dentro depois do último namoro e da bagunça das flores. Eu não tenho força nem vontade de consertar. Cheguei num ponto em que acredito só em 3 coisas: em bêbados, em crianças e em pessoas com raiva. E isso me incomoda muito. Sei que isso me protege, mas não sei ser eu mesmo sem ter alguma coisa que me deixe vulnerável. E minha esperança está fraca demais pra empatar com o instinto de auto preservação. O jardim não me encanta mais. A Ostra está longe do meu alcance.

Ainda assim,  sei que as peças se encaixam. Nesse exato momento toca a música que ela me escreveu.




Choosing to be here right now. Hold on, stay inside...

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Tudo bem que o leite ferveu


Eu larguei tudo que estava acontecendo lendo um "Boa noite, Tiago" no FB. Não discuti sobre meu nome porque não teria argumentos. Soltei um "Boa noite, Laura" com uma calculada indiferença. Eu me chamo de Vento e sempre vou me referir a ela como Professora Resiliência. Entre livros, tequilas, alianças e moedas de 3 lados conversamos. Lembro das aulas, da tranquilidade dela num piano ou solfejando como se fosse a coisa mais simples do mundo. ¿Como pude pensar em desistir disso.? Meu lugar é na corda bamba entre um acorde e outro. O lugar dela é no contraponto entre as vozes dos acordes. A vida e o jeito que tocamos reflete aquilo que somos. Tocar mal é tocar mal a vida. E ela vai me tornando um ser humano melhor quando me ensina a ser um músico melhor. Frases de efeito melhores do que as do gato de Cheshire e mais simples que uma pentatônica de Lá menor. Metáforas e café, quero os dois.





Sempre que estou saindo do caminho vem uma mulher e me coloca nos trilhos de novo.  Dessa vez foi uma doutora em música. Encontrar caminhos para ir de um silêncio a outro continua me fascinando.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Para decidir por onde vou


A decisão foi certa, mas mesmo que eu soubesse o que fazer e tivesse uma certa noção de como fazer, não tinha a mínima ideia de quando. Cheguei na praia com o sol forte e entendi que deveria esperar. Esperei mesmo sem saber direito o que estava esperando, torcendo para não perder o momento certo. Depois de 2 dias soltando pipa e procurando desenhos nas nuvens, no começo da noite, a chuva veio e eu entendi o recado. Estava sozinho na areia, mas no céu a chuva gritava e na minha frente o mar me dava medo. Não fui bem recebido por nenhum dos dois, mas encontrei ordem no meio daquele caos. E fiquei ali, nadando, contando raios no céu. A água que estava suja foi ficando limpa e eu pude descansar. Queria desistir de tudo porque na minha cabeça era melhor começar tudo de novo do que tentar salvar uns poucos garranchos do desenho origininal. Mas eu estava enganado. Mesmo com tudo que se quebrou, mesmo com tudo que eu não soube ou não consegui proteger, ainda há uma alma aqui.

E eu lembrei da promessa. E lembrei como é bom ter esperança. E lembrei que estar sozinho nunca me perturbou enquanto eu estava em paz com a minha essência. Entre raios, chuva e água salgada, lembrei que abrir as asas não dói.

domingo, 6 de janeiro de 2013

¿Asas pra que?


Dessa vez eu preciso de ajuda. Preciso descansar. Levo a chuva comigo porque não quero que aquele monte de água me veja chorando. Sem nenhuma costura pra remendar ou armadura pra reforjar, levo também minha pipa.

Estou cansado. O ano foi salvo.

Vou pra praia tentar salvar o pouco que sobrou de mim mesmo.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

"Vencemos"


Podemos chamar de milagre de natal, mas não acordei atrasado. O despertador insistiu muito, mas conseguiu me arrancar da cama. Peguei o Virgílio para conseguir passar algumas músicas e a tendinite me lembrou que o dia ia ser muito longo, tendendo ao infinito. Passagem de som estranha. Foi estranho voltar para um palco. Foi estranho não estar atrás da mesa de som. Demorou, mas deu tudo certo... Não sem a ajuda do Delmar, o apagador oficial de incêndios.

Ironicamente eu percebi que não ia precisar de armadura nenhuma. Eu tinha como me defender. Ironicamente não consegui passar esse natal sozinho ( eu sempre tento, quase nunca consigo). E passar o natal com o Kiko foi engraçado. Quase 4 horas sem que ninguém falasse feliz natal. A coisas indo pro lugar.

Lembro de organizar tempo e fatos pra ajudar todo mundo. Pra encaixar as peças em vez de tocar fogo no circo. O show demorou pra começar. Eu não estava sentindo medo, mas estava me sentindo terrivelmente fora do lugar. Um pai nosso em español e soltei os cabelos, luz na cara e o Giovane anunciando. Não deu mais tempo pra pensar  sobre meu lugar ou sobre me defender; sobre quem eu queria que estivesse ali me assistindo. Mandei meu coração calar a boca, por pelo menos 2 horas eu não queria ouvir um idiota me dizendo que falta alguma coisa. Por pelo menos 2 horas eu tinha outras coisas para escutar. Não sei direito se ele ficou quieto, só sei que música atrás de música, nota atrás de note eu fui colocando toda minha energia. Eu prometi que não seria pela metade, que seria tudo de mim em tudo. No fim, avisei que a gente ia tocar mais 4 músicas que a gente sempre quis tocar e nunca conseguiu em banda nenhuma. Aquele era eu tentando explicar sem dizer nada que o ano tinha sito uma merda pra mim e que eu queria um presente de natal foda pra equilibrar a conta. E eu tive o melhor presente de natal que um baixista barulhento e jazzificado poderia querer. Quando o Kiko subiu no palco eu desci pra poder ver melhor. O Barão o Caldo e o Kiko no mesmo palco seria a imagem perfeita para mostrar que meu trabalho estava feito.  Se fosse uma frase com a mesma função seria "foi sem querer, mas não muito" no corredor e na confusão entre os banheiros

No meio do show, olhei pro lado e pensei comigo como me sinto estranho em andar com os grandes. Algumas das pessoas mais fantásticas que eu conheço ali tocando juntas e eu de metido. Sabia que no esquema tático minha função era juntar todos eles e manter a máquina funcionando, mas acho que estar num palco tocando não foi invisível o suficiente dessa vez.

Gracias, ao Caldo, porque ele é definitivamente o mestre daquele lado do palco. Ao Barão, por ter mantido um maluco sob controle sempre reiterando que não era musicoterapia. Nick, tenta uns tapas, tu já falou mil vezes e não adiantou. Cla, sem tua produção teria sido inviável. Tchuky, faz uma cuba. Dennis, nunca me deram um litro com tanta competência. Jonas, apesar das cantadas ridículas tu tem potencial. Giovane, tu é foda. Kiko, parceria total. Pedroso, tu é um das melhores pessoas com as quais tenho o prazer de conviver. E eu sempre vou achar um absurdo tu pagar pra eu fazer o que eu faço. Poletto, tinha que ser tu ali junto com a gente. Kiko, se o discípulo perfeito for igual ao mestre, então tenho o professor certo. Potro, Ostra, Dulcinéia, Jasmim, Ana Pic-pic, Mário, Fábio, Ave, Mateus Correria, Copa, Compadre, Bledo, Mark, Wood: vcs não estavam lá, mas tinha um pouco de vcs lá comigo, um pouco de tudo que vcs me ensinaram.

No fim, bem no fim de tudo, acabei o ano fazendo o que eu sempre faço: Um exagero imbecil antes de parar por um tempo. Cansei de viver olhando pro abismo. Cansei de viver com o abismo me olhando. Agora é praia e só.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Porque o inferno precisa de mim




Promessa é dívida, as repostas são: eu fumo numa situação específica e só durante ela. Quando tenho certeza de alguma coisa e vou escrever sobre eu sempre começo com um talvez. Exemplo: depois da noite de ontem, talvez não haja mais nada a ser dito. E eu jogo xadrez mexendo as peças com a mão esquerda pelo mesmo motivo pelo qual puxo as cartas do tarô com a mão esquerda.

Quem me viu no fim de semana me viu sorrindo, mas a verdade é que me sinto desmoronando aos poucos. O que me mantinha inteiro já não funciona mais. Essa correria não me dá mais paz. Eu não me dou mais paz e o caos anda comigo. Tentei me enganar achando que depois do show de amanhã as coisas iam acalmar, mas é lógico que não. Nunca melhora. Desmaio quando o corpo não aguenta mais e acordo como se tivesse levado uma surra. Não é ressaca nem nada, e sim incontáveis noites dormindo 3 ou 4 horas.  Mas ainda não me dobraram. Nunca me concedam descansar. A agenda é insana, mas ela será cumprida.

No meio disso tudo, esbarro com pessoas que mostram que o caminho vale a pena. Fui operar um show no La barra, cheguei atrasado e era um show de pagode. Podia ser uma tragédia , mas foi uma lição de profissionalismo por parte da equipe dos caras e de carisma por parte da banda. Um grande abraço pro André e pro Roadie fodão que eu não sei o nome. E no meio da passagem de som cantamos racionais.

tenha fé porque até no lixão nasce flor.


Fico me perguntando de onde vou tirar força. ¿E cadê o estandarte quando eu preciso dele.?
Sinto cheiro de amanhecer. E pode ser que amanhã faça sol.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Bunker versão 2.0


A tarde começou agitada. Em cada canto da cidade havia um louco tirando músicas. Não é um ar de desespero, e sim uma calma apressada. Vai dar tempo, mas vai ser foda. Rabisca partituras em clave de Fá e de Sol. Só as partes que precisam. Só prá não precisar ficar lembrando. Toca um Purple e eu negociando por telefone:
- Eu quero saber se tu canta.
- Não , eu faço outras coisas.
- Tô sabendo, mas preciso que tu faça outras coisas cantando uma música num palco enquanto uma banda toca.
Preço imbecil e um tom de voz que não gostei. Próxima candidata fica pra depois. 37 músicas prá tirar e os dias com 25 horas estão cada vez mais escassos. Em cada canto da cidade havia um louco empolgado com o ensaio. Meus Deus, que voz eu faço nessa parte.? Como faz para cantar e tocar isso.?  Preciso de 2 cérebros. 12 horas num bunker e num estúdio, achando que o timbre tava uma merda e chega o Barão e diz que tava bom. E olha que eu estou com medo de pegar tétano nas cordas do Virgílio. A vida deve ser isso mesmo, a gente odeia o jeito que soa, mas estamos soando bem para uma outra pessoa, em algum outro lugar. Ou talvez eu seja tosco demais para perceber certos nuances do meu jeito de soar. De qualquer maneira, minhas notas nesse show já tem inspiração certa, mesmo ela sendo inacreditável.

A stripper ainda não apareceu, mas vai dar tudo certo. Equipe Vai vai vai.

Termino com uma frase simples e despretensiosa do Barão. "Vai ser, no mínimo, engraçado... com precisão no vai, ênfase no mínimo e ironia no engraçado"



Um novo bunker

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Antes e depois disso.


No fim de tudo eu queria salvar o ano. Ou, de uma forma um pouco mais egoísta, o meu ano. Queria me dar um presente de natal que equilibrasse tudo que deu errado no ano. E não foi pouca coisa. Inventei um show da Salve Ferris como pretexto para tocar com o Kiko e com o Barão. No vagão, o bar do Marcelo... no mesmo palco que tantas vezes já me viu chorar e sorrir. Era egoísta, mas fui além disso. E agora, muito atrasados com os ensaios, eu tenho uma certeza: Vai ser foda pra quem assistir. Depois do show segue a festa na minha casa para os de fígado forte e coração burro. As melhores pessoas do mundo tem o coração burro. As melhores noites do mundo terminam com os fígados.

Isso era o que eu podia planejar.  O que eu não podia planejar foi a noite de sexta, que só consigo definir como inacreditável.  E uma única noite conseguiu me colocar nos trilhos de novo, se é que existem trilhos para pessoas que vivem a vida do jeito que eu vivo. Improvisar não é planejar, diria o Potro, mas o fato é que o universo conspira. É muito Paulo Coelho essa frase, mas só com ela para explicar uma sucessão de eventos que enfiou um sorriso na minha boca que não vou tirar tão cedo. E eu lembrei que o mundo é bom, que conhecer gente nova me faz pensar. E aprendi que estar no lugar certo e na hora certa com uma garrafa de tequila no bolso faz toda diferença.

Devagar vou me entendendo: não acho que eu seja bom, mas acho que sou bom demais para algo que tentei por muito tempo. Não é possível buscar redenção e manipular ao mesmo tempo. E agora eu entendo isso, finalmente. E desisto dos dois. Não há nada que justifique minhas tentativas de manipular e omitir. Não tenho nenhum pecado tão grande que me coloque numa busca por perdão que seja maior que tudo. Só viver parece ser o melhor plano para o momento. Existe uma discrepância entre o que eu acho que sou, o que eu quero ser e o que eu realmente sou. Finais de semana como o que passou me mostram que bem devagar eu estou diminuindo a distância entre essas 3 coisas.  E acreditar em mim não é mais tão difícil quanto era.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Seguindo o coração


Eu já fiz muitos shows escondido atrás de um truque. Eu descobri que conseguia sorrir e ficar invisível enquanto tocava com os cabelos jogados na cara. Quer dizer, eu não tocava, eu ficava segurando o Virgílio enquanto ele tocava sozinho e eu cantarolava um tango ou uma música do ACDC. Essa pequena artimanha me permitiu fazer muitos shows chorando que nem criança sem ninguém ter percebido. Hoje descobri que isso também funciona numa mesa de som. Vi minhas lágrimas caindo em cima dos volumes me sentindo em casa. É por isso que gosto do meu trabalho e da minha relação com a música, essa maravilhosa arte e terrível profissão.

E como tudo é uma coisa só, cheguei em casa e coloquei a mesma camiseta de grêmio que esteve comigo em algumas das vezes que me esfarrapei. E pela camiseta cheguei numa foto. E pela foto entendi que estava na hora de ir ver o mar de novo. Enxuta, a concha continua com o mar guardado no seu estojo. E agora vou para o leste antes de começar mais uma semana.  Uma noite para recuperar o fôlego e tomar uma surra das ondas. E onda atrás de onda aquele aguão vai me colocar no lugar e encher um vazio de água salgada.. E a maldita dor na pena vermelha vai ceder.

Essa é minha vida. Encontrar mágica no absurdo. E conviver com um coração que me leva sempre para o mesmo lugar.

Cavalos Marinhos.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Seguindo os passos do mestre



Foi estranho olhar para mim mesmo no espelho enquanto estava fazendo algo entre lavar a cara e tomar um banho numa pia de banheiro. Um walkie-talkie na orelha me dava ar de importância, mas nos meus olhos eu vi a mesma chinelagem de sempre. E a mesma esperança inocente de sempre.A empreitada era grande, mas em algum lugar aqui dentro eu sei que me viro bem nesse tipo de evento caótico. Durante o segundo ou terceiro show me dei conta de uma coisa: olhei pra mim mesmo e me vi operando o som na mesma mesa de som que o Kiko Fávero trabalhou no festival passado. Sorri bobo, meio orgulhoso, meio sem jeito. O som estava do caralho enquanto eu seguia os passos do meu professor (eu chamo ele de mestre). E trabalhar com o Fer Costa facilita tudo. E tem o Nick, o Monta. Time forte. Entre um solo de gaita e outro, eu ia decidindo minha vida por sms e pilotando as bandas do jeito que dava. Os palcos ganharam outros nomes: eu, tu, eles. E terminei a empreitada de shows sentido os pés doendo em lugares que eu nem sabia que podiam doer.

E teve um segundo... um pedacinho de tempo que me fez entender tudo.
Na frente do Missi, sentindo os pingos de chuva caíndo com ar de missão cumprida. Ali eu entendi a  mecânica do sistema. Há uma coisa mais importante do que os shows que faço no palco ou na mesa de som. O mundo foi bom e me deu de presente uma mulher que faz meu coração balançar. Eu nunca sei direito se nós dois estamos longe ou perto, mas eu sei que ela existe e mesmo que eu não a veja, eu sou uma pessoa muito melhor por causa dela. E sentir meu coração batendo todo torto por causa dela me faz bem muito mais do que a ausência dela me faz mal.

E hoje o festival segue.. De novo e ainda.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Fazendo as pazes com o Virgílio



"i'm getting wise and i'm feeling so bohemian like you
it's you that i want so please
just a casual casual easy thing
is it, it is for me
and i like you
yeah i like you
i like you
i like you
i like you
i like you
i like you
i like you
i like you"



"Shall I go on, and on, and on, and on, and on, and on again?"


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Período Prolixo



Ao som de Metallica - Turn the page

_____Caos nas aulas. Em psicologia do desenvolvimento estou correndo conta o grau C entre cervejas para a Mariana e pesquisas históricas. Depois professora Resiliência olha e me vê pesquisando a escala menor húngara* e pergunta o que eu queria com aquilo. Discussão de meia hora apesar de estarmos no meio da aula. Adoro ela e a facilidade com que ela explica o que quer. Resiliência é um conceito muito abstrato para mim, estando sempre muito além da definição da palavra. Há uma subjetividade sem a qual a palavra não faz sentido. É diferente de palavras que são um conceito antes de ser qualquer outra coisa. Maturidade é viver em paz com o que não se pode mudar. Sou imaturo por natureza e sempre vou tentar mudar o que está errado. Quero colo com 5 estrelas e o cavalo marinho que tanto  passeia pelos meus sonhos. 

_____O destino está do meu lado. Ele sempre me leva para uma ostra com cheiro de nostalgia, porque através dela eu lembro de outras coisas também muito importantes. Eu já descansei por tempo demais, está na hora de voltar ao que eu sou. O passado não muda, não tem volta, mas eu sou louco o suficiente para insistir em mudar o presente. Meus dias de 25 horas funcionam melhor quando insisto em pedir que nunca me conceda descansar.

6 da manhã, hora de dar bom dia e tentar ir dormir. A madrugada não foi fácil. 

*(1 - 2 - b3 - #4 - 5 - b6 - 7)

domingo, 7 de outubro de 2012

Notas perdidas

Disseram que hoje eu estou triste. A verdade é que eu sempre estou triste. Há uma sensação que me acompanha já faz anos. Estou me enchendo de trabalho insanamente e finalmente cheguei no ponto em que está quase impossível dar conta de tudo. É um processo calculado: quando mais eu trabalhar, mas consigo achar malucos iguais a mim. De vez em quando esbarro em uma sensação de pertencimento que justifica quase tudo. E ameniza. Preciso manter a cabeça ocupada para que os gritos do coração não me enlouqueçam. Pra que que eu chegue na minha cama pra dormir e simplesmente desmaie antes de me dar conta de que estou sozinho. Já não rezo antes de dormir faz muitos anos, agora meu mantra basicamente consiste em pedir desculpas para um emaranhado de remendos de água salgada que não para de apanhar no meu peito.

Queria que essa dor passasse, mas considerando que sistematicamente afastei de mim as pessoas que poderiam me dar colo e que nenhuma surra tem dado resultado, não me sobraram muitas alternativas. O fato é que o mundo não vai parar só porque eu não vivo meu luto como deveria. E mais cedo ou mais tarde a gente precisa entender que o passado não tem volta.  Nunca melhora, mas isso não é necessariamente ruim.


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Santo Expedido quase me bateu...


Sei que demorei, mas sempre carrego comigo a sensação de estar terrivelmente atrasado... desde que me chutaram abismo abaixo. Queria poder ter algum fato emocionante prá contar, mas a verdade é que minhas palavras soariam cansadas.  Uma gripe continua sendo o preço para os meus exageros. E os exageros, bem sabemos, são um tentativa quase válida de buscar no resto do mundo o que só existe em uma pessoa: balanço. Somos dois que se sentem bem e mal ao mesmo tempo. Mas no meu caso, as coisas boas superam em muito as ruins.

Queria poder contar uma história diferente dessa vez.. algo que não seja a mesma repetição de sempre : "...e la´se foi o idiota, sentar na beira da praia, pra conversar com o mar enquanto ele e e a chuva remendavam um coração velho com uma linha de água salgada."

Eu remendo e remendo, mas tá na cara que nenhuma costura vai durar.